carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

O Crime do Padre Amaro

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
O Crime do Padre Amaro

Livro Ótimo - 3 opiniões

  • Leram
    8
  • Vão ler
    4
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    6

Autor: Eça de Queiroz

Editora: Itatiaia

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 562

Ano de edição: 1962

Peso: 920 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 


Excelente
Jony Edson da Silva Mateus
31/10/2018 às 06:13
Poço Branco - RN
A história é uma narrativa anticlerical, forte e feroz, onde o personagem central, o Padre Amaro Vieira, chega para assumir sua paróquia. Como praxe da época, torna-se hóspede de uma beata, rata de sacristria Dona Joaneira. O Padre se envolve com Amélia, filha de Joaneira. Amélia morre durante o parto e o Padre Amaro entrega a criança a uma fazedora de anjos.
Obra prima. Excelente. Espetacular. Esse Livro eu Recomendo!

Excelente
Marcio Mafra
30/11/2007 às 16:57
Brasília - DF
A história é uma narrativa anticlerical, forte e feroz, onde o personagem central, o Padre Amaro Vieira, chega para assumir sua paróquia. Como praxe da época, torna-se hóspede de uma beata, rata de sacristria Dona Joaneira. O Padre se envolve com Amélia, filha de Joaneira. Amélia morre durante o parto e o Padre Amaro entrega a criança a uma fazedora de anjos.
Obra prima. Excelente. Espetacular.



