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Vozes de Tchernóbil

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Vozes de Tchernóbil

Livro Ótimo - 2 opiniões

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Autor: Svetlana Aleksiévitch

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Sonia Branco

Páginas:

Ano de edição: 2016

Peso: 580 g

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Bom
Ubirajara Alves Costa
13/12/2017 às 17:24
Brasília - DF
O livro Vozes de Tchernobil de Svetlana Aleksievitch trata exatamente como o Sr Marcio escreve em seu comentário, só não acho excelente porque a autora descreve varias historias muito parecidas, tornando o livro repetitivo, agora este livro serve muito bem para um alerta ao mundo sobre como não estamos preparados para um acidente nuclear e também ao preconceito da exclusão ao ser humano. um livro muito impactante, para homens e mulheres fortes.

Excelente
Marcio Mafra
03/12/2017 às 19:47
Brasília - DF
“Vozes de Tchernóbil” é uma história real, chocante, diferente, emocionante e, sobretudo, apavorante.
Svetlana Aleksiévitch não conta sobre a explosão seguida de incêndio na usina nuclear de Tchernóbil, Ucrânia (pertencia a União Soviética) que aconteceu em 26 de abril de 1986.
Ela relata uma tragédia quase indizível, que foi a quantidade inimaginável de partículas radioativas lançadas na atmosfera da URSS e em boa parte da Europa oriental.
Todas as pessoas, alimentos, água, roupas, animais, plantas, casas, dinheiro, moedas, livros, moveis, equipamentos, árvores, veículos, edifícios, fazendas, estradas, rios, montanhas, pedras e quaisquer outras coisas expostas à radiação liberada pelo vazamento da usina, morreram imediatamente, ou nas semanas seguintes.
As pessoas morreram sem estarem doentes, idosas, ou com problemas de saúde. Simplesmente morriam.
Caiam mortas, como moscas atingidas por dedetização.
Através das vozes de viúvas, trabalhadores, crianças, e cientistas ainda debilitados pela experiência o leitor perceberá a tragédia e a ameaça do que pode acontecer em qualquer outra parte do mundo, inclusive no Brasil, eis que também temos usinas nucleares.
Livro excelente. História triste.

Marcio Mafra
03/12/2017 às 00:00
Brasília - DF

Relatos doloridos, conformados, desesperados, pungentes e revoltados de personagens reais, que foram entrevistados pela jornalista ucraniana Svetlana Aleksiévitch (prêmio Nobel de literatura de 2015) sobre a radiação liberada pelo acidente nuclear de 1986 em Tchernóbil, que matou o orgulho e a vida de milhares de soviéticos.

Marcio Mafra
03/12/2017 às 00:00
Brasília - DF

Sente-se. Aproxime-se mais. Mas vou ser sincera: não gosto de jornalistas, e eles tampouco são amáveis comigo.

E por que isso?

Você não sabe? Não conseguiram te avisar? Então, eu entendo por que você está aqui no meu escritório. Sou uma figura odiosa. É assim que me qualificam os seus amigos jornalistas. Todos à minha volta gritam: "É impossível viver nesta terra". E eu respondo: "É possível, sim. É preciso aprender a viver nela. Ter coragem". "Vamos fechar os territórios contaminados, cercá-los com arame farpado (um terço do país), abandoná-los e ir embora. Ainda temos muita terra". "Não!" Por um lado, a nossa civilização é antibiológica, o homem é o maior inimigo da natureza, e por outro, é um criador. Transforma o mundo.

