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Brasil. A Segunda Guerra Mundial e a Construção do Brasil Moderno

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Brasil. A Segunda Guerra Mundial e a Construção do Brasil Moderno

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Autor: Neill Lochery

Editora: Editorial Presença

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português (de Portugal)

Páginas: 431

Ano de edição: 2014

Peso: 495 g

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Ótimo
Marcio Mafra
05/12/2016 às 17:45
Brasília - DF
A tradução do titulo do livro de Neill Lochery seria mais fiel se fosse "Brasil , a sorte da Segunda Guerra Mundial na sua modernização.
É muito interessante, esclarecedor e ilustrativo saber a opinião de um não brasileiro, sobre a história política e econômica do nosso país lá pelos idos de 1940, quando a população do Brasil era de pouco mais de 40 milhões de pessoas.
Além da capital, Rio de Janeiro, a única outra cidade de destaque era São Paulo. Mesmo assim era considerada caipira.
O resto do país era tido como "interior" e o seu desenvolvimento era pobre e precário.
Mesmo nas capitais dos demais estados a precariedade era notável.
Praticamente inexistia infraestrutura de estradas ou rodovias interestaduais ou federais, nem mesmo estradas sem pavimentação.
Poucas linhas ferroviárias, de qualidade primária, faziam as ligações entre umas poucas cidades da região sul ou sudeste.
As regiões do centro oeste, norte e nordeste viviam em completo e total isolamento. Nestas regiões estradas, transportes, energia elétrica, água encanada, esgoto, saúde, educação, cultura, comunicações, imprensa e comércio eram setores sem nenhuma expressão.
As industrias eram raras e sem nenhum porte econômico, nem mesmo em São Paulo ou Rio de Janeiro.
Brasil era considerado uma nação agrícola.
Foi sob a ditadura de Vargas que o país deu o "start" para se transformar numa nação moderna, progressista, com ares de potência regional, marcada como importante liderança política, militar, social e econômica da América Latina.
O "start" só aconteceu por causa da política hegemônica que os EUA executava, buscando a liderança efetiva do pós guerra e a esperteza do ditador Getúlio Vargas que para aderir aos "Aliados" e declarar guerra aos países do "Eixo" - ficou empurrando com a barriga esta decisão - até que conseguiu contrapartida para a instalação da base aérea americana no nordeste, o financiamento da Usina Siderúrgica Nacional, e a abertura dos portos brasileiros para a navegação britânica e americana.
Livro excelente. Leitura muito detalhista.

Marcio Mafra
05/12/2016 às 00:00
Brasília - DF

Brasil - A Segunda Guerra Mundial e a Construção do Brasil Moderno relata a esperteza de líderes brasileiros, principalmente do ditador Getúlio Vargas, na tentativa de assegurar o lugar do Brasil no mundo moderno, que surgiria logo no pós-guerra.

O Brasil estava dividido entre as potências "Aliadas" e as do "Eixo".
Os "Aliados" eram liderados pelos EUA, Inglaterra, França, União Soviética e China; enquanto as potências do "Eixo" eram lideradas pela Alemanha, Itália e Japão.

No cenário mundial o Brasil era considerado um país de cidadãos analfabetos, política e economicamente isolados do mundo e

tendo se aliado (quase no final da guerra) aos EUA passou a ser considerado uma potência militar nascente, para no futuro imediato liderar política,

econômica e militarmente a América Latina.

Marcio Mafra
05/12/2016 às 00:00
Brasília - DF

O DESAFIO

 

A derradeira hora aproximava-se. No início de 1945, os avanços militares dos Aliados na Europa Ocidental e de Leste aceleraram. Em janeiro, a União Soviética lançou uma grande ofensiva que libertou Varsóvia, a capital da Polónia; a 7 de março, tropas norte-americanas cruzaram o Reno em Remagan e entraram na Alemanha. A derrota de Hitler parecia iminente.

 

A ofensiva final dos alemães na frente oeste tinha sido lançada a 16 de dezembro do ano anterior e culminou com a trágica batalha das Ardenas. Mas essa tentativa desesperada de inverter a sorte da Alemanha tinha fracassado e afigurava-se ser muito provável que a guerra terminasse em meados desse ano.