Ótimo
Rafael Mafra
03/07/2006 às 20:54
Brasília - DF

Como disse, li a obra há 10 anos. Achei a linguagem difícil, dada sua origem lusa, e a acentuação segue regras anteriores à reforma ortográfica. Lembro que gostei do livro, mas demorei pra ler. A história passa-se em cenários lúgubres, como deve ter sido todo o século passado. Aborda o amor e a "alma" da sociedade com sutileza, ironia fina e leveza.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Padre chega a cidade e envolve-se com donzela.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Que lágrimas quando Amélia soube a notícia! A sua honra, a paz da sua vida, tantas felicidades combinadas, tudo perdido e sumido nas brumas do mar, a caminho para o Brasil! Foram as semanas banhada em lágrimas, havia de fazer. Amaro, sucumbindo, sem idéia, ia para o padre-mestre. - Fêz-se tudo o que se pôde - dizia o cônego desolado. - É aguentar. Não se metesse nelas! E Amaro voltava para Amélia com consolações muito murchas: - Tudo se há de arranjar, é esperar em Deus! Era bom o momento para contar com Deus, quando Êle, indignado, a acabrunhava de misérias! E aquela indecisão, num homem e num padre, que devia ter a habilidade e a fôrça de a salvar, desesperavam-na; a sua ternura por êle sumia-se como a água que a areia absorve; e ficava um sentimento confuso em que sob o desejo persistente já transluzia o ódio. Espaçava agara de semana a semana os encontros na casa do sineiro. Amaro não se queixava; aquelas boas manhãs do quarto do tio Esguelhas, eram sempre estragadas com queixumes; cada beijo tinha um rastro de soluços; e aquilo enervava-o tanto, que lhe vinham desejos de se atirar também de bruços para a enxêrga e chorar tôda a sua amargura. No fundo acusava-a de exagerar os seus embaraços, de lhe comunicar um terror desproporcionado. Outra mulher, de melhor senso, não faria semelhante espalhafato... Mas que, uma beata histérica, tôda nervos, tôda mêdo, tôda exaltação! Ah, não havia dúvida, fôra "uma famosa asneira"! Também Amélia pensava que fôra "uma asneira". E não ter nunca imaginado que aquilo lhe poderia suceder! Qual! Como mulher, correra para o amor, tôda tonta, certa que escaparia, ela, - e agora que sentia nas entranhas o filho, eram as lágrimas e os espantos e as queixas! A sua vida era lúgubre: de dia tinha de se conter diante da mãe, aplicar-se à sua costura, conversar, afetar felicidade... Era de noite que a imaginação desencadeada a torturava com uma incessante fantasmagoria de castigos, dêste e do outro mundo, misérias, abandonos, desprêzo da gente honrada e chamas do purgatório.. . Foi então que um acontecimento inesperado veio fazer diversão àquela ansiedade que se ia tornando um hábito mórbido do seu espírito. Uma noite a criada do cônego apareceu, esfalfada de correr: a dizer que a senhora D. Jusefa estava à morte. Na véspera a excelente senhora sentira-se doente com uma pontada no lado, mas ínsistira em ir à Senhora da Encarnação rezar a sua coroa; voltou transida, com uma dor maior e uma ponta de febre; e nessa tarde, quando o Doutor Gouveia foi chamado, tinha-se declarado uma pneumonia aguda. A S. Joaneira correu logo a instalar-se lá como enfermeira. E então, durante semanas, na tranqüila casa do cônego, foi um alvorôço de dedicações aflitas: as amigas, quando se não espalhavam pelas igrejas a fazer promessas e a implorar os seus santos devotos, estavam lá em permanência, saindo e entrando no quarto da doente com passos de fantasmas, acendendo aqui e além lamparinas às imagens, torturando o Doutor Gouveia com perguntas piegas. À noite na sala, com o candeeiro a meia luz, era pelos cantos um cochichar de vozes lúgubres; e ao chá, entre cada mastigadela de torrada, havia suspiros, lágrimas furtivamente limpadas... O cônego lá estava a um canto, aniquilado, sucumbido com aquela brusca aparição da doença e do seu cenário melancólico - as garrafadas de botica enchendo as mesas, as entradas solenes do médico, as faces compungidas que vêm saber se há melhoras, o hálito febril espalhado em tôda a casa, o timbre funerário que toma o relógio de parede no abafamento de todo o ruído, as toalhas sujas que ficam dias no lugar em que caíram, o anoitecer de cada dia com a sua ameaça de treva eterna. .. De resto, um pesar sincero prostrava-o; havia cinqüenta anos que vivia com a mana e era amimado por ela; o longo hábito tornara-lha cara; e as suas caturrices, as suas toucas negras o seu espalhafato pela casa faziam como uma parte mesma do seu ser. . . Além disso, quem sabe se a morte, entrando-lhe em casa, para poupar passos, o não levaria também !. . . Para Amélia aquêle tempo foi um alívio; ao menos ninguém pensava, ninguém reparava nela; nem a sua face triste e os vestígios de lágrimas pareceriam estranhos, naquele perigo em que estava a madrinha. Demais, os serviços de enfermeira ocupavam-na: como era a mais forte e a mais nova, agora que a S. Joaneira estava estafada de vigílias, era ela que passava as longas noites à beira de D'Josefa: e não havia então desvelos que não tivesse, para abrandar Nossa Senhora e o céu com aquela caridade pela doente, para merecer igual piedade quando o seu dia viesse de estar também prostrada num leito. . . Vinha-lhe agora, sob a impressão fúnebre que se exalava da casa, o pressentimento repetido que morreria de parto: às vêzes só, embrulhada no seu xale aos pés da doente, ouvindo-lhe o gemer monótono, enternecia-se sôbre a sua própria morte que julgava certa, e molhavam-se-lhe os olhos de lágrimas, numa saudade vaga de si mesma, da sua mocidade e dos seus amôres. .. Ia então ajoelhar-se junto da cômoda, onde uma lamparina bruxuleava diante de um Cristo projetando sôbre o papel claro da parede a sua sombra disforme que se quebrava no teto; e ali ficava rezando, pedindo a Nossa Senhora que não lhe recusasse o paraíso... Mas a velha mexia-se com um ai doloroso; ia então aconchegar-lhe a roupa, falar-lhe baixo. Vinha depois à sala ver no relógio se era o momento do remédio; e estremecia às vêzes, sentindo vir do quarto próximo um pio de flautim ou um som rouco de trombone; era o cônego a ressonar. Enfim, uma manhã, o Doutor Gouveia declarou D. J osefa livre de perigo. Foi um vivo regozijo para as senhoras certa, cada uma, que aquilo era devido à intervenção particular do seu santo devoto. E daí a. duas semanas houve uma festa na casa, quando D. Josefa, pela primeira vez, amparada nos braços de tôdas as amigas, deu duis passos trêmulos no quarto. Pobre D. Josefa, o que dela fizera a doença! Aquela vozinha irritada, em que as palavras eram despedidas como setas envenenadas, assemelhava-se agora apenas a um som expirante, quando, num esfôrço ansioso da vontade, pedia a escarradeira ou o xarope. Aquêle olhar sempre alerta, escrutador e maligno, estava hoje como refugiado no fundo das órbitas, assustado da luz, das sombras e dos contornos das causas. E o seu corpo, tão têso outrora, de uma secura de ramo de sarmento, agora ao cair no fundo da poltrona, sob a trapalhada dos agasalhos, parecia um trapo também


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não sei o que aconteceu antes de mim, mas este foi o primeiro livro mais sério que li, incentivado pelo meu pai, aos 12 anos de idade. Foi quando descobri que Eça era um homem. (Rafael Mafra) Este livro faz parte da pretensiosa lista pessoal de "best sellers", sendo um dos favoritos do Marcio.


 

Para baixar ou visualizar o E-BOOK é necessário logar no site.
Clique aqui! para efetutar seu login.

 

Não tem uma conta?
Clique aqui e crie a sua agora!

 

 

 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2018
Todos os direitos reservados.