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Caçadas de Vida e De Morte

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Caçadas de Vida e De Morte

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: João Gilberto Rodrigues da Cunha

Editora: Fundação Peirópolis

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 404

Ano de edição: 2000

Peso: 645 g

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Excelente
Marcio Mafra
19/02/2003 às 10:56
Brasília - DF


José Alberico chega a Desemboque, depois de um golpe aplicado em S.Paulo. Assim começa uma história riquíssima, espetacular, surpreendente, muito bem intitulada de Caçadas de Vida e de Morte, pelo João Gilberto Rodrigues da Cunha, sobre quem o Marcelo Palmério disse que transmite emoção da primeira a última frase do livro. Ninguém conseguirá lê-lo aos poucos. Com certeza, João Gilberto é um escritor. Excelente. Inacreditável que um escritor do interior de Minas, ilustre desconhecido do mercado livreiro, escreva tão gostosamente. Como diz o sábio Gustavo, se a história é boa, o livro é bom. Livro mais que excelente.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história começa com a chegada, em Desemboque, de José Albérico, depois de aplicar um golpe em S.Paulo. O autor era amigo do jurista Ronaldo Cunha Campos, que fazia muitas pesquisas e pretendia escrever um livro histórico sobre o Triângulo Mineiro. Combinaram então, que fariam um romance à quatro mãos, para tornar o livro histórico menos chato. Ronaldo morreu antes de escreverem o livro. Daí, o autor, resolveu escrever toda a história como um romance.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tarde da noite, no escuro e silêncio de seu escritório, José Albério conversava em breve e baixa voz com Joaquim Teodoro. Já tinha idéia formada desse tenente, sabia que ele não cederia terreno nem opinião. Se fosse apertado, se recebesse ordem superior de transferência ou repreensão, botaria a boca no trombone, os podres na rua. O desastre seria total e irreparável. - Joaquim Teodoro, esse moço virou inimigo e perigo. Teve a coragem de me ameaçar, entrincheirado na farda e patente militar. Tenho que achar uma saída para o seu caso! Joaquim Teodoro detestava o mundo e a sua gente, e, mais que a gente comum, detestava a gente militar. - Deixe comigo, patrão. O moço vai sumir de ninguém mais saber dele, farda ou patente. - Uma coisa importante,Joaquim Teodoro: ninguém pode saber disso que conversamos e que você pretende fazer. Aqui no Desemboque, nada pode ser feito, alguém pode sentir ou ver. Faça tudo que quiser, mas longe e sozinho! - Certo, de acordo. O tenente pode receber um pedido ou ordem de patrulha fora daqui. No garimpo do Quebra-anzol acontecem desordens. Ele pode receber uma queixa e dar um chego por lá. É longe, tem muita pinga, escuridão e ladrão. Deixe comigo. Não falaram mais. Dia seguinte, Joaquim Teodoro escava a caminho do garimpo, lugar de violenta fama e vida. Arranchou-se entre garimpeiros, a barba grande e a fala curta, só queria batear algum ouro, nem conhecer nem negociar. No primeiro sábado desembarcou sua ignorância no puteiro local, ponto obrigatório de encontro dos garimpeiros, onde bebida e mulher se pagavam com ouro ou pedras que todos traziam de suas jornadas. Bebeu, comeu, e na hora de pagar gritou a denúncia. - Fui roubado! Minha bolsa tinha dez pepitas, uma grande e pesada. Deixei aqui no canto, sumiu tudo! Garimpeiros fazem trapaça e roubo, mas na zona são cavalheiros: ninguém deixa de pagar a bebida, a comida ou a mulher. Nesse serviço de lazer são especialmente honestos. É comum a sua volta ao garimpo na segunda-feira sem vintém e sem recurso a não ser recomeçar a semana e a esperança do bamburro e de outros sábados. Foi feito silêncio no salão. Azeviche, um enorme preto, era segurança e zelador da casa. Não admitia desordem ou desonestidades que seu patrão abominava. - O moço diz que foi roubado. Isso nunca aconteceu por aqui. O moço é