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Canoas e Marolas - Pecado Preguiça

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Canoas e Marolas - Pecado Preguiça

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: João Gilberto Noll

Editora: Objetiva

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 105

Ano de edição: 1999

Peso: 200 g

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Ruim
Marcio Mafra
09/11/2002 às 16:19
Brasília - DF

O Canoas e Marolas é uma visão que o autor pretendeu - preguiçosa - sobre o pecado da preguiça. Deve mesmo ser muito difícil escrever sobre a preguiça, ainda mais de encomenda.. O autor é um craque e já foi muito premiado pelo best seller " O cego e a dançarina" Mas, não embarque nesta canoa, é furada.É um livro chinfrim. É sem graça. O final é estúpido.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quinto volume da coleção plenos pecados: a Preguiça, no romance do gaucho João Gilberto que conta a história do homem que chegou à ilha porcurando Martha...

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quando dei por mim estava sentado numa cadeira de rodas, sendo transportado para dentro de um bote. Marta foi durante toda a borrascosa viagem segurando minha mão. O vento assobiava e sacudia desbragadamente a embarcação, fazendo com que o garoto mudo possível pai do possível neto segurasse firme na cadeira de rodas atrás de mim. Marta de fato me adoeceu, pensei em meio a grossas cusparadas do rio; e comecei a guardar uma imagem vil daquele copo d'água que ela me dera. Mas para valer mesmo eu não pensava em nada. Não tinha forças para pensar em alguma coisa até o fim, ainda mais no olho daquela tempestade que fazia do rio uma epopéia oceânica.
Até ali eu ainda não sentira a bem-aventurança apregoada pelo Programa de Ablação da Mente. Eu sentia mesmo era a necessidade incalculável de que tudo acabasse o mais depressa possível. Aquele vento desesperado, o balanço histérico do bote que naquela altura era quase nave, a superfície do rio encapelada e não só a superfície, a densidade do rio como que alavancava-se às vezes pronta para arrebentar a onda definitivamente apocalíptica e depois se enfraquecia e logo revestia-se novamente de ambição. Temia que aquele bote virasse e eu fosse para o fundo do rio com cadeira de rodas e tudo; não seria um desfecho de cena tão ruim assim com certeza, mas eu não queria acabar daquele jeito abrupto, queria sentir a tela rasa desfazendo-se no peito, aos pouquinhos, para que eu pudesse balbuciar venci, não como herói, juiz de meus próprios e improváveis méritos, não; queria era me esvair sentindo o gozo pequenino, eco de uma vitória longínqua sem contorno ou causa, só isso, pois eu tinha sim a minha própria Ablação da Mente ou que nome se queira dar a esse gozo exíguo que levaremos eu sei até o sopro findar, até lá aquele promontório à beira oeste do rio, até conseguirmos enfim apreciar a paisagem de um só golpe, quando tudo se abrevia no espaço de um suspiro prolongado a revestir o gozo do mistério de mais gozo.
Ai!, eu estava sendo conduzido no meio daquela tormenta mais castigada agora pelos raivosos pingos da chuva, eu estava sendo conduzido para um hospital. Para morrer? Então que o bote entornasse de uma vez e não sobrasse nenhum de nós para contar a história. Nem o barqueiro, nem nós três ali, eu, o garoto mudo e Marta, aqueles três pilantras, ela a mais sólida, barriguda, a querer me empurrar para uma galáxia onde eu fosse o pai que ela não tivera e assumisse o feto como neto, e mais o garoto mudo, o meu risível genro e assim por diante.
Mas nada disso parecia possuir um valor realmente apetecível para nenhum de nós, incluindo aí o feto ou o meu neto, como queiram, não, nenhum de nós tinha qualquer papel majestático a conservar, seres perdidos no encagaçante delírio do rio.
Entretanto, apesar dos pesares, senti-me um pouco aliviado quando reavaliei a posição do garoto mudo atrás de mim, feito meu anjo da guarda, quem sabe meu pastor da retaguarda. Nós dois, caras no fundo invisíveis que poderiam se fazer passar por nada em breve, ou quase isso. Quem seria de verdade esse sujeito magro e meio amarelado que eu suspeitava vir a ser meu companheiro final?
Não precisei pensar muito mais para me ver com luzes hospitalares monstruosamente fortes em cima de mim. Um careca narigudo aproximou-se e disse estar me dando a extrema-unção, e nisso meteu seu dedo imundo de óleo santo pela minha boca e eu mordi aquele dedão que quase me sufocava e provocava vômitos, mordi aquele dedão
querendo parecia alcançar minha garganta, e o careca narigudo soltou não só um ui mas também um ruidoso peido cheio de sangue no dedo.
Marta veio em socorro do careca narigudo ou veio em meu socorro, ou de ambos, não sei, e ela estava agora com os cabelos aloirados escorridos sobre os ombros como
nunca. Fiz uma careta para um espelho em cima de mim entre as luzes feito um microteto de bordel. Fiz uma outra careta para Marta. Ela respondeu armando sua própria careta, mais estilizada, mais grã-fina. Parecia haver agora um impasse de quem faria a careta mais retumbante.
Eu e minha filha, pois sim. Eu e minha inimiga, isso é que era! Que venha meu pai, ela parecia dizer a cada minuto, que venha meu pai ignorado e que eu consiga fazer dele pó, devolvê-lo ao estado em que vivia antes de me aparecer, puro pó, quase nada. E que vá em paz. E que vá para sempre.
Eu ofegava um pouco de raiva deitado em cima daquilo que deveria ser uma mesa cirúrgica, algo assim; eu tremia de indignação em cima daquela coisa mas não conseguia demonstrar nada disso, eu no fundo de tudo me sentia era prostrado diante daquela brincadeira, não a sensação de tela fina no peito, não, mas prostrado mesmo, morto em vida, um aparelho indefeso diante das fúrias daquele salão hospitalar.
Naquele estado eu não tinha o tão discutido gozo, só frustração. Aquele estado era uma inação barata, indigente para se tirar dali qualquer partido. Naquele estado apenas me sentia inapto e pronto, puro peso morto, inoperante até para te ajudar a projetar o mais Ínfimo dos gestos. Eu poderia me engambelar achando que faria daquilo motor para um grito. Mas nem isso. Um grito com certeza arrebentaria a minha fragilíssima cápsula de vida e eu viraria uma dilaceração exposta, redundante, até que os tecidos desses trapos começassem a ser lambidos pelos cães, comidos como carne seca pelos cães


