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Crer ou Não Crer

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Crer ou Não Crer

Livro Bom - 3 opiniões

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Autor: Fabio de Melo e Leandro Karnal

Editora: Planeta

Assunto: Auto Ajuda

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 189

Ano de edição: 2017

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Ótimo
Matheus Claret Batista Pereira
16/11/2017 às 19:15
Pontal - SP
É um livro muito bom, principalmente pela questão humana de ambos autores. Os dois usam de uma humanidade muito latente e não falta o respeito entre eles. Recomendo muito!!! Livro de fácil leitura também.

Ótimo
Claudia Pinheiro Gomes
08/11/2017 às 12:24
Granja - CE
Não devemos julgar o livro pela capa, mas só pelo título sei que este é um livro bom de ser lido...

Bom
Marcio Mafra
27/10/2017 às 16:27
Brasília - DF
Crer ou não crer é uma "leiturinha" rasteira, mas muito bem editada. Os autores, sem nenhuma dúvida são pessoas famosas, com brilho próprio, erudição de pátio de faculdade, e domínio de palco. Mas o livro em si não passa de uma repetição monótona de clichês utilizados por qualquer crente versado em bíblia ou qualquer cético pedagogo. Se presta também como livro motivacional, ou de autoajuda, dependendo de que lado o leitor se coloque. É leitura pouco abaixo de mediana, embora seja um sucesso de bilheteria.

Marcio Mafra
27/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

Crer ou Não Crer é uma conversa descomprometida entre um historiador ateu e um padre católico.   O ateu, Leandro Karnal é professor conhecido e famoso como historiador já tendo publicado diversos livros. O católico, Fábio de Melo, é um padre famoso no Brasil, onde ficou muito conhecido como cantor e também já escreveu diversos livros. 

Marcio Mafra
28/10/2017 às 00:00
Brasília - DF
Padre Fábio:
 
Eu não me sinto apto para julgar o passado. O que costumo fazer é não permitir que continue em mim o que dele não considero justo. Não me sinto um administrador de radares. Eu acredito que os valores cristãos, quando internalizados, nos salvam do absurdo. 
 
Tenho muitos limites como padre, mas também tenho muitas possibilidades. Também reconheço que em muitas situações históricas a Igreja perdeu a oportunidade de ajudar na internalização de valores, limitando-se a ser uma instância de medo e julgamento. Mas ela venceu mais do que perdeu. Ela continua sendo a instituição que mais faz caridade no mundo. Mas não me engano. 
Muitas pedagogias que nasceram à sombra do cristianismo são pedagogias absolutamente cruéis. 
 
 
 
Karnal:
Antigamente, em colégios, amarrava-se a mão da criança canhota para que ela não escrevesse com a mão "errada". A crença numa ortodoxia da natureza era a base das instituições. Inclusive das instituições de países ateus como a União Soviética. Isso aproxima stalinistas do Papa Pio XII. Ambos reprimiam, por exemplo, comportamentos desviantes. 
Uma família extremamente católica como a dos Kennedy leva uma das filhas a fazer lobotomia, porque ela tinha perturbações mentais. Os protestantes queimaram um médico, Miguel Servet, em Genebra. A perseguição às bruxas era comum a protestantes e católicos. Na essência da organização religiosa estão a normatização e a definição de algum tipo de ortodoxia. Então não invoco 
problemas de séculos atrás, mas atuais e repetidos. 
 
 
Padre Fábio:
Sim, Deus costuma ser vítima da inteligência humana. Movidas por sentimentos e regras religiosas, muitas pessoas fomentaram o absurdo em nome Dele. Nietzsche foi criado dentro da sacristia. Filho de um pastor protestante, sofreu na carne as consequências de um discurso religioso opressivo, moralizante, tecido de acordo com as fraquezas humanas daquele que o fazia. 
Um outro exemplo que sempre me ocorre é a própria ética social protestante, usada durante muito tempo para conformar as pessoas a um modo servil de trabalho, privando-as de conhecer a satisfação profissional, compreendendo o trabalho como lugar do sacrifício. 
O ateísmo, em muitos casos, é a tomada de consciência de que o Deus a quem fomos apresentados é bem pior do que nós. Sua capacidade de ser cruel supera a nossa. 
 
 
Karnal:
O catolicismo como experiência histórica estabelece uma parte importante desse discurso repressivo que torna o mundo um lugar difícil. É a opressão ao lado do discurso da misericórdia, dos orfanatos, de gestos heroicos e outro tipo de crítica, de uma albanesa que vai para Calcutá para trabalhar entre os mais pobres. Queria contar uma piada didática. Madre Teresa foi para o céu 
e no primeiro dia Deus a recebe e pede uma pizza. No segundo dia, Deus pede comida chinesa. No terceiro dia, Deus pede um sanduíche. Na sua infinita humildade e serviço ao Senhor, Madre Teresa diz: "Não quero reclamar, Senhor, mas não dá para a gente fazer comida aqui no céu?". E Deus responde: "Detesto cozinhar para dois (risos)". Então, aparentemente, esse céu é um lugar onde só tem a Madre Teresa (risos). Esse céu só permite pessoas como Madre Teresa, tão elevadas de espírito. É a única possibilidade, esse céu dessas pessoas tão elevadas de espírito. Quer dizer, é muito pouca gente que entende dessa forma. O inquisidor do Irmãos Karamázov tinha razão. 
 
