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Meu Nome Não É Johnny

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Meu Nome Não É Johnny

Livro Bom - 1 opinião

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Autor: Guilherme Fiuza

Editora: Record

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 336

Ano de edição: 2008

Peso: 515 g

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Bom
Marcio Mafra
15/11/2016 às 21:58
Brasília - DF
Jornalista tem faro fino. Corre atrás de temas que dão notícia.
Então o Guilherme Fiuza procurou o João Estrella lá na cadeia, gravou mais de 30 horas de entrevistas, entrevistou gente da polícia e da penitenciária, mais alguns familiares e frequentadores da noite carioca.
Pronto.
Depois era só destrinchar o material com talento e estilo.
Livro acabado – muita história verdadeira, com o manto de personagens – era a própria “viagem “ que as drogas proporcionam pelo uso da cocaína, haxixe, LSD, maconha, anfetaminas, tudo regado a dinheiro, sexo, e vida de luxo, passada com capricho para o papel com as tintas do escritor.
Não foi à toa que o livro virou filme.
O resultado é o sucesso de público, de crítica e de bilheteria.
Leitura dinâmica. Livro bom.

Marcio Mafra
15/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

A viagem real de um filho da burguesia à elite do tráfico.

É a história da ascensão e queda de João Guilherme Estrella, barão da cocaína na cidade do Rio de Janeiro.

Ele foi o maior fornecedor da elite carioca e conta suas aventuras entre a elite boêmia e o sub mundo carioca.

Também se aventurou pelo mercado Europeu, com grande sucesso.

Marcio Mafra
15/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

A polícia nunca esteve nos planos de João Guilherme. E não era onipotência de barão. Desde a virada dos anos 90, quando começou a se meter no ramo, agia com a desinibição de um vendedor da Avon. Não era desdém, apenas uma crença ancestral de que tudo daria certo para ele. S6 ali para fins de 1991, quando já sabia o que era ter mais de um quilo de cocaína em casa, começou a evitar a entrega da droga em encontros no meio da rua.

 

Com uma clientela que se espalhava pelas páginas do seu caderninho, ficar andando para cima e para baixo com "papéis" de vários gramas encaixados no sapato já era um esquema artesanal demais, para dizer o mínimo. Mas naquele dia claro de primavera carioca ia ser assim. A confiança estabelecida com alguns clientes permitia que a transação se desse dentro de casa (do fornecedor ou do comprador), mas esse não era o caso de Ernesto, a quem João ia entregar cinco gramas. Marcaram num ponto final de ônibus no Cosme Velho, próximo à saída do Túnel Rebouças.

 

Na avaliação de João, Ernesto era muito pouco confiável.

 

Ex-piloto de Stock Car, dirigia com rara perícia, atravessando o trânsito do Rio de Janeiro como se estivesse num Grande Prêmio de Mônaco. O próprio João já testemunhara de dentro do carro dele, suando frio, um desses shows de pilotagem. Nascido numa família de classe média baixa, morador do Jardim Botânico, Ernesto vendia seus serviços para fuga de assaltos a banco. Também costumava ser solicitado na praça para os golpes do seguro contra acidentes, jogando carros em alta velocidade contra postes e muros, para que tivessem perda total.

 

Existem os picaretas metódicos, desses que conseguem ser caxias dentro das regras da delinqüência, mas nem isso ele era.

Se há gente que Deus já põe no mundo com cara de traidor, ali estava um exemplar típico - e já tinham avisado a João que, no caso de Ernesto, as aparências não enganavam. Por isso é que o encontro ia ser na rua, e João já estava em cima da hora.

Tinha perdido um pouco a noção do tempo na deliciosa aula de violão com André, seu professor e irmão mais novo. Como músico, João sempre foi do tipo força cega, um cantor instintivo sempre em dívida com a técnica instrumental. André. um virtuoso da prática e da teoria musical, ajudava-o a abater essa dívida. Os dois formavam uma química fértil (se eles fossem os Beatles, seria o encaixe entre o talento rude de John Lennon e a perícia cirúrgica de George Harrison, origem de sonoridades imortais do pop). João e André já tinham levado aquela química várias vezes ao palco, mas entre quatro paredes ela também funcionava - às vezes até melhor. O problema é que Ernesto, aquela figura estranha, já devia estar quase chegando ao ponto de encontro. João acordou do transe musical e cumpriu em cinco minutos o trajeto de pouco mais de um quilômetro entre a casa do irmão, em Laranjeiras, e a boca do Túnel Rebouças.

