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Como a Água Que Corre

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Como a Água Que Corre

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Marguerite Yourcenar

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Ivan Junqueira

Páginas: 278

Ano de edição: 1983

Peso: 320 g

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Ruim
Marcio Mafra
16/02/2003 às 10:34
Brasília - DF

Marguerite Yourcenar foi a primeira mulher a se eleger para a Academia Francesa de Letras. Em termos de literatura isso é muito. Ninguém pode contestar a glória de um escritor pertencer à AFL. Mas, Como A Água Que Corre, Aléxis e A Obra Em Negro, são coisas muitíssimo chatas, não têm nada de novo, nem de belo. Aqui se repetiu a mais safada das técnicas de vendas: Lançar, primeiro, um grande sucesso literário. Em seguida entupir as livrarias de qualquer coisa escrita pelo mesmo autor. Pelo "qualquer coisa" os livreiros pagam uma miserabilidade à titulo de direitos autorais. Resultado: vendas abundantes. O leitor ? Que se dane o leitor. A autora é muito boa. Este livro não.O incesto de Ana e Miguel mais parece história de filosofia. A história de Natanael é quase água com açúcar e o final de Lázaro é ridículo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tres histórias, começando pelo incesto dos irmãos Ana e Miguel, seguida do drama de Natanael e terminando com o "teatro" de Lazaro.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Pela primeira vez, vivia numa casa de ricos. Elias não era senão um burguês satisfeito por possuir pratos de estanho e duas ou três jarras de prata; o que dispunha em espécie estava trancado em seu cofre forte. O cofre de seus atuais patrões estava disseminado em algumas dezenas de bancos ou empreendimentos. A porcelana de Cantão em que o Senhor Van Herzog fazia as refeições testemunhava que seu pai fora um dos primeiros a enviar à China esquadras mercantis, viagem tão arriscada que se incluía entre os ganhos e as perdas a terça parte dos navios e das tripulações. Essa fortuna já antiga conferia ao velho burgomestre as prerrogativas e os lazeres de um homem que nascera rico; as perdas em vidas humanas, as exações e os ardis, inerentes à aquisição de qualquer opulência, datavam de antes de seu tempo, e outros que não ele eram os responsáveis; seu luxo e o da filha recebiam uma espécie de suave pátina. Revendo Londres, e descobrindo em seguida Amsterdam após dois anos passados na Ilha Perdida, Natanael se extasiara com o conforto da grande cidade, que dispensa até os mais pobres de ter que arrancar cotidianamente à terra e à água as necessidades da vida. Arrotear a terra, depois cultivá-la, semear, plantar e colher; cortar os troncos que serviriam às construções ou atar os feixes de lenha que alimentam a lareira; tosquiar os carneiros, cardar, fiar e tecer a lã; abater o gado, defumar ou secar o peixe incessantemente pescado; moer e modelar, cozer e fermentar: cada habitante da Ilha Perdida havia mais ou menos realizado todas essas tarefas, das quais dependiam sua vida e a dos seus. Aqui, a cerveja podia ser comprada ao taverneiro, o pão ao padeiro que fazia soar a trompa para anunciar o término do cozimento; cadáveres prestes a servir de alimento pendiam nos ganchos do açougueiro; o alfaiate e o sapateiro talhavam em forma de vestuário estofos já tecidos e peles já curtidas e tingidas. Mas a fadiga do homem que se matava de trabalhar para obter sua paga sábado à tarde não era menor: o pão cotidiano adquiria o aspecto da moedinha de cobre, ou mais raramente de prata, que permitia comprar o que fosse preciso para viver. Os que possuíam algum dinheiro inquietavam-se com os prazos de vencimento elos aluguéis e dos contratos de arrendamento; um crédito não reavido equivalia para Elias a uma colheita perdida. A insegurança apenas mudara de forma. Ao invés de cada um estar visivelmente sujeito ao raio, às tempestades, ao estio ou ao gelo, que não se percebiam senão através de sujeições interpostas, dependia-se de agora em diante do financista, do ministro de Deus que cobrava o seu dízimo, do usurário, do patrão, do proprietário. Cada homem, mesmo o mais pobre, fazia vinte vezes por dia o gesto daquele que estende, ou ao contrário recebe, um disco metálico para comprar ou vender alguma coisa. De todos os contactos humanos, era esse o mais comum ou, de qualquer forma, o mais visível. No domingo, no templo a que Elias o obrigava a freqüentar, Natanael aguardara amiúde ouvir dizer: "Dai-nos hoje a moeda nossa de cada dia, Senhor." Naquela casa suntuosa, porém, o dinheiro parecia renovar-se e engendrar-se a partir de si mesmo: não se lhe ouvia sequer o indiscreto tilintar. Disfarçava-se no mármore que emoldurava o fogo nas altas lareiras; ressoava suavemente nos fogões de faiança; aqui, o assoalho, ali, os azulejos com desenhos, e, mais adiante, os tapetes que abafavam os passos. Lubrificava a máquina doméstica que realizava os pequenos trabalhos e os pequenos dissabores do dia, conduzia inicialmente aos aposentos do Senhor Van Herzog,depois aos de Madame d'Ailly, os pratos repletos de finas iguarias elegantemente servidas e a água quente dos banheiros, levando de manhã e à noite as águas sujas e o conteúdo das latrinas. Exalava também das flores das jardineiras, faiscando durante a noite nos lustres e nos candelabros encimados por brancas velas de cera. Transformado em bem-estar, era-o também em lazer: sem ele, o Senhor Van Herzog não poderia dedicar-se ao estudo, nem Madame d'Ailly tocar o cravo em seu salão azul


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Marguerite Yourcenar foi a primeira escritora francesa à se eleger para a Academia Francesa de Letras. Seus romances foram lançados no Brasil no início dos anos 80. Na época todo mundo leu os livros da Yourcenar. Eu também comprei todos os que apareceram.


 

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