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O Inverno dos Anjos do Sol Poente

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O Inverno dos Anjos do Sol Poente

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Autor: Cláudio Motta

Editora: Inove

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 400

Ano de edição: 2014

Peso: 560 g

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Ótimo
Marcio Mafra
29/10/2017 às 23:01
Brasília - DF
O Inverno dos Anjos do Sol Poente é um romance, quase uma biografia do autor, ou um livro de memória, narrando as cidades, gentes, desgraças, aventuras, fortunas, políticas, vivências, perdas e vitórias havidas em todas as cidades e lugarejos onde - provavelmente - o autor passou tanto no interior, como na capital do antigo Território Federal do Acre.
Cláudio Motta é pessoa conhecida em Rio Branco.
Escreve com talento e mostra seu estilo, onde sobressai o domínio da técnica literária. O personagem Melchíades Ferreira Lages vai perpassando a vida na selva amazônica, os sonhos e desilusões de gente valente e sofrida, o nascer e morrer de negociantes, o surgir e desaparecer de aventureiros, políticos, religiosos, autoridades, cidadãos, justiceiros e autoridades.
Melchíades Ferreira Lages, termina sua história, aos 90 anos de idade, na maravilhosa cidade do Rio de Janeiro.
Leitura boa, fácil, gostosa apesar de longa, com passagens tristes, outras alegres e bem humoradas.
Livro ótimo para quem nunca viu Rio Branco além de um ponto assinalado no mapa do atual Estado do Acre. Este livro vale quanto pesa.

Marcio Mafra
29/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

A história de Melchiades Lages que, ainda jovem, saiu “pela porta dos fundos” no interior do Ceará, na minúscula Baturité, direto para Fortaleza, por ter “mexido” com uma moça.

Depois repetiu o filme da fuga, e saiu para Belém do Pará, onde, por fim, se casou.

Aí começa a sua história maior, porque se embrenhou num seringal de nome “Boca do Lago”, no interior do antigo Território Federal do Acre, onde trabalhou e conheceu tudo sobre os seringais, de onde se extraia o “ouro negro”.

 
Marcio Mafra
29/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

Amargam-se as derrotas, mas não se comem as vitórias, apesar do gosto deveras saboroso, inigualável. Indo mais na profundidade, lembro o Goethe que afirmava que, de um modo geral, o homem tem que, obrigatoriamente, andar às apalpadelas, tateando mesmo, como se estivesse na escuridão real, uma vez que não sabe de onde veio, nem para onde vai, conhece pouco do mundo e menos ainda de si próprio. Em verdade, veio para a vida perdido e voltará a esmo, sem dúvida alguma.

 

Já no início da minha peregrinação amazônica em busca de resultados e fama, ainda nos primeiros dias de Belém, parti do princípio segundo o qual a ninguém compete - só única e exclusivamente a mim - a busca pelos melhores dias a que todos ansiamos. Apesar do meu compromisso de moço casado de pouco tempo, depende apenas desta esfuziante alma em início de carreira o sucesso tão almejado e colocado em prática desde os tempos de menino, quando cortava o vento no lombo do meu cavalo Folgado Rocinante, comendo pelas ventas a poeira das estradas e caminhos das cercanias esverdeadas da serra do Baturité.

 

Não bajulo a quem quer que seja. Busco tão somente achegar-me destes ases de um baralho bem brasileiro, senão mais lusitano, com os quais possa aprender alguns rudimentos da vida na

selva, em meio ao caos das relações humanas, onde o homem se confunde com o bicho e vice-versa, isto, porque tenho observado uns homens, mulheres e crianças, à margem do rio e da história, quase nus, vestidos em trapos, que avistamos, vez em quando, do tombadilho da embarcação. Segundo ouço do mestre comandante, são os ditos caboclos, exímios pescadores de caniço e linhada, originários da mistura racial ou étnica entre o elemento índio e o sertanejo que, na maioria dos casos, não conseguem aprender muita coisa além de caçar e pescar. Os costumes desses miscigenados, ou pouco mais civilizados que os índios, ainda são realmente bem próximos da fase mais primária do ser humano, sobre o que tratarei em ocasião mais oportuna.

