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Pornô

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Pornô

Livro Péssimo - 1 opinião

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Autor: Irvine Welsh

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Galera & Pellizzari

Páginas: 479

Ano de edição: 2005

Peso: 650 g

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Péssimo
Marcio Mafra
10/04/2017 às 20:59
Brasília - DF
Quando um livro vira filme – e dá certo – significa sucesso de crítica, de publico e de bilheteria.
Ou seja, fama e dinheiro derramam por todos os lados do autor.
Então o editor convence o autor a escrever outros livros para aproveitar o sucesso.

Pornô é isso. Pornô é livro rabo de foguete*.
Irvine Welsh fez muito sucesso com seu livro “Trainspotting” que virou filme.
Daí escreveu este livro, que no Brasil editado com o nome de Pornô.

Uma porcaria de livro e uma porcaria de história.
Personagens trazidos ou inspirados do livro anterior (Trainspotting) Sick Boy, Frank Begbie, Spud, Leigh, Danny, Renton, Curtis, Mel, Dianne, Nikki são todos viciados e dependentes de cocaína, maconha, anfetaminas e algum sexo.

A pornografia descrita no livro nem mesmo parece nojenta, pode ser chocante, talvez repulsiva, mas absolutamente distante da sensualidade.

O que salta das páginas são histórias bizarras, grosseiras, toscas, sobre os efeitos e consequências da dependência de drogas pesadas e o vazio de personagens desvairados.

Ou belos exemplos de psicopatas sem nenhum laço afetivo, muito viciados em droga pesada, que só usavam o sexo animal e sem prazer.

No entanto, o finalzinho da história (última frase) consegue surpreender o leitor.


* Rabo de foguete literário É fenomeno que não pode ser visto nos céus, mas existe aqui na terra.
Sempre que um autor faz sucesso na edição de um grande livro, ele sai da categoria de autor e vira escritor. Aí o seu genial aditor, no rastro daquele foguete, publica um ou mais livros que apenas vendem, sem fazer sucesso, mas estarão sempre atrelados ao rabo de foguete.

Marcio Mafra
10/04/2017 às 00:00
Brasília - DF

A historia de "Sick Boy" um jovem escocês, viciado em drogas pesadas e perdido na vida.

Ele se acha mais esperto que os outros “perdidos” e que será rico e famoso como produtor de cinema pornô.

Sick Boy começa as filmagens, com um roteiro precário e sem nenhum planejamento, orçamento ou recursos financeiros, intitulado “Sete Noivas Para Sete Irmãos”.

Nikki, uma menina boa de cama faz o papel de protagonista.

Sexo, drogas, traições, desencontros e miséria humana estão presentes em todos os capítulos da história.

Nenhum dos artistas têm contrato, nem cachê, mas são convencidos a filmar e dividir os resultados financeiros que o filme arrecadar quando de suas exibições.

Depois de pronto o filme é inscrito num festival em Cannes e Renton, o protagonista masculino, furta o dinheiro recebido e foge para Amsterdam..

 
Marcio Mafra
10/04/2017 às 00:00
Brasília - DF

UM FILME DE SIMON DAVID WILLIAMSON

Tem uma pontada massacrando atrás de um dos meus olhos. Estou no chuveiro tentando lavar mais uma ressaca, desejando que a cascata de jatos d'água pudesse ser absorvida ou internalizada de algum modo.

Que pudesse haver uma reidratação instantânea. Pego um frasco de gel de banho, esguicho na palma da mão aquele detergente gosmento com fragrância herbácea sintética e começo a esfregar meu corpo, preocupada com a minha barriga, se está ou não perdendo firmeza.

Penso numa barriga tanquinho, de academia. Vou descendo em direção à minha xoxota, tentando agir de forma prática, mecânica. Tentando não pensar no Simon; suas sobrancelhas escuras, o rosto de traços italianos, o sorriso gelado e as palavras doces saindo dos lábios de víbora. Mas acima de tudo, o campo magnético daqueles olhos grandes. Castanhos, mas cheios de
preto, como se fossem apenas pupilas.

Como eles parecem jamais encolher ou se desviar mesmo em desaprovação, quando apenas perdem seu halo brilhante e adquirem uma cobertura opaca de modo que não se pode mais ver neles
o próprio reflexo. Como se você não existisse, como se tivesse sido extinguida.

