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Mundo Sem Hemisférios

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Mundo Sem Hemisférios

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Octavio Costa

Editora: Itinerário

Assunto: Crônica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 159

Ano de edição: 1970

Peso: 330 g

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Bom
Marcio Mafra
24/09/2002 às 16:58
Brasília - DF

Márcio Mafra - Data: 24/09/2002 - Conceito : Mediano



O autor era um militar de alto coturno no esquema do governo dos anos da ditadura. Segundo ele mesmo, no prefácio do livro

"...foi um tempo de incompreensão e intransigência, de gente polarizada, extremada, radicalizada, tempo de ódio e violência. Tempo de desagregação... ... Nesse mundo partido, aceitei estar no meu cantinho de toda a semana, arriscado de me terem lírico, ingênuo, utópico até, para não faltar ao dever de dar de mim qualquer coisa por um mundo sem hemisférios entre os homens...."

Como literatura é um livro manco. Falta estilo e talento de escritor, mas sobra ironia na crônica.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Crônicas do autor, publicadas entre outubro/1968 e outubro/1969, no Jornal do Brasil.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

As Flôres do Vandré. Incendiara o Maracanãzinho, a cidade e o país o desfêcho da fase nacional do Festival de Música Popular. A disputa partira-se em dois: Chico Buarque de Holanda e Geraldo Vandré, "Sabiá" e "Pra não dizer que não falei de flores." Lirismo e protesto. A suavidade de Cinara e Cibele cara a cara com a rouquidão do violeiro. Sem se dar conta sequer do que cantava, a arquibancada môça do Maracanãzinho alastrava o chamamento do cantor, dizendo assim: "Vem, vamos embora, Que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, Não espera acontecer. "Caminhando e cantando e seguindo a canção, Somos todos iguais, braços dados ou não, Nas escolas, nas ruas, campos, construções, Caminhando e cantando e seguindo a canção. "Pelos campos, a fome, em grandes plantações, Pelas ruas, marchando, indecisos cordões Inda fazem da flor seu mais forte refrão E acreditam nas flores vencendo o canhão. "Há soldados armados, amados ou não, Quase todos perdidos, de armas na mão. Nos quartéis lhes ensinam antigas lições de morrer pela pátria, e viver sem razões. "Nas escolas, nas ruas, campos, construções. Somos todos iguais, braços dados ou não. Caminhando e cantando, e seguindo a canção, Somos todos soldados, armados ou não. "Os amôres na mente, as flôres no chão, A certeza na frente, a História na mão, Aprendendo e ensinando uma nova lição. Caminhando e cantando, e seguindo a canção." No calor do Maracanãzinho, as razões do júri preferiram o Chico, enquanto a emoção se deixava inebriar pelas flôres do Vandré. Na semana que se seguiu, em meio a intermináveis discussões, cada qual foi buscar, nas palavras da canção, a intenção do cantor. E eu senti as flôres assim. A noite de 29 de setembro, no Maracanãzinho, poderia ficar como a noite das injustiças: a do júri, a do público, a do Vandré, a da própria Justiça. Não dando a "Pra não dizer que não falei de flôres" o primeiro lugar do Festival, o júri foi injusto, por preterir o concorrente de sensibilização popular maior, de impacto e de letra mais elaborada. Não se atreve a discutir a melodia quem dela só pode falar na base do subjetivo, do emocional, do gosto-não-gosto. Direi apenas que o ritmo me pareceu pouco brasileiro, espanholado, lento, pesado. Monótono quase. A letra, sim, é todo um artesanato, intelectualizada e pacientemente trabalhada no sentido de seus fins. Nisto é uma pequena obra de arte. E aí está o segrêdo de seu êxito. O propósito dividiu o poema em quatro partes: o chamamento, a "nossa" gente, a outra gente e a nova lição. A primeira está contida no refrão, todo êle um toque de reunir para a marcha, a ação, a violência. Como a canção inteira, é um conjunto de imagens dinâmicas e de pregação pragmatista. O autor, primeiro, chama, convoca, mobiliza. "Vem". Depois se põe em marcha: "Vamos embora". Condena o imobilismo de "esperar", opondo-lhe o sentido dinâmico de "saber": "Que esperar não é saber". Situa-se no tempo, na oportunidade histórica, e renova a condenação ao imobilismo contemplativo: "Quem sabe faz a hora. Não espera acontecer". Nas primeira e segunda estrofes, Vandré definiu a gente que está a seu lado, a "sua gente", o "lado amigo". Discrimina, divide, separa: o estudante, o camponês, o operário, o povo das ruas. Mas