carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Você está aqui Principal / Livros / Você Já Teve Uma Família ?

Você Já Teve Uma Família ?

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Você Já Teve Uma Família ?

Livro Ruim - 1 opinião

  • Leram
    1
  • Lendo
    0
  • Vão ler
    1
  • Relendo
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Bill Clegg

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Rubens Figueiredo

Páginas: 257

Ano de edição: 2016

Peso: 325 g

comentar
  • lido
  • lendo
  • vou-ler
  • re-lendo
  • recomendar
tenho
trocar
empresto
doar
aceito-doação
favorido
comprar
quero-ganhar

 

Ruim
Marcio Mafra
22/01/2017 às 18:04
Brasília - DF
O autor Bill Clegg é agente literário nos EUA. Profissional como ele sabe tudo de livro porque trabalha com livros, autores, temas, tradutores, ficções, burocracias, editoras, designers, gráficos, egos e outras coisas do ramo. Num piscar de olho sabe se um livro é bom ou se é apenas mais uma publicação. Consegue cheirar o sucesso nas duas ou três primeiras linhas de qualquer original. Agente literário ganha dinheiro e vive disso. Bill Clegg também. Tanto é verdade que escreveu dois livros, ambos do gênero “memórias”, (1) Retrato de Um Viciado Quando Jovem e (2) Noventa Dias. Dois sucessos traduzidos para diversos idiomas.

Porém “Você já teve uma família?” é sua estreia em ficção. Eu gostei muito do “Noventa Dias”, mas achei uma droga esse seu novo livro.
O romance é uma chatice só.
June Reid, a personagem principal, desesperada com a perda de todos os membros de sua família, na véspera do casamento da filha, pega seu carro e vai estrada a fora, sem rumo, sem destino, sem juízo, sem nada, tentando escapar de seus mortos. Nessa fuga-viagem de June, o autor vai descrevendo cada uma das pessoas que passaram pela vida da personagem, ou que vão aparecendo ao longo da viagem-fuga. Bem escrito sim, mas chato, monótono, sem graça. São histórias de nove personagens ligados a Junes: Lydia, Rich, Silas, Rebecca, Cissy, Edite, Dale, Kelly e George. Cada um deles rende um ou mais capítulos.
O final do livro não surpreende.
“Você Já Teve Uma Família? “ é livro conhecido como RDFL - Rabo de Foguete Literário. RDFL fenômeno que não pode ser visto nos céus, mas existe aqui na terra. Sempre que um autor faz sucesso na edição de um grande livro, ele sai da categoria de autor e vira escritor. Aí o seu genial editor, no rastro daquele foguete, publica um ou mais livros que apenas vendem, sem fazer nenhum sucesso, mas continuarão atrelados ao rabo de foguete.

Marcio Mafra
22/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

A historia de June Reid - que ficou sem chão - quando na noite anterior ao casamento de sua filha o noivo, a noiva, o ex-marido e também o novo namorado da própria June morreram, vitimas de um pavoroso incêndio. Deve vir daí a origem do titulo: “Você Já Teve Uma Família ?”

Marcio Mafra
22/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

Meu filho Robert casou este ano. Ele e a esposa, Joy, foram para Big Sur, na Califórnia, em lua de mel, e me telefonaram para dizer que tinham ido à prefeitura em Oakland para se casar. Será que eu gostaria de ter estado lá? Claro que sim. Mas é assim que queriam fazer e isso é da conta deles. Fiquei feliz com o telefonema. Joy é uma mulher forte e acho que os dois combinam muito. Não são exatamente o que a gente chamaria de um casal amoroso ou tremendamente emotivo, pelo menos a julgar pelo que percebi nas poucas vezes que vi os dois juntos.

 

Mas, levando em conta o que o Robert tem passado, combinar muito é mais do que conveniente. Os dois são jornalistas, os dois são ocupados, os dois são negros, os dois não bebem, e nem um nem outro quer ter filhos. Robert escreve sobre direitos humanos nas prisões do governo e Joy é obcecada pelo impacto dos oleodutos nas terras indígenas. Passa bastante tempo no Canadá.

Quando conversam sobre o que andam fazendo, os dois tendem a gritar, portanto, quando conversamos por telefone ou nos encontramos pessoalmente, e nem uma coisa nem outra acontece com frequência, tento desviar a conversa para temas seguros, como o clima e animais de estimação. Amo o Robert e sei que ele me ama, mas desde que a mãe dele morreu, há mais de uma década, Robert ficou afastado de Atlanta, das irmãs e de mim.

 

Por exemplo, as irmãs dele até hoje não conheceram Joy e os dois estão juntos há mais de quatro anos. Elas não fazem muito alarde disso. Para elas, Robert sempre foi menos que um irmão, mais parece um primo ou um tio jovem que de vez em quando aparece para fazer uma visita. O internato em Connecticut, cinco meses em hospitais, dois anos de reabilitação e tratamento em Minnesota e, afinal, a faculdade em Portland mantiveram Robert distante, às vezes mesmo durante o Natal. Elas sabiam muita coisa a respeito dele - com muita frequência, e com grande peso, ele era o tema principal das conversas à mesa de jantar em nossa casa -, mas acho que nunca tiveram chance de conhecer o irmão.

