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Memórias de Uma Gueixa

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Memórias de Uma Gueixa

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Autor: Arthur Golden

Editora: Arqueiro

Assunto: Romance

Traduzido por: Lya Luft

Páginas: 446

Ano de edição: 2015

Peso: 590 g

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Ótimo
Marcio Mafra
24/07/2016 às 22:56
Brasília - DF
Conta-se que o autor norte americano, Arthur Golden levou 10 anos para escrever “Memórias de uma Gueixa”. Na verdade ele faz uma análise bem profundas da alma da mulher oriental. O autor conseguiu expor os problemas emocionais, sexuais e sociais de Chiyo, quando esta deixou de ser simples criada para ser aprendiz de Gueixa.

Nessa ocasião ela troca de nome e passa a se chamar Sayuri.

Narrado na primeira pessoa, o livro mostra as emoções, que praticamente toda japonesa já passou.

No caso de Saruy o livro mostra, ainda, detalhes muito curiosos e desconhecidos da vida e da cultura das mulheres e até dos homens japoneses.

Fora do Japão as gueixas eram confundidas com prostitutas. Mas na cultura japonesa as gueixas são celebridades, verdadeiras artistas cuja atividade principal é entreter homens.

Em sua carreira Sayuri enfrenta adversárias fortíssimas, como Hatsumomo, mas triunfa e se torna uma das gueixas mais famosas do Japão, tendo sido amante tanto de Nobu como do Presidente de uma empresa multinacional.

O livro é detalhista ao extremo o que – por vezes – torna a leitura cansativa. Mas é muito bom.

Marcio Mafra
24/07/2016 às 00:00
Brasília - DF

A história de duas irmãs que foram vendidas. Uma se chamava Chiyo a outra Sato. Ambas foram vendidas pelo pai devido à grande pobreza de sua família. Sato foi vendida para um prostíbulo e Chiyo para uma casa de gueixas, onde servirá como uma verdadeira criada. Nesta casa, porém, talvez ela possa ser aprendiz de gueixa. Para tanto precisa passar por muitos sacrifícios e um longo treinamento. As gueixas são como celebridades cujo serviço é servir aos homens com conversas, cantos, bebidas, comidas, danças, lazer e sexo. Para conseguir sucesso na carreira e se tornar uma Gueixa importante, elas trocam até o nome, são submetidas a situações constrangedoras e as vezes cruéis. Como nas demais profissões, elas tinham possibilidade de se tornar ricas e famosas.Sato, a outra irmã que foi vendida para um prostíbulo, nunca mais se ouviu falar dela.

Marcio Mafra
24/07/2016 às 00:00
Brasília - DF
No começo de março e durante toda a primavera, Mameha e eu ficamos 
ocupadas com o Danças da Velha Capital, que seria apresentado pela pri­ 
meira vez desde que Gion fechara nos anos finais da guerra. O presidente e 
Nobu também tiveram muitos compromissos nesses meses, e só duas vezes 
trouxeram o ministro a Gion. Então, certa noite na primeira semana de ju­ 
nho, fui avisada de que a Eletrônica Iwamura solicitara minha presença na 
Ichiriki. Eu tinha um compromisso marcado semanas antes que não podia 
desfazer facilmente. Assim, quando finalmente abri a porta para entrar na 
sala, estava meia hora atrasada. Para minha surpresa, em lugar do grupo 
habitual, encontrei apenas Nobu e o ministro. 
 
Logo pude ver que Nobu estava zangado. Naturalmente imaginei que 
estivesse aborrecido comigo por fazê-lo passar tanto tempo sozinho com o 
ministro - embora, para dizer a verdade, os dois não estivessem "passando 
tempo juntos': assim como um esquilo não passa seu tempo com os insetos 
que vivem na mesma árvore. Nobu tamborilava os dedos na mesa, com 
ar muito aborrecido, enquanto o ministro estava/parado junto da janela 
olhando o jardim. 
 
- Muito bem, ministro! - disse Nobu quando eu me acomodara diante 
 
395 
 
da mesa. - Basta de ver se os arbustos estão crescendo. Vamos ficar senta­ 
dos aqui a noite toda esperando pelo senhor? 
 
O ministro ficou atônito e fez uma pequena mesura de desculpas antes 
de se acomodar na almofada que eu preparara para ele. Habitualmente era 
difícil pensar em algo para lhe dizer, mas naquela noite minha tarefa ficou 
mais fácil, pois fazia tempo que eu não O via. 
 
- Ministro - disse eu -, o senhor não gosta mais de mim! 
 
- Ahn? - fez ele, conseguindo compor seus traços numa expressão de 
 
surpresa. 
 
- Não veio me ver em mais de um mês! É porque Nobu-san foi malvado 
não o trazendo a Gion tantas vezes quantas deveria? 
 
- Nobu-san não é malvado - disse o ministro. E soprou várias vezes em 
direção do nariz antes de acrescentar: - Eu já tenho exigido demais dele. 
 
- Mantendo o senhor afastado daqui um mês inteiro? Ele é cruel, sim. 
 
Temos muita coisa a recuperar então. 
 
