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Rei Lear e Macbeth

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Rei Lear e Macbeth

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Willian (as vezes William) Shakespeare

Editora: Verbo

Assunto: Teatro

Traduzido por: Ricardo Alberty

Páginas: 327

Ano de edição: 1973

Peso: 615 g

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Excelente
Marcio Mafra
18/06/2003 às 18:51
Brasília - DF

Comentar Rei Lear, sem ser do ramo teatral é complicado. Uma peça do gênero tragédia, escrita no ano de 1606 e, que decorridos mais de 400 anos ainda é lida, discutida, exaltada e, quando representada é aplaudida de pé - só pode ser de inigualável qualidade teatral, política, literária e poética. Os não ingleses dizem que Sheakespeare é o maior dramaturgo da Inglaterra. Para os ingleses ele é o maior de seus poetas. A peça, com 21 personagens principais, conta a história do Rei Lear e suas 3 filhas que ao final redescobrem o amor, mas nada mais podem fazer para reparar os males que fizeram à si e aos seus vassalos e assim evitar as suas mortes.



Macbeth também é do gênero tragédia. Representada por mais de 30 personagens principais, além dos figurantes, é uma história muito dramática, de traição e morte, com muita feitiçaria, passando pelo assassinato do soberano e - ao final - a devida recuperação da soberania. Ambas as peças são excelentes. Assim o excelente do Rei Lear com o excelente do Macbeth, somam uma dupla maravilha. São mais que excelentes.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Rei Lear, tragédia existencial, no formato original de peça teatral, que trata dos temas:
(1) Inocência e culpa, reabilitação moral e degradação, e,
(2) Fidelidade e perdão do amor. Já Macbeth tem como tema central o assassinato, ou seja, a morte, tudo muito ligado à feitiçaria própria da idade média, passando pelo drama do regicídio.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Rei Lear.
SEGUNDO ACTO.
CENA I: Um pátio no interior do castelo do conde de Gloucester.
Entram Edmundo e Curan, vindos cada um de seu lado.
EDMUNDO Deus vos guarde, Curan.
CURAN E a vós também, senhor. Estive com o vosso pai e dei-lhe a notícia de que o duque de Cornualha e a duquesa Regan virão esta noite visitá-lo.
EDMUNDO Por que motivo?
CURAN Por minha fé, não sei. Não ouvistes as novidades que circulam, ou antes, que se murmuram, porque até agora são apenas conversas segredadas ao ouvido?
EDMUNDO Não ouvi nada. Dizei-me de que se trata, por favor.
CURAN Não ouvistes falar de uma guerra que se prepara entre o duque de Cornualha e o duque de Albânia?
EDMUNDO Nem uma só palavra.
CURAN Então, em breve sabereis qualquer coisa. Adeus Senhor
Sai.
EDMUNDO O duque chegará aqui esta noite! Tanto melhor! Este acontecimento vem por si próprio reforçar a minha trama. O meu pai manda espiões prender o meu irmão. E eu tenho uma coisa de natureza muito delicada a fazer. Mãos à obra, Prontidão e Fortuna! Ah, irmão, uma palavra; descei, irmão, por favor.
(Entra Edgar.)
O meu pai espreita-vos. Fugi deste lugar, senhor. Informaram-no do vosso esconderijo. Tendes agora a vantagem da noite. Não falastes contra o duque de Cornualha? Ele vem aqui hoje, de noite, à pressa, e Regan acompanha-o. Não dissestes nada a seu respeito e contra o duque de Albânia? Pensai bem.
EDGAR Nem uma palavra tenho a certeza.
EDMUNDO Ai vem o meu pai; já lhe ouço os passos. Perdoai, mas tenho de fingir que desembainho a espada contra vós. Desembainhai também a vossa; Fingi que vos defendeis. Portai-vos bem. Em guarda! Rende-te! Mostra a cara ao meu pai. Luz! Eh, trazei luz! Fugi, irmão. Archotes! Trazei archotes! Adeus!
(Sai Edgar.)
Tenho que me ferir um pouco, para dar a crer que foi um combate a sério.
(Fere-se num braço.)
Já vi bêbedos fazerem pior do que isto por brincadeira. Pai! Meu pai! Agarrem-no! Agarrem-no! Quem me acode?
Entram Gloucester e criados com archotes.
CONDE DE GLOUCESTER Então, Edmundo, que é desse traidor?
EDMUNDO Estava ali na sombra, de espada em punho, a murmurar rezas de feitiçaria, invocando a Lua para que lhe fosse propícia.
CONDE DE GLOUCESTER Mas onde está agora?
EDMUNDO Olhai, senhor, estou a sangrar.
CONDE DE GLOUCESTER Edmundo, onde está esse traidor?
EDMUNDO Fugiu por ali, senhor, quando percebeu que não podia de maneira nenhuma...
CONDE DE GLOUCESTER Eh, persegui-o. Apanhai-o.
(Saem alguns criados.)
«Quando percebeu que não podia de maneira nenhuma», o quê?
