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Juliano

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Juliano

Livro Excelente - 1 opinião

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Autor: Gore Vidal

Editora: Rocco

Assunto: Romance Histórico

Traduzido por: Aulyde Soares Rodrigues

Páginas: 453

Ano de edição: 1986

Peso: 530 g

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Excelente
Marcio Mafra
24/07/2018 às 22:58
Brasília - DF
Em Juliano, Gore Vidal defende o último imperador romano pagão, Juliano (331-363), que tentou reconduzir Roma à religião pré-Cristianismo.
O relato, em forma de memórias, capta a atenção do autor. Há momentos de ação e outros de profunda reflexão sobre os valores humanos do Século IV. Muitos deles, válidos para os dias atuais.
Gore Vidal, com mestria, leva-nos a confundir ficção com realidade. Ele mistura os dois, e às vezes, não sabemos se determinada narração é verídica ou ficcional.
O livro é um bálsamo para quem gosta de uma história bem contada.

Comentário transcrito http://www.vejamos.com.br/juliano-resumo-de-livro-opinião
Autoria do comentário: WILTON FONSECA Postado em 04/06/2014

Eu, Marcio Mafra, não poderia fazer um comentário melhor que o transcrito, de autoria de Wilton Fonseca, que o registrou em seu blog em junho de 2014.
Faço minhas as palavras do Wilton.



Marcio Mafra
24/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

A história do Imperador Juliano, que reinou nos anos 361 a 363 narrada por três pessoas: o próprio Juliano, Libânio e Prisco. Libânio era professor e grande amigo do imperador. Prisco era general do império romano.

Religião permeia quase todo o romance histórico porque Juliano era contra o cristianismo e contra a intolerância religiosa, ele era adepto dos valores do helenismo.

Juliano foi historicamente considerado um fracasso por não ter conseguido seu grande objetivo que era deter o cristianismo no mundo da época, no entanto, autores e historiadores consideram  que Juliano foi um rebelde no Império Romano.

 
Marcio Mafra
24/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

Juliano Augusto

Depois das vitórias descritas, instalamo-nos para o inverno em uma cidade agradável, chamada Sens, cuia principal vantagem estava em me manter a uma distância conveniente de Florêncio, em Vienne,
e de Marcelo, em Rheims.

Durante esses meses, Helena isolou-se bastante. Tinha com ela várias senhoras da corte de Milão e acho que estava satisfeita, embora não muito bem de saúde; devido à sua idade, o parto não tinha
sido fácil. Eu nunca me sentia à vontade com Helena. Não conseguia esquecer que era irmã do meu inimigo. Durante muito tempo não tive certeza de a qual de nós dois ela era leal. Sei que mantinha extensa

correspondência com o irmão (todas as cartas foram desrruídas, por quem? Muito misterioso); assim, eu tinha muito cuidado para não dizer nada em sua presença que pudesse alimentar as suspeitas
de Constâncio. Esse controle era penoso para mim.
Apenas uma vez Helena revelou estar mais ou menos a par do que eu pensava e sentia. Foi em dezembro. Acabávamos de jantar frugalmente no meu escritório, que era mais fácil de aquecer do que
os apartamentos que ocupávamos. Alguns braseiros forneciam calor suficiente - pelo menos para mim; Prisco queixava-se amargamente de minha avareza a esse respeito. Helena estava com suas damas em
um lado da sala, ouvindo uma delas cantar músicas gregas, enquanto Oribásio, Salústio, Prisco e eu conversávamos, reclinados nos divãs, na outra extremidade.

Conversávamos preguiçosamente, como sempre se faz depois do jantar. Comentamos a situação militar. Não era boa. Apesar de minha vitória em Colônia, Florêncio deixara-me apenas com duas
legiões. O resto do meu exército fora transferido para Rheims e Vienne. Eu estava na mesma posição do último inverno em Vienne, um príncipe sem principado. Só que agora o peso que eu transportava era maior.

Mas como diz o velho ditado, "a albarda é colocada nas costas do boi; não é fardo para mim". Minha tarefa era manter Sens e proteger as cidades vizinhas contra as tribos germânicas que, mesmo no rigor do inverno,

se movimentavam de cidade para cidade, incendiando e pilhando. Na verdade, o próprio Chnodornar tinha jurado que me enforcaria antes que a neve se derretesse, no começo da primavera. Para fortificar as cidades próximas,

fui obrigado a destacar dois terços dos homens sob meu comando. Além disso enfrentamos um grande número de deserções, especialmente dos soldados italianos.


- Todo desertor será executado - disse Salústio -, publicamente, à vista das legiões. 

