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Caminhando no Caminho de Santiago de Compostela

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Caminhando no Caminho de Santiago de Compostela

Livro Ruim - 1 opinião

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Autor: José Luiz Pinto da Silva

Editora: Madras

Assunto: Diários

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 143

Ano de edição: 2012

Peso: 175 g

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Ruim
Marcio Mafra
20/11/2016 às 15:41
Brasília - DF
José Luiz, corretor de imóveis na praia de Bombinhas, perto de Floripa, aos 40 anos de vida, foi caminhar para “pensar na vida”. Em agosto/setembro de 2001 começou sua peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela. Talvez tenha sido uma experiência emocional ou mesmo espiritual, ao longo de 24 dias corridos. Como história de vida o diário certamente tem valor para pessoas da intimidade do próprio autor. Como livro é um pão bolorento. Até o famoso e importante escritor Paulo Coelho escreveu “ Diário de Um Mago” que conta a jornada de 3 meses pelo mesmo caminho – só um pouco mais longo. Não foi sucesso o do Paulo Coelho, nem se poderia imaginar que o do paranaense José Luiz o fosse. É um relato monótono, chato, sem graça, sem sal, sem nada. Embora possa ter sido emocionante ao extremo para o autor. Livro e leitura ruim.

Marcio Mafra
20/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

O diário do autor, quando peregrino, caminhando por 777km no Caminho de Santiago de Compostela.

Marcio Mafra
20/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

Você Não Tem a Preferência

 

Província de Burgos

San Juan de Ortega a Tardajos

 

Distância percorrida = 40 quilômetros

Distância acumulada = 296 quilômetros

 

"Você não têm a preferência."

 

Uma simples placa de sinalização, avisando aos peregrinos que, ao sair do bosque e cruzar a rodovia, deveriam ter cuidado com os carros. Tomei essa placa como uma importantíssima lição para o nosso dia a dia.

Nas agências bancárias, passamos a ficar normalmente nas filas, aguardando em paz, ouvindo um grupo de pessoas em vez de somente falarmos. Aprendemos a não nos sentirmos o mais importante dos seres humanos, únicos, porém e somente mais um humano; não nos sentirmos "o mais ocupado" ou o "insubstituível".

Era um aviso de cuidado, mas de "ter cuidado" também pelos outros, respeitá-los e sentir o que realmente somos, iguais e não "o ser especial".

O meu nono dia no Caminho foi um dia distinto. Deixei descansar os meus pensamentos e emoções, pois o dia anterior tinha sido muito forte.

Decidi caminhar firme o dia todo, tinha necessidade de exercitar o meu físico. Passei por bosques e montes, caminhava veloz pela trilha e ultrapassava vários peregrinos. Muitos me olhavam e eu interpretava os seus olhares assim:

- Aonde pensa que vai esse peregrino com essa pressa toda?

- Esse é um peregrino maratonista ou só exibicionista?

Antes de se chegar à cidade de Burgos, que é a capital da província do mesmo nome, sobe-se uma montanha e de lá se avista a bela cidade. Ao olhá-la, tem-se a impressão de que ela está próxima, porém é só aparência. Já havia forçado o meu ritmo e também já caminhara 25 quilômetros até ali, e o cansaço e as dores começavam a "dar o ar da sua graça". Fui descendo a montanha mais lentamente, e agora eram os outros peregrinos que me ultrapassavam. Ao chegar ao final da descida, a trilha era plana, porém com um solo todo pedregoso, só com pedras pequenas, que são um terror para o caminhante, pois massacram os nossos pés já doloridos depois de vários quilômetros caminhados. O meu caminhar agora é lento e dolorido. O conjunto de casas e prédios, que havia visto do alto, agora demorava a chegar. Tive de contornar uma grande pista de pouso e, após cruzar por dentro toda a cidade, foram uns seis longos e sofridos quilômetros até chegar à catedral.

 

A majestosa Catedral de Burgos merece um parágrafo à parte, pois chega a ser esplendorosa como obra de arquitetura e magnífica como obra de arte.

Para se chegar a ela, é preciso cruzar o Portão de Santa Maria, uma construção medieval muito reforçada, típica da entrada dos grandes castelos, no qual, nesse ensolarado domingo de outono europeu, circulavam centenas de pessoas. Ao cruzá-lo lentamente, comecei a ouvir uma música clássica, suave e profunda, e vi à minha frente quatro músicos que executavam o seu ofício à beira da calçada, agraciando a todos que por ali passavam com os seus dons, em troca de aplausos e moedas. Senti-me honrado e abençoado ao ouvi-los tocar nesse local tão significativo. Quando chegamos ao final desse Portal, temos uma ideia da grandiosidade da obra humana na construção dos templos destinados a honrar os homens e os deuses.

 

Internamente a catedral nos dá uma noção da pompa e do esplendor com que eram coroados os reis da Espanha, e da impressão que o povo comum tinha dos seus governantes da época como seres "superiores".

Dei continuidade à minha peregrinação e decidi não ficar no albergue de Burgos, por esta ser uma grande cidade. Passei por ele lentamente, continuando a caminhar com dificuldade, pois os meus pés doíam em demasia. Após sofridos dez quilômetros, cheguei a Tardajos, um pequeno povoado à beira de uma rodovia provincial movimentada.

Todos somos tartarugas

Nesse povoado encontrei um minúsculo refúgio, somente dez lugares, muito limpo, arejado e confortável; rapidamente se encheu com antigos amigos do Caminho: o italiano Marco, por mim apelidado de" O Lenhador", porque o cajado que carregava era tão grande e pesado que mais parecia uma pequena árvore;

Rito, um médico suíço; o casal de jovens austríacos que havia conhecido quando cheguei em Pamplona; um casal de holandeses com seus 50 anos, sempre joviais e simpáticos - eu os apelidei de "a legião estrangeira" por causa de seus chapéus típicos de legionários e suas roupas cáqui; outro jovem e belo casal de canadenses muito simples e simpáticos; e outro peregrino francês.

Éramos poucos, silenciosos e amigos.

Após nos instalarmos, fizemos o mesmo ritual diário da chegada aos albergues e do qual todos gostávamos: banhamo-nos, lavamos nossas roupas, organizamos as nossas camas com os nossos sacos de dormir sobre os beliches e fomos lanchar.

Aproveitei a oportunidade e comprei uma garrafa de vinho para compartilhar com "os velhos amigos" do Caminho de Santiago de Compostela.

 

O aconchegante Refúgio de Peregrinos em Tardajos tem como carimbo dois pés descalços de peregrino, com os seguintes dizeres: "Em Tardajos eu parei". Lá conheci um hospitaleiro chamado José Luiz, um espanhol homônimo de 50 anos, simpaticíssimo, muito religioso e um profundo conhecedor do Caminho.

Foi o primeiro a tratar da pequena bolha no meu pé esquerdo, que tanto me maltratara havia uns quatro ou cinco dias.

 

José Luíz, após cuidar dos meus pés, convidou-me para jantar com ele, na sua cozinha anexa ao refúgio, e aí tivemos uma rápida e profunda conversa sobre "o Caminho", que ele me resumiu assim:

"Tem de fazê-lo só Conversar pouco Pensar e sentir muito E ao final fundir-se ao Caminho,

Pois é um Caminho de fé.

Você mesmo é o Caminho." 

 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
20/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

Ewan Teles, que já andou pelo caminho de Santiago, me ofereceu este livro, em novembro de 2016.


 

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