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Ritos De Passagem

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Ritos De Passagem

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: William Golding

Editora: Francisco Alves

Assunto: Romance

Traduzido por: Elsa Martins

Páginas: 223

Ano de edição: 1982

Peso: 265 g

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Ótimo
Marcio Mafra
26/08/2002 às 16:45
Brasília - DF

Ritos de Passagem conta - com uma extraordinária riqueza de detalhes - a vida no mar. O talento de Willian Golding, transborda emoção ao longo duma narrativa fria e racional, como a viagem do arrogante Edmund Talbot, aristocrata e moralista, que assiste inteiramente a tragédia provocada por Anderson, comandante do navio. O personagem reverendo Colley, morre de vergonha. Ele foi tão humilhado e tão desmoralizado pelo comandante, que acabou cometendo suicídio. Mas a viagem segue, apesar do Rito da Passagem porque um inglês não pode ficar cismado, para sempre, com o que já passou.

É uma história mais terrível que o necessário, que faz o leitor tentar entender como alguém pode morrer de vergonha.

Livro muito mais que bom. É uma ótima leitura que de certa forma, quase desmonta averdade: um livro bom, o outro do mesmo autor é necessáriamente ruim.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de um antigo navio de carreira, que leva cargas e pessoas da Inglaterra para a Austrália. Nesta travessia, Edmund assiste - estarrecido - a morte do Pastor Cooley, provocada pelo Capitão, e a viagem segue...

