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O Retrato de Dorian Gray

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O Retrato de Dorian Gray

Livro Ótimo - 6 opiniões

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Autor: Oscar Wilde

Editora: Civilização Brasileira

Assunto: LGBT

Traduzido por: Ligia Junqueira

Páginas: 251

Ano de edição: 1998

Peso: 325 g

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Ótimo
Matheus dos Santos Barreto
12/06/2018 às 16:54
Blumenau - SC
É um otimo livro, empolgante e misterioso que traz uma grande lição


Excelente
Marta Raquel Soares da Silva
04/05/2015 às 19:22
Gravataí - RS
Fala sobre o homem e uma das coisas que mais o corrompe. A vaidade.
Historia maravilhosa.


Ótimo
F. Mafra
22/08/2014 às 21:48
Brasília - DF
Muito bom.
O livro retrata a própria vida do autor, de forma romanceada. Ele apronta todas para dar um sentido qualquer a sua vida fútil. Ao tentar ser "bom" é desacreditado pelo seu mestre, Lord Henry, a única pessoa com quem ele verdadeiramente se importa. Além dele mesmo claro.
Lord Henry possivelmente é o "eu interior" de Dorian, sua alma, seus pensamentos mais sinistros, sua vaidade. Mas nem Lord Henry é capaz de ser tão ruim e egoísta quanto Dorian.
Apesar da época em que se passa a estória, as falas dos personagens são super atuais.
Final surpreendente.
"A alma é uma terrível realidade. Pode ser comprada, vendida e permutada. Pode ser envenenada ou tornada perfeita. Há uma alma em cada um de nós. Sei disso".

Excelente
Elias Marinho
20/09/2013 às 12:01
Santa Maria - DF
Certamente um dos melhores livros que li nos últimos tempos, o autor possuía um senso crítico sem igual, considerando a pouca idade que ele tinha ao escrever esta obra – prima é de se espantar como alguém pensava daquela maneira. Com personagens marcantes, com destaque para Lord Henri aquele que mais me agradou, mas ainda que o próprio Dorian Gray, que possuía uma língua rápida para dar respostas ácidas às perguntas capciosas de seus interlocutores. Fica nítido que as criticas que o autor, se utilizando dos personagens faz, principalmente de Lord Henri, eram direcionadas à sociedade inglesa de sua época, extremamente puritana, falsa e preconceituosa. Considerando o fato de que o autor tinha tendências homossexuais, viver em uma sociedade como esta deve ter sido um suplicio e assim ele nos presenteou com esta maravilhosa obra.
Vários diálogos entre Lord Henri e Dorian ficaram marcados para mim, pois eram simplesmente maravilhosos, são exatamente aquilo que as pessoas sentem ao se relacionar, porém, ninguém diz para não causar nenhum espanto aos falsos puritanos de plantão. O enredo também merece elogio, pois a ideia de alguém que pode transferir para um quadro sua face mais repugnante foi genial, o final me surpreendeu, por mais previsível que seria o autor conseguiu dar um toque especial ao fim de Dorian Gray.


Bom
fabio sousa dos santos
14/02/2013 às 16:47
Campina Grande - PB
Muito bom o livro O Retrato de Dorian Gray. Recomendo a sua leitura.

