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A Divina Comédia - Paraíso

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A Divina Comédia - Paraíso

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Autor: Dante Alighieri

Editora: Editora 34

Assunto: Poesia

Traduzido por: Italo Eugenio Mauro

Páginas: 239

Ano de edição: 2000

Peso: 380 g

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Excelente
Marcio Mafra
16/11/2002 às 12:24
Brasília - DF

Se obra literária é coisa que transcende ao livro propriamente dito, Dante Alighieri não é somente um simples autor. É um poeta-escritor, com letra maíuscula, criador de uma obra inigualável. Ele intitulou a sua magistral obra poética de Comédia, no sentido da representação teatral (comédia = falso, irreal, não verdadeiro). Também não é "comédia" no sentido humorístico que hoje conhecemos. A obra passou a ser denominada de Divina, portanto Divina Comédia, por ingerência política e fraudulenta da igreja católica, que possuia o pleno domínio dos meios de comunicação - inclusive todas as gráficas e editoras - nos séculos XV e XVI. Dante é considerado a síntese de toda a cultura medieval. Portanto, a leitura da Divina Comédia - é dificil de ser compreendida por razões histórico-culturais. Na idade-média, o problema fundamental do homem era ver, sentir e entender o lugar limitado que ele ocupava no universo, criado, circunscrito e dominado completamente por Deus. Naquele tempo, a figura de Deus não era misericordiosa, nem indulgente. Ao contrário, era imperial, escravocata e castigadora. Em outros termos, o homem sem a proteção de Deus era um ser perdido e inútil, no sentido em que jamais poderia encontrar a razão verdadeira da própria vida. A busca ou a prática da felicidade não contava. A finalidade da vida humana devia ser, portanto, a procura do bem e da verdade que só poderiam ser encontradas no poderoso Deus. Todo o resto era desvio e pecado. Continuando sua ascensão, Dante encontra, pouco além do céu de estrelas fixas, um outro céu, contíguo a esse, de nome Primum Mobile, também chamado de Céu Cristalino - por sua ausência de matéria......de onde se vê a Rosa Mística, uma imagem espetacular onde reunem-se os beatos, circundados pelo esvoaçar de anjos que distribuem a paz e o amor..... Esta mais que genialíssima poesia, que contem 33 cantos, ou 33 capítulos, pode ser lida em portugues, ou simultâneamente, em italiano levou - nada menos - que 12, ou 13 anos para ser escrita. Haja fôlego, mas sobra beleza nesta obra suprema do poeta, que viveu pouco menos que 60 anos, por volta do ano 1.320. Se quase 700 anos depois, ainda se fala no poema, só pode ser por pura genialidade. Excelente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Divina Comédia é um poema extenso e muito bonito, que conta a viagem de Dante, acompanhado de Virgílio e depois, da própria Beatriz, através do Inferno, seguindo pelo Purgatório, e terminando no Paraíso. A parte do Inferno, que trata da queda de Lúcifer do Céu, se constitui de 9 Círculos, 3 Vales, 10 Fossos e 4 Esferas, onde os pecados menos graves estão logo no inicio, e os mais graves no final das esferas. O Purgatório é o lugar por onde passam as almas de pecadores, cujos pecados são passíveis de arrependimento, também chamados de pecados veniais e ali são purgadas as sua penas, habilitando os pecadores a atingirem o Céu. Depois da viagem pelo Inferno e Purgatório, na viagem de retorno para a terra , encontram-se 8 circulos de corpos celestes - como se fossem estações espaciais - nas quais Dante encontra, as almas dos personagens que foram premiados com um lugar no Ceu ou Paraíso. Estas almas estão posicionadas, segundo a ordem crescente dos seus merecimentos. Sempre guiado e instruído por Beatriz, Dante percorrere todo o Paraiso, antevendo o que poderá conquistará, se retornar ao caminho reto, nos braços de sua amada.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Canto XVIII Dante está pensativo, remoendo a previsão de Cacciaguida. Beatriz o reanima e ele fica enlevado com a sua beleza. Cacciaguida agora quer mostrar-lhe, na Cruz luminosa, as almas dos mártires e combatentes da Fé, que vão surgindo ao seu apelo. Depois, as luzes perdem o rubor de Marte e tornam-se alvacentas: Dante e Beatriz sobem para o céu de Júpiter, que é o dos Justos. Aqui, os espíritos desenham no céu a inscrição luminosa do primeiro versículo do Livro da Sabedoria: DILIGITE JUSTITIAM VOS QUI IUDICATIS TERRAM (Amai a justiça vós que governais a Terra), da qual só resta no fim o M, que assume a figura da Águia imperial romana: é a exaltação da forma de governo do Império que sucedeu ao império romano, contra as pretensões da política temporal dos papas, alheios aos seus deveres espirituais. O Canto termina com um sarcástico apodo ao papa João XXII Deliciava-se já, só do seu verbo, aquele beato espelho, e eu contemplava o meu, co' o doce temperando o acerbo. E aquela dama que a Deus me levava disse: "Muda a tua cisma, e que eu me aclaro pensa, de Quem todo mal desagrava". Logo voltei-me para o som mais caro daquele meu conforto e, quanto eu via de amor nos olhos seus... e aqui eu paro, não só porque dizer mal saberia, mas porque a mente não pode volver sobre si própria, se alguém não a guia. Desse momento só posso dizer que, olhando para ela, o meu afeto liberto foi de outro anseio qualquer.


