carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Você está aqui Principal / Livros / O Dono do Morro - Um Homem e a Batalha Pelo Rio

O Dono do Morro - Um Homem e a Batalha Pelo Rio

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
O Dono do Morro - Um Homem e a Batalha Pelo Rio

Livro Mediano - 1 opinião

  • Leram
    1
  • Lendo
    0
  • Vão ler
    2
  • Relendo
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Misha Glenny

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Denise Bottman

Páginas: 353

Ano de edição: 2016

Peso: 440 g

comentar
  • lido
  • lendo
  • vou-ler
  • re-lendo
  • recomendar
tenho
trocar
empresto
doar
aceito-doação
favorido
comprar
quero-ganhar

 

Mediano
Marcio Mafra
13/11/2016 às 20:33
Brasília - DF
Não era preciso um jornalista e historiador inglês para saber como é praticado aqui no Brasil o crime organizado, o tráfego de drogas, armas e o domínio das favelas – ou comunidades – das grandes e médias cidades. Nós somos o sucedâneo da Itália. Aqui os mafiosos italianos poderiam ser considerados iniciantes. O autor de MacMáfia faz sucesso – na Flip e noutras praças - com seu segundo livro escrito no estilo reportagem, com pinceladas romanceadas. Porém a narrativa de Misha Glenny não faz concessões ao estilo: é crime, pura e simplesmente crime. Ele emite conceitos e juízos de valor sobre as negociatas levadas a termo por organizações criminosas, cidadãos da classe média e rica, autoridades e policiais e milícias justiceiras, que dominam a bandidagem no Rio de Janeiro. O livro - bem no estilo do jornalismo investigativo - por vezes se torna enjoado, pelo excesso de detalhes e de preciosismos perfeitamente dispensáveis. No mesmo estilo de “MacMafia”, “O Dono do Morro” é leitura mediana.

Marcio Mafra
13/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

A história de Antônio Bonfim Lopes, traficante de drogas mais conhecido como Nem, que passou de trabalhador exemplar a bandido. Por muitos anos foi o Dono do Morro, dominando completamente a vida, o comércio, a comunidade e as drogas na favela da Rocinha, Rio de Janeiro.

Marcio Mafra
13/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

COLAPSO MORAL  1989 - 1999

Em 1987, enquanto aproveitava as praias e as mulheres de Florianópolis, Dênis da Rocinha foi preso. Quando a notícia de sua detenção chegou à favela, ela se pôs em rebelião contra os vizinhos de classe média, "montando um espetáculo de violência que a imprensa, de forma sensacionalista, chamou de 'guerra civil"', disse uma observadora. Ela conta que os moradores da Rocinha foram para as ruas e bloquearam a entrada do túnel Zuzu Angel, causando o maior congestionamento da história em grande parte da Zona Sul. A polícia, com sua habitual abordagem intransigente, desimpediu o túnel usando gás lacrimogêneo e balas de borracha. Mas não pôde impedir que os revoltosos atirassem pedras nos carros que passavam. Os protestos só pararam quando, por fim, Dênis enviou da prisão um recado para que parassem.

A solidariedade a Dênis mostrou como, em cinco anos, o chefe de um cartel de drogas se tornara o líder de uma comunidade cada vez mais frustrada. Dênis era um assassino, mas administrava seu sistema arbitrário de justiça e consolidava seu controle da favela sem recorrer a armas de grande calibre.

Sua prisão criou um medo generalizado na Rocinha. Carlos Santos, um segurança da rua 1, meneou a cabeça quando soube da notícia. A Rocinha, disse ele preocupado, "vai virar bagunça”. Agora vão começar as brigas entre quadrilhas e a gente fica no meio, como sempre".

Embora preso na famosa cadeia de Bangu, Dênis continuou a comandar o narcotráfico de dentro da cela. Sua autoridade na Rocinha se manteve inconteste. Ele próprio havia indicado seus sucessores e dispunha de fundos suficientes para garantir que os guardas da prisão fechassem os olhos às mensagens que enviava para sua organização. Tinha tanta autoridade que, por alguns anos, foi capaz de garantir que não eclodisse nenhuma luta pelo poder durante sua ausência.