Ótimo
Marcio Mafra
08/06/2003 às 18:55
Brasília - DF


Dorian Gray é personagem principal do romance que provocou muito escândalo na sociedade inglesa entre os anos 1880 e 1900. Escândalo, desgraça e preconceito pois Dorian Gray foi um retrato cruel do hedonismo e do homossexualismo, numa história em que um rapaz inglês agiu como se houvesse achado o segredo da eterna juventude, que foi também o motivo de sua própria miséria. O retrato de Dorian Gray é um caso raro de livro, em que o nome do autor transcende a história que ele mesmo contou. Neste caso, mescla-se a ficção do romance com a figura do autor. Wilde ficou maior porque era um jovem rico, metido a intelectual, casado com a filha de um famoso advogado e membro da corte. Oscar, que fazia o estereótipo do boiola, que freqüentava os salões elegantes da sociedade local, e afrontava os seus representantes com suas atitudes excêntricas e bizarras para a sociedade moralista e puritana da época. Todos sabiam que Wilde vivia com um dândi, Lord Douglas, em cuja beleza se inspirou para escrever o retrato do Dorian Gray. Acontece que o pai do Douglas, que era um importante membro da corte inglesa, resolveu processar o autor. Wilde por isso caiu em desgraça política, financeira e social, vindo a morrer abandonado e pobre, no final do ano de 1900. Depois de morto virou vítima. Vítima da sociedade, vítima da literatura, vítima da poesia, vítima da intolerância e vítima da corte. Não se vê no texto do autor nenhum apuro de estilo, de conteúdo ou de arquitetura literária. Uma história complicada que mistura ao colunismo social da época, um pouco de poesia, muita teatralidade, mistérios policialescos que provocariam gargalhadas de Conan Doyle ou Aghata Chrstie e um pobre realismo fantástico que não convenceria nem Salvador Dali. O livro resiste ao tempo, provavelmente mais pela emoção que contem a vida do autor, que pela obra literária. Vale a leitura.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Dorian Gray, inglês jovem e bonito, modelo preferido do pintor, Basil Hallward, que lhe faz um retrato de corpo inteiro. Dorian fica tão encantado com o retrato que passa a desejar ficar jovem para sempre. Misteriosamente o quadro vai envelhecendo, até quando ele tem uma atitude cruel e nota uma pequena alteração no seu retrato, que vai modificar a sua vida para sempre...

