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Sermões Tomo 8

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Sermões Tomo 8

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Autor: Padre Antônio Vieira

Editora: Lello & Irmão

Assunto: Discurso

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 437

Ano de edição: 1959

Peso: 500 g

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Bom
Marcio Mafra
31/08/2002 às 22:25
Brasília - DF

A obra "Sermões", em quinze volumes, foi publicada em 1908, na cidade do Porto e é considerado um monumento da literatura barroca e política.

Dessa monumentalidade toda, basta ao leitor conhecer uns sete ou oito volumes de todos os Sermões, para entender a obra, a filosofia e os costumes do autor.

Claro, em 1908 ainda não se praticava uma boa comunicação - no sentido midiático - daí porque os títulos e os capítulos dos 15 volumes são repetitivos. Mas isso acontece apenas nos títulos, vez que o conteúdo é novo ou inédito a cada sermão.

Mesmo assim, o monumento – embora, riquíssimo, como literatura ou como estilo - é uma leitura bastante pesada. É verdade, porém, que nem tudo que é leve, ou ligth, seja bom. Aliás, ligth quer significar leveza ou quase "sem gosto".

Em todos os Sermões, as idéias do Padre Vieira, estão contidas em períodos muito longos, entremeadas por uma linguagem casta, erudita e canônica. Por vezes é difícil de entender o objetivo.

Natural que assim fosse, porquanto era através da pregação, através dos sermões dominicais que se podia fazer sentir aos governantes e membros da realeza, o andamento e a linha política da crítica ou do apoio, aos negócios governamentais.

Os discursos e sermões feitos nas poucas solenidades civis e nas muitas solenidades religiosas davam o tom da satisfação que a elite - e também o povo - tinham das leis e ordenações dos governos. Nos sermões se reivindicavam, se impunham se demarcavam territórios e se expressavam interesses.

Evidentemente que o sermão tinha a uma linguagem própria, sempre atrelada ao rito e forma da liturgia canônica.

Igual tom era utilizado para expressar a insatisfação, o protesto e o não apoio aos interesses contrariados pela realeza, pelos militares e pelos negociantes da época.