EDMUNDO ... Convencer-me a assassinar Vossa Senhoria; eu respondi-lhe que os deuses vingadores lançam todos os seus raios contra os parricidas; fiz-lhe compreender quantos e quão fortes laços prendem o filho ao pai; enfim, senhor, vendo com que repugnância me opunha às suas desnaturadas intenções, numa fúria, de espada em riste, caiu sobre mim, sem eu esperar, e feriu-me num braço. Mas quando viu a minha coragem, os sentidos alerta na defesa da nobre causa, ou talvez amedrontado pelos gritos que eu dei, fugiu imediatamente.
CONDE DE GLOUCESTER Que fuja para bem longe. Neste pais não escapará às minhas buscas, e, assim que for encontrado, será morto. O nobre duque, meu senhor, de quem sou vassalo e protegido, vem aqui esta noite. Pela sua autoridade, farei proclamar que receberá os nossos agradecimentos quem o encontrar, quem trouxer ao pelourinho o cobarde parricida. E, para quem o esconder, a morte.
EDMUNDO Quando eu tentava dissuadi-lo do seu intento, e ao ver que estava firmemente resolvido a executá-la, ameacei-o, nos termos mais veementes, de o descobrir. E respondeu-me: bastardo que não tens onde cair morto, julgas que se eu te desmentir, a garantia da tua virtude, ou do teu valor, dariam crédito às tuas palavras? Não, porque eu negaria, e continuaria a negar, sim, ainda que o provasses com a minha própria letra, e afirmaria que era tudo obra das tuas maquinações, das tuas intrigas, dos teus maléficos ardis; e seria preciso que todos fossem idiotas para julgares que não se percebia que o proveito que tiravas da minha morte era o incitamento compreensível e poderoso para a desejares.
CONDE DE GLOUCESTER Espantoso e rematado vilão! Negaria até uma carta escrita por ele! Não é meu filho.
(Soam trombetas.)
Escutai! São as trombetas do duque. Não sei o que o traz aqui. Vou mandar fechar todas as portas; e o canalha não escapará. O duque tem que me dar autorização para o fazer. Além disso, vou mandar espalhar pelo reino os seus sinais, para que todos o possam reconhecer. Quanto ao meu patrimônio, filho leal e verdadeiro, arranjarei maneira de que o possas herdar.
Entram Cornualha, Regan e séquito.
DUQUE DE CORNUALHA Como passais, meu nobre amigo? Desde que cheguei, e pode dizer-se que foi agora mesmo, soube estranhas noticias.
REGAN Se é verdade o que se diz, serão poucos todos os castigos aplicados ao criminoso. Como passa Vossa Senhoria? CONDE DE GLOUCESTER Ai, senhora, com o meu velho coração desfeito, desfeito!
REGAN o quê, é verdade que o afilhado do meu pai atenta contra a vossa vida? O mesmo a quem o meu pai deu o nome, o vosso Edgar?
CONDE DE GLOUCESTER Ó, senhora, senhora, a vergonha devia querer que não se soubesse.
REGAN Não acompanhava ele sempre aqueles cavaleiros debochados da escolta de meu pai?
CONDE DE GLOUCESTER Não sei, senhora. É horrível, horrível!
EDMUNDO Com efeito, senhora, ele fazia parte dessa chusma.
REGAN Nesse caso, não admira que fosse arrastado para o mal. Foram eles que o incitaram a matar o velho para apanharem e desbaratarem os seus haveres. Esta tarde mesmo, fui informada pela minha irmã acerca deles, e com tais recomendações, que se vierem para se instalar em minha casa não estarei lá para os receber.
DUQUE DE CORNUALHA Nem eu, Regan, asseguro-te. Edmundo, acabo de saber que destes a vosso pai a prova de que sais um filho leal.
EDMUNDO Era o meu dever, senhor.
CONDE DE GLOUCESTER Descobriu-lhe a artimanha, e recebeu o ferimento que estais a ver, ao tentar prendê-la.
DUQUE DE CORNUALHA Andam em sua busca?
CONDE DE GLOUCESTER Sim, meu senhor.
DUQUE DE CORNUALHA Se for apanhado, nunca mais teremos que recear a sua vilania. Fazei como entenderdes, e usai como vos aprouver de toda a minha autoridade para esse fim. Quanto a vós, Edmundo, que acabais de provar a vossa virtude e lealdade, sereis dos nossos; precisamos muito de homens de tal confiança, e desde já vos tomamos ao nosso serviço. EDMUNDO Servir-vos-ei, senhor, fielmente, à falta de outros méritos.
CONDE DE GLOUCESTER Agradeço-vos por ele, senhor.
DUQUE DE CORNUALHA Ignorais ainda o motivo da nossa visita...
REGAN ... Assim, fora de propósito, caminhando às apalpadelas, no meio da noite escura. Assuntos da maior importância, nobre Gloucester, para os quais gostaríamos de ouvir a vossa opinião. O nosso pai escreveu-me, e a nossa irmã também, sobre desavenças, e pensei que seria melhor não lhes responder de casa. Ambos os mensageiros aguardam apenas a resposta. Vós, que sois nosso amigo velho e dedicado, tende paciência e dai-nos o vosso conselho tão necessário a este assunto, que exige uma decisão imediata.
CONDE DE GLOUCESTER As vossas ordens, senhora. Sois sempre bem-vindos.
Fanfarras. Saem.


