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A Divina Comédia - Purgatório

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A Divina Comédia - Purgatório

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Autor: Dante Alighieri

Editora: Editora 34

Assunto: Poesia

Traduzido por: Italo Eugenio Mauro

Páginas: 221

Ano de edição: 2000

Peso: 350 g

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Excelente
Marcio Mafra
16/11/2002 às 13:18
Brasília - DF

Se obra literária é coisa que transcende ao livro propriamente dito, Dante Alighieri não é somente um simples autor. Estamos diante de um escritor, com letra maiúscula, criador de uma obra. Obra poética. Dante Alighieri é insuperável. Ele intitulou a sua magistral obra poética de Comédia, no sentido da representação teatral (comédia = falso, irreal, não verdadeiro). Também não é "comédia" no sentido humorístico que hoje conhecemos. A obra passou a ser denominada de Divina, portanto Divina Comédia, por ingerência política e fraudulenta da igreja católica, que possuía o pleno domínio dos meios de comunicação - inclusive todas as gráficas e editoras - nos séculos XV e XVI. Dante é considerado a síntese de toda a cultura medieval. Portanto, a leitura da Divina Comédia - Inferno, Purgatório, e Paraíso é difícil de ser compreendida por razões histórico-culturais. Na idade-média, o problema fundamental do homem era ver, sentir e entender o lugar limitado que ele ocupava no universo, criado, circunscrito e dominado completamente por Deus. Naquele tempo, a figura de Deus não era misericordiosa, nem indulgente. Ao contrário, era imperial, escravocrata e castigadora. Em outros termos, o homem sem a proteção de Deus era um ser perdido e inútil, no sentido em que jamais poderia encontrar a razão verdadeira da própria vida. A busca ou a prática da felicidade não contava. A finalidade da vida humana devia ser, portanto, a procura do bem e da verdade que só poderiam ser encontradas no poderoso Deus. Todo o resto era desvio e pecado. Se para o Inferno iam os pecadores, que em sua vida tinham sido indolentes, preguiçosos, covardes e fracos, ou que tinham cometidos os pecados maiores da luxúria, gula, avareza, inveja, ira e soberba. Os fraudadores, aduladores, traficantes, magos, adivinhos, falsários e os traidores também iam para lá. Para o Purgatório, iam os mesmos pecadores que tinham por destino o inferno. Porém, no exato momento de suas mortes, tiveram um instante de arrependimento de seus pecados. Neste caso, ao invés de serem condenados permanentemente às trevas do Inferno, passavam pelo lugar "intermediário" onde os pecadores poderiam "purgar" os seus pecados, e assim ainda contavam com uma grande chance de serem "remetidos" ao Paraíso. Em algumas ocasiões, mesmo com a "purgação" dos pecados, os pecadores que fossem reincidentes eram enviados definitivamente para o inferno. Dante e Virgílio passam em cada uma das "cornijas" do Purgatório, no total de sete. Na ultima cornija, tomada pelo fogo, atravessam as chamas e encontram do outro lado, ninguém menos que Beatriz.... Esta mais que genialíssima poesia, que contem 33 cantos, ou 33 capítulos, pode ser lida em português, ou simultaneamente, em italiano levou - nada menos - que 12, ou 13 anos para ser escrita. Haja fôlego, mas sobra beleza nesta obra suprema do poeta, que viveu pouco menos que 60 anos, por volta do ano 1.320. Se quase 700 anos depois, ainda se fala no poema, só pode ser por pura genialidade. Excelente


