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Fabrizio Fasano Colecionador de Sonhos

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Fabrizio Fasano Colecionador de Sonhos

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Autor: Ignácio de Loyola Brandão

Editora: Leya

Assunto: Biografia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 232

Ano de edição: 2013

Peso: 280 g

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Ótimo
Marcio Mafra
13/04/2019 às 22:02
Brasília - DF
Este livro é bom o bastante não só pelo resgate de um personagem singular na cena brasileira: Fabrizio Fasano. Homem versátil, sedutor, bem humorado, que sempre se denominou um criador de sonhos.
Conviveu com políticos, empresários, intelectuais, artistas, empreendedores, jornalistas, publicitários, malandros. Leitura boa.
Mas é bom também porque escrito por um autor de fama e nomeada, Ignácio de Loyola Brandão.
Então tem o estilo do contista, cronista e romancista famoso Ignacio de Loyola..
Destaque que torna o livro maior é que fala da derrocada sofrida por Fanbrizio Fasano, e não apenas seus sucessos.


Marcio Mafra
13/04/2019 às 00:00
Brasília - DF

Biografia de Fabrizio Fasano, patriarca da rede de hoteis e restaurantes Fasano, morreu em São Paulo, de causas naturais, em novembro de 2018.

Na ocasião a família escreveu nas redes sociais: “presença, carisma e sorriso de Fasano serão lembrados com eterna saudade”.

Fabrizio Jr., um dos três filhos do empresário, disse: “Do seu jeito, você foi um super pai, querido por todos e com coração enorme, muitas vezes maior do que deveria.

Que Deus te receba com o mesmo amor que recebia a todos.” 

Marcio Mafra
13/04/2019 às 00:00
Brasília - DF

O TSUNAMI BRANCO E A DERROCADA

"Eu estava bem, viajava, enviava grupos de amigos, jornalistas, publicitários e empresários para Europa e Estados Unidos, comandava delegações que iam ao Texas, à Flórida e à Inglaterra para discutir problemas de expansão do mercado de bebidas no Brasil e no mundo, e várias vezes participei de mega convenções sobre supermercados enegócios em regime global. Tinha uma sala confortável no prédio da Heublein na avenida Morumbi, onde hoje funciona a universidade
FMU, antiga FIAM. Minha relação com o dinheiro sempre foi sem neuras, ele vem, ele vai", revela Fabrizio Fasano, exatamente 40 anos depois de ter vendido o Old Eight, que incluiu o nome dele na antologia dos negócios pioneiros e bem-sucedidos do Brasil.

 

"Dois anos naquela vida de executivo sem pasta e alguma coisa começou a mexer comigo, a dar coceira. Uma insatisfação, necessidade de agitar, não ser homem de gabinete, solucionando problemas triviais, quebrando galhos rotineiros. Sentia-me parado, não avançava. Como se patinasse. Estava arrependido de ter vendido o Old Eight. No entanto, fazer o quê? O jeito era ir em frente. Tinha que me movimentar. O que eu conhecia? Uísque. Do que gostava? De
uísque. Aquilo me provocava uma coceira."

A "carência" dele em relação à Heublein, a de manter-se distanciado de um negócio que pudesse ser concorrente, tinha terminado e uma ideia começou a rondar sua cabeça. "Repetir tudo?", pensava. Desistia, só que dali a pouco estava imaginando que era hora de criar um novo uísque, a experiência com o Old Eight tinha sido gratificante e rica. Cada dia mais alimentava a ideia de produzir um uísque que fosse genuinamente brasileiro. Mais ou menos nesse período, Fabrizio Júnior conta que, de um momento para o outro, passou a ver "na porta de sua casa carrões de onde desciam homens vestidos sobriamente, que entravam e saíam, constantemente. Eram empresários, donos de bares, boates, discotecas, restaurantes, super- mercados, distribuidores, transportadores. Ficava intrigado. O que
faziam, o que queriam?"