 

Foi um período extremamente dificil para o presidente Getúlio Vargas. A sua confiança parecia abalada e a sua energia e capacidade de trabalhar durante longas horas pareciam, uma vez mais, estar em declínio. Durante os meses de verão no início de 1945, Vargas retirou-se para o Palácio Rio Negro em Petrópolis; no entanto, embora o clima mais fresco daquela cidade fosse mais propício a uma reflexão lúcida, o presidente não conseguiu escapar aos problemas que o assolavam. A sua principal preocupação era saber se deveria pôr fim ao Estado Novo e restaurar alguma forma de democracia quando a Segunda Guerra Mundial terminasse.

 

Procurando inspiração, Vargas fez longas caminhadas solitárias em redor da cidade, que estava repleta de cariocas abastados, proprietários de residências de verão, e de diplomatas, entre os quais o embaixador britânico. O presidente estava muito mais desejoso de lidar com esses diplomatas do que com os seus inimigos internos; também fez questão de assinar o maior número possível de acordos com os Estados Unidos: relativos à exportação de borracha, café e de qualquer outro produto que o Brasil tivesse para vender. Contudo, o seu processo decisório parecia paralisar quando confrontado com assuntos internos, sobretudo questões relacionadas com o seu próprio futuro. Instigado por uma certa presunção pessoal, Vargas convencera-se de que precisava de continuar a liderar o Brasil durante mais um ano após a conclusão da guerra, pelo menos.

 

Entendia que isso permitiria ao país maximizar os seus beneficios com a guerra e dar-lhe-ia uma oportunidade de reforçar - com o apoio dos Estados Unidos - o novo e proeminente papel do país nos assuntos regionais e internacionais. Em público, O presidente recusou comprometer-se com qualquer curso de ação relativo à liderança do país, mas a maior parte dos seus adversários esperava que ele tentasse permanecer no poder durante o máximo de tempo possível.

 

Impossibilitado de recorrer ao apoio do seu velho amigo Oswaldo Aranha, e contando apenas com um círculo restrito que parecia debilitado e dividido, o presidente Vargas dependia cada vez mais do aconselhamento da filha Alzira e do marido dela, Ernâni do Amaral Peixoto. O fator de maior imprevisibilidade continuava a ser o irmão mais novo do presidente, Benjamin, mas Vargas parecia ignorar por completo os defeitos e as incapacidades do irmão.

 

Durante tempos de crise anteriores, como em 1937 e 1938, Vargas pudera contar com o apoio de mentes muito mais perspicazes do que aquelas que tinha à sua disposição em 1945.

Francisco Campos e o general Góes Monteiro tinham-se afastado gradualmente do presidente, e os seus substitutos estavam mais preocupados em agradar-lhe do que em contrariar as suas decisões.

Para agravar ainda mais a situação, esses bajuladores pareciam estar a incitar o presidente a travar uma luta com os seus compatriotas que exigiam um regresso à democracia. No início de 1945, tinha-se tornado claro que o presidente Vargas ainda mantinha reservas em relação à implantação de uma democracia plena no Brasil, preferindo uma versão local que levasse em linha de conta a cultura política do país.

 

Vargas recebia relatórios do Rio de Janeiro contendo desafios à sua autoridade quase diariamente - e esses relatórios estavam a aumentar em número. No entanto, o presidente sentia-se relutante em interromper a sua rotina de verão para voltar à cidade carioca receando que essa atitude pudesse ser interpretada como um sinal de fraqueza. Mas em breve teria motivos para se arrepender de tal decisão.

 

A oposição crescente encontrou o seu porta-voz durante a primeira conferência de escritores brasileiros, que teve lugar a 22 de janeiro de 1945. Dominada pelos comunistas, da conferência resultou uma lista de exigências, sendo a principal a realização de eleições livres e justas. O que surpreendeu muitas pessoas não foram as exigências em si, mas o facto de os participantes no encontro terem reunido a confiança suficiente para desafiarem abertamente o presidente.