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quando Dorian acordou, já passava bastante do meio-dia. O criado entrara várias vezes, nas pontas dos pés, para ver se ele fazia algum movimento, e ficara a imaginar por que o patrão dormia até tão tarde. Finalmente a campainha tocou e Victor entrou de mansinho no quarto, trazendo chá e uma pilha de cartas, numa pequena bandeja de velha porcelana de Sevres. Abriu as cortinas de cetim cor de azeitona, forradas de azul, que cobriam as três janelas altas e disse, sorrindo: - Monsieur dormiu bem esta noite? - Que horas são, Victor? - Perguntou Dorian Gray, sonolento. - Uma e um quarto, monsieur. Como era tarde! O rapaz sentou-se e, tendo sorvido alguns goles de chá, apanhou as cartas. Uma era de Lord Henry e fora trazida por mensageiro àquela manhã. Dorian hesitou por um momento, deixando-a depois de lado. Abriu as outras, distraidamente. Eram as mesmas de sempre, convites para jantar, bilhetes para exposições particulares, programas de concertos de caridade e coisas semelhantes, que choviam sobre os rapazes da sociedade, todas as manhãs, na estação. Havia uma conta pesada, de um jogo de toucador Luís XV, em prata, que ele ainda não tivera coragem de apresentar a seus tutores, homens extremamente antiquados, que não compreendiam que vivemos numa época em que as coisas supérfluas são as únicas de que necessitamos. Havia várias cartas em termos cortêses, de agiotas da Jermyn Street, oferecendo-se para emprestar qualquer quantia, de um momento para outro e a juros bastantes razoáveis. Passados dez minutos, Dorian levantou-se e, envergando um complicado roupão de casimira bordado de seda, entrou no banheiro de piso de ônix. A água fria refrescou-o após o sono prolongado. Ele parecia ter-se esquecido de tudo por que passara. Por uma ou duas vezes experimentou a ligeira sensação de ter participado de uma tragédia, mas nela havia a irrealidade de um sonho. Logo que se vestiu, dirigiu-se à biblioteca e sentou-se para tomar um leve desjejum francês, que fora colocado numa mesinha redonda, perto da janela aberta. Era um dia lindo. O ar cálido parecia impregnado de especiarias. Uma abelha entrou e pôs-se a zumbir à volta do vaso azul, cheio de rosas amarelas, que estava no centro da mesa. Dorian sentiu-se perfeitamente feliz. De repente, seu olhar caiu sobre o biombo, que ele colocara diante do retrato, e ali se deteve. - Está frio demais para monsieur? - Perguntou o criado, pondo uma omelete na mesa. - Quer que feche a janela? Dorian sacudiu a cabeça e murmurou: - Não estou com frio. Seria verdade? Teria o retrato mudado, realmente? Ou fora apenas a imaginação que fizera com que Dorian visse expressão de maldade onde antes houvera apenas alegria? Certamente uma tela pintada não poderia modificar-se? Era absurdo. Serviria de assunto, um dia, quando conversasse com Basil. Faria o pintor sorrir. Apesar disto, quão vívida era a recordação de tudo. Primeiro, à luz frouxa do crepúsculo matutino, depois, na madrugada clara, percebera a nota de crueldade à volta dos lábios deformados. Quase teve medo de ver o criado sair da sala. Sabia que, quando ficasse só, teria de examinar o retrato. Receava certificar-se. Quando Victor trouxe o café e cigarros e se preparava para de novo sair, Dorian sentiu um louco desejo de dizer-lhe que ficasse. Chamou-o quando a porta se fechava. O homem ficou aguardando ordens. Dorian fitou-o por um momento. - Victor, não estou em casa para ninguém - disse, com um suspiro. O criado inclinou-se e saiu. Dorian levantou-se da mesa, acendeu um cigarro e atirou-se num divã luxuosamente estofado, que estava de frente para o quadro O biombo era antigo, espanhol, de couro dourado e trabalhado em estilo Luís XIV, bastante vistoso. O rapaz examinou-o com curiosidade, ficando a imaginar se algum dia teria ocultado o segredo da vida de alguém. Deveria afastá-lo, afinal de contas? Ou seria melhor deixá-lo sempre ali? De repente adiantava saber? Se fosse verdade, era terrível. Se não fosse, por que se preocupar, então?... Mas, que aconteceria se, por acaso, ou alguma fatalidade, outros olhos espiassem por trás do biombo e vissem a horrível mudança? Que faria ele, se o pintor aparecesse e pedisse para ver seu próprio trabalho? Certamente Basil o faria. Não; tinha de examinar o quadro imediatamente. Qualquer coisa seria preferível a esta pavorosa incerteza. Levantou-se e fechou ambas as janelas. Pelo menos estaria sozinho, quando fitasse a máscara de sua vergonha. Depois, afastou o biombo e viu-se frente a frente com sua imagem. Era a pura verdade. O retrato modificara-se. Mais tarde, lembrou-se várias vezes, e sempre com espanto, que a princípio observara o retrato com interesse quase científico. Incrível que se tivesse operado tal mudança. Mas era um fato. Haveria alguma sutil afinidade entre os átomos químicos, que na tela se juntavam em forma e cor, e a alma que nele vivia? Seria possível que realizassem o que a alma pensava?... Que tornassem verdadeiro o que ela sonhava? Ou haveria outra razão, mais terrível ainda? Dorian estremeceu, teve medo, e, voltando para o divã, ali ficou, contemplando o retrato, horrorizado. Achava, no entanto, que para alguma coisa serviria. Fizera com que compreendesse como fora injusto, cruel, para com Sibyl Vane. Mas ainda era tempo de reparar. Podia fazer dela sua esposa. Seu amor irreal e egoísta cederia a alguma influência superior e se transformaria em paixão mais nobre. O retrato pintado por Basil Hallward lhe serviria de guia, na vida, seria para ele o que a santidade é para alguns, a consciência para outros e o medo de Deus para todos. Havia entorpecentes para o remorso, drogas que amortecem o senso moral. Mas aqui estava um símbolo visível da degradação do pecado, um sinal sempre presente da ruína a que os homens arrastam a própria alma. O relógio bateu três horas, depois soou a meia hora, sem que Dorian Gray se movesse. Procurava reunir os fios rubros de sua existência e tecê-los, para que tivessem sentido; esforçava-se por encontrar seu caminho através do sangüíneo labirinto de paixão por onde vagueava. Não sabia o que fazer, nem o que pensar. Finalmente, aproximou-se da mesa e escreveu uma carta apaixonada à mulher amada, implorando perdão e acusando-se de loucura. Encheu páginas com palavras de tristeza e amargo sofrimento. Há um certo prazer na autocrítica. Quando nos censuramos, achamos que ninguém mais tem o direito de fazê-lo. É a confissão, não o padre, que nos dá a absolvição. Terminada a carta, Dorian sentiu-se perdoado.


