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Confissões do Crematório

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Confissões do Crematório

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Autor: Caitlin Doughty

Editora: Darkside

Assunto: Memórias

Traduzido por: Regiane Winarski

Páginas: 251

Ano de edição: 2016

Peso: 400 g

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Ruim
Marcio Mafra
04/02/2017 às 00:59
Brasília - DF
Caitlin Doughty é protagonista de Confissões do Crematório, livro baseado nas experiências de seu primeiro emprego no crematório de nome Westwind.

Leitura aparentemente pesada, mas na verdade descortina o tratamento da morte pela indústria funerária americana.
São histórias reais das atividades de uma dessas empresas, com muitas curiosidades e fatos que derrubam mitos e restabelecem verdades, inclusive sobre faturamento, lucros e resultados operacionais.

Mas não derruba o axioma de que a morte melhora as pessoas e que todos os povos praticam um rito de passagem.

Também não faltam boas tiradas de humor, tal como quase sempre acontece, com aquilo que chamamos de “pagar mico” nos velórios.

A autora descreve a visão nua e crua da atividade, não sem criticar a indústria, notadamente nos EUA, onde empresas e muitos profissionais lucram com a morte alheia, sem qualquer respeito ou consideração à tristeza e a dor das pessoas.


Enquanto Caitlin recolhe as cinzas das máquinas de incineração, desmistifica a morte para si e para seus leitores, pois afinal a morte é mesmo um ato de banal finitude.

De qualquer forma é melhor transformar seus restos mortais em pequena porção de cinzas, que ser solenemente enterrado e ter seu corpo apodrecendo lentamente, fedendo, desintegrando-se, comido por baratas, ratos, larvas e bactérias, até virar nada.

Este não foi o pior livro que já li, mas é o mais enjoado e nojento em algumas partes e no todo.

Para ateus e agnósticos a morte é somente um ato de finitude.

Já para os não-ateus, que acreditam em vida após a morte, até porque não aguentam não acreditar, “Confissões do Crematório” será uma leitura pecaminosa e abominável.

Marcio Mafra
04/02/2017 às 00:00
Brasília - DF

Confissões do Crematório é quase um livro de memórias de Caitlin Doughty, autora e personagem principal da história, que começa quando ela conseguiu seu primeiro emprego num crematório da Califórnia. No Brasil seria um emprego de estagiária. Adquiriu muita experiência lavando, vestindo, barbeando e maquiando cadáveres, preparando-os para velório e incineração.

Marcio Mafra
04/02/2017 às 00:00
Brasília - DF

Em uma tarde, Chris e eu saímos do crematório na van branca e fomos até Berkeley pegar Therese Vaughn. Therese morreu na cama aos 102 anos. Ela nasceu quando ainda faltavam anos para a Primeira Guerra Mundial - a Primeira Guerra Mundial! Depois de voltar à Westwind e colocar o corpo dela no refrigerador, cremei um bebê recém-nascido que viveu apenas três horas e seis minutos. Depois da cremação, as cinzas de Therese e as cinzas do bebê eram idênticas em aparência, ainda que não em quantidade.

 

Corpos completamente cremados, cabeças doadas para a ciência, bebês e a perna amputada de uma mulher saem todos com a mesma aparência no final. Ao mexer em uma urna de restos cremados, você não tem como saber se a pessoa teve sucessos, fracassos, netos ou crimes. "Pois você é pó, e ao pó retornarás." Como humano adulto, seu pó é igual ao meu, entre dois e três quilos de cinzas e ossos.

 

Fala-se muito na indústria funerária moderna sobre "personalização". Essa narrativa de marketing mira nos talões de cheques dos baby boomers e garante que, pelo preço certo, cada morte pode ter seus adicionais: caixões do Baltimore Ravens, urnas em forma de tacos de golfe, mortalhas para corpos com cenas de caça a patos. A Mortuary Management (a principal revista da indústria da morte) proclamava a chegada de jazigos de Thomas Kinkade pintados com aerógrafo, com cenas pastorais nos tons do arco-íris, como se fossem a segunda vinda de Cristo. Esses produtos oferecem toques adicionais que dizem: "Eu não sou o meu vizinho, não sou como um morto qualquer, eu sou eu, sou único, sou lembrado!". Para mim, esses montes de detalhes oferecidos pela agência funerária geram um horror que envergonharia os cadáveres dançarinos da danse macabre.

