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Contestado - A Guerra dos Equívocos

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Contestado - A Guerra dos Equívocos

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Autor: Walmor Santos

Editora: Record

Assunto: Romance Histórico

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 233

Ano de edição: 2009

Peso: 340 g

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Bom
Marcio Mafra
06/05/2018 às 17:06
Brasília - DF
Contestado – A Guerra dos Equívocos, do autor Walmor Santos apresenta as enormes diferenças sociais, econômicas e políticas existente na época da Guerra do Contestado entre o catolicismo ortodoxo dominante na aristocracia e no poder do Estado e o catolicismo caboclo enraizado no seio das famílias dos sertanejos que habitavam as terras contestadas.

O autor consegue demonstrar as diferenças ideológicas, econômicas, politicas e culturais que foram os motivos principais dessa revolta camponesa.

Também expõe as forças armadas da época que – em verdade – foram usadas para promover a “limpeza étnica” realizada pelo Estado num cobiçado terreno destinado ao capitalismo imperialista e à ocupação por novos tipos de gentes.  O tema e o autor são muito bons. O livro nem tanto. Até porque não é simples - embora simpático - transformar fatos históricos tristes em romance.

Guerra do Contestado, muito se parece com a Guerra dos Canudos em 1896/97 na Bahia. Embora a Guerra do Contestado tenha sido em 1912/16, portanto 16 anos depois de Canudos - ambas foram movimentos iguais - porque demonstram as contradições da política agrária brasileira. Oprimidos e ignorantes, tanto os baianos como os catarinenses buscavam, ingenuamente, um modo de fugir da crueza da vida real. Como reação ao "status quo" os "revoltosos" são impiedosamente massacrados.

Marcio Mafra
06/05/2018 às 00:00
Brasília - DF

A guerra dos equívocos é um romance histórico fundamentado em episódios reais dessa guerra civil ocorrida em Santa Catarina entre 1913 e 1916.

Um conflito armado entre a população cabocla e o poder estadual e federal nos estados do Paraná e Santa Catarina no começo do século XX.

Nesta guerra, pela primeira vez no Brasil, aviões de força militar brasileira bombardearam e mataram impiedosamente os próprios brasileiros.

 
Marcio Mafra
06/05/2018 às 00:00
Brasília - DF

Germano permanecia atônito. Os caboclos, qual ratazanas assustadas com a própria fome e com o alastramento do tifo, passaram a percorrer os vales, morro acima e morro abaixo, indo e vindo como formigas em véspera de chuva. Levavam armas e muito ódio. Invadiam cidades queimando as casas dos peludos e daqueles que não possuíssem em sua sala a estampa de São João Maria. Crianças, mulheres e velhos eram poupados, por ordem da virgem Maria Rosa. Encontravam fazendas abandonadas, com o gado e despensas à mercê. Voltavam com alimento e, cada vez com menos reses.

Num desses avanços, a madeireira de Calmon foi atacada. 
Mortos os seguranças que vacilaram em não fugir e ousaram a defesa, a sede e a serraria foram incendiadas. Encorajados pelo feito, os pelados decidiram avançar para São João, logo adiante; depois, chegariam às cidades gêmeas.
Em São João os ideais do bravo capitão Matos Costa foram lançados por terra.
O impacto de tal desatino foi tamanho que os caboclos, sob as ordens de Chiquinho Alonso, retrocederam. Ao chegarem ao reduto enfrentaram a ira da virgem Maria Rosa, que responsabilizou Venuto Bahiano.
Ela foi taxativa: - Se não se puser um freio nisso, vai dar banditismo!
Com o precedente de já ter matado uma criança, Venuto foi julgado e condenado pelos companheiros. Coube a Adeodato, cada vez mais forte como líder, a execução com extrema crueldade.
Logo depois, num dos retornos de arrebanhamento, O negro Deuzinho chegou trazendo fartura de gado e víveres e foi recebido com muita festa. Mas o sorriso de galã imperava sobre a cara de mau, pois trazia conquista maior: montada num cavalo preto chegava com ele uma caingangue chamada Mariana.
Nos braços trazia a pequena Vitória. O negro preferiu ignorar a esposa que o esperara em vão e que tinha olhos em chamas.
Mariana, na simplicidade do floreado vestido de chita e dos cabelos escorridos, transpirava sensualidade e atraía a admiração de todos pela doçura e força que lhe nasciam do olhar. Foi desse jeito matreiro que olhou para Germano, sem temer o negro que a ajudava a desmontar. O rapaz reconheceu a índia daquela noite na festa em Taquaruçu, quando a visão de sua nudez o deixara paralisado. Com Chica Pelega ou com Maria Rosa jamais sentira tal emoção. Quisera ser naquela hora um vaqueiro 
aperado, com prataria e couro fino, armas relampejando os últimos raios de sol daquela tarde. Mas acreditava que o seu destino não ultrapassava o de imaginar coisas desconhecidas.

