carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Você está aqui Principal / Livros / Descobri Que Estava Morto

Descobri Que Estava Morto

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Descobri Que Estava Morto

Livro Péssimo - 1 opinião

  • Leram
    1
  • Lendo
    0
  • Vão ler
    0
  • Relendo
    0
  • Recomendam
    0

Autor: J P Cuenca

Editora: Planeta

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 236

Ano de edição: 2016

Peso: 315 g

comentar
  • lido
  • lendo
  • vou-ler
  • re-lendo
  • recomendar
tenho
trocar
empresto
doar
aceito-doação
favorido
comprar
quero-ganhar

 

Péssimo
Marcio Mafra
18/01/2017 às 22:48
Brasília - DF

Ao ler a resenha de "Descobri Que Estava Morto", percebi que o autor JP Cuenca também era o personagem principal. Isso aumentou muito minha expectativa, supondo que a partir daí, o livro tratasse da investigação deste estranho caso. Expectativa contrariada. O livro não trata de investigação policial, não versa sobre fraudes para compra e venda de bens em nome de pessoa falecida, e também não narra crimes seriados. Por vezes se assemelha a uma estranha viagem pela busca, finalidade ou significado da vida, outras vezes transita pelo existencialismo ou pelo vazio do “nihilismo”.

No andar da carruagem, o autor investiga suas mortes literal e figuradamente, abusando de todos os “direitos literários” e das “licenças poéticas”, numa mistura sem limites de ficção, realismo fantástico, literatice e realidade.

O final do livro não surpreende em nada. Chega a ser tosco.

Para um simples leitor, como eu, restou uma leitura chata, pretensiosa, metida, elitista, despedaçada, incompreendida, pobre e disfuncional.
Pena.
Pena porque conheci pessoalmente João Paulo Cuenca durante a FLIP de 2016. Fiquei encantado com o autor, que fora escolhido pela revista inglesa “Granta”, no ano de 2012, como um dos melhores jovens escritores brasileiro.
Livro péssimo.

Marcio Mafra
18/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

A história de João Paulo Cuenca que descobriu - por acaso - existirem documentos que provam a sua morte. 

Marcio Mafra
18/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

O grupo reunido naquela festa, um bom exemplo do panorama virtuoso e inocente do início dos anos 2010, era o que eu e minha mulher mais frequentávamos naqueles tempos.

 

Ainda que víssemos como defeito quase tudo o que eles encaravam com orgulho, fizemos amigos de circunstância no círculo de casais bem-sucedidos próximos ao Tomás, gente com quem saíamos para jantar e, eventualmente, em excursões de fim de semana para o sítio de algum deles na serra ou na região dos Lagos, onde bebíamos vinho rosé no deck de um iate como se o iate fosse nosso.

 

Havia algo de fascinante e opressivo nesse grupo de amigos, quase como se formassem uma família incestuosa cheia de segredos. Às vezes me era permitido conhecer alguns desses mistérios. Como naquela noite, quando Tomás me puxou pelo braço e disse, sério:

 

- O Pedro fez o shoshomi.

 

-Shoshomi?

 

- É. Não é incrível?

 

- O que é shoshomi?

 

Entramos na cozinha. Metidos numa operação clandestina estavam o Pedro, um redator publicitário, e sua mulher, uma loura premiada e bastante gostosa, herdeira de uma família que grilou terrenos da União na área do Porto. Maria usava um vestido vermelho e sapatilhas de bailarina amarradas nas panturrilhas. Sentada sobre uma bancada de mármore, ela olhou para nós e disse para o marido, sem esconder a irritação:

 

- O Cuenca precisa saber?

 

O Pedro fingiu ignorar o que ela disse e nos pediu para ficar do lado de trás da bancada que ocupava o centro da cozinha.

Dali, eu e Tomás víamos a nuca lisa e muito branca da Maria, um hashi em diagonal prendendo o coque que concentrava seus cabelos finos e dourados num novelo sobre a cabeça, e o Pedro agachando-se frente a ela como um desastrado obstetra.

 

A Maria então abriu as pernas, pousando as plantas dos pés sobre a mesa.

 

- Que porra é essa? - eu cochichei.

 

- Eles fizeram! Meu presente de aniversário ...

 

Tomás não conseguia conter o entusiasmo. O shoshomi, logo me explicaria, é um sashimi marinado dentro da xoxota de uma mulher. A peça cilíndrica de peixe branco deveria ficar ali por três a quatro horas antes de ser retirada, cortada e servida. A mulher, durante esse tempo, deveria beber apenas saquê - não comer nada, tampouco ir ao banheiro.

 

- Saquê gelado. Ela também deve ficar numa sala com ar-condicionado.

 

- Porquê?

 

- O peixe pode cozinhar demais. Ele precisa ficar apenas semicozido, quase como um tataki.

 

Aparentemente, os dois haviam seguido à risca as instruções e, depois de um rápido estremecimento nos ombros da Maria, o peixe já flutuava sob a luz fluorescente da cozinha nas mãos em concha do Pedro e depois na mesa. Os olhos do Tomás brilhavam.

 

- Posso? - ele perguntou ao marido antes de cheirar a peça com satisfação e tirar uma faca brilhante da gaveta, com a qual cortaria com precisão os pedaços de shoshomi.

Nós quatro fomos os primeiros a provar a rara iguaria - o peixe estava tão fresco que parecia vivo, desmanchando-se pelas laterais da nossa língua. Na sala, ajudei a serví-lo aos desavisados convidados - o segredo fazia parte do arranjo.

Todos disseram ser o melhor sashimi que já tinham provado:

 

- É como se fosse o próprio oceano.

 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2017 às 00:00
Brasília - DF

J.P. Cuenca foi convidado da primeira FLIP em 2002 e também da FLIP de 2016. Assisti a mesa de debate comandada pelo Cuenca, na sexta feira, dia 1 julho de 2016 às 12hs, que foi apresentada em conjunto com a autora Valeria Luiselle. Depois não resisti e comprei o seu livro “Descobri que Estava Morto”.


 

Para baixar ou visualizar o E-BOOK é necessário logar no site.
Clique aqui! para efetutar seu login.

 

Não tem uma conta?
Clique aqui e crie a sua agora!