 

Eu entendia o impulso da personalização. Na verdade, cedia esse impulso quando cheguei à Westwind com a ideia ingênua de um dia abrir La Belle Mort, uma casa funerária para a morte única e personalizada. Porém, o que precisávamos não eram mais acréscimos à lista infinita de opções de mercadoria. Não quando faltavam rituais de significado verdadeiro, rituais envolvendo o corpo, a família, as emoções. Rituais que não podiam ser substituídos pelo poder de compra.

 

Ao longo dos meses em que trabalhei na Westwind, sacos de restos cremados se empilhavam na prateleira de metal acima das ferramentas. Eram bebês, adultos, partes anatômicas do Science Support e pedaços "adicionais" dos fornos - uma mistura remanescente de todo mundo que passou pelas nossas portas. Certa tarde, quando havia sacos suficientes para compensar o trajeto, preparamos os pequenos guerreiros .cinzentos para espalharmos suas cinzas no mar sem testemunhas. Os sacos de ossos, falecidos com nomes como Yuri Hirakawa, Glendora Jones e Timothy Rabinowitz, foram empilhados em caixas, com os arames que amarravam as pontas eretos em atenção estoica. Familiares, parentes e o Science Support pagavam ao nosso necrotério para levar as cinzas dos seus entes queridos para a baía de São Francisco e jogá-las ao vento.

 

A preparação me tomou um tempo. Na Califórnia, há leis e procedimentos para espalhar restos no mar. É preciso verificar duas vezes cada falecido, cada Autorização de Desarte, cada contrato com a Westwind, comparar os numerozinhos em um formulário com os numerozinhos em outro.

No final, eu tinha três caixas cheias com os restos indistinguíveis de 38 antigos adultos, doze antigos bebês e nove antigas partes anatômicas. Eu era a condutora da minha própria danse macabre.

 

As caixas estavam prontas para serem levadas pelo barco espalhador de cinzas da Westwind na manhã seguinte. Sugeri a Mike que eu devia ir. Eu queria ser quem acompanharia aquelas pessoas em toda a jornada final, desde recolhê-las onde faleceram até colocá-las no fogo e espalhá-las no mar.

Hélas, Mike ficou com o serviço. Ele estava ansioso pela aventura matinal no mar. Alguém tinha que ficar no crematório, atendendo ao telefone e queimando corpos. Esse alguém era a operadora dos fornos, a mulher na posição mais inferior da hierarquia da morte: eu. 


  • Escritora expõe, em obra recém-lançada no Brasil, os bastidores da morte usando humor afiado e sagacidade

    Autor: CAMILA APPEL

    Veículo: Folha de São Paulo - Sessão Ilustrada

    Fonte:

    Escritora expõe, em obra recém-lançada no Brasil, os bastidores da morte usando humor afiado e sagacidade

     

    CAMILA APPEL

     

     

    A norte-americana Caitlin Doughtyabraçou uma missão: desmitificar o tabu da morte.

    Com seu canal no YouTube, o "Ask a Mortician", ela apresenta vídeos curiosos sobre a indústria da morte usando humor afiado e sagacidade.

    E usa a escrita para apresentar o leitor a um setor pouco conhecido do público em geral - os bastidores da morte.


     

    Seu livro, "Confissões do Crematório" (ed. Darkside, 2016), lançado recentemente no Brasil, é uma compilação de casos reais vividos

    durante seus primeiros seis anos trabalhando em um crematório nos Estados Unidos.

     

    Doughty não pisa em ovos.

