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Lisboa - A Guerra nas Sombras da Cidade Luz, 1939-1945

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Lisboa - A Guerra nas Sombras da Cidade Luz, 1939-1945

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Autor: Neill Lochery

Editora: Editorial Presença

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português (de Portugal)

Páginas: 326

Ano de edição: 2012

Peso: 420 g

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Mediano
Marcio Mafra
29/01/2017 às 21:19
Brasília - DF
A Segunda Guerra Mundial é um tema generoso para filmes, teses de ciência política, pesquisas e romances, mas Portugal e outros países, como Espanha, Brasil, Polônia Noruega, Grécia ou Dinamarca são considerados de importância menor e quase nunca não aparecem no teatro da guerra.

Se fora no cinema, ou no teatro seriam considerados atores figurante.

Cabe uma leve crítica ao autor porque seu livro se ateve aos aspectos da politica externa do ditador português. Faltou tratar da sociedade portuguesa e dos outros aspectos do Estado Novo.

No Brasil, Getúlio Vargas, também ditador na mesma época de Salazar, adotou o nome de Estado Novo para o seu regime de governo.

Salazar é descrito como um político esperto, capaz e inteligente. Coincidentemente, aqui no Brasil, Getúlio também era considerado esperto, matreiro, poderoso e magnânimo tido como "pai dos pobres".

Para nós leitores brasileiros, fica a impressão que Salazar e Getúlio disputavam para ver quem era mais autoritário, sanguinário, censurador, violento, torturador, demagogo, sendo que ambos consideravam adversários políticos como inimigos da nação banindo-os, exilando-os, matando-os e fazendo desaparecer seus corpos, sem qualquer pudor e matando-os ou encarcerando-os sem nenhum processo legal.

Além disso, vez em quando, o livro se ocupa de um aspecto teatral e bizarro narrando as peripécias e tertúlias da realeza europeia que usava Portugal como trampolim para suas fugas para países longínquos, livre dos terrores da guerra.

É um livro bom, bem projetado e escrito com elegância, mas sua leitura – enquanto história - deve ser vista com reservas. O final poderia ter sido menos tosco.

Marcio Mafra
29/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

 “Lisboa – A Guerra nas Sombras da Cidade Luz, 1939 – 1945” O papel que Portugal desempenhou durante a 2ª Guerra Mundial quando as Potências Aliadas (EUA, Russia, Inglaterra, China) e Potência do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) operavam à luz do dia e se vigiavam mutuamente.

Salazar, ditador que governava Portugal usou de sua esperteza política e conseguiu manter a neutralidade e a soberania portuguesas. O livro trata dos interesses economicos e financeiros da Guerra, sob o ponto de vista português.

Marcio Mafra
29/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

SOB PRESSÃO

 

A entrada dos Estados Unidos na guerra em dezembro de 1941 reforçou enormemente a capacidade financeira dos Aliados na arena da guerra económica. Mas, mesmo com a participação dos americanos, ainda não era claro que lado iria acabar por ganhar as guerras do volfrâmio. Em junho de 1942, os ingleses e os americanos formaram em Lisboa o Comité Conjunto para o Volfrâmio para comprarem o volfrâmio com direito de preferência. Esta era uma guerra cara. Estimou-se que os Aliados gastaram cerca de 170 milhões de dólares, distribuídos igualmente entre ingleses e americanos, na compra de volfrâmio a Portugal.

 

Os alemães contrariavam as compras com direito de preferência dos Aliados fazendo exigências constantes de mais volfrâmio, sobrepondo-se aos acordos dos Aliados estipulados com Lisboa.

Por vezes, esta pressão tornava-se ameaçadora, mas os portugueses tentaram politicamente pautar-se sempre por esses acordos. Os esforços ilegais dos alemães recrudesceram para levarem o volfrâmio português para Espanha e daí para os territórios controlados pela Alemanha. Muitas das minas portuguesas situavam-se perto da fronteira com a Espanha e as estradas montanhosas e sossegadas  tornavam o contrabando uma tarefa relativamente fácil.