- Sim - interrompeu Nobu -, principalmente beber. 
 
- Mas Nobu-san está mal-hurnorado. Esteve assim a noite toda? E onde 
 
estão o presidente, Mameha e Abóbora? Não virão ficar conosco? 
 
- O presidente está ocupado - disse Nobu. - Não sei onde estão Mameha 
e Abóbora. São problema seu, não meu. 
 
Naquele momento a porta se abriu e entraram duas criadas com bande­ 
jas de jantar para os homens. Esforcei-me para lhes fazer companhia en­ 
quanto comiam - isto é, tentei por algum tempo fazer Nobu falar, mas ele 
não estava disposto. Depois tentei fazer o ministro falar, mas seria mais 
fácil arrancar uma palavra ou duas do peixinho grelhado em seu prato. 
Assim, no final desisti e fiquei apenas falando sobre qualquer coisa, até co­ 
meçar a me sentir uma senhora conversando com seus cachorros. Durante 
todo o tempo servia saquê para os dois homens. Nobu não bebeu muito, 
mas o ministro estendia sua taça o tempo todo, agradecido. Quando ele 
estava ganhando aquele olhar vidrado de alguém que acaba de acordar, 
Nobu de repente botou a taça na mesa, com firmeza, limpou a boca com o 
guardanapo e disse: 
 
- Tudo bem, ministro, basta por uma noite. Está na hora de ir para sua casa. 
 
- Nobu-san! - repreendi-o. - Tive a impressão de que seu convidado está 
 
apenas começando a se divertir. 
 
- Ele já se divertiu bastante. Vamos para casa cedo, ao menos esta vez, 
graças aos céus. Venha, ministro! Sua esposa ficará contente. 
 
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- Não sou casado - disse o ministro, mas já estava ajeitando as meias e 
preparando-se para sair. 
 
Acompanhei Nobu e o ministro pelo corredor até a entrada e ajudei o 
ministro a calçar os sapatos. Táxis ainda não eram comuns, por causa do 
racionamento de gasolina, mas a criada chamou um riquixá, e ajudei o mi­ 
nistro a entrar nele. Eu já notara que ele andava um pouco estranho, mas 
nessa noite apenas fitara os próprios joelhos e nem quisera se despedir. 
Nobu ficou na entrada olhando o céu como se observasse as nuvens se acu­ 
mulando, embora na verdade fosse uma noite clara. Quando o ministro se 
fora, eu lhe perguntei: 
 
- Nobu-san, o que afinal está havendo com vocês dois? 
 
Ele me lançou um olhar aborrecido e voltou para dentro da casa de chá. 
 
Encontrei-o na sala batucando na tampa da mesa com seu corpo de saquê 
vazio. Pensei que quisesse bebida, mas quando ofereci, ignorou-me - e de 
qualquer forma não havia nada na garrafa. Esperei um longo momento 
pensando que ele tinha algo para me dizer, mas fui eu quem por fim falou: 
 
- Olhe só para você, Nobu-san. Rugas tão fundas entre os olhos como 
sulcos numa estrada. 
 
Ele relaxou um pouco os músculos em torno dos olhos, de modo que as 
 
rugas pareceram se desfazer. 
 
- Não sou mais tão jovem, sabe? - disse. 
 
- E o que isso quer dizer? 
 
- Quer dizer que algumas rugas se tornaram traços permanentes e não 
 
vão desaparecer só porque você diz que deveriam. 
 
- Há rugas boas e rugas ruins, Nobu-san. Nunca esqueça isso. 
 
- Você mesma já não é tão jovem. 
 
- E agora começa a me insultar! Você está ainda mais mal-humorado do 
 
que eu receava. Por que não temos bebidas aqui? Você precisa de um gole. 
- Não a estou insultando, estou constatando um fato. 
 
- Há rugas boas e rugas ruins assim como fatos bons e fatos ruins - falei. 
 
- É melhor evitar os fatos ruins. 
 
Encontrei uma criada e pedi que trouxesse uma bandeja com uísque e 
água, além de um pouco de lula seca como aperitivo - pois me dera conta 
de que Nobu comera pouco no jantar. Quando chegou a bandeja, servi uís­ 
que num copo, enchi-o de água e coloquei-o na frente dele. 
 
- Pegue - falei. - Finja que é remédio e beba. 
Ele tomou um golinho, mas muito pequeno. 
 
- Tudo - ordenei. 
 
- Vou beber no meu ritmo. 
 
- Quando um médico ordena um paciente que beba remédio, o paciente 
 
bebe. Agora beba tudo! 
 
Nobu esvaziou o copo, mas não me olhou. Depois servi mais e mandei 
que bebesse. 
 
- Você não é um médico! - protestou. - Vou beber no meu ritmo. 
 
- Ora, ora, Nobu-san! Cada vez que abre a boca, você se complica mais. 
 
Quanto mais doente o paciente, mais remédio tem de tomar. 
- Não quero. Odeio beber sozinho. 
 
- Tudo bem, eu o acompanho. 
 