  • O tempo passa e o fútil Dorian Gray não envelhece

    Autor: Jeocaz

    Veículo: site jeocaz.wordpress.com/category/literatura/ Oscar Wilde

    Fonte:

    OSCAR WILDE EXTRAIDO DO SITE JEOCAZ.WORDPRESS.COM/CATEGORY/LITERATURA/

    Do site jeocaz.wordpress.com/category/literatura/ Oscar Wilde O tempo passa e o fútil Dorian Gray não envelhece. Permanece belo como um adolescente, conservando um semblante puro e angelical. Por trás do rosto imperturbável pelo tempo, há uma alma cruel, luxuriante, amoral e assassina, refletida em um quadro, que envelhece e altera o seu semblante a cada assassínio moral do seu dono. “O Retrato de Dorian Gray” (The Picture of Dorian Gray), único romance escrito pelo escritor irlandês Oscar Wilde, é o próprio retrato da Inglaterra vitoriana, vítima da sua hipocrisia e insistência em vencer com a tradição a mudança dos costumes. Romance gótico, ícone do decadentismo inglês, traz uma mordaz visão do homem e da sua ambição em alcançar a juventude eterna, a perfeição da beleza estética. Através de diálogos inteligentes, que vertem um torpor literário pulsante, o livro mergulha no fantástico, questionando a eterna incompatibilidade do tempo e da arte, uma a querer devorar a outra. Dorian Gray, ao ser pintado pelo amigo Basil Hallward, descobre a fragilidade da sua beleza diante do tempo, da imortalidade da arte. Basil Hallward atinge o que ambiciona todo artista, a criação da sua obra perfeita. Lorde Henry Wotton vê na beleza pura de Dorian Gray a perfeição de uma alma que deveria ser corrompida, unindo o belo ao cruel, o hedonismo ao cinismo. O retrato pintado dará a cada um deles o pretendido. Dorian Gray não quer envelhecer e ver o seu retrato de jovem permanecer intocável. Oferece a alma para trocar de posição com o retrato. O seu pedido será atendido. O retrato irá envelhecer, tomar para si as marcas dos registros de toda a obra de vida de Dorian Gray. Mas não se pode enganar o tempo, a arte sobrevive ao homem, impossível lutar com ela. Dorian Gray ganha a juventude eterna, mas perde a sua alma. Henry Wotton é o mentor intelectual da sua desintegração. Basil Hallward é o criador da obra perfeita, que vai perdendo os traços e adquirindo um aspecto repulsivo. Se a beleza humana parece ganhar da arte, o retrato é a consciência de uma alma corrupta por natureza. Dorian Gray, ao tentar destruir o quadro, destrói a si mesmo, porque a arte é imortal, o homem perecível ao tempo. O livro traz diálogos mais brilhantes do que a própria narrativa. A palavra é quem dilata a trama, dá força infinita à narrativa. Mordaz com o seu tempo, “O Retrato de Dorian Gray” mergulha em uma sutil atmosfera homoerótica, traduzindo com perfeição o decadentismo inglês. É uma profusão do mito de Fausto, retratado por Goethe. Considerado amoral pela crítica e pela sociedade da época em que foi lançado, o romance é hoje um dos maiores marcos da literatura universal. A Criação do Retrato O romance “O Retrato de Dorian Gray” apareceu pela primeira vez em junho de 1890, quando o “Lippincott’s Magazine” publicou o seu primeiro capítulo. A obra sairia em volume somente em março de 1991, quando Oscar Wilde acrescentou-lhe seis capítulos e um prefácio. Dorian Gray é um jovem fútil e ingênuo dentro da sua tenra idade. Sua beleza incomum atrai os sentimentos do pintor Basil Hallward. Fascinado por aquela beleza, o pintor passa a nutrir uma obsessão pelo jovem. Começa a pintar aquela que seria a mais perfeita de suas obras, o retrato de Dorian Gray. Quando posava para Basil Hallward, Dorian Gray foi apresentado a um dos seus amigos, o cínico e hedonista Lorde Henry Wotton. O interesse do nobre pelo jovem é imediato. Mesmo à revelia dos protestos de Hallward, Lorde Wotton presencia as pinceladas finais do quadro. Quando pronto, o retrato causa grande impacto nos três homens. Para Basil Hallward é a ambição maior de qualquer artista, o encontro com a beleza perfeita da sua obra. Para Lorde Henry Wotton, o retrato