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Sermões Tomo 3

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Sermões Tomo 3

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Autor: Padre Antônio Vieira

Editora: Lello & Irmão

Assunto: Discurso

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 431

Ano de edição: 1959

Peso: 495 g

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Bom
Marcio Mafra
31/08/2002 às 21:59
Brasília - DF

A obra "Sermões", em quinze volumes, foi publicada em 1908, na cidade do Porto e é considerado um monumento da literatura barroca e política.

Dessa monumentalidade toda, basta ao leitor conhecer uns sete ou oito volumes de todos os Sermões, para entender a obra, a filosofia e os costumes do autor.

Claro, em 1908 ainda não se praticava uma boa comunicação - no sentido midiático - daí porque os títulos e os capítulos dos 15 volumes são repetitivos. Mas isso acontece apenas nos títulos, vez que o conteúdo é novo ou inédito a cada sermão.

Mesmo assim, o monumento – embora, riquíssimo, como literatura ou como estilo - é uma leitura bastante pesada. É verdade, porém, que nem tudo que é leve, ou ligth, seja bom. Aliás, ligth quer significar leveza ou quase "sem gosto".

Em todos os Sermões, as idéias do Padre Vieira, estão contidas em períodos muito longos, entremeadas por uma linguagem casta, erudita e canônica. Por vezes é difícil de entender o objetivo.

Natural que assim fosse, porquanto era através da pregação, através dos sermões dominicais que se podia fazer sentir aos governantes e membros da realeza, o andamento e a linha política da crítica ou do apoio, aos negócios governamentais.

Os discursos e sermões feitos nas poucas solenidades civis e nas muitas solenidades religiosas davam o tom da satisfação que a elite - e também o povo - tinham das leis e ordenações dos governos. Nos sermões se reivindicavam, se impunham se demarcavam territórios e se expressavam interesses.

Evidentemente que o sermão tinha a uma linguagem própria, sempre atrelada ao rito e forma da liturgia canônica.

Igual tom era utilizado para expressar a insatisfação, o protesto e o não apoio aos interesses contrariados pela realeza, pelos militares e pelos negociantes da época.

