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Estação das Chuvas

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Autor: José Eduardo Agualusa

Editora: Gryphus

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 278

Ano de edição: 2000

Peso: 320 g

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Excelente
Marcio Mafra
19/03/2009 às 17:40
Brasília - DF


“As Mulheres de Meu Pai” é o outro livro do Agualusa. Aquele, uma droga, este mais que fenomenal. Bonito e por vezes poético, bem arquitetado, roteiro descomplicado, envolvente, bom de se ler. Num lance de gênio, Agualusa faz o personagem Lídia saltar das páginas do livro, diretamente para a melhor história já narrada sobre Angola, mesmo sem se afastar do horror da guerra. O final é de pura emoção.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Lídia do Carmo Ferreira, neta de Nga Fina Diá Makulussu, ou Dona Josephine do Carmo Ferreira, desde muito antes, durante e até a data da independência de Angola, proclamada por Agostinho Neto, em 11 de novembro de 1975.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"A infância é a estação da maldade." A frase é sua. O que é que significa? Lídia - Apenas isso, que a infância é a estação da maldade. Claro que é também a idade da inocência. Acho que é necessária uma certa inocência para que a maldade se manisfeste nas suas formas mais exuberantes. Conteite a estória dos pássaros? Fui eu que dei a tesoura ao Rosa -de- Porcelana. As notícias sobre crianças que matam ou torturam outras crianças não me surpreendem. Admira-me, sim, que este fenômeno não seja mais vasto. Os grandes torturadores, e eu conheci alguns - enfim, nós conhecemos alguns, não foi? -, os grandes torturadores são quase sempre homens que não tiveram infância e por isso a exercem mais tarde. A maldade dos homens talvez seja, no fundo, uma expressão da sua inocência. Por isso eu costumo dizer que só os inocentes são culpados. (Entrevista com Lídia do Carmo Ferreira, Luanda, em 23 de Maio de 1990)..." ...."Em 1986 vi na Malásia, no barco que liga o continente à ilha de Penang, uns pássaros negros, semelhantes a corvos, mas mais largos, pesados e pensativos. Caíam do céu e vinham agarrar-se às grades do convés, de onde se dirigiam aos passageiros com palavras incomuns e a voz extravagante de um apresentador de circo. Falavam de tudo e de nada. Falavam sobre o estado do tempo, a saúde do rei, o custo de vida e o humor de Buda. Os passageiros faziam-lhes perguntas insondáveis, daquelas às quais ninguém parece capaz de dar resposta, mas eles respondiam sempre, e sempre com incontornável sensatez. Na Malásia, estes pássaros fizeram-me lembrar Joãoquinzinho. Toda a gente o conhecia por esse nome, mas era um homem imenso, com uma sólida cabeça de touro - Lídia chamava-lhe Capita taurus. Tinha os braços grossos como troncos de imbondeiro. Conheci-o quando fugi de casa e fui para Luanda, em Novembro de 1975. Depois estive quatro anos preso com ele. Joãoquinzinho consertava relógios. Vivia com a madrinha, Dona Diamantina, uma senhora plácida, de idade indecifrável, com uma pele tão branca que parecia feita da mesma matéria que o luar. Era uma mulher original. Vestia quase sempre uma túnica creme e enfrentava a fúria do sol com um desses velhos capacetes coloniais, em cortiça, feitos à mão. Ela e Joãoquinzinho pouco falavam e apenas por murmúrios, mas era evidente que os ligava um sentimento mais poderoso que o amor. Prenderam Joãoquinzinho sob a acusação de pertencer à OCA! . A culpa foi minha, porque escondi em casa dele panfletos da organização. Mas isso não parecia motivo para prender um homem e, desconfiados por natureza e por princípio, alguns dos nossos companheiros viram no fato um tortuoso malabarismo da segurança de Estado para infiltrar o movimento; porém, depressa se deixaram cativar - como eu - pelo sortilégio do seu discurso arcaico e sobretudo pela sua estóica sensatez de