 

A conferência de escritores foi apenas o início de uma campanha com vista a destituir o presidente Vargas, que estava cada vez mais isolado. Acontecimentos muito mais graves seguir-se-iam a 22 de fevereiro, quando José Américo, que tinha concorrido à presidência como líder da oposição em 1937, publicou um artigo no Correio da Manhã. Nas palavras do embaixador britânico, esse artigo equivalia ao «ataque mais selvagem ao presidente Vargas e ao seu regime em muitos anos»." A peça articulava as políticas e as exigências da conferência de escritores realizada no mês anterior e - ao contrário da lista inicial de exigências - não tinha sido submetida aos ditames da censura. O desafio tinha sido lançado.

 

Os brasileiros esperaram ansiosamente a reação de Vargas - e ficaram chocados com o resultado. O presidente havia instruído o Departamento de Imprensa e Propaganda a não intervir e, numa espécie de sismo político, anos de censura no Brasil chegaram a um fim com muita agitação. O que se seguiu foi um previsível caos generalizado, com a publicação de artigos anti-Vargas em muitos jornais, exigindo de forma ousada que o presidente abandonasse o cargo e permitisse a realização de eleições livres para a escolha do seu sucessor. Os autores dos artigos eram, sobretudo, velhos inimigos políticos de Vargas do período anterior ao Estado Novo, que tinham estado à espera da oportunidade para atacar.

Houve um artigo, porém, que se diferenciou de todos os restantes.

 

Um jornal brasileiro publicou uma entrevista com Oswaldo Aranha, na qual o ex-ministro das Relações Exteriores explicou as razões da sua demissão. Escusado será dizer que essa peça não proporcionou uma leitura agradável a Vargas. Aranha afirmava que a política interna brasileira entrara em colisão com a sua política externa e que, a ele, não lhe restara outra alternativa senão abandonar o cargo quando essa interferência se revelara incomportável.

Aranha recusou-se a comentar a sua relação com o presidente, a não ser para dizer que já não acreditava no regime que Vargas liderava, embora o presidente não fosse seu inimigo." A mensagem de Aranha ao seu velho amigo era clara: Vargas precisava de implementar reformas ou arriscava-se a tornar-se politicamente irrelevante, talvez mesmo ainda antes do fim da guerra.

 

No seu gabinete no Palácio Rio Negro, Vargas leu a peça redigida por José Américo e todos os outros artigos que os seus nervosos assessores lhe permitiam ver, e ponderou a melhor forma de proceder. O seu entender, não podia sujeitar-se à exigência de eleições livres apresentada pela oposição, mas sabia que não podia esperar mais para tomar uma decisão sobre as eleições. Optou por algo que, para todos os efeitos, era um compromisso: permitiu que se realizasse uma votação, mas não pelo povo brasileiro.

 

O presidente convocou uma reunião do gabinete ministerial, exigindo que todos os seus ministros viajassem do Rio de Janeiro para o Palácio Rio Negro, em Petrópolis, para decidirem o destino do Estado Novo. Toda essa situação ia contra a intuição de Vargas, pois detestava as reuniões ministeriais e as surpresas que muitas vezes delas surgiam. Com efeito, quando iniciou a reunião, Vargas ficou estupefacto com as recomendações dos seus ministros. Um a um, advertiram o presidente de que «o desejo manifesto de eleições públicas deve ser satisfeito»."

 

O presidente tomou em consideração esses comentários, mas continuou a tentar ganhar tempo. Após a reunião do gabinete ministerial, emitiu um comunicado oficial em que garantia aos brasileiros que as medidas necessárias para alterar a Constituição do país seriam estudadas de imediato." Pouco depois, a 1 de março de 1945, o governo anunciou que Vargas tinha assinado uma alteração constitucional - a Emenda Constitucional n. 9 - que estipulava a realização de eleições num prazo de noventa dias.

A emenda estabelecia várias condições, nomeadamente, naquilo que traduzia uma posição bastante ousada, a privação do direito de voto de todos os homens alistados, à exceção dos oficiais.