Assim como os sermões da época serviam para repercutir, reivindicar e discutir os interesses sócios econômicos e culturais dos governos e dos líderes de então, algumas igrejas faziam o papel das estações de TV, Rádio e Jornal de hoje. Em outras palavras, elas eram “as mídias” de hoje. Muito bom.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Os escritos do Padre Antônio Vieira são considerados verdadeiros monumentos da literatura barroca e da ciência política. Neste volume 3 estão dispostos: O sermão da Primeira, Segunda e Terceira Dominga da Quaresma, A Segunda e Terceira Quarta-Feira da Quaresma, O Sermão do Demônio Mudo e O Quarto Sábado da Quaresma.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Trecho do Sermão da Segunda Dominga da Quaresma. Pagina 23, Tomo 3 ..."O quinto Domingo da Quaresma chama-se vulgarmente, na nossa terra, o Domingo das Verdades; e este segundo Domingo em que estamos, se é lícito falar assim, chamara-lhe eu o Domingo das Mentiras. Mas que fundamento posso eu ter — me dirão todos, e com razão — que fundamento ou motivo posso eu ter para dar um nome tão novo, e ainda tão mal soante e indecente a um dia tão sagrado, como são entre todos os do ano os domingos, e a um domingo tão singular, como é entre todos os desta santa quarentena aquele a que a Igreja dedicou o mistério altíssimo da Transfiguração do Senhor. As causas por que Cristo, Senhor nosso, se transfigurou com tantas circunstâncias de resplendor, grandeza e majestade, descendo do céu o Padre, subindo do seio de Abraão Moisés, e vindo do Paraíso Terreal Elias, e assistindo a tudo os três maiores apóstolos — como notam com Santo Agostinho os Padres, e com Santo Tomás os teólogos — foram duas: a primeira, para nos dar algumas mostras na terra da glória que havemos de gozar no céu; a segunda, para que a verdade da mesma glória ficasse provada e estabelecida com o testemunho universal de todas as três leis: a da natureza em Moisés, a da escrita em Elias, e a da graça nos apóstolos, e, sobretudo, com a voz infalível do mesmo Deus, que de todos foi ouvida. Pois, se no mistério e testemunho da Transfiguração de Cristo não só se contém a glória da bem-aventurança em si mesma, senão também a verdade da mesma glória para conosco, e esta glória e esta verdade é o que hoje celebra e manda pregar a todos os fiéis a Igreja Católica, como me atrevo eu a dizer que um dia tão solene e glorioso, e mais do céu que da terra, se pode ou podia chamar o Domingo das Mentiras? Respondo que por isso mesmo, e que em sentido bem entendido e decente se pode chamar assim. E por quê? Porque o que hoje se prega são as excelências da glória do céu, e tudo o que se apregoa e encarece da glória do céu, posto que no que se quer dizer seja verdade, no que se diz é mentira. Agora vereis se é arrojamento o que digo. Entre os extraordinários favores que Deus fez a Davi, como homem tanto do seu coração, um deles foi, e porventura o maior, arrebatá-lo um dia, e levá-lo em espírito ao céu, onde, correndo as cortinas ao trono da majestade divina e a todo o teatro da glória, lhe mostrou a que ele havia de gozar depois, quando o Filho de Deus, e Filho do mesmo Davi, a comprasse com seu sangue. Vendo, pois, Davi a glória dos bem-aventurados, que havia de ser também sua, que conceito vos parece que faria da glória? Ele mesmo o disse, e foi admirável: Ego dixi in excessu meo: Omnis homo mendax (2). Naquele êxtase em que fui arrebatado e levado ao céu, que fiz depois de ver o que vi, foi dizer e exclamar que todo o homem mente. — Notável conseqüência! Pedro vendo a glória do Tabor, diz: Bonum est nos hic esse (3), e Davi, vendo a glória do céu, diz: Omnis homo mendax? Sim, e com admirável discurso. Como se dissera: é possível que esta é a bem-aventurança do céu, é possível que isto é o que lá no mundo chamamos glória? Ora, o certo é que nenhum homem há que falando da glória não diga uma coisa por outra; nenhum homem há que falando da glória diga o que ela é, senão o que não é; enfim que, falando da glória, todo o homem mente: Omnis homo mendax. Este foi o conceito que fez Davi quando foi arrebatado ao céu, e nem eu tinha habilidade para dar em tão alto pensamento, nem tivera confiança para sair com ele a público, se o não dissera primeiro, comentando as mesmas palavras, Teodoro Heracleota, insigne entre os Padres gregos, que floresceu a mil e trezentos anos, bispo, de Heracléia, na Trácia, e doutíssimo intérprete das Escrituras Sagradas, como dele escreve S. Jerônimo no catálogo dos escritores eclesiásticos (4). As suas palavras são estas: Exclamavit David in excessu suo: Omnis homo mendax: qui enim voce ineffabilia hortatur; mendax est, non quod oderit veritatem, sed quia deficit in rei intellectae expositione: Exclamou Davi no seu êxtase — diz o grande Heracleota — e não duvidou dizer que todo o homem mente, porque todo o homem que quis explicar com palavras as coisas que são inefáveis, e não tem termos com que se declarar, necessariamente há de mentir, não porque seja inimigo da verdade, mas porque a não pode dizer como ela é. — E esta é a razão e o sentido verdadeiro com que eu digo que o dia em que os pregadores falamos das excelências da glória é o dia das mentiras.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Adquiri os Sermões, no segundo semestre de 1961, quando já tinha salário do meu primeiro emprego, o Banco Inco. Não me recordo das razões da escolha do autor, provavelmente foi a habilidade do vendedor que me levou ao Pe. Antonio Vieira.


 

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