  • O Rei Lear

    Autor: Franklin Jorge

    Veículo: Publicado no Blog http://www.franklinjorge.com/blog/2009/03/21/o-rei-lear/

    Fonte:

    Ingrato é todo aquele que não reconhece a graça e cospe no prato em que comeu. Em “O Rei Lear”, tragédia paradigmática da ingratidão filial e da cegueira paterna, Shakespeare nos dá através das princesas Regane e Goneril, figuras tão monstruosas que, segundo uma expressão muito sua, “desmancham as pregas da graça”.

    O tema, de evidente fundo folclórico, é por demais conhecido do leitor culto: Lear, velho rei da Bretanha, aspirando arrastar-se para a morte livre do jugo de qualquer fardo, abdica do trono e reparte o seu reino com as duas filhas – que julga mais dignas do seu favor real –, em detrimento de Cordélia, até então a mais querida de todas, deserdada e banida por que se recusara a agir com hipocrisia e falsidade para agradá-lo. Cordélia prefere desagradar a mentir, incorrendo, assim, na fatídica cólera paterna.

    Paciência e dor moldam o caráter de Cordélia, vitima da sua própria sinceridade. Sua recusa em compactuar com a falsidade das irmãs é interpretada erroneamente pelo rei como orgulho e desafeição. Shakespeare no-la apresenta sob o mais nobre aspecto moral, não obstante coberta pela pálpebra da angústia que em qualquer época e circunstância preconizam a condição humana.

    Peça repleta de admiráveis e emblemáticos personagens, como o Rei de França e os condes de Gloster e de Kent, conselheiros fiéis de Lear que, apesar do respeito que lhe é devido, opõem-se ao rei que se rebaixa dando ouvidos à lisonja e, ao fazê-lo, comete, pela incapacidade de discernir entre realidade e aparência, entre a verdade e a dissimulação, o ato injusto e execrável que dá ensejo à tragédia do pai traído e humilhado por suas duas filhas mais velhas.

    Como Cordélia, ambos [Gloster e Kent] pecam por franqueza, virtude só concedida aos espíritos altivos e despojados de interesses mesquinhos. O rei, vivendo os achacosos anos da velhice, julga-os severa e injustamente por sua sinceridade. Ameaçado pela fúria do dragão, ainda assim o conde de Kent aconselha ao monarca, numa das cenas culminantes idealizadas pelo gênio shakespeariano, que ele – caso teime em persistir na cegueira — mande matar seu médico e pague honorários à doença.

    No entanto, apesar do risco de desagradar ao rei, não consegue trazer Lear de volta à razão. Por fim, já banido e escorraçado, ainda ousa acrescentar às suas palavras, urdidas pelo bom senso e pela lealdade, que se a injustiça prevalece sobre o respeito devido aos costumes, viver se torna insuportável e o exílio se faz aqui, enquanto longe campeia a liberdade.

    Shakespeare pinta-nos Cordélia como alguém que estava certa de que seu afeto era mais rico do que podiam exprimir as palavras e, diferentemente de suas irmãs de coração canino, recebe como único dote a veracidade, isto é, a maldição paterna e o opróbrio.

    Inspira-nos pavor a natureza intrínseca das filhas ingratas de Lear, que se deixa cegar pela cólera e pela pressa crédula demais, precipitando-se no caos existencial e no desgosto, ao constatar que fora traído em sua confiança por essas filhas de alma fria, calculistas e desertas de amor.

    A ingratidão – inclusive a que acomete o velho monarca em relação a Cordélia e aos seus nobres conselheiros – é o grande leitmotiv shakespeariano, que nela vê a original deformidade que conduz à rejeição do amor e à danação perpétua da alma.