mais perfeito já produzido pela arte. Para Dorian Gray, a revelação definitiva da sua beleza etérea. O retrato de Dorian Gray seduz desde o primeiro momento da sua criação. Mas Dorian Gray, um jovem sem grandes ambições intelectuais, envolto no seu narcisismo adolescente, na volúpia do seu caráter, tão logo vê o quadro, é acometido de uma profunda tristeza. É movido pela inveja diante da própria imagem retratada. Sente-se infeliz em saber que a beleza venerada permaneceria para sempre no quadro, enquanto que ele iria envelhecer, definhar. “– Como é triste – murmurou Dorian, ainda com os olhos fixos em seu retrato. – Eu me tornarei velho, horrível, espantoso. Mas este retrato permanecerá sempre jovem. Não será nunca mais velho do que neste dia de junho… Se acontecesse o contrário! Se eu ficasse sempre jovem, e se este retrato envelhecesse! Por isso… por isso eu daria tudo! Sim, não há nada no mundo que eu não desse! Daria até a minha própria alma!” O texto acima define o caráter de Dorian Gray, ainda que muito jovem e inconseqüente, e é a chave para que se perceba a temática de Oscar Wilde, e o que se sucede a seguir. O escritor, ao contrário de “Fausto”, não diz ter sido o diabo quem atendeu ao pedido impossível de Dorian Gray, mas a arte, o próprio retrato, que aceita a proposta. Dorian Gray jamais envelhecerá, o seu retrato assumirá as agressões do tempo, as suas marcas, o seu verdadeiro caráter. Paixões Fugazes O tempo continua a passar. No início, Dorian Gray não percebe as mudanças do quadro ou a perfeição inalterada da sua beleza física. O jovem trava uma amizade intensa e ambígua com Lorde Henry Wotton, que passa a ser seu mentor intelectual. O cinismo latente do amigo encontra eco perfeito no caráter duvidoso de Dorian Gray, florindo no mundo cruel de uma mente devassa. Enquanto a amizade de Lorde Henry Wotton evolui para a construção sarcástica do universo psicológico de Dorian Gray, há um grande distanciamento entre o jovem e Basil Hallward. O pintor sente que perdeu para sempre a sua obra perfeita e ao seu inspirador. Segue amargurado e sozinho. Na inconstância dos seus sentimentos volúveis, Dorian Gray descobre-se irremediavelmente apaixonado por Sibyl Vane, uma jovem atriz de dezessete anos. O talento da jovem em interpretar personagens de Shakespeare seduz a futilidade de Dorian Gray. Nos impulso da paixão, ele decide pedir à atriz em casamento. Numa noite, quando leva os amigos para que vejam Sibyl Vane no palco, a jovem sente-se nervosa com a presença de todos, fazendo uma péssima atuação. Já no camarim, ela declara o seu amor incondicional ao amado. Jura-lhe fidelidade eterna, quer deixar de ser atriz para dedicar-se a ele. Mas Dorian Gray, envergonhado diante dos amigos pela péssima atuação de Sibyl Vane, e a menosprezar as suas juras de amor, encerra o romance com a jovem. Ao ver Dorian Gray virar-lhe as costas, menosprezando-lhe os sentimentos e partir para sempre, Sibyl Vane desespera-se, fora sincera, entregara sem disfarces o seu coração. No afã do seu sofrimento, a jovem suicida-se. Ao terminar o seu romance com Sibyl Vane, Dorian Gray vai para casa. Naquela noite trágica, ao olhar para o seu retrato, percebe que ele já não traz a beleza ingênua de antes. O quadro apresenta uma imagem cínica e fria. Dorian Gray percebe que a tela estava a absorver as suas emoções e o seu verdadeiro caráter. Está certo de que o quadro refletia a sua consciência. A mudança na imagem tinha sido por causa da crueldade com a qual tratara Sibyl Vane. Num momento de rara crise de consciência, Dorian Gray decide reparar o seu erro, está disposto a casar com a jovem atriz, ser uma pessoa melhor. Mas era tarde. No dia seguinte, é informado da morte da infeliz jovem. Ao olhar novamente para o retrato, ele percebe que a imagem tornara-se ainda mais sarcástica e repugnante. Dorian Gray percebe por definitivo, o segredo que traz o seu quadro. Esconde-o atrás de um biombo, e futuramente, conforme vai se