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K - Relato de Uma Busca

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K - Relato de Uma Busca

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: B. Kucinski

Editora: Cosac Naify

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 187

Ano de edição: 2014

Peso: 225 g

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Ótimo
Marcio Mafra
29/11/2016 às 22:27
Brasília - DF
Historia comovente sobre o capitulo mais repulsivo da ditadura militar de 1964.
Somente escritor de talento consegue conduzir a narrativa pelos caminhos obscuros, nojentos e tenebrosos de falsas pistas, armadilhas de aproveitadores e chantagens de autoridades, na busca de pistas sobre o desaparecimento de sua filha.
O relato de uma busca, nada mais é, que o sofrimento do pai que procura pela filha, embora esta jamais tenha sido encontrada.
O final segue a lógica, mas o livro é ótimo, quase excelente.

Marcio Mafra
29/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

A história de K., lojista de roupa no bairro Bom Retiro, São Paulo, espera que sua filha Ana Rosa dê sinal de vida.

Ela desapareceu.

Era professora na USP e militante política contra a ditadura militar de 1964.

Desespero e desolação.

Durante anos K. percorreu os subterrâneos e os labirintos dos quarteis, delegacias, prisões, e diversos locais de desova, sem nunca ter obtido notícia oficial ou oficiosa da morte de sua filha, nem de seu genro.

Restaram muitas evidências que ela e o marido tenham morrido pelas mãos torturadoras e assassinas da repressão militar, sem que jamais seus restos mortais tenham sido localizados.

Marcio Mafra
29/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

Imunidades um paradoxo

o pai que procura a filha desaparecida não tem medo de nada. Se no começo age com cautela não é por temor, mas porque, atônito, ainda tateia como um cego o labirinto inesperado da desaparição. O começo é um aprendizado, o próprio perigo precisa ser dimensionado, não para si, porque ele não tem medo de nada, para os outros: amigas, vizinhos, colegas de faculdade.

 

E no começo, há esperança, não se pensa no impensável; quem sabe discretamente se consegue a exceção. Assim agem as entidades de experiência milenar no trato com os déspotas, sem alarde, sem acusar. Apenas por isso, no começo, o pai à procura da filha desaparecida age com cautela.

 

Depois, quando se passaram muitos dias sem respostas, esse pai ergue a voz; angustiado, já não sussurra, aborda sem pudor os amigos, os amigos dos amigos e até desconhecidos; assim vai mapeando, ainda como um cego com sua bengala, a extensa e insuspeita muralha de silêncio que o impedirá de saber a verdade.

 

Descobre a muralha sem descobrir a filha. Logo se cansará de mendigar atenção. Quando os dias sem notícia se tornam semanas, o pai à procura da filha grita, destemperado; importuna, incomoda com a sua desgraça e suas exigências impossíveis de justiça.

 

O sorvedouro de pessoas não para, a repressão segue cruenta, mas o pai que procura sua filha teme cada vez menos. Desgraçado mas insolente, percebe então o grande paradoxo da sua imunidade. Qualquer um pode ser engolido pelo vórtice do sorvedouro de pessoas, ou atropelado e despejado num buraco qualquer, menos ele. Com ele a repressão não mexe, mesmo quando grita. Mexer com ele seria confessar, passar recibo.

 

Sente-se intocável. Vai aos jornais, marcha com destemor empunhando cartazes na cara da ditadura, desdenhando a polícia; desfila como as mães da Praça de Maio, mortas-vivas a assombrar os vivos; imbuído de uma tarefa intransferível, nada o atemoriza. Recebe olhares oblíquos de susto, percebe outros, de simpatia.

 

Ao deparar na vitrine da grande avenida com sua própria imagem refletida, um velho entre outros velhos e velhas, empunhando como um estandarte a fotografia ampliada da filha, dá-se conta, estupefato, da sua transformação. Ele não é mais ele, o escritor, o poeta, o professor de iídiche, não é mais um indivíduo, virou um símbolo, o ícone do pai de uma desaparecida política.

 

Quando as semanas viram meses, é tomado pelo cansaço e arrefece, mas não desiste. O pai que procura a filha desaparecida nunca desiste. Esperanças já não tem, mas não desiste. Agora quer saber como aconteceu. Onde? Quando exatamente? Precisa saber, para medir sua própria culpa. Mas nada lhe dizem.

 

Outro ano mais, e a ditadura finalmente agonizará, assim parece a todos; mas não será a agonia que precede a morte, será a metamorfose, lenta e autocontrolada. O pai que procura a filha desaparecida ainda empunhará obstinado a fotografia ampliada no topo do mastro, mas os olhares de simpatia escassearão.

Surgirão outras bandeiras, mais convenientes, outros olhares. O ícone não será mais necessário; até incomodará. O pai da filha desaparecida insistirá, afrontando o senso comum.

 

Alguns anos mais e a vida retomará uma normalidade da qual, para a maioria, nunca se desviou. Velhos morrem, crianças nascem. O pai que procurava a filha desaparecida já nada procura, vencido pela exaustão e pela indiferença. Já não empunha o mastro com a fotografia. Deixa de ser um ícone. Já não é mais nada. É o tronco inútil de uma árvore seca. 


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Marcio Mafra
29/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

Comprei “K” porque seu autor, festejadíssimo pela mídia, ganhou o Jabuti de 1997, mas sempre volta à mídia, devido a sua grande produção literária – e também – por ter tido destaque quando exerceu a função de ditor da Revista Veja e do Jornal do Brasil, além de ter sido correspondente de importantes jornais europeus.


 

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