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Xadrez, Truco e Outras Guerras - Pecado Ira

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Xadrez, Truco e Outras Guerras - Pecado Ira

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: José Roberto Torero

Editora: Objetiva

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 183

Ano de edição: 1998

Peso: 315 g

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Ruim
Marcio Mafra
09/11/2002 às 09:52
Brasília - DF

Diz o autor logo no prefácio: "...se você realmente detestar estas páginas, rasgue-as em mil pedaços. Desta forma, o mesmo livro que fez nascer a ira em você, lhe trará a paz..."...." os que amam a ficção acharão esta obra impura, pois há muitos capítulos claramente inspirados na Guerra do Paraguai; já os que gostam de história odiarão este livro pela excessiva liberdade com que recriou tão nobre capítulo da vida pátria...." Tem razão o autor. O livro provoca ira sim ! Mas por se tratar de uma grande perda de tempo. Um livro chato, negaceia o leitor porque se trata de um autor reconhecido pelo Jabuti. Certamente que escrever um livro sob encomenda é coisa para profissional. Xadrez, truco e outras guerras ficou devendo o pecado da ira. Tem coisa melhor pra se ler.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O segundo volume da coleção Plenos Pecados: Xadrez, truco e outras guerras tem como tema a ira. O romance se desenvolve de forma que as peças vão-se combinando ao longo da leitura.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Marido. Quando o perigo passou, todos ficaram felizes e o Capelão mandou rezar missa, agradecendo a Deus a imensa misericórdia de os livrar das chamas, não dizendo nenhuma palavra de gratidão aos homens que lutaram para contê-las.
Sentado à sombra, o General ouvia as santas palavras com alegria. Ele sentira a tropa desanimada para entrar no país inimigo e o fogo viera em boa hora. Mais uma vez seus homens estavam tomados pela verdadeira ira, sentimento com o qual é bem mais fácil um exército alcançar vitórias e um general, a glória.
Terminada a missa, começou a invasão. A tropa passou pela cidade queimada, pelo forte das baionetas, pelas assadas, pela fronteira e assim sucedeu por várias horas até que, no fim da tarde, chegaram ao ponto onde o incêndio começara. A simples vista de campos verdejantes deu novo ânimo aos homens e o primeiro ribeirão foi bem aproveitado por todos, do General ao Soldado, para um banho que, se não lhes lavava a alma, ao menos limpava o corpo.
Depois de um dia inteiro de marcha, acamparam num pequeno declive situado à beira de um riacho, sábia providência em caso de novo incêndio. Ali armaram as barracas, jogaram, contaram mentiras, beberam e, mesmo cansados, ainda fizeram uma pequena festa. O Bom Jesus pegou a sanfona e pôs-se a tocar, dando início a uma dança de pares, pois, pela primeira vez, havia mulheres em quantidade, embora nenhuma delas estivesse ali por gosto.
Eram as mães, viúvas" e órfãs dos filhos, maridos e pais descarnados na estrada. Sem remédio de vida, passaram a seguir o exército e foram se arranjando conforme a necessidade e a variedade de seus temperamentos. Umas iriam juntar-se informalmente - casamentos sem aliança nem papéis que o Capelão se recusou a abençoar -, outras namorariam um recruta a cada dia, muitas passariam a alugar-se e algumas tentariam ficar quietas, pedindo ao céu a impossível bênção de passarem despercebidas. As que lá apareceram foram as segundas e as terceiras.
O Soldado divertia-se com a música e bebia, mas não quis tocar nas mulheres, embora duas ou três tivessem vindo sentar perto dele ou convidá-lo para dançar. Estava tão apaixonado que preferia suspirar de tristeza a alegrar-se.
Decidiu então ir até a carroça da Mulher das Cartas. Pensava em escrever de novo para seus pais, dessa vez contando das ossadas, do incêndio e de como havia salvado muitos. Imaginava a expressão que ela faria ao vê-lo narrar tantas proezas e sentia-se envaidecido, antevendo um sorriso de simpatia, um olhar de admiração ou, quem sabe, um elogio. Mas há dias em que a sorte nos falta e, quando ele bateu palmas, foi o Marido quem apareceu.
- Boa noite.
- Boa noite, vim para uma carta. - Vamos a ela.
- A sua esposa não está?
- Eu mesmo posso escrevê-la.
- É claro...
- Ou o senhor prefere ditar para ela?
- De modo algum.
- Sei que prefere.
- Eu?
- Tenho observado o senhor. Está sempre por perto, olhando disfarçado para minha mulher.
- Eu?
- Não pense que é o único, mas é o mais insistente.
- Eu?
- O senhor está se repetindo.
- Eu?
- Sim.
- Hoje foi bom que eu estivesse por perto.
- Amanhã não será.
- Não tive intenção...
- Nem tenha.
- Escrevo por saudades da família.
- Desconfio que as saudades podem ser outras.
- Desconfiar não é provar.
- Deus o livre de eu ter alguma prova.
- O senhor não tem por que se preocupar.
- Só estou avisando.
- O aviso está dado.
Então o Marido da Mulher das Cartas levou a mão à cabeça e depois passou-a pela cara suada. Estava tremendo um pouco, mas não parecia nervoso ou com medo.
- Daqui por diante eu escrevo suas cartas. - Será assim.
- Então vamos.
- Vamos o quê?
- Escrever. Não veio aqui para isso? - Esqueci o que ia dizer.
- Então boa noite.
- Boa noite.
o Soldado saiu dali com o passo e o coração acelerados. Ele não queria brigar, ainda mais porque era uma luta que não venceria: se batesse no marido, atrairia o desprezo dela; se apanhasse, a indiferença.
Resolveu então ir dançar com uma mulher um pouco risonha, muito decotada e uns dez anos mais velha que ele. Da dança foram a um canto isolado, do canto isolado foram aos beijos, dos beijos às carícias - se é que se pode chamar assim a sôfregos apertões e das carícias foram a uma tenda.
Tudo acabado, ela começou a contar sua vida, falando que tinha sido casada com um rico fazendeiro da cidade queimada, a quem jamais tinha amado mas que era bom e generoso, e sua família a obrigou a casar-se com ele. Falou que depois se apaixonara por um ajudante do marido e que planejavam fugir, mas que isso era passado, porque agora os dois, marido e ajudante, estavam mortos, e ela não tinha a segurança de um nem a paixão do Outro. O Soldado comentou que pena que não morreu só o seu marido. Ela concordou com a cabeça e ele pensou que todos os maridos indesejados deviam morrer, e que isso não era tão impossível, porque muitas são as balas perdidas numa batalha e às vezes cai alguém que está distante do confronto.
O barulho da música diminuía e a festa estava chegando ao fim quando, olhando à sua direita, o Soldado viu passar correndo ninguém menos que a própria Mulher das Cartas. Seus olhos a acompanharam até onde foi possível e ele ficou a perguntar-se aonde ela estaria indo. Meia hora depois ela voltou. Vinha no mesmo passo e trazia na mão umas folhas de guaco. Ele pensou que poderiam ser para o Marido, que talvez estivesse achacado. Condenou-se então por ter tido maus pensamentos e imaginou-se a cuidar dele, limpando-lhe o suor e fazendo uma sangria, o que mostra que, se a mente nos leva ao pecado, também nos ergue ao céu, deixando-nos sempre quites com a consciência.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Depois que o Rafael comprou "a gula", não paramos de comprar cada um dos outros sete pecados capitais.


 

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