Em uma de suas viagens a Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, onde tinha muitos amigos, Fabrizio dialogava com enólogos, circu- lava de uma vinícola para outra. Então, foi apresentado a um produtor que afirmou ter obtido um excelente malte. "O nome dele nunca me saiu da cabeça, está gravado a fogo, ainda dói. Um filho de uma puta. Não digo o nome, porque até hoje, apesar de terem me alertado, não tive certeza se fui traído, enganado de propósito, se foi um erro de um químico, um técnico mal-intencionado, um acidente, uma sabotagem. Todas essas coisas vêm à cabeça quando você enfrenta uma situação como essa. A verdade é que realmente o malte que ele tinha era bom, me agradou, achei que poderia produzir bom blend brasileiro. Estava ali o que precisava para desenvolver a minha bebida, mesmo sabendo que lutaria contra o preconceito que rezava:

Uísque? Só o escocês."

Os dois filhos homens estavam morando no exterior. Fabrizio Júnior, também chamado de Fabrizinho, apesar do tamanho, um gigante, tinha ido para os Estados Unidos fazer a high school, depois
tentaria a medicina. "Meu pai me levou ao aeroporto de Mercedes Benz, estávamos com tudo." Quanto a Rogério, vivia na Inglaterra, queria estudar cinema e inglês. Ele conseguiu entrar no curso
de cinema na segunda tentativa. "Estava com 19 anos, e como todo jovem, sentia-me meio perdido no mundo, adorava cinema, queria fazer filmes, entrar de cabeça. Gostava muito de Londres, fiquei um
ano e meio lá, viajei por França e Alemanha. E as coisas acontecendo por aqui, éramos poupados, meu irmão e eu, dos problemas." O cinema foi uma das paixões da juventude nesse período, apesar da
censura extrema exercida pela ditadura militar. Foi uma década de filmes marcantes no estrangeiro, de laranja Mecânica, de Kubrick, a Taxi Driver, de Scorcese, de Um Estranho no Ninho, de Milos For-
man, a Cabaré, de Bob Fosse, de O Último Tanga em Paris, de Bertolucci, a Apocatipse Now, de Copolla. No Brasil, desenvolveu-se um cinema autoral, chamado de underground, ou "udigrudi", no linguajar coloquial, do qual resultaram obras-mestras como O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla.

A esta altura, boa parte do dinheiro da venda do Old Eight tinha sido consumida em propriedades, viagens, estaleiros, terrenos, concessionárias de automóveis e uma vida confortável e divertida. "Muitas vezes, meu pai se aventurava em coisas que não eram do DNA dele", diz Rogério. "Só que ele era assim, fazer o quê?" Generoso, Fabrizio pai sempre foi. Usou parte do que restava e, mesmo alertado, para a situação econômica e os juros, buscou financiamento em bancos, principalmente no Bradesco, para montar uma estrutura complexa, mas na qual apostava. Não podia dar errado, tal a certeza
de que faria o mesmo sucesso que tinha tido com o Old Eight.

Bastaria fazer saber que era um produto de Fabrizio Fasano. Seu nome desfrutava de excelente imagem. O nome da bebida? Só poderia ser Brazilian Blend. A produção foi iniciada, a propaganda estruturada. A campanha de marketing atingiu o Brasil inteiro. Jornais, revistas, rádio, outdoors e televisão foram invadidos em escala nunca vista. Acentuemos que a publicidade brasileira havia dado um salto na década de 1970, com mudanças radicais, como a libertação dos padrões americanos (antes, muita coisa era simplesmente traduzida e adaptada) e o surgimento de uma geração impaciente, irreverente,
audaciosa, além do aparecimento do Clube de Criação de São Pau- lo, essencial, com seus anuários e novas teorias, destinado a criar normas, a regulamentar a profissão, a construir valores, a defender
a profissão e ordenar a distribuição de prêmios anuais. Mesmo em plena ditadura, a propaganda brasileira avançou, se modernizou, criticou e alavancou indústria e comércio.

 

Os publicitários eram estrelas de uma nova época, semideuses com salários fabulosos, roupas descoladas e ideias fascinantes. Tempo áureo na propaganda brasileira. Com uma equipe de marketing
na retaguarda, Fabrizio montou a operação Brazilian Blend.