A Emenda Constitucional nº 9 também convocava eleições federais para o presidente (que cumpriria um mandato de seis anos) e para os legisladores parlamentares, bem como eleições estaduais para os governadores e parlamentos locais.

 

Nessa fase, o brigadeiro Eduardo Gomes, nome proposto pela oposição, era o único candidato oficial à presidência. Gomes comandava as rotas e as bases aéreas no Nordeste do Brasil. Os Estados Unidos apreciavam muito Gomes e tinham-no convidado a visitar a frente de combate no Norte de África em 1943. No entanto, Gomes não era a escolha óbvia para a oposição. Como salientaram os britânicos: É um grande patriota e um homem de integridade e decência inabaláveis, mas não é um estadista e só aceitou a nomeação após grande hesitação, e porque nenhum outro candidato com as suas qualidades morais estava disponível. Mas não dispõe de um programa, não é um economista e é provavelmente uma alma demasiado simples para evitar ser atropelada pelas intrigas do presidente e respetivos amigos.

 

Gomes tinha ainda outras desvantagens contra si. Os seus apoiantes eram um grupo variado de liberais, onde se incluía uma série de políticos idosos maioritariamente desacreditados, cujo auge das respetivas carreiras fora alcançado na era pré-Vargas. Oswaldo Aranha foi um dos indivíduos que prestaram o seu apoio a Gomes quase de imediato. Contudo, o seu apoio tinha pouco peso - para além de ser pouco sincero. Em privado, o ex-ministro das Relações Exteriores - à semelhança dos britânicos - esperava que Vargas visse a luz e se livrasse das «forças das trevas» que o rodeavam, que se livrasse de Dutra e concorresse à presidência numa eleição democrática. Apesar dos muitos defeitos de Vargas, Aranha acreditava que o presidente seria capaz de suscitar um grande apoio popular que nenhum outro político brasileiro - e muito menos Gomes - conseguiria igualar. Por essa razão, e também por conta da sua amizade de longa data, Aranha nunca cortou totalmente os laços com Vargas. O divórcio político era doloroso para ambos, mas Aranha nunca desistiu de Vargas, e de certeza que não estava disposto a apunhalá-lo pelas costas, ao contrário de muitos outros no Rio de Janeiro nessa altura.

 

Dutra, um assassino político mais voluntarioso do que Aranha,aceitou - um pouco depressa de mais, achou Vargas - quando o presidente lhe pediu que fosse o candidato do governo nas eleições presidenciais. A candidatura do ministro da Guerra foi anunciada de forma oficiosa em São Paulo a 15 de março de 1945, embora ele só pudesse aceitar formalmente a nomeação a 9 de agosto.

Vargas continuava esperançado que Dutra fosse descartado como candidato inelegível e que, na crise daí resultante, os brasileiros exigissem que ele próprio concorresse às eleições. Também pretendia usar Dutra para dividir os votos dos militares, pois a sua própria posição iria complicar-se seriamente se as Forças Armadas apoiassem Gomes, o qual, à semelhança de Dutra, era um oficial.

 

Vargas concluiu que, ao semear a discórdia entre os militares, essa divisão também contribuiria para debilitar a influência das Forças Armadas no período pós-eleitoral.

 

A firme e resoluta aceitação da proposta de Vargas por parte de Dutra foi um sinal claro de que iria levar a campanha a sério e não se considerava um mero substituto de reserva do presidente.

No entanto, como Vargas já esperava, Dutra logrou poucos progressos durante as primeiras semanas da campanha ainda não oficializada - apesar do facto de todos os ministros do governo lhe terem declarado o apoio público. A sua oratória deficiente e a total ausência de carisma não ajudavam em nada a campanha eleitoral, e estava politicamente desfasado no tempo; figuras da oposição salientaram que Dutra teria sido, porventura, o principal responsável pela anulação das eleições anteriores e pela instauração do Estado Novo. Tudo parecia correr como planeado: Dutra estava a dividir os votos dos militares, tal como Vargas pretendia.

 

Enquanto tentava semear a discórdia entre os seus inimigos internos, Vargas também continuou a governar o Brasil num período de mudanças complexas e céleres na história mundial.

