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Os Maias

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Os Maias

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Autor: Eça de Queiroz

Editora: Itatiaia

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 577

Ano de edição: 1962

Peso: 945 g

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Excelente
Marcio Mafra
25/08/2002 às 22:51
Brasília - DF

Os Maias eram uma antiga família da Beira, sempre pouco numerosa, e agora reduzida a dois homens: Afonso da Maia, um velho,já quase antepassado, mais idoso que o século e seu neto Carlos que estudava medicina em Coimbra e não permitiu ao administrador Vilaça que vendesse o Ramalhete, a residência dos Maias em Lisboa desde 1875. ....Excelente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A saga dos Maias.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

- Mais nada - disse êle tomando o chapéu e levantando-se muito vagarosamente. - Devo apenas acrescentar, para evitar a V. Exa suspeitas injustas, que aquela senhora não ê uma menina que eu tivesse seduzido, e a quem recuse uma reparação. A pequerruchinha que ali anda não é minha filha. . . Eu conheço a mãe somente há três anos... Vinha dos braços de um qualquer, passou para os meus... Posso pois dizer, sem injúria, que era uma mulher que eu pagava. Completara com esta palavra a humilhação do outro. Estava deliciosamente desforrado. Carlos, mudo, abrira o reposteiro da sala, numa sacudidela brusca. E, diante desta nova rudeza que revelava só mortificação, Castro Gomes foi perfeito: saudou, sorriu, murmurou: - Parto esta noite mesmo para Madri, e levo o pesar de ter feito o conhecimento de V. Ex.a por um motivo tão desagradável. .. Tão desagradável para mim. Os seus passos desafogados e leves perderam-se na antecâmara, entre as tapeçarias. Depois, embaixo, uma portinhola bateu, uma carruagem rodou na calçada. . . Carlos ficara caído numa cadeira, junto da porta, com a cabeça entre as mãos. E de tôdas aquelas palavras de Castro Gomes, que ainda lhe ressoavam em redor, adocicadas e lentas, só lhe restava o sentimento atordoado de uma cousa muito bela, resplandecendo muito alto, e que caía de repente, se fazia em pedaços na lama, salpicando-o todo de nódoas intoleráveis. . . Não sofria: era simplesmente um assombro de todo o seu ser, perante êste fim imundo de um sonho divino. . . Unira a sua alma arrebatadamente a outra alma nobre e perfeita, longe nas alturas, entre nuvens de ouro; de repente uma voz passava, cheia de rr; as duas almas rolavam, batiam num charco; e êle achava-se tendo nos braços uma mulher que não conhecia, e que se chamava Mac-Gren. Mac-Gren ! Era a Mac-Gren! Ergueu-se. com os punhos fechados; veio-lhe uma revolta furiosa, de todo o seu orgulho, contra essa ingenuidade que o trouxera meses tímido, trêmulo, ansioso, seguindo à maneira de uma estrêla aquela mulher, que qualquer em Paris, com mil francos no bôlso, poderia ter sôbre um sofá, fácil e nua! Era horrível! E recordava agora, afogueado de vergonha, a emoção religiosa com que entrava na sala de repes vermelho da Rua de S. Francisco: o encanto enternecido com que via aquelas mãos, que êle julgava as mais castas da terra, puxarem os fios de lã no bordado, num constante trabalho de mãe laboriosa e recolhida; a veneração espiritual com que se afastava da orla do seu vestido, igual para êle à túnica de uma Virgem cujas pregas rígidas nem a mais rude bestialidade ousaria desmanchar de leve! Oh! imbecil, imbecil!... E todo êsse tempo, ela sorria consigo daquela simpleza de provinciano do Douro! Oh! tinha vergonha agora das flôres apaixonadas que lhe trouxera! Tinha vergonha das "excelências" que lhe dera! E seria tão fácil, desde o primeiro dia no Atêrro, ter percebido que aquela deusa, descida das nuvens, estava amigada com um brasileiro! Mas que! A sua paixão absurda de romântico pusera-lhe logo, entre os olhos e as cousas flagrantes e reveladoras, uma dessas névoas douradas que dão às montanhas mais rugosas e negras um brilho polido de pedra preciosa! Por que escolhera ela precisamente para seu médico, na sua casa e na sua intimidade; o homem que na rua a fitara com um fulgor de desejo na face? Por que é que nas suas longas conversas, nas manhãs da Rua de S. Francisco, não falara jamais de Paris, dos seus amigos e das causas da sua casa? Por que é que ao fim de dois meses, sem preparação, sem tôdas essas progressivas evidências do amor que cresce e desabrocha como uma flor, se lhe abandonara de chôfre, tôda pronta, apenas êle lhe disse o primeiro " amo-te" ? . " Por que lhe aceitara uma casa já mobilada, com a facilidade com que lhe aceitava os ramos? E outras causas ainda, pequeninas, mas que não teriam escapado ao mais simples: jóias brutais, de um luxo grosseiro de cocotte o livro da Explicação de Sonhos, à cabeceira da cama; a sua familiaridade com Melanie. .. E agora até o ardor dos seus beijos lhe parecia vir menos da sinceridade e da paixão - que da ciência da voluptuosidade !. .. Mas tudo acabara, providencialmente! A mulher que êle amara e as suas seduções, esvaíam-se de repente no ar como um sonho, radiante e impuro, de que aquêle brasileiro o viera acordar por caridade! Esta mulher era