Patrocinando Copa do Mundo na tevê

A distribuição do uísque começou. Carretas lotadas direcionavam-se para o interior do estado, desciam ao sul, rumavam ao norte,chegavam ao Amazonas, Pará, Maranhão. No norte e nordeste, Fabrizio contava com a amizade, quase sociedade, de Paes Mendonça, mega empreendendor com sua poderosa rede de supermercados, que já tinha sido um grande distribuidor do Old Eight. Não se poupou dinheiro, a tal ponto que o Brazilian Blend foi um dos patrocinadores da Copa do Mundo de 1978 na televisão. "Você podia estar ligado na Globo e entrava o comercial do uísque; se quisesse mudar para a Record, para a Bandeirantes, Tupi, para qualquer emissora e suas associadas e repetidoras, o que via? O Brazilian Blend. Porque tínhamos comprado todos os horários pagando um alto adicional, para que nos mesmos intervalos o que se visse? O nosso uísque", diz Fabrizio Júnior com orgulho. Uma pequena fortuna foi gasta em produção, comercialização e lançamento. Agora era sentar, esperar o dinheiro voltar, continuar produzindo para repor estoque. Fabrizio diz que 200 mil caixas estavam colocadas e outras 100 mil nos depósitos em São Paulo.

Tudo calmo, até que meses depois nuvens pesadas, cinzentas, logo se tornaram negras. Foi um ventinho que se transformou em ventania e virou tsunami, abalou tudo, deixando Fabrizio assombrado.
Ele perdeu o pé, sem entender. Começaram a chegar reclamações, protestos, queixas, até insultos por telefone, telegramas, cartas, pes- soalmente. Um atrás do outro, sem parar.

- Que brincadeira foi essa, Fabrizio?

- Brincadeira?

- o que significa isso? Uísque branco?

- Que uísque branco?

- O seu. Está embranquecendo.

- Como embranquecendo?

- Eu é que sei??? Você é que tem de explicar.

- Espere, espere, conte tudo. Está a maior confusão.

- Um milagre, uma brincadeira, uma safadeza? O seu uísque perde a cor. Aquele caramelo lindo some, desaparece, vira água. -Água ... ?

- Parece água, pode ser vodca, gim, qualquer coisa.

Fora de si, sem compreender nada, Fabrizio agiu imediatamente, começou a fazer ligações, mandou buscar litros e litros do Brazilian Blend, tão novo, há poucos meses no mercado. Centenas de garrafas
começaram a chegar, vindas dos mais diferentes pontos do Brasil. Bebida branca, alva. No desespero ele convidou amigos, contratou especialistas para analisar. Ninguém atinava com o problema. Então,
Fabrizio convocou o homem do malte, o que cuidara de tudo. Ele pareceu surpreso, 'assustou-se, confessou:

- Você não poderia esperar anos para envelhecer o uísque. Usei um recurso, água oxigenada. Sempre funcionou. É legal...

- Legal ou não, por que não me avisou? Teríamos esperado mais tempo.

- Esperado? Acha que não sei os-custos, não sei os juros que se paga por mês, não conheço a inflação a 80 por cento? Você quebraria ...

- E não vou quebrar? Água oxigenada ... ?

Conhecedores acentuam que o blender devia saber o efeito da água oxigenada, que nem era legal nem ilegal. Pode, sem avisar Fabrizio, ter tentado uma experiência que funcionou em alguns lotes.
A água oxigenada, dependendo da proporção, provoca uma reação, anulando a cor do uísque, no qual, em geral, para ficar uniforme, é adicionado um caramelo de milho, neutro. No caso do Brazilian
Blend, passado um certo tempo, num grande lote, a cor do uísque desapareceu. Não somente a cor, o gosto fora alterado também. O uísque era um chá amargo, intragável. "Destruíram meu uísque", desabafou Fabrizio. O Brazilian Blend tinha nascido morto. Em três meses, tudo o que havia em estoque era uma substância incolor, impossível de ser bebida.

