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Paradô - Histórias Vividas Por Um Neurocirurgião da Amazônia

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Paradô - Histórias Vividas Por Um Neurocirurgião da Amazônia

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Erik L. Jennings Simões

Editora: Não Consta Editora

Assunto: Crônica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 153

Ano de edição: 2015

Peso: 150 g

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Ótimo
Marcio Mafra
16/07/2018 às 22:51
Brasília - DF
Paradô, titulo que o autor, médico Erik Simões deu ao seu livro, é uma expressão indígena, que significa “contar histórias”, “casos” ou “problemas”.

O leitor – ao longo do livro – perceberá que o autor, além de examinar, diagnosticar e tratar seus pacientes ele identifica as carências e os trata com carinho e sobretudo – com humanidade.
Essa atitude, postura ou comportamento muito favoreceu o e o ajudou na solução de conflitos, tanto dos pacientes das cidades como dos índios que Erik atendia nos confins da Amazônia.
Leitura rápida, fácil, bem, humorada e gostosa.
Não acho que este médico seja um escritor de destaque.
Mas é destaque no exemplo de cidadania, respeito e dedicação ao próximo.
Livro bom. Recomendo a leitura.

Marcio Mafra
16/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

São 23 crônicas de fatos vividos ou testemunhados pelo próprio autor, baseados nas experiências práticas da medicina, no interior do Estado do Pará e na cidade de Santarém.

 
Marcio Mafra
16/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

Naufrágio deum autista

Adriano Sena é uma criança portadora de autismo. Apesar dos seus treze anos de idade, com 65 quilos e quase 1,70 metros de altura, ele tem uma linguagem limitada de

palavras e de difícil compreensão. Não brinca com outras crianças e quase não demonstra nenhum afeto pelas pessoas. Vive em seu mundo, na maioria do tempo sozinho,

olhando para o vazio e fazendo gestos repetidos com as mãos, como se fosse um ritual. Sua mãe, Joana, uma senhora de aproximadamente 40 anos de idade,
sempre foi muito dedicada ao filho. A união entre Joana e Adriano é de um amor e apego sem igual, demonstrada somente por sua mãe.
 

Os dois são inseparáveis. As dificuldades impostas pelo autismo e a necessidade de cuidados intensos e prolongados criou uma dependência de Adriano pela sua mãe e também de Joana pelo filho.

 

Joana e Adriano voltavam para Santarém, depois de uns dias de férias em uma cidade próxima. Viajavam a bordo de um grande barco regional com dezenas de outras pessoas. A embarcação subia o rio Amazonas em direção a Santarém, ainda na escuridão da madrugada, quando bateu em um banco de areia e começou a afundar. Os gritos desesperados das pessoas e a água fria acordaram Joana que no mesmo instante já estava sendo levada pela força da água para o fundo do rio, sem Adriano.

 

A tragédia de um naufrágio tinha separado os dois.

Com um grande esforço a procura do filho conseguiu vir à tona e pegar um pouco mais de ar.

Queria gritar pelo nome de Adriano, mas não tinha mais forças e não conseguia ver nada.
 

O dia ainda não tinha amanhecido.

Ela ouvia alguns gritos de socorro e em alguns momentos sentia mãos desesperadas de pessoas que afundavam tocando em seu corpo.

 

Tentava se manter viva lutando contra a correnteza do rio Amazonas e o cansaço que agora era insuportável e a fazia afundar mais uma vez.

A agonia maior que Joana sentia era a de não poder ajudar o filho autista, que não sabia nadar e até para falar tinha dificuldades.

 

Joana engolia cada vez mais água, afundava nas águas barrentas já paralisada pela falta de ar.
Só o que a mantinha viva era a lembrança do filho.

Juntando as últimas forças, ela veio novamente à tona, quando de repente, ouviu uma voz familiar bem ao seu lado que dizia: 'mãe, segura aqui!'.

 

Com os primeiros raios de sol da manhã, Joana reconheceu a voz do filho e viu Adriano agarrado em cima de sacos de garrafas vazias e com uma das mãos estendida na sua direção.


 

“Segura aqui, mãe!” – repetia Adriano.

Joana juntou o que restava das forças que já não existiam e nadou em direção ao filho.
Segurou firme nas sacolas de garrafas vazias e no garoto e respirou para se manter viva.

 

O dia foi amanhecendo e os dois foram sendo levados pela correnteza para a margem do rio.

Já em terra firme, salvos do terrível naufrágio, Adriano continuava em seu mundo.

 

Fazia gestos repetidos com as mãos e parecia alheio ao sofrimento de outros náufragos que estavam sendo resgatados para a margem.

Só Joana chorava pela alegria de ver o filho vivo e por compreender que estava viva graças ao cuidado de quem sempre cuidou.

 

Nota: O barco "Almirante Barroso" partiu de Monte Dourado com destino a Santarém. Naufragou no dia 21 de dezembro de 2009
com mais de 100 passageiros a bordo. Quatorze pessoas morreram e uma desapareceu.

 


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Marcio Mafra
16/07/2018 às 00:00
Brasília - DF

Em abril de 2018 estive em Santarém, no Estado do Pará.

Santarém fica às margens do Rio Tapajós.

Numa antiga livraria da cidade encontrei muitos livros de autores locais e trouxe “Paradô” entre muitos outros, para enriquecer o acervo de Livronautas com autores lá do norte do Brasil.

 
 

 

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