Estou tentando me concentrar no rádio que está empoleirado na banheira.

Um apresentador efusivo e puxa-saco está perguntando a uma jovem mulher quais são seus discos favoritos e o que essas canções significam para ela. Reco­nheço no mesmo instante o timbre leitoso, insípido e algo adenoidal das res­postas. Quando ela cita aquele disco, aquela merda de disco, sei que é ela antes que o apresentador possa dizer seu nome. - jive Bunny and the Mastermixers,

"Swing the Mood'! Ah, eu amo essa faixa! É que ... não sei ... sabe quando tem uma música bem naquela idade em que tudo parece ser possível... bem, eu tinha catorze anos e minha carreira na ginástica estava começando a decolar pra valer ...

Carolyn Vadia Pavitt.

Carolyn Pavitt e eu já fomos, abre aspas, melhores amigas. Era um rótulo dado a nós por outras pessoas; pais, professores, colegas, mas acima de tudo pelos treinadores. Tudo porque a pequena Nikki e a Carolyn iam para a aula de ginástica juntas. Mas embora tenhamos nos envolvido através dessa participação conjunta no esporte, nunca sentimos nós mesmas essa grande amizade.

Enquanto ainda menininhas, éramos vistas como unha e carne. Na verdade,desde o princípio fomos rivais mortais.

 

Passamos a competir seriamente como ginastas adolescentes. No início eu era melhor que a desajeitada Carolyn, embora o patinho feio se transformasse em cisne quando pisava no tablado. O problema é que, quando a adolescência se abateu sobre nós, eu ganhei peitos e ela troféus.

E agora me dou conta de que regulei o chuveiro no mais frio, e já não con­sigo mais escutar a voz de "Carolyn Pavitt da Grã-Bretanhà'. Consigo sentir apenas o frio lancinante, o peso e meu peito arfando e acho que vou desmaiar, mas saio do chuveiro, sem fôlego.

Desligo o rádio e me esfrego com a toalha enquanto uma onda quente e reconfortante se irradia do meu centro para as extremidades da minha pele. Ah, sua vadia, Carolyn Pavitt.

Vou para o meu quarto me vestir e me pergunto que vestido vou colocar, o justinho de casimira ou o folgado de angorá. Penso na necessidade de malhar e opto pelo segundo. Fico imaginando qual dos dois ela teria escolhido. Mas nada pode me tirar o ânimo por muito tempo hoje, porque estou toda entusiasmada.

O Simon me ligou bem tarde ontem à noite, dizendo para eu ir ao pub hoje de manhã às nove e meia: porque ele vai exibir um corte do filme! Penso na Carolyn. Pode enfiar no rabo o seu Bronze da Comunidade Britânica e esperar a chegada da artrite, sua vaca!

Quando chego no Leith, o nível de excitação de Simon está alto. É óbvio que andou cheirando cocaína. Ele me beija na boca e dá piscadinhas gulosas ao separar o rosto.

O Rab está aqui também, e conversamos sobre nosso curso. Ele foi melhor que eu, tomara. Digo para ele que fui reprovada porque não me esforcei o su­ficiente. O nível do nosso papo é superficial, mas o olhar dele, me julgando e tendo dó ao mesmo tempo, começa a me deixar constrangida. Me sento ao lado da Mel, Gina, Terry e Curtis. O Mark Renton entra, parecendo bastante tenso e esquivo, e o Simon grita: - O Rent Boy finalmente chega ao Leith! A gente devia reunir todo o resto da velha turma! Um pequeno passeio pelos pubs do Leith'

Mark ignora ele, me acena com a cabeça e troca cumprimentos com os de­mais. O Simon vai até o balcão e serve algumas bebidas enquanto segue falando para o Mark.

- Tava me perguntando quando você ia ter peito de dar as caras por aqui. Desceu do táxi bem na frente da porta, né?

- Não teria perdido a estreia como diretor do meu velho amigo por nada desse mundo - Mark meio que caçoa -, especialmente tendo ele garantido a minha segurança.

Tem alguma coisa rolando aí, mas o Simon só responde à evidente agressão de Mark com um esboço de sorriso. - Certo ... quem tá faltando ... Miguel disse que viria ...