  • Os Ceús de Dante

    Autor: Cadão Volpato

    Veículo: Jornal Valor Economico - Caderno Eu & Fim de Semana, 17,18,19 de junho 2011 - nº 555

    Fonte:

    No tempo dos ultraleves leitores eletrônicos, é quase uma aberração alguém lançar um longo poema clássico, bilíngue, num volume luxuoso de cerca de dois quilos, dois palmos de altura e um palmo e meio de largura. Pois o editor Plinio Martins Filho teve o topete de publicar uma tradução da "Divina Comédia", de Dante Alighieri (1265-1231), ilustrada não por Gustave Doré, o mais elementar e dantesco dos artistas ligados ao poema, mas pelo renascentista Sandro Botticelli (1445-1510).

    É um livro para quem gosta de livros: não dá para ser lido num aeroporto ou num trem. Deve ser aberto com certa devoção. "O livro impresso não pode ser esquecido nestes tempos de alta velocidade e grande variedade de meios. Sem desconsiderar os meios eletrônicos, acho que o livro impresso se identifica mais com as grandes obras do passado", diz o editor. "Sou antes de tudo um amante dos belos livros em todos os aspectos." Não temia perder dinheiro com uma ousadia desse calibre? "Não. Perder dinheiro é um risco que todo editor corre. O bom gosto é difícil, mas eu procurei o leitor inteligente."

    Não há leitor que não fique abismado diante da audácia dessa nova edição. Ela é histórica em muitos aspectos. A começar pela tradução de João Trentino Ziller. Plinio relata o périplo que o levaria até ela: "Entre o encontro da tradução de Ziller e a minha edição, passaram-se cinco anos. Fui procurado pela família dele. Os netos queriam homenagear o avô. A história desse senhor é admirável. Foi um padre que imigrou para o Brasil no começo do século XX. Aqui, deixou a batina e, para se penitenciar de uma crise religiosa, dedicou o resto da vida à tradução de Dante para o português".

    Para o poeta Eduardo Sterzi, estudioso da obra de Dante, as melhores traduções da "Comédia" costumam ser as parciais. "Livres da tarefa desmesurada de transpor para o português a integralidade da obra, os tradutores podem se concentrar naqueles cantos com os quais se sentem mais confortáveis - ou mais desafiados. Eu destacaria aí as versões magníficas de cantos do 'Inferno' por Machado de Assis, Dante Milano e Augusto de Campos; de Henriqueta Lisboa para cantos do 'Purgatório'; e de Haroldo de Campos para cantos do 'Paraíso'. Já a tradução de Ziller seria "domesticadora, embora eficaz enquanto narrativa".