    Jovem e tão áspera, na definição do próprio Lear, Cordélia carece da arte lisa e untuosa da lisonja, tão grata a todos aqueles que detém alguma forma de poder e se iludem com mentiras amáveis. Seu crime, como o de Gloster e o de Kent, decorre da honestidade, não da malícia; o do rei, em afastar-se da trilha da natureza, após considerar equivocadamente os longos discursos empolados proferidos por Ragane e Goneril, que neles escondiam o cálculo e a mais deslavada hipocrisia.

    Expulso pelas duas, após a abdicação, deambula Lear pelas charnecas, na companhia do Bobo que tudo transforma em sentenças e as empresta ao rei, para que ele reflita sobre os homens, que, apesar da idade avançada, ainda não aprendera o monarca a conhecer em sua verdadeira essência. O Bobo, grande invenção do engenho intelectual do bardo inglês, entende que louco é o que se fia na mansidão do lobo; na saúde do cavalo; no amor de um rapaz e nos julgamentos das mulheres.

    Talvez misógino ou apenas filósofo, o Bobo inominado as descreve de maneira severa e impiedosa — falsas como a água –, capazes, em se lhes apresentando ocasião, de manifestar seus instintos inferiores através da traição.

    Como partícipe de um mesmo destino, o Bobo aspira ser espirituoso, forcejando a verdade; uma verdade tão óbvia que passa despercebida – todas as pessoas que seguem o nariz são levadas pelos olhos, exceção dos cegos, não havendo um só nariz, entre vinte, que não perceba quem está fedendo.

    Por fim, num cantinho do seu coração, Lear se apiada do pobre Bobo que suspira, perdido com o seu rei na noite tempestuosa, enlameados e friorentos e, por um momento, mostrando-se mais humano do que sábio, sente que as suas filhas – privilegiadas por seu engano – são uma doença em sua carne; um inchaço; uma úlcera pastosa; um carbúnculo podre e tumefeito. Porém, ai daquele que se arrepende tardiamente, pondera o rei destronado e banido. Somente agora, tendo apenas os raios e os trovões como coroa, percebe Lear claramente que o abuso se alimenta da tolerância.

    http://www.franklinjorge.com/blog/2009/03/21/o-rei-lear/
    Não obstante irregular em sua carpintaria dramática, alguns especialistas consideram “O Rei Lear” a obra mestra de Shakespeare, que a escreveu no apogeu da sua maturidade intelectual, entre 1605-1606, no mesmo período em que escrevera o “Macbeth”, a tragédia da ambição desmedida que repugna à natureza e priva o seu impressionante herói, a exemplo do que ocorre com Lear, na peça homônima, dos galardões da velhice: amor, amigos, honras e obediência

  • Macbeth - William Shakespeare

    Autor: Jeocaz Lee-Meddi

    Veículo: SITE JEOCAZ.WORDPRESS.COM/CATEGORY/LITERATURA

    Fonte:

    MACBETH – WILLIAM SHAKESPEARE EXTRAIDO DO SITE JEOCAZ.WORDPRESS.COM/CATEGORY/LITERATURA/

    MACBETH – WILLIAM SHAKESPEARE novembro 6, 2009 extraido do site jeocaz.wordpress.com/category/literatura/