Assim como os sermões da época serviam para repercutir, reivindicar e discutir os interesses sócios econômicos e culturais dos governos e dos líderes de então, algumas igrejas faziam o papel das estações de TV, Rádio e Jornal de hoje. Em outras palavras, elas eram “as mídias” de hoje. Muito bom.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Os escritos do Padre Antônio Vieira são considerados verdadeiros monumentos da literatura barroca e da ciência política. O volume 8 traz: Sermão das Cadeias de S.Pedro, de São Roque, de S.Bartolomeu, Santo Agostinho, Degolação de S. João Batista, Exaltação da S.Cruz, Sermão das Chagas de S.Francisco, de Santa Tereza e do Evangelista São Lucas.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Trecho: Sermão de São Roque Tomo 8 - Pagina 83 Ou a vida de S. Roque foi errada, ou todo o mundo é louco. Que resolução tomaria quem se visse, como S. Roque, em vinte anos de idade sem sujeição de filho, senhor da cidade e estado de Mompilher, herdeiro de grande casa e riquíssimos tesouros? As três resoluções de S. Roque e os três pontos do sermão: aos homens nem servir nem mandar; a Deus e só a Deus servir. Ou a vida de S. Roque foi errada, ou todo o mundo é louco. Assim o dizia eu, não há muitos dias, e quanto mais considero nos passos que leva o mundo, e nos que seguiu S. Roque, tão encontrados, tanto mais me confirmo nesta verdade. Vejamos o que fez S. Roque na eleição da sua vida, e o que fizera no mundo em semelhante ocasião qualquer outro da sua idade, da sua fortuna e do seu nascimento. Foi tão venturoso S. Roque, que lhe faltaram seus pais antes de cumprir os vinte anos. Desgraça se chamava isto antigamente, mas eu lhe chamei ventura, por me acomodar à frase do tempo. Nenhuma coisa parece que sentem hoje mais os filhos que a larga vida dos pais. Quem não quer esperar a herdá-los depois da morte, como lhes pode desejar longa vida? Quase todos os títulos que acabaram estes anos na nossa côrte nasceram únicos, e morreram gêmeos: primeiro os lograram juntamente os filhos do que os deixassem os pais. Uma capa, diz o Espírito Santo, não pode cobrir a dois. Mas querem os homens poder mais do que Deus sabe. Um se cobre com o direito da capa, e outro com o avesso no mesmo tempo. Tão larga lhes parece aos filhos a vida dos pais, que não se atrevem a lhes esperar pela morte. Enfim, ou seja indecência nos filhos de hoje, ou fosse ventura em S. Roque, ele se viu em vinte anos de idade sem sujeição de filho, Senhor da cidade, e estado de Mompilher, que era de seus pais, herdeiro de grande casa, e riquíssimos tesouros, que desde seus antepassados se guardavam e acrescentavam nela. Isto suposto, que resolução vos parece que tomaria no tal caso aquele filho, ou que faria qualquer dos presentes, se nele se achara com sangue ilustre, com estado, com vassalos, com tantas riquezas, e com tão poucos anos? Parece-me a mim, julgando o que cuido pelo que vejo, que tomaríeis uma de duas resoluções. Ou passados os lutos vos partiríeis para a côrte — e mais sendo a côrte a de Paris, aquele mundo abreviado para luzir, para ostentar, para competir em galas, em aparatos, em grandezas, e juntamente para assistir, para servir e para merecer diante do rei, e por esta via alcançar novos acrescentamentos à casa e à pessoa. Esta era a resolução mais viva, e mais própria daquela idade. Mas, se o vosso juízo fosse mais assentado, se vencesse na madureza os anos, e se aconselhasse ou se deixasse aconselhar sisudamente, julgaria eu pelo contrário que, renunciando pensamentos de côrte, como mar turbado, inquieto, e em nenhum tempo seguro, vos deixaríeis ficar no vosso estado, conservando nele melhor, e a menos custo, a autoridade, gozando com descanso o que vossos avós com trabalho vos tinham ganhado, e governando em paz e quietação vossos vassalos, sendo amado, servido e reverenciado deles. Não há dúvida que uma destas duas resoluções tomaria qualquer dos presentes, cada um segundo o mais ou menos repouso do seu juízo. Mas a Roque - e sendo francês nenhuma delas lhe pareceu bem: seguiu muito diferente caminho. Manda vir diante de si seus tesouros, abre-os e a primeira coisa que viu neles foram os corações de todos os seus antepassados. Contente de não achar também ali o seu, chama os pobres de toda a cidade, troca com eles a fortuna, fá-los ricos, e fica pobre. Já eu vou vendo que quem isto obra com as mãos, muito maiores e mais altos pensamentos revolve no peito. Faz que venha logo um notário, renuncia publicamente o Estado, e tudo o que nele tinha e lhe podia pertencer; veste-se no hábito da Terceira Ordem de S. Francisco, toma bordão e esclavina, e parte peregrino pelo mundo a buscar e a servir só aquele grande Senhor, que em todo o lugar tem a sua côrte, porque está em todo o lugar. Isto que nenhum outro fizera fez S. Roque, e por isso ele só, como dizia, é o sisudo, e o resto do mundo o louco. Notai. Pudera S. Roque ir servir a el-rei na côrte del-rei, e não quis servir; pudera S. Roque mandar os seus vassalos na sua, e não quis mandar: resolve-se a servir só a Deus, livre de todo o outro cuidado, e com estas três resoluções conseguiu toda a felicidade, não só da outra vida, senão também desta, que é o que diz a proposta do nosso texto: Beati sunt servi illi. Todos os homens, e mais os cortesãos, andam buscando a felicidade desta vida. E que fazem para a alcançar? Todos ocupados em servir, e todos morrendo por mandar, e por isso nenhum .acaba de achar a felicidade que busca. Quereis conseguir a verdadeira felicidade, não só da outra, senão também desta vida? Tomai as três resoluções de S. Roque. Servir? Só a Deus. A homens? Nem servir, nem mandar. Nisto consiste toda a prudência e felicidade humana, nisto consiste toda a prudência e felicidade cristã. Se somos cristãos, havemos de tratar a Deus; se somos homens, havemos de tratar com os homens. Pois, que remédio para ter felicidade com os homens e para ter felicidade com Deus? Imitar a S. Roque. Para ter felicidade com Deus, servir a Deus, para ter felicidade com os homens, nem servir a homens, nem mandar homens. Três pontos de prudência, três pontos de felicidade e três pontos de sermão. A homens, nem servir, nem mandar: a Deus, e só a Deus servir. Beati sunt servi illi.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Adquiri os Sermões, no segundo semestre de 1961, quando já tinha salário do meu primeiro emprego, o Banco Inco. Não me recordo das razões da escolha do autor, provavelmente foi a habilidade do vendedor que me levou ao Pe. Antonio Vieira.


 

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