 

Robert era um bebê irrequieto. Ficava zangado com facilidade, chorava à toa. Depois do jardim de infância, sossegou, ficou tranquilo. Esperto feito o diabo, pulou a quarta série, mas nunca parecia estar bem consigo mesmo. Não fazia amigos com facilidade. Tinha um amigo na vizinhança, o Tim, um garoto gorducho, ruivo, com quem jogava o RPG Dungeons & Dragons e para o qual escrevia histórias de aventura, que Tim ilustrava com desenhos complicados, de soldados de quatro braços que empunhavam espadas e fadas mágicas sem olhos. Robert jamais gostou de compartilhar conosco os livrinhos que os dois faziam. Kay e eu dávamos umas espiadas às escondidas, de vez em quando, na hora em que Robert estava tomando banho, só para verificar o que estava acontecendo. A maioria das histórias e dos desenhos era pura fantasia. De vez em quando, a gente via algo perturbador que sugeria aquilo que nossa antiga terapeuta de família chamava de raiva deslocada. Agora, penso nos macacos gêmeos que tiveram as cabeças cortadas por um grifo alado, com um bico enorme. Como se o simbolismo visual já não fosse bastante óbvio, a história de Robert contava a morte dos macacos gêmeos como algo necessário para a sobrevivência da raça humana. Que eles iriam comer todo o Tempo e, se não fossem mortos, o mundo rodaria fora do horário. De um lado, algo impressionante para um menino de dez anos, mas especialmente perturbador, já que o quarto dele ficava porta com porta do quarto de suas irmãs gêmeas, que desde o nascimento prematuro precisaram de muita terapia do desenvolvimento e fisioterapia e que comiam um bocado de ... bem, um bocado de tempo. Porém, por mais que me lembre de ficarmos abalados com essa história em especial, não me lembro, de todo modo, de ter conversado com Robert sobre o assunto na ocasião; nem de discutir com ele acerca dos livros que ele e Tim faziam. Tenho certeza de que devíamos ter feito isso, assim como tenho certeza de que eu devia ter feito muitas coisas de um modo diferente. Mas acho que nos sentíamos gratos por ele considerar Tim um amigo, por mais que fosse arredio e assustador. Juntos, exalavam um ar sorrateiro à sua volta e passavam horas no quarto um do outro, rabiscando e conversando numa espécie de linguagem cifrada, que Key e eu nunca conseguíamos decifrar. Talvez toda a dissimulação e todo o escapismo fossem um sinal do que aconteceria mais tarde com Robert, mas, como pais, a gente não tem nenhuma ideia do que as coisas significam.

 

De certa forma, tudo o que os filhos pequenos fazem e dizem está numa linguagem cifrada. Tenho certeza de que certos pais são especialistas em tradução, mas no caso de Robert, não sabíamos nem por onde começar. Além do mais, tínhamos muitas outras coisas que nos davam preocupação naquela época. As meninas precisavam de atenção e, quando se tornaram três, Kay recebeu o diagnóstico de câncer de mama, no terceiro estágio.

Robert tinha dez anos na época, e muitas vezes saía sozinho para cuidar da própria vida. Entre os cuidados com as meninas, os horários das sessões de quimioterapia e o esforço para manter de pé a corretora de imóveis de que meu irmão e eu éramos donos, não sobrava muito tempo para eu jogar basquete nem para ver os deveres de escola de Robert. O engraçado é que Robert era a única pessoa, o único setor de nossas vidas com que não nos preocupávamos. Era tão arrumado e inteligente, tão contido e sossegado, que eu achava que ele não precisava de mim tanto quanto todos os outros precisavam. Claro que ele tinha um lado sombrio, mas nunca se meteu em nenhuma encrenca. Na época, eu vivia apagando uma porção de incêndios e, já que com ele não havia nenhuma fumaça, nenhuma chama, nenhum alarme, eu não ficava prestando atenção. Nada que não estivesse pegando fogo ocupava muito do meu tempo, uma coisa que ele deve ter compreendido desde bem pequeno. No geral, eu achava que Robert era um assunto resolvido. Que ele ia tomar banho e escovar os dentes de manhã, se vestir e preparar sua própria tigela de cereais. Era de imaginar que eu me sentia agradecido por ter um filho tão autossuficiente. Na maior parte das vezes, acho que me sentia assim. Mas havia ocasiões em que ele me deixava louco. Lembro que certa manhã eu estava instalando as meninas em suas cadeirinhas, no carro, enquanto Kay, no banco da frente, chorava por causa da enxaqueca provocada pela quimioterapia. As meninas estavam agitadas, reclamavam e não deixavam que eu fechasse as fivelas do cinto de suas cadeirinhas.