    Também as ilustrações de Botticelli têm uma história espantosa. Foram feitas na data estimada de 1485, quase 200 anos depois da "Comédia". Alguns dos desenhos são coloridos, outros não passam de esboços delicados em ponta de prata. O conjunto é de uma beleza impressionante, mas foi estilhaçado em folhas autônomas e dispersado por diversas coleções, até ser reunido, quase totalmente, nos anos 1980. A despeito da beleza, a "Divina Comédia", por Botticelli, não deixa de ser assustadora: tão bela e aterrorizante quanto o texto.

    Curioso como um mesmo poema escrito no século XIII ainda é capaz de despertar entusiasmos tão opostos quanto a edição clássica de Plinio e a versão em quadrinhos que acaba de ser "cometida" por um dos maiores designers do mundo, o americano Seymour Chwast, um quase octogenário que se volta pela primeira vez para o universo juvenil das HQs. Deixe as esperanças na capa, antes de entrar, se você é fã da adolescência transformada em quadrinhos: ele é um desenhista genial, tem tremendo senso de humor, mas passa longe da idiotia.

    "A Divina Comédia de Dante", de Chwast, é uma viagem engraçada, mas minuciosa, ao mundo dantesco. "Já ilustrei muitos livros para adultos e crianças", conta. "O poema de Dante é uma narrativa em que pude enfatizar e dramatizar o conteúdo do ponto de vista visual", continua. "Não sou um especialista em Dante. Conheço as ilustrações de Doré e William Blake, mas o meu trabalho é uma interpretação menos séria feita para pessoas que só veem a obra como grande literatura." A "Comédia" de Chwast tem atmosfera retrô. Dante aparece de capa de chuva, óculos escuros e cachimbo. Virgílio é baixinho, veste preto, usa bengala e calça polainas. "Vê-los como pessoas dos anos 30 acrescenta um caráter decorativo com o qual eu me identifico", diz. E o resultado é uma "Divina Comédia" perfeitamente compreensível para os leitores de iPad.

    Ambas as edições acabam respondendo a uma pergunta simples, que costuma acompanhar os clássicos. Por que ler? Por que ler Dante hoje? O poeta Sterzi levou um livro inteiro para responder à questão. Ele arrisca uma pequena observação filosófica, bastante arguta. "Estamos imersos, planetariamente, numa grande ansiedade diante da expansão - e, às vezes, mesmo substituição - do nosso mundo físico pelo mundo virtual das redes de computadores", diz. "Contra esse mundo que nos parece sempre mais instável, sempre mais desordenado, a 'Divina Comédia' nos oferece a imagem de um cosmos totalmente organizado e sobretudo hierarquizado, no qual mesmo o plano virtual - os reinos dos mortos, 'Inferno', 'Purgatório' e 'Paraíso' - obedece a uma rígida ordenação, com cada pecado correspondendo a uma punição eterna específica, com cada forma de vida beata correspondendo a um acolhimento específico junto a Deus."

    Para Sterzi, no entanto, essa também pode ser uma aproximação ingênua do grande poema de Dante. "Essa imagem de um universo ordenado nasce precisamente de uma sensibilidade política aguçada perante o esfacelamento do que deveria ser o império universal (isto é, europeu), do qual Dante foi um grande teórico: um esfacelamento do qual o próprio Dante foi vítima direta, ao ver-se banido de sua cidade, Florença, por conta das disputas entre guelfos e guibelinos." Para um poeta, Dante é sempre um encontro fundamental. Para o leitor comum brasileiro - tanto na versão esplendorosa da Ateliê quanto nos quadrinhos inteligentes da Companhia das Letras - Dante pode ser uma revelação.

 

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