 

À medida que a guerra evoluía, a questão do fornecimento de volfrâmio viria a misturar-se com outras questões. Foi só quando a maré geral da guerra virou a favor dos Aliados que a guerra do volfrâmio pareceu ter sido ganha. À medida que os Aliados venciam na frente de batalha, Salazar viu-se sob uma enorme pressão, tanto por parte de Londres como de Washington, para fazer um embargo às vendas de vo1frâmio à Alemanha. Os Aliados argumentavam que tal manobra ajudaria a encurtar a guerra. Mesmo assim, Salazar discordava, afirmando que era possível proceder a uma redução do fornecimento de volfrâmio à Alemanha, mas que o embargo não era do interesse de Portugal.

 

Numa jogada desesperada, os alemães tentaram pressionar Salazar usando um dos seus submarinos ao largo da costa das Bermudas para capturar um transatlântico português, o Serpa Pinto, e fazendo reféns da sua tripulação e passageiros." O navio seguia a sua rota regular entre Lisboa e Nova Iorque e estava cheio de refugiados que viajavam para a América. Agindo sob as ordens de Berlim, o capitão do submarino ordenou que o navio fosse revistado, afirmando que transportava uma carga ilegal a bordo. Os aterrorizados passageiros foram interrogados e evacuados do navio em barcos salva-vidas.

 

As 385 pessoas que seguiam a bordo foram deixadas a flutuar no oceano Atlântico durante nove horas enquanto o capitão do submarino alemão aguardava ordens de Berlim para saber se deveria afundar o transatlântico. Os passageiros acabariam por ser autorizados a voltar a bordo e o navio pôde seguir viagem.

No entanto, um dos passageiros morreu durante o processo de reembarque a bordo. A operação de captura do navio pretendia enviar uma mensagem clara de Berlim a Salazar. Continua a pairar a dúvida sobre a extensão dos contactos entre Berlim e Lisboa durante essas nove horas, mas torna-se claro que Salazar não cedeu. Na sequência desse incidente, o governo português queixou­se a Berlim em termos invulgarmente duros.

 

Intensas negociações prosseguiram ao longo da primavera de 1944, com cada um dos lados a ficar cada vez mais irritado com o outro. Salazar defendia a sua posição, argumentando inicialmente que a Alemanha poderia responder com violência a um possível embargo. Os ingleses frisavam que a Alemanha não estava em posição de lançar nenhum ataque contra Portugal. Salazar contrapunha que nenhuma das forças dos Aliados conseguira ainda desembarcar na Europa Ocidental. E, por fim, Salazar recorreu ao argumento de que tinha um acordo com os alemães e tinha de lhes vender pelo menos algum volfrâmio de forma a honrar esse acordo.

 

Os Aliados aumentaram a pressão sobre Salazar: Churchill e o presidente Roosevelt escreveram-lhe pessoalmente." O embaixador brasileiro em Lisboa usou o argumento de que o volfrâmio português estava a matar indiretamente soldados brasileiros que estavam a lutar em batalhas sangrentas na Itália. Para Salazar, que estava cada vez mais esgotado no seu gabinete em São Bento, a questão do volfrâmio tornou-se no catalisador de uma série de desenvolvimentos problemáticos que tanto ameaçavam a neutralidade de Portugal como ofereciam a possibilidade de enormes ganhos financeiros.

 

Com as infraestruturas de Lisboa em decrepitude e com crescentes queixas dos grupos de oposição contra Salazar, como era relatado pela PVDE, Salazar precisava de efetuar um dificil ato de equilíbrio. Para alguns políticos e diplomatas britânicos,

Salazar tinha-se tornado um grande obstáculo e acusavam-no de ignorar pontos de vista morais acerca do que era justo e errado na guerra.

 

Num jantar festivo ocorrido no ano anterior na sua villa na Boca do Inferno, Ricardo Espírito Santo tinha relatado a James Wood, o adido financeiro dos EUA em Lisboa, pormenores de uma conversa que tivera com Salazar, durante a qual lhe perguntara se o seu banco deveria descontinuar todos os negócios com os alemães.

Salazar respondera que o resultado da guerra era claro e que os Aliados iriam ganhar definitivamente. Mas acrescentou que não seria «cavalheiresco» suspender todos os negócios com os alemães."