     

    Ela destrincha os tópicos mais mórbidos de forma bem direta. Conta sobre um bebê que precisou raspar a cabeça (pois a família queria

    guardar o cabelo de lembrança), e atividades como lubrificar uma mão para tirar a aliança, remover marca-passos para não explodirem no fomo

    crematório, moer ossos em um liquidificador de metal, inserir tampas espinhosas embaixo das pálpebras para os olhos ficarem fechados e

    barbear mortos.


     

    São ações que incitam um dilema comum aos trabalhadores desse ramo: "Eu não tinha certeza se Byron era um 'ser' ou uma 'coisa' (um corpo),

    mas parecia que eu devia ao menos saber o nome dele para executar um procedimento tão íntimo", escreve.


     

    A autora oferece uma revisão histórica da morte, como o surgimento do embalsamamento, da cremação, dos cemitérios modernos, a

    higienização do processo do morrer com a transferência dos moribundos das casas aos hospitais, os ritos fúnebres nas diversas culturas

    -a tribo brasileira Wari que comia seus mortos, os budistas tibetanos que deixam os corpos ao ar livre para serem devorados por entidades

    celestiais (os urubus) e o costume fúnebre da ilha de Iava, na Indonésia, de abraçar e lavar cadáveres.

     

    Ela relaciona o tabu da morte com o do sexo: "Enquanto o sexo e a sexualidade eram o tabu central do período vitoriano, a morte e o

    morrer são o tabu do mundo moderno". E cita o antropólogo britânico Geoffrey Gorer, "nossos bisavós ouviram que os bebês eram encontrados

    embaixo de arbustos de groelha ou de repolhos; nossos filhos provavelmente vão ouvir que os que faleceram ( ... ) viram flores ou descansam

    em lindos jardins".


     

    O envolvimento profissional de Doughty com a morte surgiu da tentativa de superação de um trauma de infância. Aos oito anos, ela

    presenciou urna garotinha cair para fora da escada rolante de um shopping center.

     

    Doughty diz ter se traumatizado por nunca ter tido contato com a morte antes desse evento. Após o trabalho no crematório, ela cursou uma

    faculdade funerária em São Francisco e chegou à condusão de que "quanto mais eu aprendia sobre a morte e a indústria da morte, mais a ideia

    de outra pessoa cuidando dos cadáveres da minha família me apavorava". Essa consciência a estimulou a fundar sua própria casa funerária,a "Undertaking LA".

     

    CONSCIÊNCIA FUNERÁRIA

    Em entrevista à Folha, Doughty conta que a "Under­ taking LA" é a única casa fu­nerária sem fins lucrativos de  Los Angeles, e afirma se preo­cupar em envolver as famílias nos cuidados com seus mortos. Ela organiza, por exemplo, workshops para clientes saberem o que  exatamen­te é feito com os cadáveres.

     

    "Eu não concordo com os funcionários do ramo (tana­topraxistas, patologistas, funcionários do crematório) somente lidarem com os cor­pos mas nunca com suas familias.

    Se você ignorar os vi­vos, a família enlutada, você pode perder de vista o fato de que cada corpo representa um ser humano com uma história”, conta.

     

    Doughty relaciona os problemas da sociedade moderna com uma cultura que ela considera negar a morte: “se não podemos aceitar que vamos morrer, não vamos aceitar que estamos matando o planeta.

     

    Agora, Doughty trabalha em seu próximo livro: sobre como revolucionar o setor fu­nerário e define uma epígra­fe para si: "Ela morreu fazen­do o que amava: a morte".

     

    CONFISSÕES DO CREMATÓRIO

    AUTORA Caitlin Doughty

    TRADUÇÃO Regiane Winarski

    EDITORA Darkside Books

    QUANTO R$ 49.90 (256 págs.)

     
Marcio Mafra
04/02/2017 às 00:00
Brasília - DF

Num sábado, 20 de agosto 2016, passando pela sessão Ilustrada da Folha de São Paulo, li artigo da jornalista Camila Appel, intitulado: “Americana relata trabalho em crematório. Em livro Caitlin Dougthy procura desmistificar tabu da morte por meio de revisão histórica e de experiência pessoal.“

Artigo bem escrito e inteligente. Comprei o livro.


 

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