Abismado, desorientado, Fabrizio viu a onda contra o "uísque branco" se avolumar como um furacão. em sua cabeça rondava uma grande dúvida. Aquele blender tinha errado na fórmula ou agido de má-fé? Ele repetiu inúmeras vezes, justificando-se, dizen- do que era um problema econômico, ele tinha pensado em ajudá-lo. Por outro lado, não foram duas nem três pessoas, mas dezenas que
afirmaram de pés juntos que o Brazilian Blend tinha sofrido um ato de sabotagem. Por conta de quem? Dos concorrentes? Como saber? A quem acusar?

"Não havia tempo para investigar mistérios, era preciso trabalhar", afirma Fabrizio. "Remodelar tudo, mudar o fornecedor, produzir uísque sem água oxigenada. Mas a esta altura, quem queria comprar bebida de mim? A onda tinha sido forte, o mercado é impiedoso."

Por outro lado, o comércio exigiu o reembolso. Iniciou-se o complexo processo de repatriação das milhares de caixas do Brazilian Blend. Trazer do Amazonas, Pará, Maranhão, Brasília, Paraná, Rio
Grande do Sul, de todos as partes, de capitais a vilas do interior, pagando os fretes, compensando prejuízos. Muitas e muitas vezes, Fabrizio simplesmente dizia: "Joguem tudo fora". Eramais barato.

Com o correr do tempo, nos bancos, os prazos expiravam, vinham as cobranças. Foram meses e meses em que o caixa se esvaziou, os prazos apertaram, dívidas foram renegociadas, estendidas. "O problema de papai", afirmam tanto Fabrizio Júnior e Andrea, "foi que ele, em lugar de parar com tudo, tentou salvar seu uísque, mudar de fornecedor do malte, afundando-se mais. Era um pouco o
orgulho italiano, a integridade do empresário, a luta para manter-se de pé. A pressão chegou ao insuportável. Era triste vê-lo ridicularizado nas páginas dos jornais, criticado no mercado, alvo de zombarias, chacotas". Fabrizio, apelidado de "uísque branco", chegou ao fundo do poço.

 

desabafou Fabrizio. O Brazilian Blend tinha nascido morto. Em três meses, tudo o que havia em estoque era uma substância incolor, impossível de ser bebida.  

 

A pressão continuava. As descidas são rápidas, o que é plano torna-se ladeira escorregadia, e os que estão em volta, com raras exceções, não estendem as mãos. Os credores apertando, o dinheiro em caixa evaporou.

Concordata, o dia mais feliz

No dia 5 de maio de 1979, Fabrizio Júnior recebeu nos Estados Unidos um telefonema do pai. Ele achou que fosse para cumprimentá-lo pelo aniversário. Fabrizio começou:

- Hoje, meu filho, é o dia mais feliz de minha vida ...

- Que bom, pai. Pelo meu aniversário?

Fabrizio pareceu não tê-lo ouvido, continuou:

- Hoje é também o dia mais triste de minha vida, meu filho.

- Por que, pai?

- Daqui a pouco estarei assinando minha concordata.

- Significa o quê? Vai ter algum dinheiro?

Fabrizio riu ao telefone, explicou ao filho:

- Terminou, terminou tudo. Agora vou procurar me reabilitar, me levantar.

Pouco depois, Daisy foi para os Estados Unidos para pedir ao filho que voltasse para ajudar o pai. Fabrizinho, com 18 anos na época, estava com tudo engatilhado, tinha uma proposta para ficar, ia jogar
futebol americano, ia ter faculdade e dormitório de graça e ainda ganharia 300 dólares por mês. Mas regressou ao Brasil com a ideia de mais tarde voltar aos Estados Unidos e fazer medicina. O pai o
advertiu assim que entrou em casa:

- Está bem, fico feliz que voltou, vai me ajudar. Só não vou permitir que não estude.

- Não se preocupe, vou estudar ...

Na época, o escritório de Fabrizio era no bairro do Pacaembu, muito próximo à FAAP. O jovem foi até lá, acabou se inscreveu em um novo curso, o de economia. Era um momento em que economistas estavam em alta, procurados por empresas ou pela mí- dia como consultores e colunistas. Formado, fez um curso na Bolsa de Valores de Nova York e completou com um MBA em administração. Por essa época, também, Rogério regressou e acompanhou parte da trajetória do pai buscando sair da concordata. Uma vida inteiramente nova seiniciava.