 

Estávamos atrasados para a escola, para a consulta do médico de Kay, e naquela altura meu irmão ameaçava vender sua metade da empresa se eu não entrasse no jogo, como ele dizia. À margem de tudo isso, estava Robert, de pernas cruzadas na escadinha da porta da frente da casa, rabiscando em seu caderno de redação preto e branco, escrevendo uma daquelas histórias desvairadas, com tartarugas que sopravam fogo e feiticeiras cobertas de pó, totalmente alheio ao que acontecia. Lembro-me de olhar para Robert e me sentir furioso por ele estar isento de responsabilidade, intocado pela luta. Claro, é isso que se espera que a gente deseje para nossos filhos, mas naquele momento parecia injusto. O que eu queria era bater nele, sacudi-lo com violência, chacoalhar sua calma e infligir a ele uma parte do que eu estava experimentando. Parece loucura, mas uma parte de mim sentia que, se eu me aproximasse dele naquele momento, poderia matá-Io. Isso mostra como estava zangado com ele. Eu não conseguia suportar o fato de que nada parecia deixar alguma marca em Robert, e eu não poderia estar mais enganado.

 

Mandamos Robert para o colégio interno quando tinha quinze anos, que foi a época em que o câncer de Kay se espalhou para os nódulos linfáticos. Agora, a doença estava no quarto estágio e entramos em pânico. As meninas tinham oito anos na época, e raciocinamos que, se Robert pudesse se concentrar nos estudos no ensino médio longe do caos, seria melhor para ele.

 

Tinha poucos amigos e Tim havia partido para Harkness um ano antes. Robert queria ir também para lá, mas na época não levamos aquela ideia a sério. Era caro e ficava nas montanhas de Connecticut, aonde nenhum de nós jamais tinha ido. No entanto, um ano depois, nos sentimos sitiados. Dissemos para nós mesmos que era o que Robert desejava e, de certa forma, na ocasião, acho que confiávamos mais nos instintos dele que nos nossos a respeito de como ele devia ser educado, por isso concordamos. O que não sabíamos era que, naquela altura, em Harkness, Tim havia se tornado o pequeno tsar das drogas. Não culpo Tim, se bem que, por muito tempo, eu tenha pensado assim. De lá para cá, aprendi que viciados nascem desse jeito, não se tornam viciados, portanto, se não fosse a cocaína e a heroína em Harkness, poderia ter sido a bebida ou as pílulas em Atlanta.

 

Quem sabe? O que sei é que, quando recebi o telefonema do diretor de Harkness me avisando que Robert tinha tido uma overdose de drogas e se encontrava em coma no hospital municipal,

Achei que era piada. Nunca tinha visto meu filho fumar um cigarro nem provar um gole de cerveja. Era um aluno que tirava nota máxima em todas as matérias e tocava trompete na banda marcial da escola. Era caseiro e muito reservado. O diretor me descreveu as vinte e quatro horas anteriores - Tim, Robert e outro aluno saíram para fazer uma longa trilha e não voltaram, formou-se uma equipe de busca, uma mulher telefonou para a polícia, porque tinha ouvido vozes no quintal; quando chegaram, encontraram Robert inconsciente, enquanto os outros dois garotos fugiram correndo por uma plantação, nos fundos.

O senhor tem de vir imediatamente, disse o diretor, e foi o que fiz.

 

Quando cheguei a Hartford, me registrei no motel em Wells e visitei Robert no hospital, vi claramente que a situação podia mudar a qualquer momento. Minha irmã e minha mãe foram morar com Kay e com as meninas e concordamos que eu devia ficar ali a postos, até que, se a sorte ajudasse, Robert pudesse se mudar - voltar para casa ou ir para um centro de reabilitação, em algum lugar. Eu estava desorientado. Lembro-me daquele motelzinho estranho - com nome de garota, o Betsy -, com quadros feios nas paredes e sabonete de laranja Dial no chuveiro e na pia. Não eram aqueles sabonetezinhos típicos de motel, mas daqueles grandes, consistentes, que a gente compra nos mercados. Naquele lugar, tinha alguma coisa de provisório; com certeza, não pertencia a uma cadeia de motéis. Era limpo e sossegado e passei as duas primeiras semanas voltando do hospital à noite e me perguntando como é que eu tinha ido parar naquele quarto, com flores pintadas na cabeceira da cama e meu filho em coma, na outra extremidade daquela cidadezinha de brancos de Connecticut, que parecia saída dos desenhos de Norman Rockwell.

 

Só quando Robert saiu do coma e acabou transferido da UTI para a unidade de reabilitação, foi que vi aquele quarto de motel à luz do dia. E foi quando conheci Lydia. 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
22/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

Bill Clegg e Irvine Welsh estavam na mesa 6, “Na pior em Nova York e Edimburgo”, numa quinta feira as 9h30 da noite, em Paraty, durante a FLIP 2016. Plateia não arredava. Sucesso total. Irvine foi aplaudida, mas Bill fez mais sucesso e foi aplaudido de pé. Por isso comprei o “Noventa Dias” e mais este “Você Já Teve Uma Família”. 


 

Para baixar ou visualizar o E-BOOK é necessário logar no site.
Clique aqui! para efetutar seu login.

 

Não tem uma conta?
Clique aqui e crie a sua agora!