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O Regresso

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O Regresso

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Autor: Sergio Santos

Editora: Não Consta Editora

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 320

Ano de edição: 2011

Peso: 445 g

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Ótimo
Marcio Mafra
28/10/2017 às 20:42
Brasília - DF
O autor Sergio Santos domina muito bem a técnica da escrita.
Demonstra talento e algum estilo.
O eixo da história gira em torno do drama da mãe Edite, paciente terminal, vitima de câncer no cérebro.
Mas a narrativa expõe com força e coragem a vida íntima dos quatro irmãos Luciano, Luiz Carlos, Lorena e Luana.
Não fora por passagens da ultima parte do livro - um tanto esdruxula, onde a personagem Luana mais parece Têmis, deusa grega da vingança divina – eu teria gostado mais de “O Regresso”.
Além disso, nesta edição o editor poderia ter sido mais caprichoso, até porque se percebem diversos erros gráficos no decorrer da leitura, que quase comprometem o entendimento.
Enfim, "O Regresso" não é uma história triste. Também não é história como se fora o “domingo alegre da bondade”

Marcio Mafra
28/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

A história da família de Luiz Carlos, Luana, Luciano e Lorena seus amores, paixões, maldades, bondades, brigas, desuniões, encontros e reencontros.

O Regresso se passa no longínquo Acre, com algumas cores de sua capital e também do interior.

Marcio Mafra
28/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

O problema de saúde mamãe só nos foi revelado porque as circunstâncias da vida tinham obrigado a revelação. Ao se encontrada desmaiada no quarto e ser levada ao hospital por essa razão, descobrimos que ela tinha um câncer em estágio avançado. Ao saber, recordei -me da vez que papai me ligou contando-me das suas dores de cabeças, que a deixou em paz e não a levou a procurar um médico para saber o que tinha.

 

Descobrimos sobre sua doença no corredor do hospital, pela boca do médico que a tratava há algum tempo. Papai era sabedor de tudo, mas não tinha nos contado nada a pedido dela.

Por mais que eu fosse pai, nunca entendei a magnitude da maternidade de mamãe. Os filhos já estavam todos grandes e criados, mas ela ainda se anulava pela felicidade deles. Não nos tinha contado sobre a doença porque queria nos poupar, diante do fato de que sua doença era praticamente a sentença de morte, o que explicava a sua vontade de nos ver todos juntos novamente. As nossas suspeitas foram confirmadas em parte, mas acentuada pela gravidade de sua doença.

Mamãe era de dizer ditos populares e um que me veio à mente quando descobrimos sua doença era o de que "não há mal que não traga um bem". Refleti sobre ele quando, ao sabermos do diagnóstico dela, abraçamo-nos como nunca tínhamos feito. Por alguns instantes, ficamos unidos como jamais fôramos e a nossa repentina união – por mais que provocada por  uma tragédia - consternou a mim e acho que a todos. Mamãe tinha conseguido, embora não tivesse visto, unir seus filhos novamente. Estávamos todos ali para lhe dizer que a queríamos muito e que torcíamos pela sua saúde e sem bem-estar.

 

E para nosso alívio, ela pôde voltar logo para casa e ficar, como tinha sonhado desde que nos tivéramos, rodeada dos filhos. Luís Carlos iria ficar lá o tempo que fosse preciso, pois seu sócio seguraria a barra para ele; e Luana, que era recém-formada em enfermagem, tinha decidido a se mudar para lá no intuito de cuidar de mamãe. Qualquer doente no estado de mamãe, poderia se incomodar com a presença dos dois filhos residindo em sua casa com o único propósito de lhe cuidar, como se a estada deles significasse a sua decadência. Ela não via as coisas assim. Se estava perto de deixar-nos, queria nos ter o máximo que pudesse e não se importaria de fazer os filhos se voltarem para ela.

 

Ela estava bem, pelo menos aparentemente, e isso nos aliviava um pouco. O médico tinha nos orientado um pouco e a presença de Luana nos deixava mais tranquilos ainda. Depois da hórrida notícia, conseguimos recuperar um pouco a paz que tínhamos. Voltei -me aos meus problemas particulares sem deixar mamãe de lado, pois quase todos os dias eu estava lá, chegando, inclusive a dormir em sua casa. Era aconchegante acordar na casa onde morei quase minha vida inteira e poder estar com meus pais e meus irmãos novamente, como se pudesse recuperar um pouco da infância vivida naquela casa. A mesa voltara a ter  suas cadeiras todas ocupadas.

 

Alice, consternada com a doença de mamãe e temerosa por sua morte iminente, resolveu também ficar lá passando as férias. A casa ficou cheia novamente de moradores antigos. Era o retorno dos filhos à casa onde haviam crescido e aprendido muito sobre a vida e apanhando dela também. Nas paredes dos quartos onde deitávamos nossas cabeças à procura não apenas de sono, mas de paz por dores que sentíamos em  segredo, havia tanto se contar. As marcas do tempo nelas impressos era o desenho de nosso percurso pela linha da vida naquele lugar tão hospedeiro e confortante. Senti vontade de morar de novo lá e ser criança e adolescente outra vez e viver as mesmas emoções, até as dolorosas. Seria legal experimentar a dor já sentida para ver como ela doeria novamente.

