carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Em Vez

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Em Vez

Livro Bom - 1 comentário

  • Leram
    1
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Carlos Lacerda

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Crônica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 248

Ano de edição: 1975

Peso: 310 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Bom
Marcio Mafra
20/10/2002 às 15:47
Brasília - DF

As crônicas que compõem este livro foram selecionadas, por Antonio Carlos Vilaça e Luiz Trigueiros - pessoas que se afiguram como dois grandes puxa-sacos, porque denominaram o livro de cosmorâmico.Demais! Despundonor explicito para um livro de crônicas, mesmo considerando-se que Carlos Lacerda tenha sido um crítico mordaz, impiedoso e demolidor de pessoas e de mitos, tanto como jornalista, escritor ou político. Talvez o aulicismo dos selecionadores das crônicas se tenha dado porque Carlos Lacerda era sócio da Editora Nova Fronteira, onde os selecionadores poderiam arrumar emprego, se lá já não estivessem. As crônicas não têm sequer uma cronologia de tempo, tema, história ou personagens. O leitor não ficará pasmo, mas certamente não entenderá como ou porque a crônica "A caminho do segundo centenário" foi selecionada para ser publicada junto à crônica "História da infância de Gilberto Amado". É a junção de nada com coisa nenhuma. As crônicas propriamente ditas - sob o ponto de vista de um simples leitor -até que não são ridículas, certamente porque Lacerda foi um mestre da palavra e da escrita.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Crônicas do mordaz Carlos Lacerda, publicadas em jornais do Brasil e Portugal, e/ou improvisos pronunciados na Câmara dos Deputados.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Receita para entrar fácil em país difícil. Não sei se dará certo em toda parte. No Cambodja, deu. Estávamos em Hong Kong, à espera de uns vistos que faltavam para prosseguir viagem. O cônsul brasileiro dava-se com toda gente, especialmente com os chineses continentais, como eufemisticamente eram chamados. Pediu-nos os passaportes e na mesma manhã devolveu-os devidamente sacramentados, com o visto oficial de entrada no Cambodja. No pequeno grupo havia quem quisesse vivamente conhecer as ruínas de Angkor Vat. Vá pelas ruínas. Em vão ponderei que já havíamos andado por terras próximas, todas muito lindas mas muito quentes, em matéria de calor prefiro as minhas, em suma umas desculpas esfarrapadas que não colaram. Pois seja, vamos aos destroços da civilização khmer. "Mas, há um problema", disse o cônsul brasileiro, pessoa sensível e amável, nascido em S. Borja, no Rio Grande do Sul. "O passaporte de seus amigos e o de sua mulher já estão despachados. Meu colega cambodjano deu-lhes um visto rápido e fácil. Mas, o seu. . . " - Que tem o meu? perguntei meio aflito. O passaporte, essa odiosa invenção do Sultão da Turquia, faz parte do conjunto de instrumentos com os quais a humanidade se condena a caminhar em sentido inverso às franquias que a tecnologia lhe proporciona - como se diria em língua de relatório de comissão de planejamento. A ponto de justificar aquela fatigada observação de um amigo meu: "Antigamente levava-se um dia para preparar viagens que duravam meses. Hoje leva-se meses para preparar viagens que duram um dia". "No seu passaporte figura, como profissão, jornalista..." lembrou o cônsul. Realmente, jornalista é, desde há muito, profissão suspeita. Em alguns casos, inconfessável. Não sei mesmo a quem incomoda mais, se a quem lhe serve ou a quem dela se serve. Mas, no caso pareceu-me um exagero. Íamos ao Cambodja, em pleno regime do príncipe Norodom Sihanuk, não para ver os esplendores do seu governo e sim para contemplar as ruínas de uma civilização que foi destruída nos começos do segundo milênio da era cristã. Há quase mil anos! E o príncipe, homem de esquerda, chefe de um govêrno progressista, de vistas largas sobre o futuro, não poderia estar tão preocupado com eventuais discordâncias, de um pobre jornalista subdesenvolvido, acerca de .tão antigas querelas. A não ser que me ocorresse descobrir o que já vira na estrada de Bangkok à fronteira da Tailândia e Laos: a estrada dava para descerem e subirem aviões, em caso de necessidade. Mesmo assim. . . "O meu colega cambodjano explicou-me que os jornalistas só podem entrar no Cambodja a convite do governo, disse o cônsul brasileiro". E agora? Se ao menos eu escrevesse no New York Times! Paramos um pouco para pensar. Em redor, no vasto saguão do hotel Península, em Kowloon, os personagens de Somerset Maugham tomavam chá. Lá fora, ferida pelo sol abrupto, faiscava a baía que os mal informados têm a ousadia de comparar à da Guanabara. Súbito, na cabeça do sanborjense luziu uma astúcia missioneira: - Você não terá outra profissão disponível? - Várias, informei. A de jornalista, abandonei há algum tempo. Sou agricultor e criador registrado, vendo papéis de crédito, aplico o produto desses papéis, compro e vendo imóveis; ajudo a editar uns livros, e assim por diante. Em suma, não sou propriamente um desempregado. - Poderia chamá-lo de banqueiro? - perguntou. - Por que não? À vontade! O carimbo logo consagrou os seguinte dizeres: "Declaro que o portador deste passaporte é banqueiro". Embaixo o jamegão do cônsul, com as armas da República. Então o cônsul do Cambodja, representando o govêrno de S . A. o Príncipe Norodom Sihanuk, concedeu logo ao banqueiro o visto que negara ao jornalista. Afinal não fomos ver as ruínas de Angkor Vat. Mas, não foi por falta de visto que deixei de vê-las. A esta altura tampouco as vê o referido Príncipe, que se encontra temporariamente em Pequim, onde certamente não entrou com visto de jornalista, e sim de Príncipe - que continua a ser a sua profissão. Aprendi, assim, que para entrar num país de regimes que tais é mais fácil como banqueiro do que na discutível qualidade de jornalista. Não há motivo, portanto, para considerar intolerantes esses regimes. Nem sequer exigem que os forasteiros sejam correligionários. Basta que exerçam profissões, como direi? tranqüilizantes.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eu mesmo adquiri este livro do Carlos Lacerda, porque em sua época, ninguém ficou indiferente ao que ele disse, escreveu ou falou.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2019
Todos os direitos reservados.