 

Mas Ernesto não estava lá. Sem poder ficar parado ali, com cinco gramas de cocaína no pé, João acelerou em frente e sentiu um calafrio na espinha. A ausência do cliente não era normal, e podia indicar que algo mais estava dando errado. Bateu a paranóia. Sabia que, por mais que tentasse controlar o circuito de pessoas e informações em torno do seu negócio, o risco de vazamento crescia junto com a expansão da "empresa". Passou na sua cabeça a cena de Ernesto dando com a língua nos dentes, imaginou até a possibilidade de estar no centro de uma cilada. Tinha que se mandar daquele lugar o mais rápido possível. Olhando mais para os retrovisores do que para frente, decidiu que o mais seguro era ir direto para casa. De lá tentaria averiguar o que havia acontecido. Depois que atravessou o túnel e teve certeza de que não estava sendo seguido, João finalmente relaxou, sem pressentir que estava escorregando suavemente para dentro da boca do lobo.

 

Havia já algum tempo, João tivera que começar a pensar na questão do armazenamento da cocaína. Pela quantidade de droga que estava movimentando, não dava mais para ser um esconderijo doméstico qualquer. Um dos mandamentos do tráfico reza que a droga e o dono da droga não devem dormir sob o mesmo teto. Um expediente muito usado é descobrir uma maloca em local público - um matagal desses remanescentes na cidade, na cara de todo mundo, tão óbvio que se torna seguro. Mas João nunca gostou dessa alternativa, e preferia usar a do "inquilinato" . A droga ficava na casa de alguém que não despertasse suspeitas - em geral um consumidor - e esse alguém era pago com o direito de suprir seu próprio nariz com

uma lasca do tijolo em torno de 40 gramas, o que para um usuário é uma verdadeira fortuna.

 

Era isto o que estava deixando-o especialmente tenso aquele dia. Tinha recebido recentemente dois quilos e meio de cocaína e, por esses favores adicionais que de vez em quando se pede ao anjo da guarda, havia deixado aquele barril de pólvora em casa mesmo. Mais uma vez, abusou da sorte. Estava pensando nisso quando entrou em sua rua, Engenheiro Alfredo Duarte, uma pequena via de paralelepípedo e sem saída, endereço de um punhado de casas e pequenas mansões. No final dela, havia um largo e um único prédio, fincado na montanha que, alguns metros abaixo, era perfurada pelo Túnel Rebouças. João estava morando naquele prédio. Mal tinha percorrido os primeiros metros da rua, ele observou um Fiat velho, bastante maltratado, meio mal estacionado do lado direito. Teve uma sensação péssima, mas seguiu adiante. Devia ser só mais uma paranóia.

Caía a noite, e no momento em que parou quase no fim da rua, dois carros estacionados acenderam os faróis na sua direção.

Teve o reflexo de engatar a ré mas, ao olhar para trás, viu que o Fiat velho tinha saído do lugar e estava logo atrás dele, fechando a passagem. De repente, seis homens armados cercavam o seu carro.

 

João sentiu uma vertigem parecida com aquela dos pesadelos de criança, que sonha que está caindo de um prédio e o chão nunca chega. Por alguns segundos, o chão do seu carro e o da sua rua desapareceram. Devia ter um jeito de voltar um pouquinho aquele filme, para poder dispensar a tempo os cinco gramas pela janela do carro, para dar meia-volta ao ver aquele Fiat suspeito. No meio do sufoco, sentindo como se um air bag imaginário empurrasse seu peito contra o banco, lembrou de Ernesto. Filho da puta! Foi ele. Não era paranóia. E se foi ele, esses caras devem saber de tudo. João ainda esboçou uma reação, do tipo "0 que vocês querem comigo?", mas não deu outra:

 

- Não adianta, não adianta! Você tá dado! A gente sabe que tu tem ... - falou ríspido um dos homens à paisana, que cresceu para cima dele dispensando a liturgia de apresentações ou identificações. Era o jeitão de policial civil que João já conhecia.

 

 

 

 


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Marcio Mafra
15/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

O autor Guilherme Fiuza esteve na Flip 2008. Ele substituiu Caco Barcelos na mesa 8, dia 4 de julho, sexta feira, as 15hs,  cujo tema era Os Fuzis.

Quem vai à Flip se não é, fica famoso. Por isso comprei o “Meu Nome Não É Johnny”


 

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