  • Orgasmo Permanente

    Autor: Bernardo Scartezini

    Veículo: Pensar. Correio Braziliense, pagina 3, Sabado 16 de fevereiro de 2013

    Fonte: Jornal Correio Braziliense

    O Orgasmo Permanente.
    Pensar. Correio Braziliense, pagina 3, Sabado 16 de fevereiro de 2013
    »BERNARDO SCARTEZINI
    ESPECIAL PARA O CORREIO

    Solidão continental não poderia ser um livro de nenhum outro autor brasileiro, a não ser de João Gilberto Noll.  Estamos aqui diante de escritor à vontade em um universo que construiu lentamente, livro a livro, ao longo das três últimas décadas.


    Noll conseguiu aquilo que todos os escritores perseguem e apenas uns poucos realizam: criou um estilo próprio, inimitável, imediatamente reconhecível.

    Solidão continental, no entanto, traz um paradoxo. Pois é tão parecido com o Noll que o leitor já conhece e admira, tão parecido, que isso - miseravelmente - pode se tomar um problema.

    Pode soar como repetição. Pode soar como esgotamento. Daí algumas resenhas atravessadas que o romance recebeu desde seu lançamento pela editora Record no fim de 2012.

    Seria Solidão continental uma depuração do estilo de seu autor? Ou seria somente um trabalho menor - e menos representativo - diante do que já foi feito antes?

    A resposta, em boa parte, passa pela cumplicidade que o livro consegue ou não despertar em seu leitor, e passa necessariamente pelas expectatívas desse leitor.

    - Estaremos aqui na companhia de um personagem anônimo, um sujeito de passado obscuro e futuro incerto.

    -Um homem entrado na meia idade, que vagará sem rumo pelas páginas 'deste breve romance. A narração em primeira pessoa é um recurso para imprimir de vertiginosa subjetividade à saga entortada que parte de um quarto de hotel de Chicago.

    Foi lá que nosso narrador viu escapar o homem que amava. Ou que hoje julga ter amado naquela época.

    Vinte anos depois, ele está disposto a reencontrar a pessoa amada, como que por mágica, e reaver o sentimento perdido. Para isso, ele tenta refazer  seus passos, aluga novamente o mesmo quarto de hotel.

    A história se repetirá como delírio. Nosso herói mergulha no vaso sanitário, como aquele personagem de Trainspotting (abraço pro Irvine Welsh), e entramos nas tubulações de sua cachola.

    E dali, numa sucessão de encontros sexuais frustrados, numa sucessão de coitos interrompidos, amanhecemos nus em uma Porto Alegre que parece não existir em lugar algum para além das memórias do viajante. Nus entre pessoas que parecem não existir em lugar algum para além destas linhas.

    "Eu vivia entre fantasmas, pensei, e dessas companhias etéreas eu não queria me apartar. Os seres físicos não me ofereciam nada mais convincente do que aquelas presenças esquivas ao meu toque, geralmente caladas ... "

    Verbal e sexual

    Solidão continental é entretecido numa sucessão de delírios, em constante "troca de geografias", para tomarmos emprestado um termo adotado por seu verborrágico narrador.

