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Alexis ou O Tratado do Bom Combate

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Alexis ou O Tratado do Bom Combate

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Marguerite Yourcenar

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Martha Caderaro

Páginas: 124

Ano de edição: 1981

Peso: 155 g

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Bom
Marcio Mafra
16/02/2003 às 10:23
Brasília - DF

Marguerite Yourcenar foi a primeira mulher a se eleger para a Academia Francesa de Letras. Em termos de literatura isso é muito. Ninguém pode contestar a glória de um escritor pertencer à AFL. Só que este Alexis da Marguerite Yourcenar não pode ser considerado o máximo, nem mínimo. O tema do livro, além de chato, não tem nada de novo, nem de belo. O final é ruim. Este livro repetiu a mais safada das técnicas de vendas: Lançar primeiro um grande sucesso literário. Em seguida, entupir as livrarias de qualquer coisa escrita pelo mesmo autor. Pelo "qualquer coisa" os livreiros pagam uma miserabilidade à titulo de direitos autorais. Resultado: vendas abundantes. O leitor ? Que se dane o leitor. Mesmo que muito bem escrito e muito bem traduzido o livro não é bom.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Carta de despedida de Alexis, à sua mulher Mônica.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Entre os quatorze e dezesseis anos, tinha menos amigos do que atualmente, porque era mais selvagem. Entretanto (só hoje me conscientizo disso), estive a pique de ser feliz uma ou duas vezes, a despeito de toda a minha inocência. Não devo explicar quais as circunstâncias que me impediram de sê-Io, pois o assunto seria muito delicado. Acresce que tenho muita coisa para dizer ainda, e não devo ater-me a detalhes circunstanciais. Os livros certamente teriam podido instruir me. Muito tenho ouvido incriminar sua influência. Seria fácil apresentar-me como mais uma vítima. Possivelmente, isso me tornaria mais interessante. Os livros, porém, não tiveram nenhuma influência sobre mim. Nunca os amei. Toda vez que abrimos um livro, esperamos alguma revelação importante. E toda vez que o fechamos, nos sentimos mais desencorajados do que antes. Aliás, seria necessário tudo ler, mas a vida não seria suficiente para concluirmos empreitada tão ambiciosa. Os livros não contêm a vida. Contêm apenas as suas cinzas. Talvez seja isso o que costumam qualificar como experiência humana. Em nossa casa existia grande quantidade de livros antigos, guardados num cômodo onde ninguém entrava. Tratava-se; na sua maioria, de meditações religiosas. Impressos na Alemanha, estavam repletos daquele misticismo morávio que agradava às minhas avós. Amava esse gênero de livros. Os amores que eles descreviam continham todos os arrebatamentos e todos os delíquios dos outros, mas não provocavam remorsos. Em tais amores era possível abandonar-se sem medo. Havia também algumas obras bem diferentes, em geral escritas em francês, por volta do século XVIII. Livros que não costumavam colocar nas mãos das crianças. Estes não me agradavam. A volúpia já o suspeitava - é assunto demasiado grave: deve-se tratar com seriedade tudo aquilo que é capaz de causar sofrimento. Recordo-me de certas páginas que deveriam ter lisonjeado os meus instintos, ou antes, tê-los despertado. Mas eu as virava com indiferença porque as imagens que me ofereciam eram excessivamente precisas. Na vida, as coisas jamais são tão precisas; seria mentir pintá-las nuas, já que nunca as vemos senão através da névoa perturbadora do desejo. Não é verdade que os livros nos tentem, da mesma forma que não são os acontecimentos que o fazem. Ou por outra, os acontecimentos nos tentam, mas somente quando é chegado o tempo em que tudo ou nada nos tentará. Não é verdade que alguns esclarecimentos brutais nos possam ensinar o amor. E não é verdade também que seja fácil reconhecer na simples descrição de um gesto a emoção que,mais tarde, esse mesmo gesto provocará em nós. Com o sofrimento ocorre a mesma coisa. Fala-se dele como se fala do prazer, mas fala-se quando não os experimentamos, ou quando já não os experimentamos mais. Toda vez que somos dominados por eles, causam-nos a surpresa de uma revelação. Somos então forçados a reconhecer que nos havíamos esquecido de sua intensidade. São novos porque nós também nos modificamos. Entregamos-lhes, cada vez, uma alma e um corpo diferentes porque modificados pela vida. E, no entanto, o sofrimento é uno. Não conhecemos dele, como não conhecemos do prazer, senão algumas formas, sempre as mesmas, de que somos os prisioneiros. É preciso explicar isso: nossa alma, segundo suponho, tem apenas um teclado limitado, e a vida, por mais que faça, dele não consegue tirar mais do que duas ou três notas.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Marguerite Yourcenar foi a primeira escritora francesa à se eleger para a Academia Francesa de Letras. Seus romances foram lançados no Brasil no início dos anos 80. Na época, todo mundo leu os livros da Yourcenar. Eu também comprei todos os que apareceram.


 

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