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O Diário de Guantánamo - Uma Visão do Inferno, além de Orwell, além de Kafka

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O Diário de Guantánamo - Uma Visão do Inferno, além de Orwell, além de Kafka

Livro Ruim - 1 opinião

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Autor: Mohamedou Ould Slahi

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Donaldson M. Garschagen

Páginas: 459

Ano de edição: 2015

Peso: 560 g

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Ruim
Marcio Mafra
15/11/2016 às 18:04
Brasília - DF
Já li diversos livros do tipo “diário de prisão” e até “Memórias do Cárcere” de Graciliano Ramos. Nenhum deles me entusiasmou. Nem este.

Diário de Guantánamo descreve 13 anos de torturas, humilhações, banhos de gelo, degradações, desesperos, sem contar o sofrimento da solidão, tristeza e abandono.

Nem poderia ser diferente este gênero de leitura, até porque jamais houve notícia de um relato de prisão que narrasse o prazer, alegria, felicidade e a paz de espírito.

O livro do Mohamedou Slahi tornou-se um sucesso de vendas pelas razões que causaram sua prisão. A derrubada do World Trade Center em 11 de setembro de 2001 foi um ato de terrorismo de imensurável dimensão geopolítica, que jamais será esquecido, assim como qualquer das guerras dos últimos 60 anos.

Embora sejam abomináveis as prisões sem acusação e culpa formada, no caso de guerra, os pudores de consciência e os pruridos da lei são abandonados, na maior cara de pau não só pelas autoridades, como também pelos cidadãos.

São situações extremas que ultrapassam qualquer limite de bom senso, justiça e direito.

Embora os relatos dos interrogatórios e as correspondentes torturas tenham sido degradantes, a história é assustadoramente real e absurdamente vivida nos dias atuais.

Mas apesar disso tudo, o livro é um porre: cansativo, repetitivo, monótono e ruim de ser lido – até mesmo pelas inusitadas mais de 2 mil tarjas pretas de censura aplicadas pelas autoridades americanas, alegando segurança de Estado..

Marcio Mafra
15/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

A história de Mohamedou Ould Slahi, que iniciou seu diário quando estava preso no campo de detenção da baía de Guantánamo havia 3 anos.

O autor esteve detido durante 14 anos sem acusação formal pelos Estados Unidos.

Ele era suspeito de ter participado no planejamento dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando se deu o calpso do World Trade Center.

O diário foi publicado com mais de 2.500 tarjas pretas feitas por autoridades americanas, por representar um perigo à segurança nacional.

Marcio Mafra
15/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

"Como se chama sua atual mulher?" Pergunta favorita de ••••••. Quando cheguei a Cuba, em _ de agosto de 2002, estava tão ferido física e mentalmente que esqueci o nome de minha mulher e disse um nome errado. queria provar que eu era um mentiroso.

"Olhe, você não vai nos dar nenhuma informação que já não tenhamos. Mas se continuar negando e mentindo, vamos acreditar no pior", disse . "Já interroguei alguns outros detentos e concluí que eram inocentes. Fico realmente incomodado por dormir num quarto confortável enquanto eles sofrem em seu pavilhão. Mas você é diferente. Você é especial. Não há nada que de fato o incrimine, mas há muitas coisas que tornam impossível a possibilidade de você não estar envolvido."

"E qual foi a gota d'água?"

"Não sei!", respondeu ••••••••. _era um_ ••••• respeitável e eu admirava muito a honestidade de •••••••. _ foi designado para me torturar, mas _ _ acabou fracassando, o que levou ao afastamento de ••• •••• do meu caso. Para mim, era uma pessoa perversa. _ sempre ria sardonicamente.

"Você é muito rude", disse _uma vez.

"Você também! retruquei. Nossas sessões não eram produtivas. Ambos queriam fazer um progresso, mas não havia progresso a fazer. Ambos queriam que eu admitisse que fazia parte do Complô do Milênio, o que não era verdade. A única maneira de me fazer assumir uma coisa que eu não tinha feito seria torturar-me além do limite do suportável.

