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Sem Tesão Não Há Solução

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Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Roberto Freire

Editora: Guanabara

Assunto: Ensaio

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 193

Ano de edição: 1987

Peso: 250 g

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Ótimo
Marcio Mafra
09/02/2003 às 23:22
Brasília - DF

Este é o livro mais polêmico do Roberto Freire. Também o mais divertido, mais revolucionário, mais herético, mais assumido, mais panfletário, mais sem pé nem cabeça, mais Caetano e Gil, mais libertino, mais libertário, mais ingênuo, mais utópico.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um ensaio pisicosociológico e político do autor sobre a razão de viver.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Sempre tive vontade de escrever, mas nunca tive coragem. Escrevia coisas soltas e guardava. Contos, poesia, que eu nem sabia que era poesia. Nunca tive coragem também de procurar um editor, embora várias peças minhas de teatro já tivessem sido montadas. Em 1963, meio confuso, larguei a medicina para fazer jornalismo. Foi a época do Brasil, urgente, uma experiência que durou um ano. A vontade de escrever era permanente, mas eu não tinha tempo: redação, discussões, leitura, não havia tempo. Mas eu lia muito. Sempre li romance, e nessa época, especialmente, li muito romance, principalmente os americanos. A geração de 54, a beat generation, mais Henry Miller e James Baldwin. Mas, sobretudo um escritor de língua inglesa, nascido na Índia, me impressionou profundamente: Lawrence Durrel, com o Quarteto de Alexandria. Era o livro que eu queria ter feito na vida. Em 1964 tive de fugir da polícia, mas não arranjava lugar para ficar. Não queria, por um certo pudor, complicar a vida dos parentes e dos amigos, mas na rua encontrei Míriam Muniz e Sílvio Zilber. Eles moravam na rua das Palmeiras. Me deixaram no apartamento deles e foram pra uma pensão. O pai de Míriam tinha um restaurante, de onde ela me levava a comida. Nesses dias, li o Quarteto e, sem ter o que fazer, comecei a escrever coisas isoladas que eu achava que podiam servir pra um livro. Um monte de visões, de situações, de pessoas. Até que, me achando fora de perigo, fui pra casa; no dia seguinte de manhã me encanaram. E na cadeia continuei a escrever coisas esparsas que tinha certeza juntaria depois num livro. Após cadeia, desemprego total, tempo livríssimo. Já fazia muito tempo que eu colecionava publicações antigas de Daphnis et Chloe, romance pastoral grego do século VII, história de dois pastores, um menino e uma menina, numa primavera estoura a adolescência dos dois. Poético, mas realista. Desde garoto eu vinha com isso na cabeça, desde a fase da curiosidade literária adolescente, quando lia tudo. Romeu e Julieta, Paulo e Virgínia, Peleas e Melissande, Tristão e Isolda, Peri e Ceci. Essas histórias clássicas de amor se repetiam, eram todas iguais, varando espaço e tempo, mas no fundo a necessidade do amor e a tragédia. Li muito Jung depois, que falava bastante dos arquétipos. Li, li, li, fui pra França, li Daphnis et Chloe em francês, todas as edições que juntei são em francês, a mais velha é de 1764. Perto de onde eu morava em Paris, no Hotel de L'Avenir, rue Madame, ficava o Jardim du Luxembourg. Lá dentro, cercada por pequeno bosque de plátanos, existe uma fonte, a Fontaine Médicis, que tem uma estátua em mármore dos dois adolescentes gregos se amando nus. Era um de meus lugares prediletos em Paris. Ali compus a maioria de minhas apaixonadas cartas de amor, hoje todas destruídas, também por amor. Quando escrevi a última palavra do romance Cléo e Daniel, que era "mortos", imaginei-os caídos assim, nus e se amando para sempre, em mármore, na minha Fontaine Médicis. Então, com aquele tempo vazio todo, me mandei pra São Sebastião e fiz uma