 

A reunião dos filhos trouxe também a suas vidas particulares para a casa. Era difícil saber o que cada um estava vivendo sentimentalmente.

Mesmo Lorena e Luana, com quem eu tinha mais contato, não pareciam transparecer tudo o que viviam. Luana, em particular, tinha o olhar tristonho e melancólico. Pensei em me proximar e perscrutar o que ela sentia, mas já tinha problemas demais para poder me envolver com outros. jorras estava lá me esperando de alguma forma, sendo paciente como deveria ser, enquanto eu arranjava um jeito de nos resolvermos.

Meu casamento ia aos pouco perdendo o brilho e fenecendo. Já se via isso em nossos olhos e até mesmo Felipe já desconfiava de algo. Ele era tão vivaz e esperto que quase nada lhe escapava. A sua sensibilidade era  capaz de nos ler a mente e enxergar coisas que eu não imaginava ser compreensíveis para a sua idade.

A aceitação de mim mesmo como eu realmente me tinha feito voltar a olhar para ele. Se tinha fugido com medo de enfrentar a sua sexualidade evidente, pelo menos aos meus olhos, agora me via na obrigação de ampará-lo, de conversar com ele e lhe dar coragem para enfrentar a vida, sabendo que seu pai estava de seu lado sempre. Eu não tinha feito isso ainda, e talvez esperasse o momento certo. Quiçá não fosse agora de imediato, quando ele era ainda muito jovem e inocente para determinados assuntos. Quando à [anete, ela já não me olhava mais como o mesmo olhar. Seu semblante, cada vez mais fechado, dizia-se desconfiado de algo que precisava ser revelado logo. Nossa relação íntima estava se extinguindo e eu já nem me lembrava da última vez que tínhamos  nos amado. Eu queria ser-lhe sincero, mas temia ainda a sua reação e não queria causar dor ou mágoa, por mais que eu tivesse convicção de que não há rompimento sem dor para alguém quando não para os dois.

 

Um dia, quando estávamos na casa de mamãe, Janete me perguntou:

- O que está acontecendo contigo, Luciano? É só por causa da saúde de sua mãe?

Vi em seus olhos o medo de algo pior que a doença de minha mãe, que não nos afetaria tanto.

- Sim, Janete.

Por que eu me acovardava tanto? Por que não lhe dizia logo o que estava acontecendo? Confesso que senti vontade de lhe dizer tudo, mas a covardia e talvez a cautela me tolhessem. Restringi-me a dizer que era a doença de mamãe, que me servia de álibi até eu tomar a coragem e agir devidamente com ela e comigo. Mas ela não se convenceu disso.

- Não acho que seja só isso, mas se você ainda não quer falar, tudo bem. Quando chegar a hora certa, procure-me.

Por que ela era tão certeira naquilo que eu pensava. Seriam os anos que tínhamos dividido nossas vidas. Eu a conhecia bem, mas ela me conhecia ainda mais. Continuei sentado na cama e só ouvi quando ela bateu a porta atrás de si.

Mergulhei novamente em meus problemas e procurei a solução, embora eu já soubesse qual era, a verdade. Mas como proceder diante de algo tão difícil. Era quase dez anos juntos e não seria com uma declaração daquele tipo que iria resolver tudo. Eu queria que tudo tivesse um fim, mas sem muita dor. Infelizmente eu não via essa possibilidade. O que eu poderia fazer por enquanto era esperar e pedir a Deus que me ajudasse, só isso.

Depois do encontro que tivera com Jonas, encontrei-o apenas uma outra vez. Eu tinha lhe dito que não queria iniciar um caso porque minha esposa, a quem eu considerava muito e respeitava, não merecia aquele comportamento.

- Eu te entendo, Luciano, e não cobraria nada de você. Esperarei o quanto for necessário. O tempo não apagou o que vivemos e não será mais um pouco dele que vai apagar.

 

Ele era compreensível comigo, e a sua compreensão era muito importante. Havia lhe dito também que não transaríamos enquanto eu não resolvesse meu casamento com Janete. Eu achava o sexo a forma mais sórdida de traição, pois o corpo é algo tão sublime para se entregar de qualquer jeito. Os beijos que trocamos também foram poucos, porque os via como outra maneira de trair. A consciência me pesava porque eu não podia fugir à realidade de que os meus intentos eram de deixá-Ia porque queria viver com outra pessoa. Querer romper com ela por outra pessoa poderia ser uma forma mais honesta de lidar com aquilo, mas ainda me parecia traição. Desejei do fundo de minha alma que ela me traísse primeiro e me deixasse, mas ela parecia querer investir no casamento. Era como se ela achasse que estávamos enfrentando uma crise - razão ela tinha porque eu não lhe dava outra impressão senão essa – e acreditasse existir uma saída pra nós. Poderia até haver, mas estava em mim somente.