    Uma das tragédias mais conhecidas de William Shakespeare, “Macbeth” descreve o homem no limiar da sua essência, tornando-a traiçoeira e assassina pela ambição do poder. Macbeth é o anti-herói que insulta a dignidade, corrói as virtudes e banha as mãos de sangue. Nele o medo e a coragem diluem-se em uma compulsão desenfreada pelo poder. Ser rei é maior do que ser homem. A vida não lhe parece uma dádiva divina, mas um encanto de bruxas. Macbeth assusta quem lhe assiste no palco, pois traz à tona todo o lado obscuro que existe dentro de nós. Sua crueldade inquietante fez dele uma obra universal, lida e encenada milhares de vezes, quer nos palcos teatrais, quer no cinema ou na televisão. Ambição e assassínio povoam o universo de Macbeth, apoiado e incitado por sua bela e fria mulher, Lady Macbeth. Ambos sujam as mãos de sangue em um regicídio que os levariam a ascender como rei e rainha da Escócia. Mas o peso da culpa, inicialmente legada a Macbeth, transtorna e enlouquece os monarcas. Lady Macbeth vaga pelas noites acometida por um cáustico sonambulismo. Macbeth devora a sua culpa através da crueldade, pois sangue chama sangue, e o cetro do rei está manchado por ele. A queda dos soberanos não vem como um castigo moralista, mas como conseqüência de um reinado construído sobre a violência e as mentiras das profecias enganadoras dos homens. “Macbeth”, é sem dúvida, uma das maiores obras da dramaturgia universal e uma das que mais amplia e mostra poética e cruamente a alma humana. Dentro da obra de Shakespeare, “Macbeth” é a menor das suas peças, o que leva alguns estudiosos shakespereanos, dada a complexidade e profundidade do texto, a suporem que ela pode ter chegado aos tempos atuais com partes amputadas e perdidas. Há os que defendem que partes do texto tenham sido acrescentadas ao longo dos séculos, embora tais teorias estejam cada vez mais enfraquecidas. Seja como for, é um dos melhores momentos da literatura inglesa e da dramaturgia do pai do teatro britânico. Nenhuma platéia em todo o planeta, ficou imune quando as cortinas do último ato foram cerradas. “Macbeth” é próprio espelho do homem, visto pelo lado convexo dos seus princípios morais. As Três Bruxas Tecem a Tragédia Macbeth não é apenas uma personagem literária, ele realmente existiu. Figura de destaque nos meandros da monarquia escocesa, ele viria a subir ao trono, em 1040. Para ascender à realeza, assassinou o rei Duncan, que se via enfraquecido no poder após sofrer derrotas pelo norueguês Thorfinn. Várias conspirações foram urgidas para derrubá-lo do trono. Em 1054, Siward, conde de Nortúmbria, derrotou Macbeth, que se viu obrigado a fugir para o norte do país. Em 1057, Malcolm, filho de Duncan, abateu-o, sendo morto em Lumphanan. Enquanto rei, Macbeth trouxe prosperidade à Escócia e benefícios à Igreja. Reza a tradição, que o seu corpo está sepultado na ilha de Iona, ao lado de vários dos seus antecessores. Foi inspirado nesta figura histórica, que Shakespeare criou a mítica tragédia “Macbeth”. Não se sabe ao certo, em que ano ela foi escrita, a maioria dos estudiosos aceitam 1606 como o mais provável. Estudos situam a data cronológica criativa entre 1605 a 1607. Entretanto, o primeiro registro de encenação da peça aparece no manuscrito de Simon Forman, “The Bocke of Plaies and Notes Therof per Formans for Common Pollicie”, em 20 de abril de 1611. Dividida em cinco atos, “Macbeth” envolve as pessoas desde o primeiro deles. Inicia-se com trovões e relâmpagos, demarcando a entrada em cena das três bruxas. Personagens abstratas, saídas do agouro da vida e do seu misticismo sombrio, elas são essenciais para o decorrer das cenas. Suas mentiras determinarão as verdades, a ascensão e a queda do ambicioso Macbeth. O rei Duncan e os seus exércitos enfrentam tropas norueguesas em uma batalha sangrenta. Macbeth é o intrépido guerreiro que sem medo, mais se destaca na luta contra o inimigo, conquistando o respeito e admiração do rei. No meio da batalha, o thane de Cawdor é descoberto como traidor, sendo executado. Para compensar a valentia de Macbeth, Duncan o faz o novo thane de Cawdor. Enquanto isto, numa charneca, sob fortes trovões, Macbeth e o seu companheiro de luta Banquo, são surpreendidos pela aparição súbita da três bruxas. Numa armadilha das artimanhas dos adivinhos, elas tecem a tragédia, saudando Macbeth, então thane de Glamis, como thane de Cawdor. Ele ainda não sabe da traição do antigo thane de Cawdor, muito menos de que tinha sido agraciado com título pelo rei. Mas as bruxas estão ali, para com as suas mentiras, fazer as falsas