transformando, encerra-o em uma sala, coberto por um pano de cor púrpura. A morte de Sibyl Vane é o momento da revelação do segredo de Dorian Gray. É o último momento de consciência aos seus atos, e o mais próximo de uma humanização dos sentimentos de uma personagem fria e fútil. Na noite que parecia sofrer com a notícia da morte da amada, Dorian Gray vai com a consciência apaziguada, ver uma apresentação de ópera. O Encontro do Criador Com a Sua Obra A partir da morte de Sibyl Vane, o caráter de Dorian Gray vai degradando. Todos que se aproximam dele são corrompidos, levados à deterioração moral. Seu rosto continua impassível, jovial e com a pureza retratada na pintura. Se a degradação da alma de Dorian Gray fascina Lorde Henry Wotton, ela preocupa Basil Hallward. Inconformado com a má fama daquele que fora a sua maior inspiração, preste a partir para Paris, o pintor procura o seu modelo, na esperança de devolver-lhe a consciência da alma. Um dos momentos mais densos do romance, Dorian Gray irrita-se com o pintor. Culpa-o do seu destino, pois era o autor do retrato da sua consciência. Em um momento de sinceridade cínica, o eterno jovem decide revelar o seu segredo a Basil Hallward. Leva-o à sala onde está confinada a sua obra-prima. Ao ver um retrato repugnante à frente, o pintor percebe a mentira que fora acreditar que tinha tido naquele jovem de caráter degradado a maior inspiração da sua vida. Já não acredita na perfeição da sua obra, apenas na soberba insana da admiração que dedicara à obra e ao modelo dela. Dorian Gray deixa-se tomar por uma impulsividade vingativa, apodera-se de uma faca e desfere várias vezes sobre o pintor. Era como se matasse o autor não do seu retrato, mas da sua alma, da sua consciência diante das maldades as quais entregara a sua vida. A sua degradação estava completa, diante do corpo de Basil Hallward, a confirmação de que agora era também um assassino. No retrato, a sua mão passa a estar manchada de sangue. Após o crime, Dorian Gray, através da chantagem, convence o jovem Alan Campbell, um legista, a transportar o corpo para ser dissecado como indigente em um laboratório. Repudiando o seu ato, Alan Campbell suicida-se logo após cumprir às ordens de Dorian Gray. O sangue aumenta nas mãos do retrato. Duelo Entre o Retrato e o Seu Modelo O tempo continua a passar veloz. Todos envelhecem. Dorian Gray continua jovial. É visto em Londres com repulsa. As pessoas temem ao seu poder de persuadir e perder os jovens. Homens e mulheres desejam-no. Dorian Gray é o próprio retrato da devassidão, da corrupção e da mentira humana. Do seu passado volta o fantasma de Sibyl Vane, através do marinheiro James Vane, irmão da malograda atriz. James Vane jamais soubera o nome do homem que destruíra a vida da irmã. Descobre-o por acaso, nos bordéis do cais de Londres, onde Dorian Gray costumava freqüentar. Aproxima-se do homem misterioso, pronto para matá-lo com um tiro, mas Dorian Gray confunde-o, não poderia ser o homem que levara a irmã ao suicídio, há dezoito anos atrás. Era demasiadamente jovem. Diante do logro, deixa o jovem partir. Mas James Vane não se deixa vencer. Descobre que Dorian Gray, apesar da aparência jovial, é um homem com a idade muito além da que trazia no rosto. Começa a persegui-lo, para vingar a irmã. Numa caçada no campo, James Vane é atingido mortalmente por acidente, pela espingarda de um caçador. O desaparecimento misterioso de Basil Hallward cai no esquecimento. James Vane estava morto. Alan Campbell pusera fim à vida sem revelar o que lhe levara àquele ato extremo. Dorian Gray estava livre de todos os seus inimigos e daqueles que se lhe puseram no caminho. Não se sentia responsável por nenhuma das mortes. Todos a mereceram. Sentia-se leve. Apenas o retrato o incomodava. A tela repugnante era a sua consciência, a sua culpa que jamais seria redimida. Era hora de desaparecer com aquela cobrança retratada da sua alma. Pensando poder dormir tranqüilo, sem jamais voltar a ver o