 

Mas os subordinados eram impetuosos, sobretudo por serem muito jovens. Brasileirinho, o mais novo do quarteto que assumira o comando da operação de drogas, tinha apenas onze anos. Poucos meses depois da prisão de Dênis, ele participou de um rápido evento de grande simbolismo, que foi talvez o melhor prenúncio a assinalar a escuridão que desceria sobre o Rio de Janeiro durante a década de 1990 e mesmo depois.

 

Após o enterro de um dos quatro representantes de Dênis, morto pela polícia, os outros líderes, entre eles Brasileirinho, vestidos de branco, subiram a um dos telhados da Rocinha. Lá ergueram suas semiautomáticas e dispararam uma salva ao camarada morto, fazendo lembrar as cerimônias paramilitares do resto do mundo. Era um desafio arrogante à polícia e à autoridade do governo numa época em que o Estado brasileiro ingressava num período de crise profunda.

 

Em 1989, as primeiras eleições presidenciais diretas depois de 25 anos se sobrepuseram a todos os outros acontecimentos.

Foi uma conquista enorme. Mas, enquanto se erguia o sol da democracia, aumentavam as sombras em algumas partes do país.

 

Além do drástico aumento da violência relacionada às drogas, a hiperinflação voltara ainda mais forte, após o fracasso do programa econômico implementado pela equipe de transição do presidente José Sarney.

 

A eleição de Fernando Collor de Mello foi um pesadelo em quase todos os aspectos imagináveis. Deixando de lado a inflação, o congelamento da poupança e a redução ou suspensão das tarifas de importação, todos ao mesmo tempo, culminando no impeachment do presidente, a perigosa fragilidade da democracia recém-restaurada coincidiu com a inundação de cocaína no país. Esse novo setor se infiltrava em todas as áreas da vida, e grupos do narcotráfico internacional vinham adquirindo importância cada vez maior no ramo.

 

O dinheiro da corrupção de Collor era, em grande parte, lavado em Miami - prática que seu próprio irmão revelou em uma entrevista decisiva para a queda do presidente. Miami era a fonte primária dos armamentos cada vez mais pesados que entravam no Brasil, em geral em remessas que passavam pelo Paraguai.

O coordenador da força-tarefa antidrogas do Rio, Francisco Carlos Garisto, reclamou muito do tráfico de armas. "Os Estados Unidos vendem armas a qualquer um, e pouco se importam se elas vão para a Irlanda ou para o Brasil' disse ele, acrescentando que 99% das armas apreendidas entre as organizações criminosas do Rio provinham da Flórida.

 

Isso não batia com os fatos. Dois terços das pistolas e revólveres confiscados de bandidos cariocas nos anos 1980 e 1990 eram, na verdade, de origem nacional. O país fora por muitos anos um importante produtor de armas de pequeno calibre - e continua a ser, figurando hoje como o segundo maior exportador do hemisfério, depois dos Estados Unidos. Mas as metralhadoras que permitiram ao narcotráfico enfrentar e depois superar os armamentos da polícia do Rio eram, de fato, importadas do exterior.

 

Foi durante o primeiro ano de Collor na presidência que a polícia do Rio de Janeiro encontrou a primeira semiautomática, uma Ruger 556 fabricada em Connecticut, nas mãos de um traficante do Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade. Essa foi a grande guinada. Armas como a Ruger eram infinitamente superiores às dos policiais. Os traficantes de drogas agora estavam em condições de se tornar uma força paramilitar autônoma, o que viria a transformar seu potencial de violência em poder político.

 

As Rugers, os Colt AR-15, as Kalashnikovs e, depois, as Uzis garantiam nítida vantagem dos grupos criminosos das favelas sobre a polícia local, em geral equipada com armas inferiores, fabricadas no Brasil (para apoiar a produção nacional e diminuir os custos). Os próprios policiais de baixo soldo, bem como integrantes das Forças Armadas, sempre passíveis de corrupção, tornaram-se fornecedores importantes de armas para as organizações do crime.

 

O AR -15, o favorito dos traficantes, custava cerca de 2 mil dólares nos Estados Unidos. No Rio, o preço girava em torno de 4 mil a 5 mil dólares, de forma que, enquanto os traficantes brasileiros obtinham grandes lucros com a venda de cocaína aos Estados Unidos e à Europa, os negociantes de armas americanos recuperavam boa parte desse dinheiro. A lógica da guerra às drogas, ainda firmemente adotada em Washington e na maioria dos países europeus, criara um círculo vicioso de matanças e excessos que uniam os fabricantes de armas dos Estados Unidos, os traficantes da América do Sul e os consumidores de cocaína das classes médias de Berlim a Los Angeles.