profecias, induzindo que os profetizados cumprissem a profecia idealizada. A Macbeth vaticinam que será rei, e a Banquo que será pai de reis. Prometem um reino estéril ao mais ambicioso, e um frutificado ao mais bondoso. Está demarcada a trama que se deverá estender sob o destino dos dois companheiros. Assassínio de Duncan A idéia de ser rei só toma forma na mente do ambicioso Macbeth, quando, ao lado de Banquo, encontra-se com Duncan e os seus súditos. O rei mostra-se grato, comovido e paternal para com o seu fiel servidor. Anuncia oficialmente, que Macbeth é o novo thane de Cawdor. Cumpria-se a primeira promessa das bruxas. Cansados da batalha, o rei, seus filhos e súditos, aceitam pernoitar no palácio de Macbeth e da sua bela mulher. Em casa, Macbeth conta para a mulher a profecia que lhe lançara as aparições. O casal deixa-se possuir pela chama da ambição. Para que pudessem ascender ao trono, era preciso que se eliminasse Duncan. O rei dormia sob o teto dos Macbeth, nunca fora tão fácil fazê-lo desaparecer. Desenha-se cada vez mais, as formas de um assassínio. Mas Macbeth reluta. Apesar de ambicioso, é um homem que admira Duncan, sendo-lhe grato. A inquietude da honra demove Macbeth de tão vil atitude. Mas Lady Macbeth é uma mulher fria e ambiciosa, está determinada a ver o marido ascender como rei da Escócia e, conseqüentemente, tornar-se ela a sua rainha. Não há tempo para remorsos da alma, a ambição do corpo é maior. Retroceder ao que lhe prometera as forças estranhas dos presságios era, na concepção de Lady Macbeth, a covardia da virilidade do marido. Juntos, decidem eliminar o rei naquela noite fatídica e abrir caminho para que se cumprisse a segunda profecia das bruxas. Quando Duncan dorme, a própria Lady Macbeth embriaga os dois vigilantes à porta do rei. Tomados pelo vinho, os homens adormecem. Já com o punhal na mão, Macbeth dá uma última oportunidade à consciência, mostrando-se incapaz de vir a ser um assassino. Até então era um bravo e corajoso súdito do rei, capaz de por ele enfrentar com a vida as maiores batalhas. Mas a ambição é maior do que a dignidade; incitado pela mulher, ele logo percebe a sua própria verdade. Movido pelo aceno do poder, ele adentra o aposento do rei, assassinando-o. Macbeth retorna do crime com as mãos ensangüentadas. Está visivelmente perturbado, demonstrando um cínico, mas sincero, arrependimento. Não se sente capaz de concluir o plano, sendo a própria Lady Macbeth que o executa. Friamente, ela apodera-se do punhal na mão do marido, entra no quarto onde jaz o rei, suja de sangue as adagas e os rostos dos vigilantes embriagados. Volta para o marido, com as mãos, assim como as dele, manchadas de sangue. O Espectro de Banquo A descoberta do assassínio de Duncan precipita os acontecimentos. Os vigilantes, cobertos de sangue, são os suspeitos. Macbeth, fingindo revolta e indignação, mata-os ao fio da sua espada. A corte escocesa está confusa diante de tão grande e misteriosa tragédia. Desconfiados da verdade, Malcolm e Donalbain, filhos do rei, decidem fugir para que não sejam assassinados. Malcolm foge para a Inglaterra, e Donalbain para a Irlanda. Diante da fuga, são acusados de parricídio. Os nobres escoceses decidem entregar o trono a Macbeth. A segunda profecia das bruxas estava cumprida. Macbeth era o rei da Escócia. Banquo desconfia que o amigo tenha sabotado o destino e facilitado o cumprimento da profecia. Mas não se deixa intimidar. Mantém-se sereno e confiante, fiel ao amigo, afinal a terceira e última parte da profecia dizia respeito a ele e à sua prole. Seria pai de reis, não tinha que temer o que fosse. Mas Macbeth também sabe da última parte da profecia. Traíra o seu rei, sujara as mãos de sangue para deixar o trono para a prole de Banquo? Tanto sacrifício para herdar um reino estéril, findo nele mesmo? Pensamentos obscuros permeiam a mente do novo rei. Sangue atraía sangue, fora longe demais para que a tão pouco se chegasse. Decide mudar o rumo da profecia. Prepara uma emboscada para Banquo e o seu filho, Fleance. Desta vez não se deixa inquietar pela consciência de um novo crime. Está mais frio. Três assassinos contratados por ele, degolam Banquo, mas o seu filho consegue escapar, fugindo para o meio da floresta. Morto Banquo, o medo de Macbeth é atenuado. Mas a sua consciência não lhe deixa comemorar o triunfo. Em um banquete que promove para a alta nobreza do seu reino, é surpreendido pela aparição do espectro de Banquo, que se senta à mesa, no seu lugar. Transtornado, diante dos convidados, Macbeth grita para que o fantasma desapareça. O