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Verde Vagomundo

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Autor: Benedicto Monteiro

Editora: Editora Cejup - Cejup Cultural

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 213

Ano de edição: 1997

Peso: 295 g

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Excelente
Marcio Mafra
16/07/2018 às 23:29
Brasília - DF
Antônio Medeiros, solteiro, na casa dos 40, Major reformado, ex combatente da 2ª Guerra Mundial, filho do falecido Francisco Medeiros chega na cidade onde nascera para vender as terras que tinha herdado, um grande latifúndio com mais de 35 mil hectares.
Tio Jozico, irmão mais moço de seu pai, o recebe e assim começa a história do Major Medeiros naquela cidadezinha, cujo padroeiro era Santo Antônio.
Personagens marcantes da história como o gerente do Banco do Brasil, Justino o secretário da Prefeitura, Pepe um conversador fiado, Miguel o melhor mateiro da região e um sujeito conhecido como Cabra-da-Peste, além do fogueteiro Pirotécnico vão compondo a história espetacular – que o talento autor vai mesclando com os fatos históricos da época: a deposição do Presidente João Goulart, o golpe de estado dos militares em 1964, chegada do homem à lua, a Encíclica “Pacem In Terris” do Papa João XXII .
O final da história surpreende o leitor. Livro excelente.

Marcio Mafra
16/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

Militar reformado, Antonio Medeiros, oficial do Exército, no cargo de Major, em 1964 retorna à sua cidade natal, no interior da Amazônia.

Encontra ali uma população completamente alienada do mundo.

Seu objetivo era vender grande extensão de terra, que recebera como herança de seu falecido pai.

 
Marcio Mafra
16/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

Seu Mané Fogueteiro, morava numa casinha onde depois construíram a capela de São Benedito, porque paresque o terreno era
dos padres. Arrumei uma vaga pra aprender, por intermédio do Vi-
gário, que era a única pessoa que eu conhecia na cidade. Mas a
casa do 'seu Mané era também ponto de ajuntamento de pessoal
chegado na época das festas e das safras: pessoal chegado de im-
proviso, assim de arribação, modo de cumprir promessa; balatei-
ros, descidos dos altos rios, castanheiros de safra terminada de
castanha, e rondando essas gentes sempre endinheiradas de saldos,
algumas mulheres-da-vida, vindas-paresque de outros municípios.
Foi aí, que eu me encontrei com aquela dita cuja mulher da
história que eu lhe contei da nossa última viagem a bordo da lan-
cha. Só que eu não lhe contei o principal da estória, porque eu ain-
da estava com muita vergonha, tinha cerimônia, sabe? Mas tudo
aconteceu por causa da cama e da rede. É verdade, que se eu não
tivesse dinheiro, também não podia ter experimentado dos praze-
res das duas frutas. Embora sendo muito novo, eu me fingi logo
de balateiro afamado: tomei uns bons tragos de cachaça e comecei
a jogar foguetes pra tudo que era lado. Quem joga foguete à toa
na rua, é balateiro aviado que vai subir pras matas ou então bala-
teiro chegado com saldo alto. Metido pelo meio dos mais adultos,
que ouvi uma conversa sobre a meretriz que tinha cama. "Ela tem
cama e só faz o negócio no colchão de mola. Na cama não é como
na rede ... e ela fica nuazinha ... na cama ela faz todas as coisas ...
tem uma porção de novidades que acabam com as forças ... Ela tem
derrubado balateiros que passam mais de seis meses na mata sem
ver mulher ... e ela gosta de fazer tudo com a luz bem acesa ... só
que o dinheiro que ela ped~ é muito brabo ... " Pois eu fui ver essa
coma que fazia o negócio na cama.

