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Histórias do Amor Maldito

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Histórias do Amor Maldito

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Autor: Gasparino Damata

Editora: Record

Assunto: LGBT

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 430

Ano de edição: 1967

Peso: 620 g

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Bom
Marcio Mafra
30/09/2002 às 14:40
Brasília - DF


No final dos anos 60, época da edição do livro, homossexuais - homens ou mulheres - ainda eram muito malditos. Quase sempre mais malditos do que belos.

Nesta coletânea, nomes consagrados e incensados da literatura, em companhia de uns menos votados, fizeram publicar seus contos quase eróticos sobre os tais amores, ainda malditos naquela época. Pode-se dizer, sem nenhum medo de erro, que não são contos brilhantes, embora alguns dos autores o sejam. É possível que os autores, ao escrevê-los, os tenham feitos o mais superficialmente possível, talvez para não se tornarem malditos. Mediano.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Coletânea de contos (ou artigos) dos festejados: Anibal Machado, Dalton Trevisan, Nelson Rodrigues, Dinah Silveira de Queiroz, José Condé, Autran Dourado, Mario de Andrade, Machado de Assis, Erico Veríssimo, Otavio Faria, Lucio Cardoso, Oswaldo de Andrade, Gilberto Freire, Graciliano Ramos, João do Rio, Walmir Ayala, Magalhães Junior, Gasparino Damata, Moacir Lopes, José Edson Gomes, Graciliano Ramos, Raul Pompeia, Samuel Rawet, Adolfo Caminha, Agnaldo Silva, Edilberto Coutinho, e outros menos votados.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Seu Minuto de Gloria. Por Samuel Rawet, Viveria apenas aquêle minuto. Nada antes nem depois. Apenas aquêle minuto. Por êle pagava o preço exigido, por êle se aviltava diante dos outros e de si mesmo. Por mais canalha que fôsse o acento, Por mais que afetasse um ar sobranceiro, mas nem porisso destituído de um leve reconhecimento equívoco, enfrentava com dor e enfado o ritual que antecedia e sucedía à plenitude de Um instante apenas, mas suficiente para entorpecê-lo de ilusão. E era do que mais necessitava, ilusão. Sentado diante do espelho roído nas bordas e encimado por duas lâmpadas sem proteção, os cotovelos sôbre uma tábua que fazía de mesa e sôbre a qual se dispunham em desordem os potes de creme, as bisnagas de tinta, os frascos de vaselina, os lápis e o restante do material necessário para o seu número, deixava sumir o sorriso próprio, reflexo de um sem-fim de sorrisos, e em transição de prece iniciava a metamorfose. A trás dele sobre alguns ganchos cravados na parede as roupas, ao lado a cabeleira postiça, e numa caixa a seus pés, encostada à maleta, os sapatos. Já não perturbavam os acordes do quarteto juntos à pista de danças, além do corredor, nem o nevoeiro de ruídos que se insinuava pelas frestas amalgamando todos os diálogos da dúzia e meia de mesas do salão. Dois números antes do seu. Tinha tempo suficiente para perscrutar o vazio entre os objetos e suas sombras, as manchas da madeira e os filetes de infiltração na parede mal caiada. Entre causa e efeito o estilhaço da dor e o muro de compreensão e incompreensão inúteis, estéreis, nocivos. O valor de um gesto implícito no próprio gesto e a cadeia de deteriorações suspensa apenas por um intervalo da ilusão. Ganha impulso de malabarista para equilibrar-se nesse fino tenso. Cumpria o gesto ditado por uma natureza equívoca e se vingava das humilhações por um conjunto de atitudes mais do que por atos. Irrompia do fundo uma antecipação de simbiose não definida, e enquadrada em rígidos preceitos. Como se o jato da dor não fôsse implacável, mais implacável do que o gesto de repulsa. Ou de outra repulsa que era aceitação por alguém daquilo que na verdade não oferecia, na verdade nada oferecia, nada provava uma contrafação de afeto além do ódio expelido num beijo tenaz. Afastada a hipótese de suicídio, que outra saída lhe restava? Varrera ainda mais uma onda de impossibilidades inexistentes. Dava-se aos outros em espetáculo e humilhava-os com a simples presença. Não há caminho, quando todos os caminhos são possíveis e a prisão é o infinito e o futuro. Para onde fugir? Seu rosto se transfigurava lentamente. Os traços esmaecidos da feição cotidiana, um ou outro acento que traía dúvidas, à fôrça de cremes e pinturas se revelavam Com aquêle halo de beleza que não é bem das mulheres, mas que sob as luzes de holofotes ou a penumbra de um palco deixam entrever a máscara feminina por excelência, numa evocação de remotas harmonias definidas por um lápis de desenho nervoso. Há esgares, caretas, e feições transitórias de assustadora feiúra. E é no rosto que evolui a sutil trama interna, feita de caprichos, inibições, ódio, enigma, deboche, rancor, e última etapa, o nada que leva a um gesto inútil, por isso mesmo não indesejável. Era preciso ainda aclarar para alguém o longo roteiro de dor para chegar àquele ponto? Era preciso repetir uma vez mais que há sempre um gesto irreparável, um ato completamente realizado, um ato total, em ação e potêncía? Era preciso repetir o grito? Eia, desanda, tresanda, salpica de matizes imbecis e de sussurros a imensa bondade do tipo gordo e bem instalado, devora os obséquios das pequenas maldades dos pais de família exemplares, fura a trama e tece a teia tortuosa do delírio à procura de um passo mais ou menos firme, ainda que a custo de arrogância e humilhação. Afirma a presença. pouco importa que alguém compreenda. E um dia talvez êle mesmo possa compreender que há uma infinidade de gestos implícitos no seu, ainda ignorados, e que pesam .com o chumbo da revolta. E a vez do corpo e das evocações de evocações, reminiscências de reminiscências. Ajusta a roupa de baixo com trejeitos obsceno despontando o acanalhamento implícito na fase ambígua, e estranho monstro observa os esgares pelo espelho. Tôda a corrente de evocações sensoriais a flor,a na repetição grotesca de um cumprimento afetado, e com a torrente os temores e os ódios, a estupidez e o sarcasmo, o corpo tenso delirando em híbridas metamorfoses. E a bruta, imensa gargalhada diante do corpo esmagado pela dor, chicote tenso a chicotear-se a si mesmo, aquém, bem longe do equilibrio agora atingido, ,além da fronteira equívoca. A gôta dágua que não cessa de vibrar a louça da pia no canto carrega nos intervalos regulares a composição de lembranças, e ordena, harmônicamente, golpes, promiscuidade, violência, imprecações, cantos sórdidos, noites, sonhos, vastos delírios seminais. Está pronto e de costas para o espelho. Já lhe deram o sinal de entrada. Seus olhos brilham. Põe a mão direita sôbre a clavícula esquerda, e ampara o cotovelo com a palma da outra mão. Era um homem, sabia-o naquele instante. Gira o corpo à procura da porta do camarim e de relance, imagem passageira, vê o reflexo belo de um sonho não desejado. Podia humilhar-se agora


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este livro foi emprestado pelo nosso vizinho e amigo José Severo, quando ainda morávamos na 408 Norte. Prometo devolver, quando encontrar o Severo, que assinou a folha de rosto e datou de junho de 1968.


 

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