 

Constato, para o meu espanto, um outro fator histórico cultural bem significativo, em termos sociais, e próprio das gentes do baixo e do alto Amazonas, até onde se estende os limites deste gigante adormecido a quem damos o nome de Brasil.

Em conversa com o respeitável Dom Tomás Gomes Fonseca, assim chamado por mim de agora em diante, sou informado de que os ditos turcos chegaram à região um pouco antes da maioria dos portugueses e ajudaram a plantar a cidadezinha do Xapuri, hoje bem enfeitada e aconchegante, com teatro, clube, bares, restaurantes, praças arborizadas e ajardinadas, cinema, hospital, comércio forte, associação comercial, escolas, inclusive a das freiras católicas, dentre outras coisas mais.


 

Os turcos, então, não são turcos. Eu próprio, depois de alguns anos residindo no Acre, desde os  tempos do Seringal Boca do Lago, não conheço nenhum turco. Conheço, certamente, sírios e libaneses. Dentre os sírios de Xapuri, nascidos nas montanhas do norte e nas proximidades de Damasco, Síria, há que dar destaque a três famílias: os Fadhoul, os Salim Abouache e os Akel Hadad. A primeira é liderada por uma matriarca que nunca falou uma palavra sequer em português. É a senhora Sarah Fadhoul.

 

A segunda é comanda por Touffic Salim, que trouxe de Belém uma mesa de snooker bem grande, de tampo de mármore, de onde tira boa parte do sustento dos seus. A terceira é liderada por Aziz Hadad, homem alto, forte, carrancudo, que dificilmente alguém haverá de um dia notar um sorriso no semblante austero e enigmático, como nas duas outras personagens; estas são, certamente, sequelas psicológicas naturais que atingem as pessoas que nascem numa terra rochosa e íngreme, onde as guerras civis e religiosas marcam todas as vidas que, de repente, se veem divididas e obrigadas a partir não se sabe para onde, como também não se quer saber sobre quem fica morrendo de saudades, sim, porque eles também sentem saudades.

 

Na Amazônia, a ocupação mais comum entre os nascidos na Síria é navegar pelos imensos rios vendendo sempre, segundo eles, novidades. Da mercadoria que segue na embarcação, constam itens que vão da lamparina fifá ao tecido, aqui chamado fazenda, ou chita, linha, agulha, pentes, perfumes de cheiro apurado, pó compacto e brilhantinas, dentre uma infinidade de bugigangas e

utilidades talvez domésticas. São os mascates que, na falta de dinheiro entre os seringueiros, deixam o seu produto de pouca qualidade a altos preços em troca de borracha, castanha, couros e peles.

 

Sobem os rios com os batelões e canoas carregados de artigos menoscabados e, na descida, vão recolhendo o que é produzido pelos seringueiros, numa afronta direta ao empreendimento dos seringalistas que deixam de comprar a borracha a preço baixo, revender víveres a preços escorchantes e faturar em cima do que lhe é pago pelas casas aviadoras, a exemplo de A Limitada, dos portugueses de Xapuri, que depois passaram a transportar o sortimento do seu negócio a partir de Belém e Manaus em embarcações próprias, como um navio denominado Belchior. Em suma, todos ganham, menos os trabalhadores da seringa que morrem de tudo um pouco a cada dia que Deus dá.


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Marcio Mafra
29/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

Em Julho de 2017 estive em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no estado do Acre. Trouxe diversos livros sobre a história do Acre e alguns de autores locais, como:

O Regresso -  Sergio Santos.

Das Cobras Meu Veneno – Leila Jalul

Contestado – Walmor Santos

O Inverno dos Anjos do Sol Poente – Cláudio Motta

 

 

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