 
Padre Fábio:
Mas há muitos que alcançaram essa elevação espiritual. São os que cavam o céu nas estruturas da história, vivendo hoje em dia a batalha espiritual que proporciona a purificação dos excessos. Teresa é, sem dúvida, um ícone de desprendimento, de beatitude alcançada mediante amor aos miseráveis. Ela descobriu a verdade, fez uma fecunda experiência da condição humana, e isso a santificou; isto é, a aprimorou, permitiu-lhe incorporar a vida de Cristo. A grande questão é que a elevação espiritual passa pela cultura. Não nos iludamos. 
A opção pela verdade não nos põe entre muitos. As estruturas que nos gestam superficializam muito mais que aprofundam. O viver para fora tem sido a regra que nos normatiza. E a verdade, definitivamente, não pode ser pescada no raso da vida. Na obra A civilização do espetáculo, Mario Vargas Llosa fala com muita propriedade sobre essa normatização. O viver para fora prevalece
sobre o viver para dentro. A sociedade suprime aos poucos a produção cultural, substituindo-a pelo entretenimento. 
Nos contextos religiosos não tem sido diferente. Também estamos sorvendo o desafio de sobreviver em meio à superficialidade. Sendo assim, torna-se muito mais difícil alcançar o entendimento humano que Teresa alcançou. 
A superficialidade é uma oposição natural ao amadurecimento humano. Veja bem, eu não estou me limitando a falar de religião. Essas necessidades antecedem as escolhas religiosas. Nem mesmo os ateus estão desobrigados delas. 
Na superficialidade não experimentamos o autoconhecimento. E é a partir dele que tomamos posse do que somos. Ele nos possibilita identificar limites, possibilidades, e arregimentar uma espiritualidade comprometida com o amadurecimento humano. 
Com essa estrutura social que nós temos, que muito desfavorece o cultivo interior, fica ainda mais difícil descobrir o auto conhecimento como .experiência mística. 
Estamos envolvidos pela vida social. Eu não tenho como ser crente, um homem de fé, desconsiderando tudo aquilo que culturalmente está sendo oferecido, e que estou de alguma forma absorvendo. Eu, particularmente, fui educado para ler, embora tenha nascido numa casa onde somente eu estudei. Na minha família, ninguém teve acesso como eu tive à cultura, mas desde menino fui estimulado a buscar nos livros o que no meu mundo eu não encontrava. E tomei gosto pelos livros. Na literatura eu me encontrei. Li os clássicos. E por meio deles fiz terapia, tomei contato com minhas paixões, adentrei as ramagens da complexidade humana, esbarrei em Deus. 
 
Tive grande auxílio dos livros para viver o autoconhecimento. Agora, se você for ver hoje, as pessoas estão cada vez mais indispostas a um conhecimento mais consistente, que exige demora. O que as pessoas preferem ler atualmente? Resumos, resenhas, manchetes, conteúdo rápido. Ano passado eu recebi uma informação de que os livros religiosos são os mais vendidos no Brasil. Num pri- 
meiro momento fiquei feliz. Mas depois pensei: não sei se podemos comemorar o feito. Por quê? Porque não basta receber a classificação de religioso. O texto, se não favorece a vida interior, o andar pelos caminhos de dentro, perde sua força transformadora, limita-se a ser um entretenimento, ou um convite a viver práticas pagãs. A literatura mística é sempre bem-vinda, porque ela nasce naturalmente das necessidades humanas. E ao tratá-Ias coloca o ser humano diante do Deus que o habita. 
 
 
Karnal:
Li com muita atenção Vargas Llosa, que é um conservador e faz um texto conservador sobre a cultura do espetáculo. Da mesma forma que nós, ao fazermos um livro para mais gente ler, evitamos um debate teológico conceitual. Evitamos falar de gnose, de herrnenêutica bíblica, e queremos da mesma forma atingir mais pessoas. Mas eu reconheço que, numa época em que havia menos grupos de inteligência, havia mais sofisticação no debate. Nós pagamos um preço pela capilarização: qual é o custo de levar ideias a públicos maiores? 
Alguém poderia dizer que bom era o tempo em que a única música na igreja era o canto gregoriano, e não padres cantores (risos). Alguém poderia dizer que também há uma espetacularização, mas a minha geração foi marcada pelas músicas do Padre Zezinho. Cantar as músicas do Padre Zezinho, em suas diferentes fases, inclusive a fase mais social, latino-americanista, acompanhou a
minha formação religiosa. Então eu não sou um crítico da espetacularização da cultura como eu seria um crítico talvez da redução da cultura a um núcleo muito pequeno. 
As igrejas e as fés também entraram no modo massivo. 
Provavelmente a universidade também. 
 

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Marcio Mafra
27/10/2017 às 00:00
Brasília - DF

Mensagem para mim de Rodrigo Soares: “Esses dias vi uma entrevista dos autores do livro Crer ou não crer, escritos pelo Pr. de Melo - católico (um padre mais moderninho e metido a galã) e o professor/historiador Leandro Karnal - Ateu. O livro é uma espécie de "joguinho" entre acreditar ou não na religião e se devemos ter fé em algum ser superior". Na entrevista foi dito que o livro está estourado passando em poucas semanas a venda de mais de 100 mil exemplares. O resultado de pesquisa no google já ultrapassa os 5 mil resultados. Isso significa que tem ainda tem pouco conteúdo disponível na internet sobre o livro e que podemos nos destacar, cadastrando e comentando. Será que consegue comprar pra livronautas? “ Razões mais que suficientes para acionar a amazon.com. Recebi e devorei o livro, mesmo achando-o ruim logo no começo.