 

Wood concluiu dessa conversa que Salazar parecia estar apostado em continuar o comércio altamente lucrativo com a Alemanha.

 

À medida que a guerra se aproximava de um desfecho, as razões de Salazar para continuar o comércio com a Alemanha foram removidas uma a uma, até restar a maximização dos lucros como a única explicação para o facto de Portugal não ceder imediatamente aos apelos dos Aliados para pôr fim a tais trocas.

 

Cada vez mais isolado, e em perigo de se tornar um pária, Salazar acabaria por se curvar à intensa pressão dos Aliados e fazer aquilo que Londres e Washington tinham estado a exigir que fizesse já há meses: declarar um embargo total à exportação de volfrâmio.

Essa decisão foi anunciada a 4 de junho de 1944, na véspera da invasão da Europa Ocidental pelos Aliados.' O embargo iria vigorar a partir de 8 de junho de 1944.

 

Os americanos repararam que o sentido de oportunidade do anúncio de Salazar - justamente quando a invasão da Europa Ocidental estava prestes a ser desencadeada - não era nenhuma coincidência. Afirmaram que essa decisão assinalava o sucesso da política de neutralidade de Salazar, que permitira aos portugueses explorar ambos os lados beligerantes durante o máximo de tempo possível. Os americanos reivindicavam que somente a insistência de Washington levara Salazar a concordar com um embargo total à venda de volfrâmio e que os ingleses tinham tolerado os compromissos de Salazar." Para os americanos, até os próprios ingleses eram culpados de terem posto os seus interesses nacionais à frente dos interesses dos Aliados.

 

Com efeito, alguns dirigentes americanos não estavam nada impressionados com o grau de cooperação entre os Aliados em relação à forma como tinham lidado com as guerras do volfrâmio desde o início.

 

A decisão de introduzir o embargo implicava que cerca de noventa mil portugueses que estavam direta ou indiretamente envolvidos na indústria mineira ficariam sem trabalho. Os americanos afirmaram que o governo português não tinha tomado nenhumas medidas para tentar absorver noutras indústrias os mineiros do volfrâmio, que provinham maioritariamente de anteriores trabalhos agrícolas de baixo rendimento. No início das guerras do volfrâmio, Salazar ficara preocupado com o impacto da extração mineira no mercado de trabalho nas áreas onde se situavam as minas. A indústria do volfrâmio tinha crescido ao longo da guerra à medida que a procura alemã por volfrâmio aumentara e as suas fontes de abastecimento alternativas se tinham esgotado todas.

 

Na verdade, na altura em que Salazar tomou a decisão de impor um embargo às exportações de volfrâmio havia já pouco que Berlim pudesse fazer em retaliação. Havia pouca ação militar que a Alemanha pudesse empreender contra Portugal nesta fase da guerra. O embaixador alemão em Lisboa, o barão Oswald von Boyningen-Huene, afirmava que encarava essa decisão como sendo final e não fez nenhuma tentativa para garantir mais exportações de volfrâmio para a Alemanha.

 

O embaixador, que estivera profundamente envolvido nas negociações alemãs com Salazar relativamente ao volfrâmio, tinha refletido sobre a realidade da situação e compreendia que a guerra estava perdida para a Alemanha.

 

A entrada dos Estados Unidos na guerra alterara o plano de jogo para Salazar. À medida que a guerra evoluía e a questão da exportação do volfrâmio se entrelaçava com uma série de outras questões, a presença dos Estados Unidos parecia tornar Salazar menos inclinado a apoiar abertamente os Aliados. Na verdade, ao longo da guerra as relações luso-americanas nunca foram particularmente cordiais ou estreitas. Os dirigentes americanos sentiam amiúde que os ingleses eram demasiado brandos com Salazar e que depositavam demasiada fé na antiga aliança histórica entre os dois países." Durante as guerras do volfrâmio, os EUA tinham seguido uma linha mais dura em relação a Lisboa do que os ingleses. Seria demasiado simplista sugerir que os ingleses e os americanos coordenaram uma rotina de bom polícia/ mau polícia, mas por vezes havia um certo elemento deste comportamento na forma como os Aliados conduziam as negociações relativas ao fornecimento de volfrâmio.