 

O processo que levou à proibição das drogas, entre elas maconha, cocaína e heroína, coincidiu nos Estados Unidos com o movimento que reivindicava a proibição das bebidas alcoólicas.

Nos anos 1920, a polícia federal começou a prender usuários de álcool e drogas, mas o presidente Roosevelt, depois de cumprir sua promessa de anular a proibição das bebidas, impôs restrições ainda mais severas ao consumo de drogas no país. Também incentivou os países dos vários continentes a entrar na luta contra a produção, distribuição e consumo de drogas, agora ilegais.

 

Nos anos 1960 houve um grande aumento do uso de drogas no Ocidente, quando os baby boomers adquiriram o hábito de consumir não só maconha e heroína (popularizada pelos soldados que lutavam no Vietnã, muitos dos quais se tornaram usuários constantes para enfrentar o trauma da guerra), mas também drogas psicodélicas como o LSD. Em 1971, essa popularidade levou o presidente Nixon, com suas políticas conservadoras, a declarar "guerra às drogas". Desde então, um volume significativo de recursos passou a ser aplicado no combate ao consumo no país e à produção e distribuição no exterior. Nixon criou a Drugs Enforcement Administration (DEA), agência governamental antidrogas, dando-lhe grandes poderes e enviando agentes por todo o mundo para colaborar com as agências policiais locais na perseguição aos produtores e traficantes.

 

O impacto econômico da guerra às drogas foi igual ao impacto da proibição do álcool em Nova York, Chicago, Flórida, Atlantic City eLos Angeles. A demanda por uma substância proibida levou a um grande aumento nos preços, pois o valor da compra incluía uma taxa ou um ágio exigido pelos produtores e distribuidores para o fornecimento de uma mercadoria ilícita. A subida dos preços da heroína, desde o cultivo à venda nas ruas europeias ou americanas, é mil vezes superior à dos lucros obtidos na cafeicultura.

 

Esses lucros garantem que traficantes, a fim de proteger seus mercados, tenham condições de contar com armamentos e efetivos organizacionais com poder suficiente para enfrentar o Estado. No caso mais famoso, Pablo Escobar, do Cartel de Medellín, chegou a certa altura a se oferecer para quitar toda a dívida nacional da Colômbia.

 

Segundo amplas pesquisas realizadas sob o governo britânico em 2004, apenas 20% das drogas ilícitas importadas que entram a cada ano no Reino Unido são interceptadas pela polícia.

Para que a atividade dos traficantes deixasse de ser lucrativa sob a guerra às drogas, seria preciso apreender 80% do tráfico. Essa guerra não tem feito grande coisa a não ser encher as cadeias com pequenos usuários, criar um problema crônico de saúde pública e levar centenas de bilhões de dólares ao ano para as mãos de terroristas e criminosos.

 

A única coisa que a guerra às drogas não conseguiu fazer no mundo ocidental foi cumprir seu objetivo: que as pessoas parassem de usá-Ias. O consumo nunca foi tão grande. Mas o impacto da política americana e europeia tem sido muito mais cruento nos países de produção e distribuição das drogas. Desde os anos 1980, quando a indústria da cocaína criou um apelo de massas, centenas de milhares de centro-americanos e sul-americanos têm sido mortos em decorrência da guerra às drogas. Como gringo de um país que é ardoroso defensor dessa política, poucas coisas me parecem mais imorais (e a concorrência é acirrada). 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
13/11/2016 às 00:00
Brasília - DF

Misha Glenny era um dos festejados convidados da Flip 2008, em julho, Paraty - RJ. Em 2016 lá estava ele, novamente na FLIP, na mesa 3, intitulada “Olhos da Rua” e com Caco Barcelos leu trechos e discutiu sobre o seu ultimo livro” O Dono do Morro – Um Homem e a Batalha pelo Rio". Trazer o novo livro sensação de Misha, era o único caminho.


 

Para baixar ou visualizar o E-BOOK é necessário logar no site.
Clique aqui! para efetutar seu login.

 

Não tem uma conta?
Clique aqui e crie a sua agora!