- Ele se vira para ver o Mikey Forrester entrar luzente em um traje esportivo branco e brilhante, cheio de acessórios dourados, seguido logo atrás pela Wanda.

- Ah, falando no diabo! Miguel! Bem na hora, entre e se junte a nós! Vestido pro sucesso, pelo que tô vendo - diz, sarcasticamente. Forrester parece não reparar, na verdade parece faceiro até que nota a presença de Mark Renton. Há uma pequena pausa fria e desagradável antes de trocarem relutantes acenos de cabeça. Pelo jeito, a única pessoa alheia à atmosfera gélida é o Simon.

- Lá vamos nós, gente - ruge triunfante, rasgando uma caixa de fitas de vídeo e distribuindo uma para cada um.

Daí o Simon estica algumas carreiras, mas todo mundo exceto o Terry e o Forrester recusa.

- Sobra mais pros pesos-pesados - diz, numa voz que é mistura de alívio e desprezo, mas ninguém reage porque estamos contemplan­do incrédulos as capas de nossas caixas de vídeo.

Para mim, o sentimento de absoluta traição e desapontamento é de dar engulhos. Vejo a capa e a primeira bala do franco-atirador atinge meu coração.

Meu rosto com aquela maquiagem; uma versão exagerada da realidade, tornada ainda mais espalhafatosa e vulgar pela péssima qualidade de impressão. O pior de tudo é que ele usou a foto que prometeu não usar, aquela em que um peito parece maior que o outro. Pareço um transformista, ou aquela boneca inflável que ele comprou pro Curtis; aquela foto feia e berrante e as letras garrafais:

NIKKI FULLER-SMITH em SETE NINFAS PARA SETE IRMÃOS.

O que realmente me tira do sério, contudo, são os créditos:

UM FILME DE SIMON DAVID WILLIAMSON

PRODUZIDO POR SIMON DAVID WILLIAMSON

DIRIGIDO POR SIMON DAVID WILLIAMSON

ROTEIRO DE SIMON DAVID WILLIAMSON COM NIKKI FULLER-SMITH E RAB BIRRELL

Os outros, evidentemente, estão sentindo o mesmo que eu. - Então esse é o nosso filme - diz o Rab, balançando a cabeça e jogando sua cópia do vídeo de volta na caixa.

- Não, é o filme dele - fuzilo, olhando da caixa do vídeo para o Simon e de volta para a caixa. Meus pulmões se comprimem e minhas unhas estão escavando a palma das mãos.

Como é fácil agora pensar no meu Simon, o meu amante, como Sick Boy.

Os resmungos se intensificam, mas ele finge não escutar, fica apenas assoviando despreocupado enquanto retira mais uma fita de vídeo da caixa.

- Que porra você teve a ver com o roteiro? - Rab insiste em perguntar.

- Onde foram parar os investimentos na alta qualidade da embalagem? Isso aqui tá um lixo - diz, chutando a caixa.

Si ... não, o Sick Boy, não tem nada do que se desculpar. - Vocês são crianças tremendamente ingratas - zomba com autoridade.

- Eu poderia ter colocado o Terry como codiretor e o Rents como coprodutor, mas eles querem trabalhar somente com um nome, pra fins de divulgação, evitando que o lado comercial
da operação seja obstruído. Desse jeito, é em cima do panaca aqui - aponta indignado para si mesmo - que tudo vai cair, e essa é a porra do agradecimento que eu recebo!

- O que você teve a ver com o roteiro? - Rab pergunta novamente, com entonação lenta e constante, olhando para mim.

- Precisou de algumas modificações. Como Diretor, Produtor e Editor, eu tinha esse direito.

Terry troca um ligeiro olhar com o Renton, que levanta as sobrancelhas.

A cabeça de Terry volta pro lugar e seus olhos perscrutam o teto amarelado de nicotina. Estou me desfazendo por dentro, não tanto pela traição em si, mas sim pela arrogante tranquilidade do Simon em relação a ela. Ele fica ali parado vestindo sua camiseta, calça e sapatos pretos como um anjo negro, braços cru­zados, nos olhando como se fôssemos um pouco de merda que acabou de tirarno sapato. Me entreguei a um completo canalha.