boi. Quando finalmente a DISN o libertou, já o tínhamos nomeado à revelia, tão secretamente que nem ele chegou a saber, secretário-geral do futuro Partido Comunista dos Trabalhadores (de toda a gente que conhecíamos, ele era o que mais se aproximava de um operário). Recordo-me de Joãoquinzinho porque, melhor do que ningu'ém, ele intuiu a importância de António Guilherme Amo na vida'<Íe Lídia e como a descoberta deste a tinha transformado. Na cadeia, organizamos uma série de cursos sobre assuntos que iam deilie línguas a medicina. Na Cela J, onde estive preso, havia vários estudantes universitários, dois médicos, um engenheiro e um professor de inglês. Havia também um jovem tractorista suspeito de pertencer à FNLA - dava-nos aulas de quicongo -, e um famoso torcionário do exército português, o coronel Aristides Lobo d' África, que aceitou orientar um curso sobre música clássica. Lídia, presa na ala das mulheres, começou então a colaborar nos cursos, fazendo-nos chegar manuscritos com aulas sobre a História de Angola, a escravatura, os descobrimentos portugueses, a revolução francesa e outros temas gerais. Inevitavelmente acabou também por nos falar de Amo. Os manuscritos de Lídia eram normalmente lidos por Joãoquinzinho, que cumpria o seu papel com imensa gravidade. A estória do filósofo guineense entusiasmou-o e quando, à terceira aula consecutiva, Lídia voltou a referir-se a ele, lembro-me que fez uma pausa na leitura e comentou: "A senhora Lídia nos fala como se fosse o outro, o próprio Amo." Precioso anacronismo, esta "senhora": em plena euforia revolucionária, Joãoquinzinho sempre se recusou a tratar quem quer que fosse por "camarada" e continuou a dizer "senhor" e "senhora", e às vezes mesmo "ilustríssirno", ou, em se tratando de altos dirigentes do partido ou do regime, "Sua Excelência, Fulano de Tal." Muito pressionado, condescendia num tratamento novo: "camarada excelentíssirno. >>>..." ..."Fui ao Huambo visitar a minha avó. Encontrei-a no quintal a cuidar da horta. Voltou-se devagar: "O que fazes aqui, já te passou a revolução?" Estava como eu a deixara. A casa também. Elias Justino, o velho cozinheiro, contou-me que alguns meses antes acordara com um rumor de vozes. Ao espreitar pelajanela distinguira vultos armados no quintal. Foi chamar a minha avó: "Senhora, prepara-te, vamos morrer!" A velha acendeu todas as luzes e abriu a porta em camisa-de-noite: "Fora daqui!", gritou para o grupo de homens que rastejava no quintal, "estão-me a estragar as rosas." Era um comando da UNITA. O chefe levantou-se e pediu as melhores desculpas, pensavam que a casa estivesse ocupada por cubanos. Elias ria-se ao recordar o episódio: "a senhora é um leão!" , disse-me. "Os teus pais estavam certos." A velha murmurou isto enquanto fazia malha. Eu não lhe via a cara. Via-lhe a cabeça baixa, o cabelo branco preso num tótó. "Estavam certos pelas razões erradas. Vai-te embora menino. Este país não tem destino." - E a avó? Levantou os olhos diáfanos: - Eu sou como o capim, não dou fruto, nem faço sombra. E nesta terra isso é uma coisa boa. Ninguém repara em nós!


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

José Eduardo Agualusa era um nome que não constava do catálogo dos escritores programados pela FLIP em julho de 2007, na cidade de Parati. A Flip tem demonstrado um excelente nível de organização num evento literário. Sem medo de errar é o melhor do Brasil. Mesmo assim, acontecem imprevistos. Certamente a direção do evento convida alguns autores, que comparecem à festa, para eventualmente substituir alguns faltosos. O público, jamais fica sabendo exatamente o motivo da ausência. Daí, na mesa intitulada "tão perto e tão longe" apareceu de última hora o José Eduardo Agualusa. Acho que ele substituiu um tal de William Boyd, ou terá sido o Kiran Desai? Na dúvida, comprei o livro dos substituídos e do "pára-quedista".


 

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