apenas a Mac-Gren. . . O seu amor fôra, desde que a vira, como o próprio sangue das suas veias; e escoava-se agora todo através da ferida incurável e que nunca mais fecharia, feita no seu orgulho ! Ega apareceu à porta do salão, ainda pálido: - Então? Tôda a cólera de Carlos fêz explosão: - Extraordinário, Ega, extraordinário! A cousa mais abjeta, a cousa mais imunda! - O homem pediu-te dinheiro? - Pior! E, passeando arrebatadamente, Carlos desabafou, contou tudo, sem reticências, com as mesmas palavras cruas do outro, - que assim repetidas e avivadas pelos seus lábios, lhe descobriam motivos novos de humilhação e de nojo. - Já por acaso sucedeu a alguém cousa mais horrível? - exclamou por fim, cruzando violentamente os braços diante do Ega, que se abatera no sofá, assombrado. Podes tu conceber um caso mais sórdido? E também mais burlesco? É para estalar o coração. E é para rebentar a rir. Estupendo! Aí, nesse sofá, aí onde tu estás, o homenzinho, muito amável, de flor ao peito, a dizer: "Olhe que aquela criatura não é minha mulher, é uma criatura que eu pago..." Compreendes isto bem! Aquêle sujeito paga-a... Quanto é o beijo? Cem francos. Aí estão cem francos. .. É de morrer! E recomeçou no seu passeio, desvairado, desabafando mais, recontando tudo, sempre com as palavras do Castro Gomes, que êle deformava ainda numa brutalidade maior - Que te parece, Ega? Dize lá. Que fazias tu? É horrível, hem? Ega, que limpava pensativamente o vidro do monóculo, hesitou, terminou por dizer que, considerando as cousas com superioridade, como homens do seu tempo e "do seu mundo", elas não ofereciam nem motivos de cólera, nem motivos de dor. . . - Então não compreendes nada! - gritou Carlos não percebes o meu caso! Sim, sim, Ega compreendia claramente que era horrível para um homem, no momento em que ia ligar com adoração o seu destino ao de uma mulher, saber que outros a tinham tido a tanto por noite. . . Mas isso mesmo simplificava e amenizava as cousas. O que fôra um drama complicado tornava-se uma distração bonançosa. Ficava Carlos, desde logo, aliviado do remorso de ter desorganizado uma família; já não tinha de se exilar, a esconder o seu êrro, num buraco florido da Itália; já o não prendia a honra para sempre a uma mulher a quem talvez não o prenderia para sempre o amor. Tudo isto, que diabo, eram vantagens. - E a dignidade dela! - exclamou Carlos. Sim, mas a diminuição de dignidade e pureza não era na verdade grande, porque antes da visita de Castro Gomes já ela era uma mulher que foge do seu marido - o que, sem mesmo usar têrmos austeros, nem é muito puro nem muito digno. .. De certo, tudo isso era uma humilhação irritante - não superior todavia à de um homem que tem uma Madona que contempla com religião, supondo-a de Rafael, e que descobre um dia que a tela divina foi fabricada na Bahia, por um sujeito chamado Castro Gomes! Mas o resultado intimo e social parecia-lhe ser êste: Carlos amante com inconvenientes, e agora tinha sem inconvenientes uma bela amante. . . - O que tu deves fazer, meu caro Carlos. . . - O que eu vou fazer é escrever-lhe uma carta, remetendo-lhe o preço dos dois meses que dormi com ela. . . - Brutalidade romântica!, ,. Isso já vem na Da'ma das Camélias. . . Sobretudo é não ver com boa filosofia as nuanças. O outro atalhou, impaciente: - Bem, Ega, não falemos mais nisso. .. Eu estou horrivelmente nervoso!. .. Até logo. Tu jantas em casa, não é verdade? Bem, até logo. Saía atirando a porta, quando Ega, agora tranqüilo, disse, erguendo-se muito lentamente do sofá: - O homenzinho foi para lá. - Carlos voltou-se, com os olhos chamejantes: - Foi para os Olivais? E foi ter com ela? Sim, pelo menos mandara a tipóia à quinta do Craft. Ega, para conhecer êsse Senhor Castro Gomes, fôra meter-se no cubículo do guarda-portão. E vira-o descer, acender um charuto. .. Era com efeito um dêsses restaqüeras que, nessa infeliz Paris que tudo tolera, vêm ao Café de la Paix às duas horas tomar a sua groseile, tesos e embrutecidos... E fôra o guarda-portão que lhe dissera que o sujeito parecia muito alegre e mandara o cocheiro bater para os Olivais... Carlos parecia aniquilado: - Tudo isso é nojento!... No fim talvez até se entendam ambos,.. Estou como tu dizias aqui há tempos: "Caiu-me a alma numa latrina, preciso um banho por dentro !" Ega murmurou melancolicamente: - Essa necessidade de banho morais está-se tornando com efeito, tão freqüente!... Devia haver na cidade um estabelecimento para êles.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eça de Queiroz é autor que importa, por isso adquiri, de um vendedor porta-à-porta, a coleção Eça de Queiroz, em janeiro de 1962, quando já recebia salário do meu primeiro emprego em Brasília, no Banco Inco - Banco Industria e Comercio de Santa Catarina, agência da W-3 Sul, quadra 7, bloco B, loja 3, que anos depois se chamou quadra 507. Na época era comum comprar livros em prestações mensais, diretamente das editoras, através de vendedores domiciliares. A coleção, comprada e paga em prestações mensais se compunha de O Primo Basilio, O Conde de Abrantes, Alves & Cia, A Cidade e as Serras, Os Maias, A relíquia, A Capital e o Crime do Padre Amaro


 

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