retrato da sua alma e das suas rugas, Dorian Gray decide eliminar o quadro. Entra na sala onde a obra está encerrada. Olha-a mais uma vez. Está cada vez mais degradada, insuportável de ser olhada. Dorian Gray vai até uma escrivaninha e pega uma faca que se encontra sobre ela. É a mesma faca com a qual matara Basil Hallward, com ela iria destruir-lhe a obra perfeita. Não restaria mais nem autor, nem obra. Ficaria livre, finalmente. Com a força do seu ódio, investiu com a faca contra a pintura. Ecoa-se um terrível grito por toda a casa. Assustados, os criados vão até a sala misteriosa. Deparam-se com a imagem bela e perfeita do retrato do patrão. No chão encontram um cadáver envelhecido, com uma faca no peito. Nunca tinham visto ser tão repugnante. Só identificam que o corpo é de Dorian Gray pelos anéis que traz nos dedos. Ao tentar matar a obra de Basil Hallward, Dorian Gray matou a si mesmo. Ao retrato foi devolvido a sua beleza e perfeição originais. A arte venceu a vida. Oscar Wilde Vindo de uma família de protestantes irlandeses, Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde nasceu em Dublin, Irlanda, em 16 de outubro de 1854. Iniciou os estudos na Portora Scholl, de Enniskillen, transferindo-se mais tarde para o Trinity College, em Dublin, onde permaneceria até ganhar uma bolsa de estudos, em 1874, para o Magdalen College, em Oxford. O período em Oxford seria encerrado com o prêmio Newdigate de poesia, em 1878, por seu poema “Ravena”. Depois que deixou Oxford, estabeleceu residência em Londres. Oscar Wilde sempre foi um homem controverso, gerando polêmicas não só pelas suas obras, como pela forma em que conduzia a sua vida. Apresentava-se em público com as suas atitudes extravagantes, os seus longos cachos, casaco de veludo, camisa larga de colarinho baixo, gravata de cores exóticas. Costumava trazer nas mãos ou na lapela, um lírio ou um girassol. Sua vida amorosa era conturbada, com amores fugazes, muitas vezes proibidos pela moral vitoriana. Ao chegar a Londres, apaixonou-se pela bela Lily Langtry, com quem viveria a sua primeira grande aventura amorosa. No início da década de 1880, escreveu e viu encenadas as suas primeiras peças. Tornou-se um conferencista requisitado, tendo conhecido em uma das suas conferências, a bela e jovem Constance Lloyd, única herdeira de uma grande fortuna. Em 29 de maio de 1884, casou-se com Constance. Do casamento nasceriam dois filhos: Cyril, em 1885, e Vyvyan, em 1886. Os registros sobre a homossexualidade de Oscar Wilde viriam a partir de 1886, quando o escritor conhecera o jovem Robert Ross, com quem teria iniciado as experiências homossexuais, tornando-as constantes a partir de 1889. Em 1890, publicou em capítulos, no “Lippincott’s Magazine”, o romance “O Retrato de Dorian Gray”, publicando-o em volume em 1891. O romance teve uma péssima aceitação da crítica, os mais moralistas chegaram a classificá-lo como uma obra envenenadora dos costumes. A partir de 1892, escreveu para o teatro uma série de peças bem-sucedidas, que traziam uma linguagem sofisticada, tornando-se comédias com um teor mordaz de crítica aos costumes vitorianos. Muitas foram imortalizadas como obras universais, destacando-se entre outras: “O Leque de Lady Windermere” (1893), “Um Marido Ideal” (1895) e “A Importância de Ser Fervoroso” (1895). Em paralelo com o sucesso, Oscar Wilde passou a viver um torrencial romance com o jovem nobre Alfred Douglas, o Bosie, que conhecera em 1891. O seu envolvimento com o jovem passou a ser alvo de chantagistas, que ameaçavam divulgá-lo . Em 1895, sentiu-se ofendido pelo Marquês de Queensberry, pai de Bosie, levando-o a tribunal por difamação. O julgamento terminou com o nobre sendo inocentando e o escritor sendo acusado de homossexualismo, prática considerada crime pelas leis da época. Durante o processo, Oscar Wilde teve os seus livros retirados do mercado, sua casa foi vendida, sendo pilhada durante o leilão dos bens. No dia 25 de maio de 1895, foi condenado