    Um narrador que, por vezes, soa como se estivesse à beira da afasia, como se precisasse escrever escrever escrever, atordoantemente, antes que as palavras passem a lhe faltar. A crença

    derradeira de João Gilberto Noll mais uma vez, parece na linguagem. Seus personagens podem ser misóginos, edipianamente castrados, ser rematados solitários sem esperança, mas

    ainda lhes restam a voz.

    A linguagem, portanto, seria o instrumento para reestabelecer o estado de cousas que se perdeu. O instrumento do impossível. Talvez por isso o fim deste Solidão Continental soe como um novo começo, um reinício, emprestando ao romance uma sensação de continuidade - mas não de apaziguamento - nem nunca de serenidade.

    A linguagem e o sexo. Este Solidão continental seria a tentativa de João Gilberto Noll devolver seu personagem ao mundo dos vivos por meio do arrebatamento verbal e sexual.

    E esse é apenas um dos muitos pontos de contato do livro com as obras anteriores de Noll ... A busca do orgasmo permanente - e a frustração inevitável que ela traz. A busca da comunicação completa, a busca da conciliação máxima entre as palavras e os sentimentos - e a outra frustração inevitável que aqui virá.

    Mais uma vez, um personagem de Noll se encontra à deriva em um mundo que não mais reconhece. A lista de semelhanças e afinidades é numerosa, talvez inesgotável.

    Como em Harmada (1993), temos também a oposição simbólica e dilacerante entre a cidade e a natureza. Temos a água como um rito de purificação, como um segundo batismo.

    Temos ainda um hospital público como um purgatório para o corpo e para a alma.

    Como em A fúria do corpo (1981), Noll desenha um homoerotismo quase narcisista, fazendo do corpo do outro um espelho de si próprio. E daí, como acontecia em Lorde (2004), esse jogo de duplos resvala no fantástico.

    A rigor, o único problema de Solidão Continental é ter vindo depois de todos esses livros, que marcaram não apenas a carreira de João Gilberto Noll,  mas também a literatura brasileira contemporânea. O gaúcho Noll, aos 66 anos de idade, é afinal um dos mais celebrados autores do país. Foi vencedor do Jabuti em cinco ocasiões.

    O barato de Solidão Continental, por outro lado, é marcar uma espécie de retorno de Noll à forma original, um retorno às suas antigas obsessões, após uma série de livros infanto-juvenis lançados nos últimos anos:

    O Nervo da Noite (2009), Sou eu! (também 2009) e Anjos das Ondas (2010).

    O retomo de Noll a uma plena literatura, a esta literatura para adultos, foi um dos fatos mais marcantes da última temporada editorial. E pode anunciar um recomeço em sua carreira. Como este livro não chega propriamente a terminar, parece justo encarar a obra de João Gilberto Noll como uma vertigem ainda longe de se esgotar. Ainda estamos longe do chão.

    Trecho:

    Entre mim e aquele cenário da Osvaldo Aranha havia como uma mucosa transparente doendo se eu tocasse. Não era possível vislumbrar aquele cenário com isenção. Uma menininha filha de mendigos acampados ali embaixo me olhou com uma expressão indefinida, eu parecia lhe causar uma estranha atração. A garotinha usava batom, uma saia comprida de mulher adulta nos ombros, qual um manto fazendo uma cauda, e um sutiã sobre um enorme bustiê rasgado. Recuei. Fechei a janela para evitar o ruído exacerbado do trânsito. Tão logo fechei a janela ouvi uma cantoria só de vozes femininas. Atrás de mim, na sala outrora vazia, tinha uma maca rodeada de velho tas. Elas cantavam certamente um hino religioso, ainda pude ouvir submergindo em uma instância que não estava nem em Porto Alegre nem em parte alguma. Eu via que poderia ser novamente alçado do porto a que havia. poucos segundos tinha retomado para me encantar com aquele canto vagaroso de vozes femininas. Ouvia um hino religioso que dizia serem elas fiéis ao mistério, pois que eram filhas de um enigma. Espiei entre os corpos das mulheres, aproximei-me do centro do ajuntamento e enxerguei aquela que na maca certamente agonizava e senti que aquela reunião final não comportava a minha presença masculina e me retirei sem mágoa, prometendo a mim mesmo que dali em diante seria fiel apenas ao destino de Predenco, que não o abandonaria jamais. Tivesse ele naquele instante já morrido ou se em pouco tempo ele saísse daquele hospital, ressurrecto, seria esse homem que entraria em minha vida mesmo que como um placebo para dirimir o meu isolamento.

    Se ele por acaso não recuperasse os movimentos ou a consciência, eu lhe daria banhos matutinos, pegaria uma esponja e a passaria sobre sua nudez. E esse ato seria o meu sexo diário.

    E melhor, assim eu estaria retomando à meninice, eu voltaria a brincar.

    Afinal, em casa novamente ... "
     

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Depois que o Rafael comprou "a gula", não paramos de comprar todos os "pecados" que encontramos pela frente.


 

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