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Estive novamente no convés entre os castelos, e novamente falei com nosso mestre de navegação. Ele estava de pé, do lado esquerdo do navio, olhando para o horizonte com a intensidade costumeira; ou melhor, para onde o horizonte deveria estar. - Bom-dia, Sr. Smiles! Ficaria mais satisfeito se essa neblina clareasse! Ele sorriu-me, com o mesmo distanciamento misterioso. - Muito bem, senhor. Verei o que se pode fazer. Ri do gracejo. Seu bom humor devolveu-me completamente ao normal. Para exorcizar aquela curiosa sensação de estranheza do mundo, fui para o lado do navio, e encostei-me no parapeito (a borda falsa, como é chamado) e olhei para baixo, onde as pranchas de nosso enorme barco são abauladas, encobrindo as portinholas fechadas dos canhões. Seu lento progresso fazia uma pequena ondulação naquele mar, e obriguei-me a inspecioná-la friamente. Minha consciência de sua profundidade - mas como posso explicar isso? Já vi muitos açudes ou recantos de rio que pareciam tão fundos! Não havia nenhuma marca ou ponto, no lugar onde nosso navio o dividia, uma esteira que se fechava no "Oceano sem Sulcos" do poeta Homero. E encontrei-me diante de um novo enigma, um enigma que não poderia ter-se apresentado ao poeta! (Deve saber que a crença generalizada é que Homero era cego.) Como pode a água, acrescentada à água, tornar-se opaca? Que impedimento à visão a ausência de cor e a transparência podem estender diante de nós? Não enxergamos claramente através do vidro, do diamante, ou do cristal? Não vemos o Sol e a Lua, e essas luminárias menos brilhantes (falo das estrelas) através da distância ilimitada da atmosfera acima? Entretanto aqui, o que era cintilante e negro à noite, e cinzento sob as nuvens que corriam nas terríveis tempestades começava, pouco a pouco. a ficar azul e verde sob o sol, que finalmente atravessou a neblina! Por que eu, um clérigo, um homem de Deus, familiarizado com os fortes, ainda que errados, intelectos deste século e do anterior, e capaz de tomá-los pelo que são - por que, pergunto, a natureza material do globo me interessa, perturba e excita tanto? Os que vão para o mar em navios! Não posso pensar em nossa Querida Pátria, sem surpreender-me olhando, não para o horizonte (em pensamento, é claro), mas tentando calcular o segmento de água, terra, e rocha tremendamente compacta, que devo imaginar-me transpondo com os olhos, para dirigi-los até onde você está e está deixe que o diga - nossa aldeia! Preciso perguntar ao Sr. Smiles, que deve conhecer bem os ângulos e a matemática pertinentes ao caso, qual é o número exato de graus que são necessários para olhar abaixo do horizonte! Como será imensamente estranho contemplar as fivelas de meus sapatos nos Antípodas (bem de perto, acho eu), e suponha que você - perdoe-me, embarquei de novo na fantasia! Mas pense que lá as próprias estrelas não me serão familiares, e a Lua estará de cabeça para baixo! Basta de devaneios! Irei agora apresentar-me ao capitão! Talvez tenha a oportunidade de entretê-lo com as histórias ociosas a que aludi acima. Abordei o Capitão Anderson, e vou narrar os fatos, pura e simplesmente, se puder. Meus dedos, que estão quase inertes, mal me permitem segurar a pena. Você o deduzirá, pela má qualidade desta caligrafia. Bem, escolhi minhas roupas com mais cuidado do que o habitual, saí de minha cabina e subi os lances de escadas até o convés mais alto, onde o capitão geralmente fica. Na parte frontal desse convés, e um pouco abaixo dele, estão o leme e a bússola. O Capitão Anderson e o primeiro-tenente, Sr. Summers, estavam olhando a bússola. Vi que o momento não era propício, e esperei um pouco. Finalmente, os dois cavalheiros terminaram sua conversa. O capitão voltou-se e caminhou até o limite extremo da popa do navio, e eu o segui, pensando: esta é a minha oportunidade. Mas mal tinha chegado ao corrimão da borda, quando voltou-se de novo. Como o estava seguindo de perto, tive que saltar de banda, no que deve ter parecido uma atitude que se coadunava mal com a dignidade de minha sagrada missão. Ainda não tinha recuperado inteiramente o equilíbrio quando ele rosnou para mim, como se a culpa tivesse sido minha, e não dele. Pronunciei uma ou duas palavras de apresentação, que ele ignorou com um grunhido. Depois fez uma observação, que não se deu ao trabalho de amenizar com a menor demonstração de civilidade. - Os passageiros vêm à tolda a convite. Não estou acostumado a essas interrupções em minhas caminhadas, senhor. Vá para vante, por favor, e mantenha-se a sotavento. - A sotavento, capitão? De repente vi-me levado a força para o outro lado. Um jovem cavalheiro estava me puxando na direção do leme, de onde me levou - com minha aquiescência - para o lado oposto ao que estava o Capitão Anderson. Positivamente silvava em meus ouvidos. Aquele lado do convés, seja qual for o seu nome, de onde o vento sopra, é privativo do capitão. Tinha, portanto, cometido um erro, mas não podia entender de que me culpavam, além de uma ignorância natural em um cavalheiro que nunca viajara por mar. No entanto, tenho uma profunda suspeita de que o azedume do capitão para comigo não pode ser explicado tão simplesmente. Talvez seja sectarismo? Se for isso, como humilde servo da Igreja da Inglaterra a Igreja Católica da Inglaterra - que abre plenamente os braços na acolhida caridosa de pecadores, não posso senão deplorar a estreiteza de tal teimosia! Ou, se não é sectarismo, mas o menosprezo social, a situação continua grave - não, quase tão grave! Sou um sacerdote, a caminho de uma posição honrosa, ainda que humilde, nos Antípodas. O capitão não tem o direito de me olhar de cima - na verdade, muito menos direito do que os cônegos da Congregação ou membros do clero, que encontrei duas vezes à mesa do Senhor Bispo! Por isso, estou resolvido a sair de minha obscuridade com maior freqüência, e a exibir minhas vestes clericais diante deste cavalheiro e dos demais passageiros, para que, mesmo que não me respeitem, sejam obrigados a respeitá-las! Certamente poderei esperar algum apoio do jovem cavalheiro, Sr. Edmund Talbot, da Srta. Brocklebank e da Srta. Granham. É claro que tenho que voltar a ver o capitão para apresentar-lhe sinceras desculpas por minha invasão involuntária, e levantar a questão da observância do Sabá. Pedir-lhe-ei permissão para oferecer a comunhão às senhoras e cavalheiros - e, naturalmente, às pessoas simples que a desejarem. Receio que haja razões mais do que evidentes para melhorar a orientação da rotina a bordo deste navio. Existe (por exemplo) uma cerimônia diária, da qual tinha ouvido falar, e que gostaria de abolir - pois sabe como o Senhor Bispo é paternalmente severo em sua condenação da embriaguez entre as classes mais baixas! Pois aqui, isso é mais do que verdadeiro! A tripulação recebe, com regularidade, sua ração de bebidas fortes! E mais uma razão para instituir o culto da religião deve ser a oportunidade que isso oferece, para fazer reparos a tal prática! Voltarei ao capitão, e adotarei um processo de amaciamento. Realmente tenho que ser tudo, para todos os homens.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro em face do "Visível Escuridão", do mesmo autor e que era moda na época. Nunca dá certo..


 

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