Cria, por exemplo, a torre Eiffel e as naves espaciais. Só que o progresso exige vítimas, e quanto mais longe for, mais vítimas serão. Não menos que a guerra, isso hoje está claro. A contaminação do ar, o envenenamento do solo. Os buracos na camada de ozônio. O clima da Terra está mudando. E nós nos horrorizamos. Mas o conhecimento em si não pode ser culpado ou incriminado. Do acidente de Tchernóbil, quem é culpado: o reator ou o homem? Sem dúvida o homem, ele fez um serviço ruim, foram cometidos erros monstruosos. Um somatório de erros. Não vamos nos deter na parte técnica, isso já é um fato. Trabalharam nisso centenas de comissões e especialistas. Trata-se da maior catástrofe de origem técnica da história da humanidade; as nossas perdas são fantásticas. As perdas materiais de algum modo ainda podem ser calculadas, mas e as perdas não materiais? Tchernóbil foi um golpe para a nossa imaginação e para o nosso futuro. Estamos assustados com o nosso futuro. Então, não devíamos ter descido da árvore, ou devíamos ter inventado algo para que a árvore se convertesse depois numa roda. A catástrofe de Tchernóbil não é a responsável pela maior quantidade de vítimas, o automóvel ocupa o primeiro lugar no mundo. Por que ninguém proíbe a produção de automóvel? Viajar de bicicleta ou de burro é mais seguro. Ou de charrete ...

Aqui se calam. Os meus oponentes se calam. Eles me acusam, me perguntam: "E como você vê o fato de as crianças beberem leite radiativo? De comerem frutas radiativas?". Vejo mal. Muito mal! Mas eu considero que as crianças têm pai e mãe, e que temos um governo que deve pensar nisso. Sou contra uma coisa: sou contra o fato de as pessoas que não conhecem ou que já esqueceram a tabela de Mendeliéev virem nos ensinar como viver. De que venham nos assustar. O nosso povo sempre viveu assim, sob o medo: revolução, guerra. Esse vampiro sanguinário. Esse diabo! Stálin ... E agora, Tchernóbil ... E depois ainda nos surpreendemos por que a nossa gente é assim. Por que não são livres, por que temem a liberdade. As pessoas estão acostumadas a viver sob a férula do tsar. Sob o poder do tsar, o paizinho. Ele pode ser chamado de secretário-geral ou presidente, tanto faz. Não há nenhuma diferença. Eu não sou política, sou cientista. Passo a vida pensando na terra, estudando a terra. A terra é uma matéria tão misteriosa quanto o sangue. É como se soubéssemos tudo dela, mas sempre resta um segredo. Nós nos dividimos não entre os que são a favor de viver aqui e os que são contra, mas entre cientistas e não cientistas. Se você sofre um ataque de apendicite e tem que operar, a quem deve se dirigir? Certamente a um cirurgião, e não a entusiastas de movimentos sociais. Você ouvirá um especialista. Eu não faço política, eu penso. E o que mais há na Bielorrússia além da terra, da água, dos bosques? Petróleo? Diamantes?

Não temos nada disso. Portanto, é preciso cuidar do que temos.

Restabelecer. Sim, claro! Muita gente no mundo se compadece de nós, quer nos ajudar, mas não vamos viver eternamente da esmola do Ocidente. Não podemos pôr na conta dos outros. Todos os que assim desejaram, foram embora; restaram os que querem viver, e não morrer, depois de chernóbil. Aqui é a pátria destes.

O que você propõe? Como as pessoas devem viver aqui?

As pessoas se curam. Também a terra se cura. É preciso trabalhar. Pensar. Superar os obstáculos, ainda que seja pouco a pouco. Ir adiante. Mas nós ... O que há conosco? Pela nossa monstruosa indolência eslava, estamos dispostos a crer antes num milagre que na capacidade que temos de criar algo com as nossas próprias mãos. Observe a natureza. Temos que aprender com ela. A natureza trabalha, se auto depura, nos ajuda. E se comporta com mais sensatez que o homem. A natureza aspira a recuperar o equilíbrio primitivo, aspira à eternidade.

Me chamam do Comitê Executivo. É algo inusual. Compreenda, Slava Konstantínovna, não sabemos em quem acreditar. Dezenas de cientistas afirmam uma coisa, e você outra. Você ou viu algo sobre a conhecida bruxa Paraska? Nós decidimos convidá-la, porque ela prometeu abaixar as radiações gama durante esse verão.

