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A Arca dos Marechais

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A Arca dos Marechais

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Marcos Rey

Editora: Ática

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 128

Ano de edição: 1983

Peso: 160 g

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Ótimo
Marcio Mafra
21/10/2002 às 23:01
Brasília - DF

A Arca dos Marechais, que não guarda qualquer semelhança com coisas ou fatos militares é um despretensioso romance que conta a história de um divertido falsificador de dinheiro. Muito bom e rápido de se ler, com um final ótimo.Vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de um falsificador de dinheiro.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O dinheiro falso era perfeito: a compra dum coração.Estávamos em Petrópolis e andávamos de charrete, eu e Celeste, seu verdadeiro nome, pois o de guerra, para uso noturno, concordamos em esquecer. Viajávamos pelas cidades praianas e estâncias balneárias, não muito distantes, pois o estado de saúde de tia Jê ainda me inspirava cuidados. Comprara mais alguns milhares de dólares, logo convertidos em cruzeiros, e abandonei o emprego na imobiliária. Voltaria a trabalhar, talvez, depois de já acostumado à nova rotina. Meu romance com Celeste ocupava o dia todo, não sobrava tempo para vender terrenos e apartamentos. - Você realmente me ama? - ela inquiriu na charrete. - Nunca me disse isso, Régis. Inventara esse nome. Evidentemente não me chamo Régis, embora me agradem nomes começados por R. - Eu amo - afiançava no controle acidentado do romântico veículo. - Diga com mais força! -Amo! - Está melhor, mas repita! - Amo! Na verdade, suas dúvidas procediam. Tivera a sensação de amá-la apenas nas setenta e duas primeiras horas. Depois, pesando as conveniências de ter uma mulher, substituí o amor pela polidez, coisa que se aprende até em manuais. Maneiras perduram mais que grandes arroubos. Saltei o episódio da conquista, mas posso voltar a ele neste momento. Acho que foi minha generosidade de estelionatário, e não eu, quem seduziu Cláudia. Naquela noite, em que a reconheci e a chamei, até champanha francesa mandei servir. Dali fomos para o mais sofisticado dos motéis e assistimos como aperitivo a alguns requintados pornôs japoneses. Queria fluir o amor como um artigo de luxo, um privilégio dos ricos, e não uma necessidade ou febre. Sem aborrecê-la com muito sexo, permiti que desfrutasse do seu sono inteiro até as dez da manhã seguinte. O desjejum foi magnífico, muito mais lua-de-mel que a própria noite. Acho que foi lá pelas onze e quinze que Cláudia, já quase Celeste, começou a gostar de mim. Ao deixar Celeste diante dum edifício de apartamentos, onde morava na companhia de algumas amigas, enfiei em sua bolsa todos os marechais que restavam em minha carteira. Duvido de que alguém lhe tivesse pago melhor até aquela data. - Não é preciso tanto - ela protestou, surpresa. - Assim não precisará pensar em dinheiro neste fim de semana. Descanse. Bonita, embora sem o já referido brilho noturno, Celeste apertou minha mão: - Quando a gente se vê outra vez? Marquei um dia e um bar, dei-lhe no rosto um beijo de noivo e comecei a aguardar o reencontro. Seriam três ou quatro dias de espera, mas eu queria testá-la e testar-me. Precisava saber se o passageiro dos prostíbulos, restaurantes finos e casas de câmbio era capaz de impressionar uma mulher a ponto de despertar saudade. E eu também necessitava conferir se restava em mim algum interesse especial, além da arca de tia Jê. Cheguei a arrepender-me de não ter marcado o encontro para o dia seguinte. A fim de que o tempo passasse mais depressa, retomei a leitura de um daqueles romances, uma bobagem qualquer sobre uma cidade invadida por ratos pestilentos. Não fui além de trinta páginas e da escuta de um long-play. Na rua, o tempo acelerou-se, porém não o suficiente, como se minha ansiedade jogasse areia em suas rodas. À noite, estive a um quarteirão da boate em que Régis convidara Celeste para a mesa. Não entrei, para não invalidar os testes. Apesar do sofrimento, apreciei os resultados no concernente a mim. Eu não era apenas aquele elenco de figurantes que entrava nas casas de câmbio para comprar dólares. Nem os marechais nem o seu troco haviam modificado profundamente minha personalidade. Punha a mão no peito e sentia o coração bater. Qualquer ponteiro registraria alterações em minha pressão. Mas nada disso tinha a ver com a ansiedade causada pelo dinheiro falso. Eram sintomas de amor, síndrome duma paixão que resistia ao Sol, à abstinência e que acompanhava meu passo por mais ligeiro que andasse pela rua. Sim, eu era humano e estava apaixonado. Em dois dias, não pensei uma única vez na arca do tesouro nem temi a morte de dona Jesuína. E quanto a ela? Celeste também passara falsas carícias não sei quantos anos, era Cláudia depois das seis, fingira, mentira. O que diriam quando se encontravam as duas no quarto e no banheiro? Qual delas acabava se impondo, somando vantagens? Celeste adoraria reencontrar o cavalheiresco Régis no bar, enquanto Cláudia ponderaria que o amor só traz prejuízo para as prostitutas. Ele pagava bem, um meai compensador, se não tomasse tanto tempo. Além do mais, já assistira aos pornôs japoneses. Tinha a impressão de ver as duas discutirem. Ou era excessiva pretensão de minha parte? Cláudia esqueceria o compromisso ao tirar os brincos. Mas logo surgiu outro receio, mais velho e perturbador: as notas falsas. Podia ser que ela e as amigas se tivessem reunido para examinar meus marechais. Às vezes, a confiança demasiada deixava passar algumas cédulas que tio Erich reprovaria. No dia, hora e lugar marcados, lá estava eu. Era um barzinho vespertino, fechado, para executivos da Augusta e imediações. Sentei-me a uma mesa na última etapa da espera e pedi um Amaro. Estava pessimista: ela não viria e, se viesse, acompanhada de dois policiais!, foi esse homem que me passou dinheiro falso. O bar, verifiquei, só tinha uma porta. Decidi chamar a conta e desaparecer. Num segundo nada me pareceu mais sensato


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nada de especial para registrar, exceto, que Flavia e Fernanda liam Marcos Rey, como uma espécie de obrigação escolar.


 

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