 

Ah, seu Major, nem lhe conto, nem lhe conto a tamanha luta
que se travou entre nós. Eu mesmo, ia fino e afiado na maior ga-
nância de gozo desmedido. Sabe, eu só tinha feito a bandalheira
mesmo na mata ... na rede ... no escuro. Quando era dentro de casa,
era sempre perto dos outros, que a gente nem podia soltar os ge-
midos próprios, nem encarcar toda a força do corpo no jogo bruto.
A rede sempre faz tremer o esteio da casa: produz uma zoadinha
meia indiscreta e balança no melhor da festa. Na rede, os choques
ficam paresque amortecidos. Na rede é bom, mas na cama pares-
que devia ser melhor, conforme a tal conversa.
Ah! mulher! seu Major, nem lhe conto: a cama era grande por
demais, mas ficou pequena quando começamos de vera gingando
no nosso fordunço. Teve um momento em que ela passou pra riba
de mim querendo paresque bancar o macho: senti que ela queria
medir as forças todas que eu tinha aqui por dentro. Redobrei de
novo sem desembainhar a espada e encarquei ainda mais com for-
ça. Desgrudar não podia por questão de maior capricho. A bicha
parecia uma cobra, uma poldra brava montada em pelo fazendo to-
das as negaças. Ela queria paresque medir as escalas de todo meu
tamanho. Ia em cima e vinha embaixo: chegava no tronco quase
engulindo a minha pente e juntava paresque todos os tecidos. Mas
quando estava nesse auge: de um querendo penetrar no outro, ela
dava um vagado de desesperança que parecia que o mundo já não
existia por baixo do nosso corpo. Depois ficava só mexendo, penei-
rando devagarinho, esperando paresque eu desistisse de cansaço.
Eu já estava meio envernizado por dentro dela num abandono de
gozo satisfeito, mas nós só paramos quando estava tudo empate.
Também o nosso abraço colava todas as bocas. Dessa vez, seu Ma-
jor, ela não teve tempo de me ensinar outras arnbivalências, com
maiores sem-vergonhice. O principal, parece, que bastava para nós
dois naquela noite. Foi preciso um bocado de tempo pra ela recor-
rer a outros ensinamentos de posições estranhas, meias-safadas, com
gestos escusos de tantas maluquices. Mas eu gostava mesmo, era
do positivo: taco no taco, frente com frente, cabeça com cabeça,
boca com boca, as duas majestades se encontrando no máximo con-
fronto.

 


Aprendi também a fazer foguete e entrei nas artes dos artífi-
cios pelas mãos de seu Mané Chegança, Mas meu padrinho tanto
fez, que acabou com a minha aprendizagem. Com tantos prometi-
mentos e conversas eu voltei pro mato sem ser pirotécnico inteira-
do. A mulher quis por força enrabichar comigo e eu tive que voltar
pro sítio com a maldita grudada no meu rastro. Eu era novo, seu
Major, novo em folha! chega tinia no vento, feito filhotão de pau-
mulato. Mas acontece que meu padrinho ainda não tinha encerra-
do o meu aprendizado pra ser um bom cabra-da-peste. Nunca que
concordava que eu arrumasse mulher tão cedo e quisesse por força
ser esse tal de pirotécnico. Ele por certo conhecia bem a senvergo-
nhice das mulheres, como aliás ficou sobejamente provado e com-
provado, mas não entendia, não entendia a alegria inocente dos
foguetes. Como ele não enxergava a vida, dos olhos pra fora, ele
tinha a vista turva e o coração fechado para as belezas dos fogos
de artifício. Mas eu compreendia, Major, eu compreendia, que os
foguetes, explodindo no ar, era a única alegria daquele mundo".
Ainda não tinha tido a oportunidade de saber quem era o tal
"Espião de Deus", indicado pelo tio Jozico, porque o engenheiro
agrônomo da fiscalização do banco tinha chegado para avaliar as
minhas propriedades. Pepe Rico foi quem trouxe a notícia, mas fa-
zendo logo uma pequena advertência:


 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
16/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

Em abril de 2018 estive em Santarém, no Estado do Pará. Santarém fica às margens do Rio Tapajós. Numa antiga livraria da cidade encontrei muitos livros de autores locais e trouxe “Paradô” entre muitos outros, para enriquecer o acervo de Livronautas com autores lá do norte do Brasil.    


 

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