júbilo sucumbe. Os súditos desconfiam do rei. Lady Macbeth contorna a situação, controlando o acesso do marido. Com a sua frieza calculista, ela pede desculpa à corte, manipula o marido desnorteado, mas não consegue evitar que o júbilo naufrague. Os convidados vão embora. Também o espectro de Banquo desaparece. Novas Profecias das Aparições Macbeth torna-se um tirano cruel, que não hesita matar todos os seus inimigos. Muitos nobres deixam de apóia-lo, entres eles Macduff, thane de Fife, que foge para a Inglaterra, reunindo-se ao filho do falecido rei Duncan, Malcolm. Juntos, apoiados pelo rei inglês, armam uma esquadra de dez mil soldados. Na Escócia, desencadeia-se uma guerra civil contra Macbeth. A mulher e o filho de Macduff são assassinados. Notícias que uma grande tropa de soldados vem para destituí-lo do trono, faz com que procure as bruxas, ordenando que elas digam o que se irá passar futuramente. Mas a principal verdade do demônio é a mentira. E Macbeth deixa-se enganar de forma fatal. As três bruxas dançam ao redor do rei. Só elas lhe fazem reverências ao suposto triunfo. Com confusas visões, elas mostram a tragédia dissimulada. Palavras enganosas tecem o destino do rei. Uma das visões traz uma cabeça com um elmo, que diz para Macbeth ter cuidado com Macduff. Outra aparição mostra oito homens que são seguidos por Banquo, significando as gerações que se tornariam reis. Macbeth inquieta-se diante da revelação. Mas as palavras enganosas dão certezas a Macbeth. Ele não deve temer as tropas inimigas até que a floresta de Birnam suba contra o monte de Dunsinane. Macbeth sorri aliviado. Afinal quem recrutaria as árvores da floresta para que subissem ao monte? As aparições incitam Macbeth a ser enérgico e cruel, sanguinário e resoluto, pois nenhum homem nascido de mulher conseguiria fazer-lhe mal. Macbeth sente-se regozijado. Sua vida era intocável. Pertencia aos encantamentos das bruxas, não à Divindade Criadora. Todos os homens eram nascidos de mulher, o que o tornava imortal diante das espadas que se lhe viessem. A Revelação das Palavras Enganosas Se Macbeth tornou-se cruel e sanguinário, Lady Macbeth, até então volvida pela frieza da ambição, passa a ser atormentada pelo peso dos seus crimes. Perde a cada instante, a razão. Caminha pelo castelo à noite, empunhando uma vela, acometida por um estranho sonambulismo. Como um fantasma atormentado, tenta, diante de todos, lavar as mãos manchadas do sangue das suas vítimas. Aos poucos, deixa-se atormentar pelo peso da consciência, até então menor do que a sua ambição em ser rainha. Lady Macbeth murmura pela noite. Sua personalidade vai definhando diante da culpa e da loucura. Distancia-se cada vez mais do marido, deixando-o sozinho com a sua tirania, com a sua sede de sangue e de poder. A crueldade latente daquela mulher veste a máscara da loucura. Por fim, não suporta a realidade do destino que escolhera, pondo fim à vida com as próprias mãos. Macbeth recebe com frieza a notícia da morte da mulher. Já não há espaço para comoção ou sentimentos de amor em seu coração. Ao seu redor só há inimigos, a todos combate com altivez e crueldade. Está sozinho com o seu poder. Seu cetro estava manchado de sangue, também o seu reinado, a sua alma. Envolto pela sedução solitária do poder, Macbeth descobre a primeira mentira das palavras das bruxas. Dez mil soldados vindos da Inglaterra camuflaram-se, cada um, com o galho de uma árvore da floresta de Birnam, avançando quase que imperceptíveis contra Dunsinane. Macbeth ri do malogro das bruxas. Assiste à queda dos últimos homens que lhe eram fiéis. O rei sanguinário não teme aqueles homens. Tem a certeza de que não morrerá pela espada de nenhum deles. Todos nasceram de mulher. A todos que confronta, derruba pelo fio da sua espada. Por fim vê-se posto frente a frente com Macduff. De todos, só ao thane de Fife tentou evitar. Macbeth zomba do seu oponente, não lhe teme a espada, pois ele nascera de mulher. Mas Macduff faz a revelação que derrubaria as palavras enganosas das bruxas: ele tinha sido tirado antes do tempo do ventre maternal. Macbeth vê esvair o encantamento que parecia proteger a sua vida. Fora enganado e traído pelas profecias das bruxas. Acossado, ele luta com Macduff até o fim, sendo morto pela espada do seu maior e mais temido adversário. Malcolm retoma o trono que fora usurpado do seu pai. É aclamado o novo rei da Escócia. Macduff traz ao novo soberano, a cabeça decepada do sanguinário Macbeth. William Shakespeare Considerado o maior escritor da língua inglesa, e um dos maiores dramaturgos do mundo, William