catarse. Escrevia das seis da tarde até as seis da manhã, sem parar. Tudo que me viesse à cabeça, sem nenhuma ordem. Como estivesse vivendo um tremendo trauma político, queria que aquilo que estivesse escrevendo não se relacionasse com a política da hora. E eu não gosto mesmo de escrever sobre política, embora goste de agir e participar. Queria escrever aquilo que gera a política. Senti a necessidade... na mocidade vivi a ditadura violenta de Getúlio, participei, levei porrada, aquela coisa toda de Faculdade. Depois, quando volto a participar, nova paulada. Essas duas coisas me podaram de uma participação política direta, embora tivesse chegado lá perto como presidente do Serviço Nacional do Teatro, com todos aqueles planos culturais. Então caiu tudo. Resolvi que esse livro seria uma espécie assim de testemunho de tudo aquilo que tinha sentido da vida até aquela época, 1964, quando comecei a escrever. Terminada a catarse, fui ler e fiquei horrorizado - enorme, um monstro. Comecei a limpeza, mas querendo uma estrutura desestruturada, queria um livro epiléptico. No fundo, quando acabei de ler tudo aquilo, vi que tinha feito um livro de memórias sublimadas ou racionalizadas, mas o que eu queria era mostrar a impossibilidade da existência do amor na sociedade burguesa. Então, em lugar do conflito Montecchio-Capuleto, eu colocava a própria estrutura social como a coisa que impede a realização do amor total. Aí eu punha minha própria relação afetiva, a de meus amigos e toda ela no plano social, político, etc., através de arquétipos. Minha esperança era que o leitor entendesse isso, tanto que no livro não há a menor referência à política, enquanto na ocasião eu estava muito atingido e preocupado com isso. Tem uma outra coisa. Eu estava também numa fase de desrepressão. Sempre fui muito auto-reprimido, superbemeducado, preocupado com a sensibilidade dos outros, tendo uma certa dependência familiar. Vinha de uma família burguesa, e no livro resolvi me libertar de tudo aquilo publicamente. Aquela imagem de bonzinho, do médico, do bem-educado, do conselheiro, resolvi avacalhar com tudo isso através do Rudolf Flügel, que é RF, e tudo o que ele, Rudolf, diz do Roberto Freire, são trechos de críticas às minhas peças de teatro e de quem escreveu contra e a favor de mim desde muito tempo, em jornais, e opiniões de pessoas que me criticavam de longe. O vomitório de Rudolf é o que as pessoas pensavam de mim, pessoas mais abertas, mais corajosas e ele, Rudolf, era mais ou menos o que eu queria ser na sociedade burguesa - aquele cara mesmo, um filho da puta. A experiência de Daniel também era a que eu queria ter vivido, rompendo tudo até a loucura, até o amor total, que é a mesma coisa. Queria também ter sido o Benjamim, o símbolo fálico todo-poderoso, que transa com as religiões, se sente um deus, um deus meio decadente, mas deus. Ele diz isso no livro. Olhando qualquer dos três se vê que são amorais. Com conflitos de consciência, mas a opção é amoral. E coincide ainda nessa época a minha ruptura com a religião, o abandono da fé, que posso confessar, acho que nunca tive. O que não quer dizer que eu tenha perdido as influências do pensamento cristão que recebi, principalmente dos padres dominicanos com os quais trabalhei em Brasil, urgente. Me marcava muito mais nesse tempo o humanismo cristão, não a religião. Dela o que usei foram os símbolos, os ritos e a liturgia. Acho maravilhosas certas coisas da liturgia cristã. Tanto que quando morre o filho de Rudolf, aquele sangue todo, ele pega a criança, joga-a ao pé do altar e vai embora. Mais tarde, para se amar, Cléo e Daniel escolhem como local o palácio episcopal, e fazem amor trocando hóstias


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na segunda metade de 80, Roberto Freire era moda. Nunca chegou a ser must. Comprar seu livro era inevitável.


 

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