"O senhor está dizendo que estou mentindo sobre isso? Adivinhe, não tenho nenhum motivo para não continuar mentindo. Pois não me impressiona mais que os cem interrogadores que tive nos últimos tempos", eu disse. estava fazendo o jogo interrogador esperto versus cara mau.

"Você é engraçado, sabia?"

"Seja lá o que isso quer dizer!"

"Estamos aqui para te dar urna oportunidade. Você está neste pavilhão faz um tempão, e eu vou embora logo, então se você não colabora ... ", continuou ••••••••

"Bon voyagel", eu disse. Gostei de saber que ••••••• ia embora porque eu não gostava de _.

"Você fala com sotaque francês."

"Meu Deus, e eu pensando que falava corno Shakespeare", disse eu, com ironia.

"Não, você fala muito bem, só comentei o sotaque." ••••

••••••• era urna pessoa franca e cortês. "Olhe, temos uma porção de relatórios que vinculam você a todo tipo de coisa.

Não há nada que o incrimine, é certo. Mas há coisinhas demais.

Não vamos deixar nada de lado e simplesmente pôr você em liberdade."

"Não estou interessado em sua piedade. Só quero ser solto quando meu caso estiver totalmente esclarecido. Estou cansado de ser solto e voltar a ser preso, nesse interminável círculo vicioso."

"Você precisa de sua liberdade, e nós precisamos de informação. Você nos dá o que precisamos e em troca te damos o que você precisa", disse . Nós três discutimos dessa forma durante dias sem nenhum sucesso.

Foi então que o sujeito que eu chamo de "EU-SOU-O-CARA" entrou em cena. Era por volta do meio-dia quando ••••• •••••• se reuniu a , que estavam me interrogando.

_ disse, apontando para •••••••• "Esta está funcionando para mim. Ele vai vê-lo

com frequência, entre outros que trabalham para mim. Mas você vai me ver também." ficou ali sentado como uma pedra; não me cumprimentou nem nada. Ficou tomando notas e mal me olhava, enquanto o outro ••••••• fazia perguntas. "Não faça gracinhas, limite-se a responder às perguntas", disse ele a certa altura. Eu pensei: Opa. a •••••• foi escolhido com alguns outros para fazer o trabalho sujo. Tinha experiência em MI; tinha interrogado iraquianos capturados durante a operação Tempestade no Deserto. Fala ••••••••••••••.

Tudo o que ele conseguiu ouvir foi a própria voz. Eu estava sempre me perguntando: Será que esse cara está ouvindo o que estou dizendo? Ou talvez suas orelhas estejam programadas para ouvir o que ele quer.

"Sou um babaca", disse ele uma vez. "É assim que as pessoas me conhecem e não tenho problema nenhum com isso."

Durante o mês seguinte, tive de lidar com ••••••• _ e sua pequena gangue. "Não somos não deixamos que detentos mentirosos fiquem impunes. Talvez só não valha a tortura física", disse ele. Nos últimos meses, eu tinha testemunhado a tortura sistemática de detentos sob as ordens de -------**----- era levado para interrogatório toda santa noite, obrigado a ouvir música altíssima e a ver imagens aterrorizantes, além de ser molestado sexualmente. Eu via quando os carcereiros o levavam, à noite, e traziam de volta de manhã. Ele era proibido de rezar durante o interrogatório.

Lembro-me de ter perguntado aos irmãos o que fazer num caso desses. "Você reza em seu íntimo, já que a culpa não é sua", disse-me o xeque argelino do pavilhão. Pude me valer dessa fatwa quando passei um ano submetido à mesma situação .••••••••••• não foi poupado da sala gelada. passou pela mesma situação; além disso, para dobrá-lo, seu interrogador atirava o Corão ao chão e fazia com que os carcereiros esfregassem o rosto dele no piso áspero .••••••••••• também foi sexualmente molestado. Eu o via sendo levado de cá para lá quase toda noite. Isso para não falar nos pobres jovens iemenitas e sauditas que eram brutalmente torturados da mesma forma. 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
15/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

Comprei “Diário de Guantánamo” em setembro de 2016 por simples curiosidade.

 


 

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