 

A visão que Salazar tinha do mundo refletia-se na forma como lidava com as guerras do volfrâmio. Seria errado, no entanto, encarar a venda de volfrâmio aos alemães, e a resistência de Salazar à pressão dos Aliados até ao último momento para pôr fim a esse fornecimento, como um sinal do seu próprio apoio à causa alemã. A perspetiva pessoal de Salazar sobre a guerra era largamente dominada pela sua perceção em constante mudança sobre a forma como previa que seria a Europa e a Nova Ordem Mundial após a guerra, e isso era detetável nas suas reuniões com diplomatas estrangeiros em Lisboa durante a guerra. No âmago desta crença residia um medo profundo em relação à ameaça da União Soviética e ao comunismo em geral. Para Salazar, o conflito real não era a guerra entre as potências da Europa Ocidental, mas sim o futuro confronto com a União Soviética.

 

No início da Segunda Guerra Mundial, Salazar parecia recear uma vitória total tanto da parte dos Aliados como das potências do Eixo. Analisou cuidadosamente as implicações que uma vitória dos alemães implicaria para uma nova ordem económica e europeia e estava preocupado com a posição que Portugal ocuparia nessa órbita. Assim que os Estados Unidos entraram na guerra, passou a achar que a vitória dos Aliados era inevitável, mas estava preocupado com o futuro papel dos EUA na Europa após a guerra. Sentia que a América iria tentar dominar a Europa ao nível económico e militar. Salazar tinha pouco tempo para dedicar à América.

 

Numa reunião com os diplomatas britânicos Eccles e Campbell, Salazar informou-os que os americanos eram um povo bárbaro iluminado não por Deus mas pela luz elétrica!" As posições dos americanos em relação a Portugal, particularmente na arena da guerra económica, eram menos conciliatórias do que as dos ingleses, e de certa forma esta atitude exacerbou a inquietação de Salazar no tocante à emergência da hegemonia americana na Europa Ocidental. Durante as guerras do volfrâmio, Salazar regera-se pela sua própria visão do que era melhor para Portugal.

Quando finalmente optou por limitar a relação de Portugal com a Alemanha, fê-lo com relutância.

 

Enquanto negociava com os Aliados e os alemães por causa do fornecimento de volfrâmio, Salazar precisava de estar sempre de olho bem atento à situação política interna de Portugal. Os grupos de oposição, sobretudo os comunistas, estavam sempre a postos para colherem ganhos políticos decorrentes de qualquer agitação económica. A introdução do racionamento e a escassa oferta de algumas matérias-primas eram encaradas como desenvolvimentos perigosos num regime autoritário cuja governação assentava na natureza relativamente passiva da população portuguesa, cuja vasta maioria aceitava o Estado Novo sem nunca chegar a demonstrar uma verdadeira adesão. Em Lisboa reinava o sentimento de que quando a guerra terminasse iria haver grandes desenvolvimentos políticos e uma mudança rumo a um Estado mais democrático.

 

Salazar conduziu as negociações relativas ao volfrâmio como se fosse o contabilista de uma aldeia a tentar equilibrar as contas e a pôr um pouco de lado para futuras necessidades. A sua indiferença perante os horrores da guerra, ou a aparente falta de compreensão de que uma cooperação com os Aliados poderia ter encurtado a guerra, fazia-o correr o risco de ser classificado pelos Aliados da mesma forma como fizeram ao general Franco de Espanha. Na sua relutância em assumir quaisquer riscos, esteve muito perto de pôr em risco o futuro de Portugal a longo prazo. Ronald Campbell, o embaixador britânico em Lisboa, especulou durante a guerra que Salazar estava a começar a ficar mentalmente desequilibrado.

Tendo em conta o seu horário de trabalho e os sinais visíveis de envelhecimento, tornava-se claro, no mínimo, que Salazar estava a começar a sentir os efeitos desses quatro anos de pressão contínua. 


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Marcio Mafra
29/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

Em outubro de 2015 estive na ilha de São Miguel, Açores, território português no ultramar. Visitei uma grande livraria e entre muitos autores escolhi Neill Lochery, inglês, traduzido em Portugal que escreveu dois ou três livros sobre o Brasil e Portugal, no palco da segunda Guerra Mundial.

 


 

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