A índia veio se postar próximo dele. Olhou-o com ternura e sorriu cheia de dentes e brilhos. Era baixa e de formas arredondadas pela gravidez recente. Achegou-se, cumprimentando, e disse que seu nome, de verdade, era Myrinh, que quer dizer fruta gostosa. Mas podia chamar de Mariana, como
Deuzinho a chamava.
Germano retribuiu com sorriso de guri que ganhara suculenta maçã. Repetiu saboreando o som: Márin. Mas envolvido naquele enleio não percebeu que Adeodato vinha interpor-se entre eles com olhos de jacaré. Germano baixou a cabeça em saudação a ambos e retomou para seu rancho, enxugando o suor do rosto. Enquanto caminhava, dava-se conta de quão solitária era sua existência ainda que envolvida com tantos necessitados!
Márin ... Mariana ... Os sons realmente tinham sabor, relembrava de suas aventuras de menino.
Para fugir do fascínio, buscou preocupar-se com a falta de recursos para um melhor atendimento. A fome e o tifo alastravam-se. Inquietava-se consigo, pois embora não apresentasse sintomas de febre, uma tontura constante o abatia. Fizera um chá com a casca de açoita-cavalo e mel, na esperança que fosse sintoma de gripe. Alongava-se nele o descoroçoamento por não vislumbrar a mínima possibilidade de paz.
A primavera abrira-se em flores sangüíneas enquanto proliferavam como trepadeiras os focos de lutas. Os redutos multiplicavam-se do dia para a noite, cada qual tendo como chefe um líder escorado em vinditas pessoais, contrabandos, rivalidades ou meros assaltos que os iludissem com a posse temporária, pois o lema era definitivo: O fel e o mel que é de um é de todos!

E Germano temia que essas razões resultassem em erro fatal. Cada amanhecer tinha novos piquetes de partida, seguindo com objetivos aquém dos princípios de São João Maria.
As procissões do quadro santo foram abandonadas e nem sequer tinha-se comando único: a virgem Maria Rosa já não exercia papel decisório. Diante da estátua de São Sebastião, arrastada para cá e para lá, ninguém mais se ajoelhava em prece.
Enfim, desarticulava-se o tal reino encantado de São João Maria. As poucas nuvens no céu não guardavam o exército encantado. Adeodato era o único que parecia ter direção. E Germano temia aonde Deuzinho poderia chegar.
Germano tinha urgência de limoeiro, que considerava essencial para debelar muitas doenças, principalmente o tifo. Precisava também do cipó, ótimo para diarréia, que se alastrava de forma coletiva. Porém, enquanto caminhava sem conseguir colheita alguma, nem sequer assoviar alguma melodia sacra, ouvia disparos cada vez mais perto.
Perguntava-se a que ponto tudo o que aqui acontece não tem o dedo de Deus a corrigir sociedade e religiões? Sem respostas, explicava-se com:

- Procuro Deus e Sua justiça e só vejo incêndios, ecos de estampidos, choro da fome, gemidos de moribundos, lamentos de mães. Até São Francisco me abandonou.
Voltava a alimentar sua pendência particular: interpelava cada piquete de regresso pedindo notícias dos mortos no outro lado:
ninguém sabia do homem da cicatriz. Se ao menos o soubesse morto, não precisaria ele também alimentar uma vindita pessoal.
De um desses devaneios foi despertado por um ronco estranho, vindo do céu. Ao ronco se somou a gritaria da criançada.


Os velhos tiravam o chapéu e se benziam. Algumas mulheres ajoelharam-se. Era como se uma cachoeira se derramasse de longe, aproximando-se, cobrindo o alarido do reduto de Santa Maria.


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Marcio Mafra
06/05/2018 às 00:00
Brasília - DF

Na Capital do Estado do Acre, em julho de 2017 passei num sebo e me deparei com livro sobre o A Guerra do Contestado, que não deu Ibope até hoje, nem no Estado de Santa Catarina ou no Paraná, locais do conflito.

Comprei pensando que pudesse ser daqueles livros quase raridades.

Não é raridade.

Mas é uma história mal explicada.

Neste livro, particurlamente, não consigo entender porque o autor fez um livro romanceado e não se limitou ao fato histórico.

Morro e não sei de tudo.

 

 


 

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