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A Ordem do Dia

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A Ordem do Dia

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Marcio Souza  

Editora: Marco Zero

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 292

Ano de edição: 1983

Peso: 340 g

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Bom
Marcio Mafra
16/11/2002 às 13:33
Brasília - DF

Na Ordem do Dia fundem-se diferentes histórias, com diferentes níveis do concreto e do real, todas baseadas em fatos, coisas, instituições e até personalidades do golpe de estado de 64, que os militares - por pura conveniência - teimam em chamar de revolução. Embora o autor seja um escritor muito bom, este romance não o é. A arquitetura literária utilizada pelo Marcio de Souza, é uma ferramenta nada original, já considerada meio-batida. É verdadeiro supor que Ordem do Dia, não passa de mais um carona, do best seller Mad Maria. É quase um livro xerox, quase um livro mimeógrafo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A ordem do dia é um contato imediato de terceiro grau com a loucura brasileira, histórias que Brandão conta, baseadas na ditadura militar de 1964.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Enquanto isso, a 30 quilômetros de Brasília. A sala de meditação exalava um cheiro forte de corpo sem banho porque transformara-se no quarto e prisão de Pavel, onde ele dormia, recebia as refeições e era deixado sozinho. Ninguém tinha permissão de lhe dirigir a palavra; o garçom entrava e saía em silêncio com o carrinho de comida e duas vezes homens vieram até a sala para varrer o chão e tirar o lixo, sem dirigirem sequer um olhar para o prisioneiro. Até agora pavel não tivera condições de saber o interesse real que o chefe daquela seita de fanáticos alimentava a seu respeito. Mas as possibilidades não eram nada animadoras. A porta foi aberta e o brigadeiro Fischer entrou com os seus tiques e a respiração asmática. O velho vestia a farda de campanha, trazia um revólver na cintura e o rosto parecia congestionado de excitação. - Espero que estejam tratando bem do ilustre hóspede. Pavel não respondeu, parecia sonolento, aquele ar ausente dos prisioneiros que aceitaram seu destino, os dedos finos apertando a aba do paletó amarrotado. - Conseguimos pegar um homem precioso disse o brigadeiro -; infelizmente vamos ter de nos livrar dele. O russo deu de ombros, indiferente. - Você está em todos os jornais; parabéns. Pavel sentiu um calafrio na espinha. Aquela altura os homens da Embaixada estariam dando saltos de dez metros de altura, sonhando em pegá-lo pelo pescoço e fazer ele pagar pelo descuido. - Você não me agradece a publicidade? Um vaso de cristal levantou-se no ar e foi espatifar-se no chão. - É esse o agradecimento dos comunistas? O brigadeiro sacou o revólver e disparou contra Pavel. A bala passou sibilando por sua cabeça e arrancou um pedaço do encosto do sofá, deixando à mostra restos de estofamento e molas dilaceradas. O rosto de Pavel perdeu todo o sangue e seu corpo ficou rijo. - Eu também sei fazer coisas levitarem disse o brigadeiro. O revólver voltou para o coldre e o militar foi sentar-se ao lado do prisioneiro congelado de susto, com uma expressão amistosa no rosto. - Dentro de mais dois dias este país estará pronto para atravessar o novo milênio. Aos poucos Pavel foi relaxando, decidido a não dar ouvidos ao militar ensandecido. - Acho que estou tendo um pesadelo - confessou Pavel. O brigadeiro deu-lhe algumas batidinhas encorajadoras no ombro. - O que é isso, irmão Pavel? Perdendo a esperança? Esse é o mal dos materialistas, perdem logo a esperança. - Que diabo de país é este?! - exclamou Pavel. - Agora você não está sendo nada original,irmão Pavel. - É loucura o que você está pretendendo. Não há o menor suporte social para um tipo de coisa como essa. - É o que veremos. - Os Estados Unidos não permitirão. Você estará cercado de mariners americanos no momento que tentar. - Os americanos hoje são um povo desmoralizado, deixaram-se dominar pelas táticas subliminares de vocês. Vivem hoje na decadência, na pornografia, no tóxico. - Mas ainda têm muito dinheiro. E soldados. - Eu também tenho soldados. E dinheiro. Sua respiração doentia parecia mais rápida, os olhos queriam saltar das órbitas e as mãos agitavam-se no ar. - Eu sou o mais fiel signatário do Protocolo da Sobrevivência. Muitos traíram e deixaram a perversão tomar conta, mas ainda há aqueles que continuam firmes. - Pinochet, por exemplo? - É um de meus iniciados. Ele foi Átila, o rei dos Hunos, numa encarnação anterior. Voltou para se redimir e elevar o karma. No passado ele representou as hordas asiáticas bárbaras que quase destruíram a nossa civilização ocidental superior. Mas agora ele veio para fazer justamente o contrário, para comandar a linha de frente da invasão que será feita ao barbarismo materialista asiático que quer dominar o mundo. Este é o verdadeiro significado do Terceiro Milênio, a vitória mal de nossa gloriosa civilização sobre o barbarismo comunista. - No meu país você já estaria internado. - Aqui também. É assim que a doença da democracia se defende, alijando os que apresentam lucidez. Aquela conversa maluca estava cansando Pavel. Preferia mil vezes o discurso de algum comissário político louvando o crescimento da produção de beterrabas num kolkoz qualquer a ter de continuar ouvindo as estúpidas teorias do seu capturador. . - Você não quer me ouvir, não é? Pavel fechou os olhos e suspirou. - Consegui reunir um excelente grupo de homens - continuou o brigadeiro -, todos muito fiéis aos princípios de Sylyon. Alguns já foram para o Chile e o Uruguai ministrar cursos e propagar o dogma. - O que é o Protocolo da Sobrevivência? se interessou Pavel; numa tentativa de ouvir alguma coisa menos fantasiosa. - Você não está autorizado a saber, irmão respondeu o brigadeiro com perversa entonação na voz. O ruído do ar-condicionado pesou sobre a sala em silêncio..


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei o livro pelo nome do autor, depois de ler o genial Mad Maria.


 

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