Você ri. No entanto, muita gente séria falou comigo sobre isso, e essa Paraska já firmou vários contratos com algumas empresas. Já pagaram a ela uma grande soma de dinheiro. Nós já vivemos essa fixação. Essa perturbação da mente, essa histeria generalizada ... Você se lembra? Milhares, milhões de pessoas diante da tevê e uns bruxos que se diziam ultrassensitiv Tchumák, e depois dele Kachpiróvski -, que "carregavam" a água. Os meus colegas, todos cientistas com títulos, enchiam potes com três  litros de água e punham em frente à televisão. Bebiam dessa água, se lavavam com ela, porque acreditavam que curava. Esses bruxos se apresentavam em estádios e reuniam tal quantidade de pessoas que nem Alia Pugatchova* poderia ter sonhado com algo parecido. As pessoas iam lá a pé, de carro, se arrastando. Com uma fé incrível! Seremos curados de todas as nossas enfermidades graças à varinha mágica! E o que era isso? Um novo projeto bolchevista.

O público cheio de entusiasmo, a cabeça cheia de uma nova utopia ... Bem, pensei, agora serão os bruxos que nos salvarão de Tchernóbil.

E me perguntam: "Qual a sua opinião? Certamente somos todos ateus, mas pelo que dizem e escrevem nos jornais ... Que tal se organizássemos um encontro com a Paraska?".

Organizamos o encontro. De onde ela saiu, não sei. Provavelmente da Ucrânia, Há dois anos viaja por toda parte, baixando o nível da radiação. "O que você se propõe a fazer?", perguntei Paraska. "Eu tenho uma força interior tão grande que percebo que posso baixar o nível da radiação." "E do que você precisa para isso?"

"Preciso de um helicóptero."

Aqui eu fiquei furiosa. Tanto com Paraska quanto com os nossos burocratas, que de boca aberta acreditavam nas mentiras dessa mulher.

"O helicóptero pode esperar': eu disse. "Agora vamos trazer um pouco de terra contaminada e depositá-la no chão. Ainda que seja  meio metro. Vamos ver se você consegue fazer baixar a radiação:'

E assim fizemos. Trouxemos terra. No início ela sussurrava, cuspia, expulsava com as mãos não sei que espírito. E no que deu? Não deu em nada. Agora Paraska está presa em algum lugar da

Ucrânia. Por vigarice.

 

Outra bruxa nos prometeu acelerar a desintegração do estrôncio e do césio em cem hectares. De onde aaíram essas personagens? Acredito que foram engendradas pelo nosso desejo de um milagre, pela nossa esperança. E alimentadas por imagens e entrevistas. Porque sempre alguém destinava a elas colunas inteiras nos jornais, cedia-lhes as horas de maior audiência na televisão. Se a fé na razão abandona o homem, na sua alma se instala o medo, como ocorre com os selvagens. E surgem monstros. A respeito disso, se calam. Os meus oponentes se calam.

Eu me lembro de um alto dirigente que me ligou e pediu:

"Posso te encontrar no instituto? Queria que você me explicasse o que é curie, o que é microrroentgen, como o microrroentgen se converte em impulso. Porque quando viajo pelas aldeias me perguntam isso e passo por idiota. Como um estudante". Só encontrei um assim: Aleksiéi Aleksiéevitch Chakhnóv. Anote o nome. A maioria dos dirigentes não queria saber de nada, nada de física nem de matemática. Todos eles haviam terminado a escola superior do Partido e lá estudaram muito bem apenas uma matéria: marxismo. Como animar e inspirar as massas. O pensamento dos comissários. Pensamento que não havia mudado desde a cavalaria vermelha. Lembro-me de um aforismo do comandante de cavalaria mais amado por Stálin, S. M. Budiônni: "Para mim, tanto faz quem vou matar. O que eu gosto mesmo é de agitar o sabre".