desconhecido, não estará fazendo um fulso? - e analisava com a mão o seu porrete disciplinador. Joaquim Teodoro se levantou, e todos viram que a seu lado o Azeviche ficava pequeno e fraco. - Crioulo, não lhe arrebento porque não quero ficar com a mão fedida. Chame o branco seu patrão ou a cafetina da casa. Qualquer coisa é melhor que você. Azeviche tinha coragem e um porrete de pau de bálsamo - e não gostava de ser chamado de preto, muito menos de fedido. Num relâmpago, desfechou terrível porretada, que Joaquim Teodoro sabia acontecer, e saiu de lado. O negro se adiantou, no embalo da cacetada, não teve tempo de recuperação. A mão direita fechada e dura do Teodoro explodiu em sua cara, meio de lado, e Azeviche passou por cima de duas mesas, caindo escomado junto ao bar. Nenhuma condição de consciência ou luta pela próxima hora. Tudo foi rápido, mas o moço do bar foi mais: correu à porta e mandou a boca no apito de socorro, ali dentro não tinha homem pra enfrentar o touro enraivecido. O garimpo só tinha um praça, que dormia o dia todo e pela noite bebia e passeava pelos quatro botecos, num arremedo de fiscalizar e garantir a ordem. Escutado o apito, esse Zé Coitado buscou a origem, e logo estava na sala e ao lado do Joaquim Teodoro e do inconsciente Azeviche. Zé conhecia Azeviche, seu porrete e sua força, e iria estranhar o acontecido não fosse a enormidade do homem à sua frente. De vantagem e experiência, sabia respeitar bêbados e força bruta. Afinal, era fraquinho de mácomida e bebida, só a velha farda o escudava. - O moço é de fora, desconhecido. Não vou lhe prender, quero sua explicação do sucedido! Joaquim Teodoro já tinha armado a briga que queria, o resto era maneirar. - Nada importante. Fui roubado, sumiu tudo que tinha e até minha bolsa. Não tenho como pagar, denunciei isto alto pra todo mundo. Veio esse preto ignorante me ofender e ameaçar de porrete, me defendi. Pergunte à gente se é verdade! O praça correu olho pelo bar e salão. Ninguém discordou do estranho, tão grande e bruto. Azeviche começava a gemer. Tinha cabeça dura, tudo ia voltar ao devido lugar. - Se ninguém lhe desmente, dou o caso por encerrado... - Encerrado, não, praça. Fui roubado, quero minhas coisas e minhas pepitas de volta. É obrigado a investigar e descobrir. É seu trabalho. Se não, vou ao Desemboque fazer denúncia da sua incompetência e desmazelo. Zé estava numa noite infeliz. O seu tenente do Desemboque já lhe fizera visita de surpresa, descobrindo-o bêbado e achacador. Já lhe dera prisão por uma semana, uma denúncia nova ia ser desastre em sua vida. - Moço, sou sozinho e sem recurso por aqui. Não dá pra esquecer? Eu lhe pago a despesa... - Não dá. Se está sozinho, mande pedido pro seu comandante vir em sua ajuda. Ele vai até achar bom sair uns dias do Desemboque, conta ponto pra promoção, refresca a idéia. Avise do acontecido. Pinta isso com a cor do crioulo aí no chão, o comandante vai achar que você é mesmo ordeiro e interessado no seu serviço... Tinha cabimento, pensou Zé. Em verdade, nunca mandara uma notícia ou relatório, fora por isso que o tal tenente o visitara e punira. Agora, pedindo visita e assistência, adiantava expediente e interesse - e ficava livre daquele barbudo forçudo e ignorante. - Vou fazer isso. Amanhã cedo tem estafeta pro Desemboque. Mando notícia dessa e de outras desordens. Em três dias o tenente chega, põe ordem nas coisas, atende seu pedido e investigação. - Agradecido, então. Volto amanhã pro meu garimpo, aguardo aviso da chegada do tenente. Obrigado por pagar a minha despesa. Se der sorte, lhe pago no próximo sábado! E Joaquim Teodoro saiu para a escuridão da noite. Não queria deixar guardada a sua imagem, era homem de sombra e mistério. Ia esperar o tenente, mas não no garimpo. Ninguém mais ia vê-lo por ali...."


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não me lembro se Caçadas de Vida e de Morte foi recomendado, emprestado ou ganho.


 

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