Nos sentamos em meio a um silêncio que fica ainda mais agourento quan­do o Sick Boy, cheirado e entusiasmado, enfia uma fita dentro do videocassete.

Ele beija a capa da caixa de vídeo. - Estamos dentro. Temos o produto. Estamos vivos - diz, suavemente. Daí ele se aproxima da janela, olha para a rua movi­mentada e barulhenta abaixo e grita para fora: - Cês ouviram? ESTAMOS VIVOS!

Começo a assistir, sentada ao lado da Mel e da Gina, à primeira cópia montada de nosso trabalho. Começa do jeito que pensávamos, com a cena da televisão, na qual eu e a Mel mandamos ver. Sou obrigada a reconhecer que meu corpo está ótimo: esguio, bronzeado, flexível. Não perco em nada, até pelo contrário, em relação à Mel, que é cinco anos mais jovem que eu! Passeio o
olhar pelo recinto tentando medir as reações. Agora o Terry parece convencido e orgulhoso, envolvido pela putaria. Curtis, Mel e Ronnie estão esperançosos, e Rob e Craig desconfortáveis. Renton e Forrester estão impenetráveis. Gina parece excitada mas pouco à vontade, quase acanhada.

Depois vem a parte da cantina dos trabalhadores, onde os "irmãos" estão conversando sobre sua viagem para "Glasburgh". Parece um tributo amador e canhestro à cena introdutória de Cães de aluguel, mas até que funciona. Con­tinua parecendo tudo bem à medida que prossegue, apesar dos resmungos do Simon sobre "classificação" e "cópias definitivas". Chegamos à cena em que eu e o Simon estamos no trem e depois fodemos no que é pra ser o toalete do trem, mas que na verdade é o banheiro aqui do pub.

- Pfu! - exclama o Terry. - Olha só essa bunda, porra ... - aí ele se vira para mim e sorri - desculpa, Nik.

Pisco para ele, porque estou começando a me sentir melhor. A maior parte saiu como o esperado e, para ser justa com o Simon, ele montou muito bem.
A coisa toda anda em um ritmo adequado, embora as atuações sejam fracas,com a gagueira do Curtis dolorosamente perceptível em alguns momentos, e dá para ver que o Rab não parece muito impressionado com a qualidade da imagem. Mas tem algo ali, uma certa energia.

Somente quando chegamos a uns três quartos do caminho percebo que a Mel está pálida pra caralho. Ouço ela di:zendo:

- Não ... não ... isso não tá certo ... - quase falando consigo mesma.

Me viro e vejo ela sentada, sem conseguir falar, ao mesmo tempo em que a as­sistimos chupar a pica enorme do Curtis. Mas ela está chupando depois que ele acabou de comer o cu dela.

- O que é isso! - ela dá um grito agudo.

- O que é o quê? - diz o Sick Boy.

- Do jeito que cê montou isso, parece que eu chupei o pau dele depois que ele botou no meu rabo - ela se queixa para o Sick Boy.

E agora é a mir:,ha vez, recebendo o mesmo tratamento na montagem. Um close no meu rosto e depois um corte para o pau do Curtis, que parece estar entrando e saindo do meu cu, só que é outro plano do eu da Mel.

- Ninguém  comeu o meu eu! Que porra é essa, Simon!

- É - diz o Curtis, dando apoio -, cê não quis fazer isso, não.

- É só o jeito que foi montado - diz o Sick Boy. - Criatividade. Usamos umas tomadas excedentes da Mel levando no fiofó, e conseguimos usar a ilha de edição pra alterar a cor da pele da Mel pra ficar parecida com a sua.

Fico me repetindo, escutando minha própria voz se elevando em um pâ­nico horrorizado.

- Eu disse que ninguém comeu o meu cu! Por que as cenas precisaram ser colocadas nessa sequência? Não sou eu ali! É a Mel!

 


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Marcio Mafra
10/04/2017 às 00:00
Brasília - DF

Irvine Welsh era um convidado importante da 14ª FLIP em julho de 2016, Paraty, Rio de Janeiro.

Estava na mesa 6 onde se apresentavam ele e Bill Clegg com o tema: Na pior em Nova York e Edimburgo.

Claro comprei seu livro tão falado: Pornô.

 

 

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