No que diz respeito às instruções ... Como devemos viver nesta terra? Temo que você se aborreça com as minhas palavras, como todos. Não há nada de sensacional nelas. Nada de fogos de artifício. Quantas vezes eu me apresentei diante de jornalistas, e lhes dizia uma coisa mas no dia seguinte lia outra publicada. O leitor, segundo eles, devia morrer de medo. Houve até quem visse, a zona, plantações de papoulas e acampamentos de drogados. E, também, gatos com três rabos ...

Um sinal nos céus no dia do acidente ...

Estes são os programas que o nosso instituto de pesquisa elaborou. Foram impressas instruções para os colcozes e para a população. Posso lhe dar um exemplar. Faça propaganda. 

Instruções para os colcozes ... (Lê.) entrevistas. Porque sempre alguém destinava a elas colunas inteiras nos jornais, cedia-lhes as horas de maior audiência na televisão. Se a fé na razão abandona o homem, na sua alma se instala o medo, como ocorre com os selvagens. E surgem monstros.

A respeito disso, se calam. Os meus oponentes se calam.

O que propomos? Aprender a dirigir a radiação como se fosse eletricidade, encaminhando-a através de cadeias que salvaguardem o homem. Para isso é necessário reconverter nosso tipo
de gestão. Fazer correções. Em lugar de leite e carne, organizar a produção de cultivos técnicos que não cheguem aos alimentos.

Por exemplo, a colza. Da colza pode-se extrair óleo, inclusive para motores. Pode-se empregar como combustível para máquinas. É possível cultivar sementes e mudas. As sementes se submetem especialmente à radiação em condições de laboratório para que conservem a pureza da espécie. Para as sementes, a radiação é inócua. Esse é um caminho. Há um segundo, caso continuemos a produzir carne. Nós não temos uma maneira de limpar o grão já pronto para consumo; então, encontramos uma saída: damos o grão ao gado, fazemo-lo passar através dos animais. Chamamos a isso de "zoodesativação". Antes de ser sacrificados, mantemos os bezerros de dois, três meses no estábulo e lhes fornecemos alimentos "limpos", assim os animais se descontaminam.

Acho que isso basta. Não quer que eu dê uma palestra, não é? Estamos falando de ideias científicas. Eu até chamaria isso de filosofia da sobrevivência.

Instruções para os indivíduos ...

Eu viajo para as aldeias para visitar as avós e os avôs. Leio. Eles me respondem batendo o pé; negam-se a me escutar. Querem continuar vivendo como viviam os seus avós e bisavós. Os seus antepassados. Querem beber leite, quando não se pode mais beber leite. Compre uma desnatadeira e faça nela o requeijão, bata a manteiga. Retire o soro e jogue fora. Querem secar cogumelos. Primeiro, ponha-os de molho numa tigela cheia de água por toda uma noite, depois sequem. O melhor seria não comê-los. A França está repleta de champignons, e não é na rua que os cultivam, mas em estufas. Onde estão as nossas estufas? As casas na Bielorrússia são de madeira; os bielorrussos vivem há séculos rodeados de bosques.

 

 

 


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Marcio Mafra
03/12/2017 às 00:00
Brasília - DF

Conheci pessoalmente a autora Svetlana Aleksiévitch, no dia 2 de julho, durante a Flip 2016, em Paraty, Rio de Janeiro.

Ela deu o seu show, com platéia saindo pelo ladrão e aplaudida de pé.

Pudera, era o Nobel de Literatura de 2015.

Na verdade não entendi quase nada do que ela falou.

A tradução simultânea não era lá essas coisas.

Mas comprei “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher” achando que seria um livro porre, de feminista desvairada como já conheci muitas. Comprei também Vozes de Tchernóbil porque assim conheceria melhor a autora.

 


 

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