 

No dia que decidir falar com Janete, recebi o telefonema de Luana, dizendo que Luís Carlos tinha sofrido um acidente e não tinha resistido.

Meu mundo desabou por cima de mim e me sufocou, deixando-me atordoado de tal forma que tive de ser socorrido pela secretária da faculdade onde eu estava trabalhando na ocasião do recebimento da notícia.

 

Ela me levou para o escritório e dispensou minha turma. Pediu que eu me acalmasse um pouco para poder ir para casa, pois não tinha condições de dirigir.

Instantes depois, eu deixei a faculdade e fui para a casa de minha mãe. Pobre, coitada, pensei, não lhe bastava a doença, agora tinha de enfrentar a perda do filho. Rumei para lá, ligando para Janete no caminho. Ele ficou de me encontrar lá. Quando cheguei a casa, Lorena e Luana estavam com mamãe, tentando acalmá-Ia. Encontrei papai na sala cabisbaixo e choroso. Abracei-o e fiquei com ele um bom tempo, como se lhe restituísse parte do coração dilacerado pela dor da perda de seu primogénito. Depois, deixando-o sozinho, fui até o quarto de mamãe. Ela estava dormindo porque Luana tinha lhe dado um sedativo.

 

Havia ligado para o médico e ele tinha lhe recomendado o medicamento.

 

Abracei minhas irmãs e choramos juntos a dor da perda de Luís Carlos. Os questionamentos eram os mesmos para todos: por que ele se tinha ido diante do estado já frágil de mamãe? Aquilo iria recair sobre sua saúde e agravar ainda mais o seu estado, pois o médico tinha nos tido para evitar situações deveras emocionais.

Depois de aparentemente mais recompostos, conversei melhor com Lorena.

 

- Como foi que aconteceu, Lorena. - Perguntei-lhe para poder aceitar o fato, pois tudo fora tão repentino que não me parecia ser verdade.

 

Ela me contou os detalhes ditos pelo policial que ligou para a casa de mamãe. Sua narrativa era tão estranha, não pelo seu modo de narrar, mas pelo conteúdo narrado. Era o meu irmão, sua vida, seu corpo, nosso sangue. Fiquei duplamente triste e comentei com ela:

- Logo agora que ele parecia tão bem.

Ela assentiu e vi que concordava com a minha impressão de que ele tinha recuperado a paz.

 

- Ele soube, antes de ir para Sena de novo, que Amanda tinha se casado com Roberto. Luana contou para ele. Acho que ele chegou até ir visitar o Roberto na cadeia.

Eu tinha esquecido esse detalhe. Numa me inteirei dos fatos, mas soubera que ele estava preso.

- E eu senti que ele ficou ainda mais feliz quando voltou da visita que fez. Acho que finalmente tinha se libertado "daquelazinha". 

 

Ninguém lá em casa tinha amores por Amanda, nem mesmo mamãe que a recebia com mais entusiasmo e lhe fazia boa companhia.

 

Sabíamos que ela não merecia o carinho que Luís dedicava a ela.

 

Quando os dois desfizeram o noivado, desistindo do casamento, ninguém ousou questionar e sequer perguntar o motivo. Para nós, o fim daquele relacionamento já era grande avanço. A família sentia, embora não expressasse com nítidas palavras, que havia perdido uma parte de Luís por causa de Amanda. Ela, talvez e muito provavelmente sem saber, tinha-o roubado de nós. Melhor seria dizer que por causa do amor cego que ele nutria por ela, tinha se ido de nós. Mas a culpa dela repousava no fato de que só ela poderia lhe fazer voltar, principalmente se fosse sincera com ele.

Mas quem era eu para falar em sinceridade? Quando me lembrei de que jonas me esperava e eu não tinha feito nada para resolver minha situação, perdi qualquer direito de criticar quem quer que fosse, por mais que minha crítica fosse só para mim.

 

Diante da situação que se instalou lá em casa, todos ficaram abalados e com isso suas figuras se tomaram visíveis e vulnerais a observações. Reparei a figura de meu pai. Ele tinha envelhecido um pouco além do achei que deveria. Não sei se era impressão minha pelo fato de eu não reparar nele sempre, como deve acontecer com todo mundo, que só observa as pessoas de tempo em tempo, concluindo que as pessoas mudam de repente. Acho que isso tinha acontecido comigo em relação ao meu pai. O meu casamento, o meu trabalho, os meus estudos e todos os meus problemas, tinham-me feito desviar os olhos de pessoas como os meus pais, por exemplo, principalmente meu pai. Ele deveria estar enfrentando uma barra terrível com a doença de mamãe e a morte de Luis.


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Marcio Mafra
28/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

Em Julho de 2017 estive em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no estado do Acre. Trouxe diversos livros sobre a história do Acre e alguns de autores locais, como:

O Regresso -  Sergio Santos.

Das Cobras Meu Veneno – Leila Jalul

Contestado – Walmor Santos

O Inverno dos Anjos do Sol Poente – Cláudio Motta