a dois anos de trabalhos forçados. Posto em liberdade, em 1897, nada lhe restara da época de fama e prestígio. Passou a ser considerado um escritor maldito e amoral, sendo proibido citar as suas obras na casa das pessoas que se consideravam honestas. Sem casa, sem dinheiro, com os filhos e a esposa distantes, a usarem identidades disfarçadas, Oscar Wilde decidiu ir viver na França, numa vila pesqueira, Berneval, adotando o nome de Sebastian Melmoth. Mais tarde, o escritor viria para Paris, onde, em 1898, soube da morte de Constance. Em Paris, Oscar Wilde vivia quase que sem amigos. No outono de 1900, começou a queixar-se de fortes dores de cabeça. Internado, chegou a ser operado do ouvido, mas alguns dias depois, o abscesso do ouvido provocou uma inflamação no cérebro. No dia 30 de novembro de 1900, Oscar Wilde morria de meningite, agravada pelo álcool e pela sífilis. Seu último desejo foi ser aceito pela igreja católica. No leito de morte, recebeu de um padre o batismo e a extrema unção. Após um modesto velório na igreja de Saint-Germain-des-Prés, Oscar Wilde foi enterrado no cemitério de Bagneux, nos arredores de Paris. Somente em 1909, após o pagamento de todas as suas dívidas, foi transladado para um lugar de honra no Père Lachaise. Sobre o túmulo foi erguido um monumento, sendo nos dias de hoje, um dos mais visitados por turistas do mundo inteiro. Cronologia 1854 – Nasce, em Dublin, Irlanda, em 16 de outubro, Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde. 1864 – Inscrito na Portora Scholl, de Enniskillen. 1871 – É transferido para o Trinity College, em Dublin. 1874 – Ganha a medalha de ouro Berkeley no Trinity College. Passa a freqüentar como bolsista, em outubro, o Magdalen College, em Oxford. 1875 – Viaja para a Itália. 1876 – Morre, em 19 de abril, o seu pai, Sir William Robert Wills Wilde. 1879 – Passa a viver em Londres. Apaixona-se por Lily Langtry. 1880 – Escreve, em cinco atos, o drama “Vera, ou Os Niilistas”. 1881 – Publica o livro “Poemas”. 1882 – Realiza conferências nos Estados Unidos e no Canadá. 1883 – Viaja para Paris, pela primeira vez. Escreve “A Duquesa de Pádua”. 1884 – Casa-se com Constance Lloyd, fixando residência na Tite Street, Chelsea. Escreve crítica literária para diversas revistas. 1887 – Torna-se diretor da revista feminina “Woman’s World”. 1890 – Edita em capítulos, “O Retrato de Dorian Gray”, no “Lippincott’s Magazine”. 1891 – Apresentada na Alemanha e nos Estados Unidos a peça “A Duquesa de Pádua”. 1892 – Escreve “O Leque de Lady Windermere”. Proibida a apresentação da peça “Salomé”. 1893 – Apresentada com sucesso a peça “Uma Mulher Sem Importância”. 1895 – Estréia, em janeiro, “Um Marido Ideal”. Em fevereiro estréia “A Importância de Ser Fervoroso”. Começa em abril, o julgamento por homossexualismo. Condenado, em maio, a dois anos de trabalhos forçados. 1896 – Conclui a obra “De Profundis”. Morre Jane Francesca, sua mãe. 1897 – Posto em liberdade, em maio. Começa a escrever “Balada da Prisão de Reading”. 1898 – Morre, em abril, Constance, a sua esposa. 1900 – Oscar Wilde morre em Paris, em 30 de novembro, vitimado por uma meningite. OBRAS: Romance 1891 – O Retrato de Dorian Gray Poesia 1878 – Ravena 1881 – Poemas 1894 – A Esfinge 1894 – Poemas em Prosa 1898 – Balada da Prisão de Reading Teatro 1880 – Vera, ou Os Niilistas 1883 – A Duquesa de Pádua 1892 – O Leque de Lady Windermere 1892 – Salomé 1893 – Uma Mulher Sem Importância 1895 – Um Marido Ideal 1895 – A Importância de Ser Fervoroso Contos 1887 – O Fantasma de Canterville 1888 – O Príncipe Feliz e Outras Histórias (contos de fadas) 1892 – A Casa das Romãs (contos de fadas) Coletâneas 1891 – Intentions (Intenções) 1891 – O Crime de Lorde Arthur Saville e Outras Histórias Artigos 1889 – The Decay of Lying 1905 – De Profundis (póstumo)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Presenteei o livro para o Rafael, no seu aniversário de 99.


 

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