A saída de Aranha do Ministério das Relações Exteriores não tinha alterado os objetivos da política externa que o próprio delineara no seu memorando para a reunião de Vargas com o presidente Roosevelt, em janeiro de 1944. Vargas tinha, todavia, um novo ponto na sua agenda: conquistar um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma meta que iria ajudar a reforçar a posição internacional do país. Mudanças na administração Roosevelt também estavam a forçar Vargas a repensar as suas prioridades.

 

Durante a primeira metade de 1945, à medida que a guerra na Europa avançava rapidamente para a sua conclusão, ocorreu uma série de mudanças nas mais altas esferas do governo dos Estados Unidos. Jefferson Caffery, o embaixador destacado para o Brasil e confidente de Aranha (e, até certo ponto, também de Vargas), abandonou a cidade carioca em janeiro de 1945 rumo à recém-libertada França, onde iria tornar-se o representante de Washington. Segmentos da imprensa brasileira rejubilaram com a partida de Caffery, pois consideravam que o embaixador representava o imperialismo norte-americano.

 

Os brasileiros estavam, indubitavelmente, a submeter os interesses dos Estados Unidos no seu país a um renovado escrutínio à medida que a guerra se aproximava do fim. Durante algum tempo antes da partida definitiva de Caffery, o destino das bases norte-americanas no Brasil após a guerra tinha sido objeto de um intenso debate, tanto no Rio de]aneiro como em Washington. Várias autoridades e oficiais militares norte-americanos argumentavam que os Estados Unidos deveriam continuar a gozar de pleno acesso às bases aéreas e às instalações da Marinha em tempos de paz, pelo facto de terem investido significativamente na criação dessas infraestruturas O presidente Vargas considerava que o Brasil deveria reter o controlo das bases, pois sabia que tal decisão era vital para preservar a superioridade militar regional do Brasil no pós-guerra. No entanto, o presidente mostrou-se aberto em relação aos pedidos dos Estados Unidos para usarem algumas das bases após a guerra.

 

O momento da partida de Caffery - coincidindo com o agravamento dos desafios internos ao regime de Vargas - complicou a situação do presidente brasileiro. Entre outras razões, a decisão do Departamento de Estado norte-americano de substituir Caffery no Brasil negou ao presidente Vargas a linha de contacto direto com Washington e adensou suspeitas mútuas a respeito do estado das relações entre o Brasil e os Estados Unidos. E o substituto de Caffery no cargo de embaixador também viria a revelar-se um problema, por razões mais do que válidas.

 

Adolf Berle, o novo embaixador norte-americano no Brasil, apresentou as suas credenciais ao presidente Vargas a 30 de janeiro de 1945. As chefias em Washington encaravam Berle como uma nomeação altamente prestigiante, destinada a lisonjear os brasileiros. Um colega diplomata resumiu as qualidades de Berle em termos hiperbólicos:

 

“Tem uma mente inquieta, brilhante e independente, com um complexo messiânico e uma convicção absoluta de que nasceu para corrigir o mundo. Pronto para desafiar o Departamento de Estado a qualquer momento e em qualquer instância, mas confiando ingenuamente que pode controlá-lo, sente necessidade de se manter sempre no centro do palco."

 

Por outras palavras, Berle era um intrometido, e a sua presença no Brasil viria a revelar-se tudo menos agradável para o presidente brasileiro, cada vez mais sitiado pelos seus adversários políticos.

 

No início, os brasileiros sentiram-se, de facto, lisonjeados com a nomeação de Berle, mas o embaixador depressa gerou uma crescente onda de críticas provenientes de vários quadrantes do Brasil.

Berle tinha muitas ideias novas para as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, bem como para o regime de Vargas - a principal das quais era a convicção de que o Presidente Brasileiro deveria permitir eleições livres no país.


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Marcio Mafra
05/12/2016 às 00:00
Brasília - DF

Em outubro de 2015 estive na ilha de São Miguel, Açores. Visitei uma grande livraria e entre muitos autores escolhi Neill Lochery, inglês, traduzido em Portugal que escreveu dois ou três livros sobre o Brasil, no palco da segunda Guerra Mundial.


 

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