- É extremamente difícil executar um desertor, general - disse Prisco com sua malícia habitual. - Primeiro precisa apanhá-Ia.
- A única solução - observei - é a vitória. Se tivermos sucesso, os homens permanecerão leais. Poucos são os desertores de um exército vitorioso.
- Mas não somos nem vitoriosos nem exército - disse Prisco com desagradável exatidão.
- Pois é exatarnente o que o imperador deseja - disse Oribásio em voz muito alta. Fiz um gesto para que se calasse. Helena ouviu, mas não demonstrou nenhuma reação.
- Tenho certeza de que o divino imperador, meu primo e companheiro, está ansioso por que tenhamos sucesso na expulsão dos germanos da Gália.

- Na verdade eu não tinha recebido nem uma palavra de Constâncio desde que me instalara em Senso Pensava que estivesse zangado comigo por não ter voltado a Vienne.
Então Prisco pediu-me para ler alguma coisa do panegírico que eu estava escrevendo para Eusébia. Mandei chamar o notário com o manuscrito, Li algumas páginas e não gostei. Era um trabalho mal
acabado. Eu disse ISSO a eles.
- Provavelmente - disse o malicioso Prisco - por ser quase sincero.
Os outros riram. Em Vienne eu havia escrito um longo panegírico para Constâncio que foi - se é que eu mesmo posso dizer - uma obra de arte, cuidadosamente organizado e esplendidamente
composto. A arte do panegírico não exclui obrigatoriamente a sinceridade, embora os sentimentos do autor sejam irrelevantes para a composição final, que é uma obra de arte e não de verdade. O próprio

Constâncio compreendeu que eu criara algo maravilhoso e enviou-me uma carta de próprio punho, cheio de erros de ortografia e de sintaxe. Então tentei escrever um panegírico para Eusébia e

achei difícil; sem dúvida, como Prisco sugeriu, devido ao fato de gostar dela. Além disso, eu tinha como compromisso de honra jamais revelar até que ponto ela salvara minha vida. E isso limitava meu trabalho.

Enquanto conversávamos amigavelmente, ouvi um relincho distante mas não dei importância. Então Oribásio mencionou os livros hebraicos que os galileus chamam de velho testamento. Era um dos
meus assuntos favoritos. Tanto que, esquecendo a presença de Helena, eu disse:

- Admiro os judeus porque acreditam em um deus único, admiro também sua autodisciplina. Mas deploro o modo como interpretam seu deus. É supostamente universal mas interessa-se somente
por eles ...
- Cristo - disse minha mulher subitamente - foi enviado por Deus para todos nós. Fez-se um silêncio embaraçado.
- É essa justamente a questão - disse eu afinal, gentilmente.
- Será que o Deus Único interviria desse modo?
- Nós acreditamos que ele o fez.
A sala estava agora em completo silêncio, a não ser pelo ruído distante dos cavalos. Meus companheiros estavam tensos.
- Porém, não está escrito no chamado evangelho de João que "da Galiléia não virá nenhum profeta"?
- Deus é Deus, não um profeta - disse Helena.
- Mas a idéia da missão do N azareno, em suas próprias palavras, é tirada do velho testamento, que é judeu e que diz que um profeta messias surgiria entre os judeus, mas não o próprio Deus.
- Essa é uma dificuldade - admitiu ela.
- Na verdade - e fui estupidamente agressivo -, não existe conexão quase nenhuma entre aquilo em que os galileus acreditam e o que o Nazareno pregou. Para ser mais exato, não encontro nada
no texto judaico que permita essa monstruosidade de um deus triplo. Os judeus são monoteístas. Os galileus são ateístas,
Eu tinha ido longe demais. Helena levantou-se, inclinou-se e se retirou, acompanhada por suas damas.

Meus companheiros ficaram alarmados. Prisco foi o primeiro a falar.
- César realmente tem o dom de tornar impossível o que é difícil.
Os outros concordaram. Pedi que me perdoassem.


- De qualquer modo - disse, não acreditando em minhas palavras - podemos confiar em Helena.
- Espero que sim. - Salústio estava sombrio.

- Devemos ser leais à verdade - disse eu, desejando, como em tantas outras ocasiões, ter ficado calado.

Ouvimos gritos súbitos na rua. Nós todos nos levantamos. Mal tínhamos chegado à porta e apareceu um oficial dizendo que Sens estava sendo atacada. Descrevo esse acontecimento em outro lugar,
portanto não vou reperi-lo aqui agora.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
24/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

Este romance foi lançado no Brasil no final dos anos 80. Não consigo me lembrar de quando ou porque comprei “Juliano” num desses sebos da vida. Sei que o livro “rolou” muito tempo pelas minhas prateleiras e que interrompi a leitura muitas vezes, concluída em julho de 2017.

 

 

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