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Divina Comédia é um poema extenso e muito bonito, que conta a viagem de Dante, acompanhado de Virgílio e depois, da própria Beatriz, através do Inferno, seguindo pelo Purgatório, e terminando no Paraíso. O Purgatório é o lugar por onde passam as almas de pecadores, cujos pecados são passíveis de arrependimento, também chamados de pecados veniais e ali são purgadas as suas penas, habilitando os pecadores a atingirem o Céu. A viagem segue ao Paraíso, onde Dante encontra novamente Beatriz.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Canto XXI Aproxima-se de Dante, ansioso por saber a causa do estrondo ouvido no Canto anterior, uma sombra que lhe explica que aquilo foi o grito de júbilo com que todos os penitentes festejam a notícia de que um deles terminou sua provação. O qual nesse caso é ele mesmo, Estácio, poeta latino que viveu no tempo do imperador Tito, entre os anos 61 e 96 d.e. Estácio conta que deve todo o seu valor de poeta à leitura de Virgílio, que lamenta não ter conhecido em vida. Dante, a um aceno de Virgílio que lhe proíbe de identificá-lo, sorri. Mas esse sorriso é percebido por Estácio, a quem Dante, por fim, com o assenso do Mestre, revela a verdade. Estácio se atira aos pés de Virgílio para abraçá-los, mas este lhe lembra que ambos já não são mais que sombras. A sede natural - que a satisfaça água não há, salvo a de que a pequena samaritana suplicou a graça me atormentava, e a estrada de almas plena minha pressa obstruía, e eu me apiedava, ao mesmo tempo, por sua justa pena. E eis que, como Lucas recontava, que Cristo apareceu a dois na via, já surgido de sua funérea cava, uma sombra surgiu, que nos seguia; dos pés guardando a multidão que jaz, notado não nos fora, antes da pia sua saudação: "Irmãos, Deus vos dê paz". Volvemo-nos no instante e o meu Virgílio rendeu-lhe a saudação que se lhe afaz.


  • Os Ceús de Dante

    Autor: Cadão Volpato

    Veículo: Jornal Valor Economico - Caderno Eu & Fim de Semana, 17,18,19 de junho 2011 - nº 555

    Fonte:

    No tempo dos ultraleves leitores eletrônicos, é quase uma aberração alguém lançar um longo poema clássico, bilíngue, num volume luxuoso de cerca de dois quilos, dois palmos de altura e um palmo e meio de largura. Pois o editor Plinio Martins Filho teve o topete de publicar uma tradução da "Divina Comédia", de Dante Alighieri (1265-1231), ilustrada não por Gustave Doré, o mais elementar e dantesco dos artistas ligados ao poema, mas pelo renascentista Sandro Botticelli (1445-1510).

    É um livro para quem gosta de livros: não dá para ser lido num aeroporto ou num trem. Deve ser aberto com certa devoção. "O livro impresso não pode ser esquecido nestes tempos de alta velocidade e grande variedade de meios. Sem desconsiderar os meios eletrônicos, acho que o livro impresso se identifica mais com as grandes obras do passado", diz o editor. "Sou antes de tudo um amante dos belos livros em todos os aspectos." Não temia perder dinheiro com uma ousadia desse calibre? "Não. Perder dinheiro é um risco que todo editor corre. O bom gosto é difícil, mas eu procurei o leitor inteligente."

    Não há leitor que não fique abismado diante da audácia dessa nova edição. Ela é histórica em muitos aspectos. A começar pela tradução de João Trentino Ziller. Plinio relata o périplo que o levaria até ela: "Entre o encontro da tradução de Ziller e a minha edição, passaram-se cinco anos. Fui procurado pela família dele. Os netos queriam homenagear o avô. A história desse senhor é admirável. Foi um padre que imigrou para o Brasil no começo do século XX. Aqui, deixou a batina e, para se penitenciar de uma crise religiosa, dedicou o resto da vida à tradução de Dante para o português".

    Para o poeta Eduardo Sterzi, estudioso da obra de Dante, as melhores traduções da "Comédia" costumam ser as parciais. "Livres da tarefa desmesurada de transpor para o português a integralidade da obra, os tradutores podem se concentrar naqueles cantos com os quais se sentem mais confortáveis - ou mais desafiados. Eu destacaria aí as versões magníficas de cantos do 'Inferno' por Machado de Assis, Dante Milano e Augusto de Campos; de Henriqueta Lisboa para cantos do 'Purgatório'; e de Haroldo de Campos para cantos do 'Paraíso'. Já a tradução de Ziller seria "domesticadora, embora eficaz enquanto narrativa".