Chegou a hora de vender os bens. A fazenda se foi, depois os terrenos, um a um, conforme a necessidade de caixa. Daisy resistiu à venda do terreno de oito mil metros quadrados do Morumbi, uma
preciosidade, não houve jeito. Um a um os apartamentos e escritórios foram liquidados, e também a casa do Guarujá, os automóveis. No entanto, as vendas foram insuficientes, a dívida era enorme, o
empreendimento vultuoso.

Na Europa, Rogério conta que "começaram a chegar notícias de que aqui as coisas não estavam indo bem. Mas eu jamais poderia imaginar que não ir bem significasse perder tudo. Perdemos casa,
fazenda, barcos, tudo, tudo".

A família mudou-se para uma casa menor na rua Dráusio, no Bu- tantã. O imóvel da rua Gália foi colocado à venda, demorou meses, as ofertas recebidas eram ridículas. No mercado, Fabrizio ganhou o
apelido de "uísque branco". Ironizavam, donos de bares e boates tornaram-se zombeteiros, convites para jantares e festas evaporaram. "Amigos se afastaram. Quando você tem tudo, vive rodeado", disse
Rogério. "Mas quando perde tudo, descobre os que são verdadeiros amigos. Sobram tão poucos"

"A descida foi vertiginosa, uma queda radical, nos vimos reduzidos a quase nada", sintetiza Andrea. Tudo foi sendo levado. "Cansei de correr com mamãe para esconder tapetes, quando os fiscais, ou
seja lá o que fossem, chegavam com um mandado para confiscar peças, quadros, móveis, esculturas, o que havia. Enrolávamos os tapetes e jogávamos embaixo da cama e fazíamos cara de bobos, infelizes. Lembro-me como cada confisco doía em papai. Ele sentia por nós.Era muito triste olhar para ele. Não podíamos manifestar nenhum desejo, vontade, ele corria para nos satisfazer. Como se nada tivesse
acontecido. E gastava mais, não queria que nada faltasse, não queria que a gente sofresse um pingo."

Ao voltar da Europa, a memória que ficou em Rogério daquela época era muito triste. "Ele, que sempre foi exuberante, ativo, tornou-se um homem abatido, deprimido. Era difícil para todos. Ele
cresceu muito rápido e de repente explodiu, mas continuou lutando e dizendo que ia se recuperar, tudo ia dar certo de novo. Acordava muito cedo, dormia tarde em busca de soluções, caminhos, não entregava os pontos."

Ao mesmo tempo, outra questão abalou Fabrizio, empurrou-o mais para baixo. Daisy pediu o divórcio. Não foi uma decisão súbita, ocasionada pela situação econômica. Foi o clímax de uma série
de situações provocadas pela vida boêmia de Fabrizio. Parecia ser mais forte do que ele, vivia aquela vida há anos, não percebia que ultrapassava os limites. Daisy acendia a luz amarela, dizia "atenção,
cuidado, posso suportar por um tempo, mas não o tempo inteiro". Havia algum tempo os desentendimentos e discussões se arrasta- vam. "Éramos testemunhas das brigas constantes, da falta de diálogo, dos desencontros. Nós, os filhos, sofríamos também. Então, eles se separaram. Quando as coisas chegam, chegam para valer, vêm em avalanche. Pressentíamos que aquilo aconteceria", comentou Andrea, apelidada Deca, que nessa época estava com quinze anos. "Ali o mundo de meu pai caiu de vez, veio abaixo, caiu tudo", lembra.

Em casa, de repente, entravam oficiais de justiça e iam afixando nos quadros, móveis, esculturas, tapetes, rótulos, vários tipos de bens, aprisionados, marcados: "Embargado, propriedade do banco tal".

 


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Marcio Mafra
13/04/2019 às 00:00
Brasília - DF

 

Ganhei este livro “Fabrizio Fasano Colecionador de Sonhos” de Claudio, amigo que como eu presta serviço voluntario no Codese – Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal.


 

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