ambiciona reuni-los, uni-los, conduzi-los: "Caminhando e cantando e seguindo a canção/Somos todos iguais, braços dados ou não". É na segunda quadra que se encontra um dos aspectos mais marcantes de sua temática. Vandré engana o ouvinte descuidado, dando-lhe a aparente impressão de fazer lirismo, opondo as flôres ao canhão. Em verdade, êsse ourives das massas adverte àqueles que, estando a seu lado, são, no entanto, "indecisos cordões" que "inda fazem da flor seu mais forte refrão/ e acreditam nas flôres vencendo o canhão". Vandré condena êsses "indecisos", êsses "alienados", pois não crê nas flôres vencendo o canhão e a elas se refere, apenas "pra não dizer que não falei de flôres". O que de fato pretende é a formal condenação do lirismo imobilista, inconseqüente e não pragmático. No plano ideológico, repete Bandeira no estético, podendo com êle dizer: "Estou farto do lirismo comedido/Do lirismo bem comportado. (...) Não quero mais saber do lirismo que não é libertação". E, no estético, parodia João Cabral, pois "a fome, em grandes plantações" outra coisa não é que o transplante da morte Severina, "pois só as roças da morte compensa aqui cultivar". O terceiro quarteto visa a estigmatizar a "outra gente", os "antagonistas", o "inimigo", os que se opõem àqueles que são todos iguais, "nas escolas, nas ruas, campos, construções". Quem são êles? - Quem poderiam ser, senão, precisamente, aquêles que constituem o obstáculo mais sério à expansão de sua ideologia? Quem poderia ser, senão o alvo predileto de tôdas as campanhas das esquerdas, no Brasil de nossos dias? São os "soldados armados", "quase todos perdidos de armas na mão", pois "nos quartéis lhes ensinam antigas lições". Note-se, porém, que Vandré ainda muito espera de seu chamamento, na porta entreaberta à sua sedução, nesse machadiano "quase". A "nova lição", a "sua lição", a "lição de sua gente", a um só tempo aprendida e ensinada, está bem nítida nas duas últimas estrofes, na oposição à "velha lição" de morrer pela pátria. Que lição é essa, que empolgou a pequena multidão do Maracanãzinho, e tantos repetem, inocentemente, pelo Brasil afora.? A nova lição é contra o lirismo, contra as flôres e a favor do ódio, da violência, da luta de classes, do materialismo histórico e até mesmo do canhão. Despreza os soldados "perdidos" nos quartéis, mas declama, proclama e conclama que "somos todos soldados, armados ou não". Mostra sua face e seu propósito ao atirar as "flôres no chão" e colocar a "certeza na frente e a História na mão". Que certeza é essa que vem pela frente, numa História que êle e todos os marxistas ousam antever e prever, mais como arma psicológica de intimidação, que por fôrça de uma lei irreversível? A injustiça do júri foi, assim, a de não preferir a letra de melhor comunicação e artesanato no sentido de seus fins, com as suas antíteses, ambivalências, afirmações e negações afirmando para negar, negando para afirmar prolongando-se nos gerúndios pungindo nos fonemas nasais e repercutindo, pelo eco, no uso tonitruante do itinerante ditongo ão. A do público foi a cegueira da paixão, renegando dois dos maiores compositores brasileiros e sufocando a suavidade de Cinara e Cibele. A canção de Vandré é tôda ela injustiça aos "soldados armados". Não vivem sem razões os que consagram sua vida a servir. Os que estão, neste momento, em pleno sertão, rasgando estradas, cavando poços, enquanto as patativas enriquecem na pompa dos festivais, cantando os cânticos da subversão. Não vivem sem razões os que vigiam, no êrmo das fronteiras amazônicas, colonizando, e assegurando a soberania brasileira, que outros ameaçam no achincalhe ao "morrer pela pátria" . Não vivem sem razões todos quantos - como missionários - em quartéis, navios, bases, aviões, escolas, fábricas, arsenais, por êste Brasil imenso, estudam, constroem, educam, assistem, ajudam, aproximam, ligam, unem, integram gentes, regiões, Brasis." Não vivem sem razões os que asseguram à imensa maioria da nação o direito de continuar vivendo democràticamente e velam para que "a certeza" do trovador seja mera expressão de rendosa dialética marxista. E a injustiça da Justiça? É a da perplexidade diante do delito, do delito claramente configurado, à luz dos refletores, contra a lei vigente. Dessa noite de injustiça, três são irreparáveis. A última ainda é tempo de reparar. Rio, 6.10.68.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tomei emprestado este livro do Antonio Tavernard e ainda não devolvi.


 

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