Shakespeare nasceu em Stratford-on-Avon, a cinqüenta quilômetros de Londres, Inglaterra; provavelmente no dia 23 de abril de 1564. Na igreja local, há o registro do seu batismo, datado de 26 de abril. Era o terceiro filho de John Shakespeare e Mary Arden, sendo o primeiro a chegar à idade adulta, escapando à peste, que dizimara a vida das irmãs mais velhas. Embora demonstre grande conhecimento da gramática inglesa e da língua latina, não há registros de que tenha freqüentando alguma universidade. Aos dezoito anos, após engravidar Anne Hathaway, oito anos mais velha, casou-se com ela. Antes de completar vinte e um anos, era pai de um casal de gêmeos e de mais uma menina. Em 1592, William Shakespeare já era um conhecido ator, poeta e dramaturgo em Londres. Dois anos mais tarde ingressou na companhia teatral de Lorde Chamberlain, que no reinado de James I receberia o nome de King’s Men. O dramaturgo permaneceria na companhia até o fim da sua carreira em Londres. A família de Shakespeare receberia, em 1596, um brasão de armas, o que lhe faria melhorar a condição financeira, que lhe possibilitaria adquirir uma imponente residência em Stratford, em que viveria até o fim da sua vida. Durante a vida, Shakespeare atuou como ator em várias das suas peças. Tornou-se sócio-proprietário do Globe Theatre e do Blackfriars Theatre. Viria a aposentar-se em 1613, após um incêndio no Globe Theatre durante uma apresentação, voltando para Stratford. Há várias versões sobre a morte de Shakespeare, a mais conhecida é a de que teria contraído uma febre fatal após uma ceia com os amigos escritores Ben Johnson e Michael Drayton. O registro do seu sepultamento data de 25 de abril de 1616, quando acabara de completar cinqüenta e dois anos. Shakespeare deixou uma obra imprescindível para a literatura universal, sendo o dramaturgo que mais exerce influência em todo o mundo. OBRAS: Tragédias Macbeth Lei Lear Hamlet Romeu e Julieta Otelo, o Mouro de Veneza Tito Andrônico Júlio César Tróilo e Créssida Antonio e Cleópatra Coriolano Timão de Atenas Comédias O Mercador de Veneza A Tempestade Sonho de Uma Noite de Verão A Megera Domada A Comédia dos Erros Muito Barulho por Nada Os Dois Cavalheiros de Verona Conto de Inverno Noite de Reis Medida por Medida Péricles, Príncipe de Tiro As Alegres Comadres de Windsor Cimbelino Os Dois Nobres Parentes Como Gostais Tudo Bem Quando Termina Bem Trabalhos de Amores Perdidos Dramas Históricos Henrique VIII Rei João Ricardo II Henrique IV, Parte 1 Henrique IV, Parte 2 Ricardo III Henrique V Henrique VI, Parte 1 Henrique VI, Parte 2 Henrique VI, Parte 3 Eduardo III Poemas Sonetos Vênus e Adônis O Estupro de Lucrécia O Pequeno Apaixonado A Fênix e a Tartaruga Uma Queixa de Um Amante CRONOLOGIA: 1564 – Em abril, provavelmente no dia 23, nasce William Shakespeare, em Stratford-on-Avon. 1582 – Aos dezoito anos, casa-se com Anne Hathaway, em 27 de novembro. 1583 – Nasce, em maio, a filha Susanna. 1585 – Nascem, em fevereiro, os gêmeos Hamnet e Judith. 1592 – Em Londres, Shakespeare é reconhecido como ator e poeta talentoso. Torna-se membro da companhia teatral Os Homens, de Lorde Chamberlain. 1596 – Morre, aos 11 anos, o filho Hamnet. O pai, John Shakespeare, recebe um brasão de armas do College of Heralds; Shakespeare torna-se cavalheiro. 1597 – Compra, em Stratford, uma casa a qual dá o nome de “The Great House of New Place” (A Casa Grande do Novo Lugar). 1599 – Construído, em julho, sobre as ruínas do The Theater, o Globe Theater. 1603 – A companhia teatral de Lorde Chamberlain, em maio, passa a se chamar King’s Men (Homens do Rei). 1613 – Um fogo assola o Globe Theater durante uma apresentação de “Henrique VIII”. Shakespeare aposenta-se, voltando para Stratford. 1616 – Morre, em Stratford, em 23 de abril, aos 52 anos, William Shakespeare. É sepultado, em 26 de abril, na igreja de Stratford. Deixar um comentário » | literatura | Etiquetado: literatura | Link Permanente Escrito por Jeocaz Lee-Meddi --------------------------------------------------------------------------------

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Paulo Zakarewicz, amigo muito dileto, no início dos anos 80 me presenteou os dois livros que encontrou de Shakespeare. Na época, não se encontrava no Brasil - com facilidade - as obras do Willian Shakespeare. Recordo-me que eu havia comentado com ele que não encontrava tais livros em nenhuma livraria. Suponho que o Paulo as tenha encontrado no Rio de Janeiro. É uma edição portuguesa, da editora Verbo de Lisboa.


 

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