    Também as ilustrações de Botticelli têm uma história espantosa. Foram feitas na data estimada de 1485, quase 200 anos depois da "Comédia". Alguns dos desenhos são coloridos, outros não passam de esboços delicados em ponta de prata. O conjunto é de uma beleza impressionante, mas foi estilhaçado em folhas autônomas e dispersado por diversas coleções, até ser reunido, quase totalmente, nos anos 1980. A despeito da beleza, a "Divina Comédia", por Botticelli, não deixa de ser assustadora: tão bela e aterrorizante quanto o texto.

    Curioso como um mesmo poema escrito no século XIII ainda é capaz de despertar entusiasmos tão opostos quanto a edição clássica de Plinio e a versão em quadrinhos que acaba de ser "cometida" por um dos maiores designers do mundo, o americano Seymour Chwast, um quase octogenário que se volta pela primeira vez para o universo juvenil das HQs. Deixe as esperanças na capa, antes de entrar, se você é fã da adolescência transformada em quadrinhos: ele é um desenhista genial, tem tremendo senso de humor, mas passa longe da idiotia.

    "A Divina Comédia de Dante", de Chwast, é uma viagem engraçada, mas minuciosa, ao mundo dantesco. "Já ilustrei muitos livros para adultos e crianças", conta. "O poema de Dante é uma narrativa em que pude enfatizar e dramatizar o conteúdo do ponto de vista visual", continua. "Não sou um especialista em Dante. Conheço as ilustrações de Doré e William Blake, mas o meu trabalho é uma interpretação menos séria feita para pessoas que só veem a obra como grande literatura." A "Comédia" de Chwast tem atmosfera retrô. Dante aparece de capa de chuva, óculos escuros e cachimbo. Virgílio é baixinho, veste preto, usa bengala e calça polainas. "Vê-los como pessoas dos anos 30 acrescenta um caráter decorativo com o qual eu me identifico", diz. E o resultado é uma "Divina Comédia" perfeitamente compreensível para os leitores de iPad.

    Ambas as edições acabam respondendo a uma pergunta simples, que costuma acompanhar os clássicos. Por que ler? Por que ler Dante hoje? O poeta Sterzi levou um livro inteiro para responder à questão. Ele arrisca uma pequena observação filosófica, bastante arguta. "Estamos imersos, planetariamente, numa grande ansiedade diante da expansão - e, às vezes, mesmo substituição - do nosso mundo físico pelo mundo virtual das redes de computadores", diz. "Contra esse mundo que nos parece sempre mais instável, sempre mais desordenado, a 'Divina Comédia' nos oferece a imagem de um cosmos totalmente organizado e sobretudo hierarquizado, no qual mesmo o plano virtual - os reinos dos mortos, 'Inferno', 'Purgatório' e 'Paraíso' - obedece a uma rígida ordenação, com cada pecado correspondendo a uma punição eterna específica, com cada forma de vida beata correspondendo a um acolhimento específico junto a Deus."

    Para Sterzi, no entanto, essa também pode ser uma aproximação ingênua do grande poema de Dante. "Essa imagem de um universo ordenado nasce precisamente de uma sensibilidade política aguçada perante o esfacelamento do que deveria ser o império universal (isto é, europeu), do qual Dante foi um grande teórico: um esfacelamento do qual o próprio Dante foi vítima direta, ao ver-se banido de sua cidade, Florença, por conta das disputas entre guelfos e guibelinos." Para um poeta, Dante é sempre um encontro fundamental. Para o leitor comum brasileiro - tanto na versão esplendorosa da Ateliê quanto nos quadrinhos inteligentes da Companhia das Letras - Dante pode ser uma revelação.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quando Rafael esteve em S.Paulo, por ocasião de uma "bienal do livro" a Divina Comédia foi uma das encomendas que lhe fiz."


 

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