Botei alguns cubos de gelo no copo e o estendi para que Nobu o en­ 
chesse. Ele tirou o copo de minha mão com um leve sorriso - certamente 
o primeiro dele a noite toda - e com muito cuidado serviu duas vezes mais 
uísque do que eu servira no dele, depois adicionou um pouco de água. Tirei 
o copo dele e despejei o conteúdo numa tigela no centro da mesa, depois 
enchi-o de novo com a mesma quantidade de uísque que ele pusera no 
meu, e um pouquinho mais ainda, como castigo. 
 
Enquanto esvaziávamos nossos copos, não pude evitar fazer uma careta. 
 
Considero uísque tão bom quanto água da chuva da valeta na rua. Acho 
que essas caretas foram boas, porque depois Nobu pareceu bem menos ra­ 
bugento. Quando consegui respirar de novo, eu disse: 
 
- Não sei o que lhe deu esta noite. E no ministro também. 
 
- Nem me fale daquele homem. Eu estava começando a me esquecer 
 
dele, e agora você me lembrou. Sabe o que me disse antes de você chegar? 
- Nobu-san, minha responsabilidade é alegrar você, queira você mais 
uísque ou não. Você observou o ministro se embebedar todas as noites, 
agora chegou a sua vez. 
 
Nobu lançou-me outro olhar desagradável, mas pegou seu copo como 
um homem começando a caminhar pelo pátio de execução e o contemplou 
algum tempo antes de esvaziá-Io. Largou-o na mesa e depois esfregou os 
olhos com as costas da mão, como se quisesse enxergar melhor. 
 
- Sayuri - começou então -, preciso lhe dizer uma coisa. Você vai ficar 
sabendo, cedo ou tarde. Na semana passada o ministro e eu tivemos uma 
conversa com a dona da Ichiriki. Investigamos a possibilidade de o minis­ 
tro se tornar seu danna. 
 
- O ministro? Mas não entendo, Nobu-san. Você deseja isso? 
 
- Claro que não. Mas o ministro nos ajudou imensuravelmente, e não 
tive escolha. As autoridades americanas estavam preparadas para dar sua 
sentença final contra a Eletrônica Iwamura. A empresa seria confiscada. 
Acho que o presidente e eu teríamos de aprender a fazer concreto ou coisa 
assim, pois nunca mais teriam permitido que trabalhássemos em nosso 
ramo. Mas o ministro fez com que reabrissem nosso caso e conseguiu per­ 
suadi-los de que estávamos sendo tratados com excessiva severidade. O 
que, como você sabe, é verdade. 
 
- Mas Nobu-san continua chamando o ministro de toda sorte de nomes. 
 
Me parece ... 
 
- Ele merece ser chamado de todos os nomes que posso imaginar! Não 
gosto do sujeito, Sayuri. Saber que sou seu devedor não melhora minha 
opinião a respeito dele. 
 
- Entendo. Então eu devo ser dada ao ministro porque ... 
 
- Ninguém quer dá-Ia ao ministro. Ele jamais poderia pagar para ser o 
 
seu danna, de qualquer modo. Eu o fiz acreditar que a Eletrônica Iwamura 
estaria disposta a pagar, o que não é verdade. Eu sabia a resposta de ante­ 
mão, ou nem teria feito a proposta. O ministro ficou muito decepcionado, 
sabe? Por um momento quase tive pena dele. 
 
Não havia nada de engraçado no que Nobu acabava de dizer, mas acabei 
rindo, porque imaginei o ministro como meu danna, inclinando-se cada 
vez mais perto de mim com seu maxilar esticado, até de repente sua respi­ 
ração soprar no meu nariz. 
 
- Ah, então você acha isso engraçado? - disse Nobu. 
 
- Realmente, Nobu-san ... desculpe, mas fiquei imaginando o ministro ... 
 
- Não quero que você imagine o ministro! Já foi ruim bastante ficar sen- 
 
tado do lado dele falando com a dona da Ichiriki. 
 
Preparei outro uísque com água para Nobu, e ele preparou um para mim. 
 
Era a última coisa que eu queria, pois a sala já me parecia enevoada. Mas 
Nobu ergueu o copo e tive de beber com ele. Depois ele limpou a boca com 
seu guardanapo e disse: 
 
- É uma época horrível para se estar vivo, Sayuri. 
 
- Nobu-san, achei que estávamos bebendo para nos alegrarmos um 
 
pouco. 
 

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Marcio Mafra
24/07/2016 às 00:00
Brasília - DF

Lucia d’Aquino um dia chegou a minha casa em Brasília, onde ficou por uns dias fazendo um curso e depois voltou para Porto Alegre, onde mora (eu acho). Ao sair me presenteou com dois livros. Num deles - Memórias de uma Gueixa - escreveu:

“Ao querido Márcio Mafra, primo que demorei mais de 30 anos para conhecer, por receber e acolher uma desconhecida em sua casa. Muita gratidão pelo bom humor, pelas risadas, pelas conversas inteligentes no metrô, pela disponibilidade em me ensinar, pelas sopas diárias, pelo melão cortado, pela ida a feira, por não ter tirado foto minha na ambulância, por ter quase ido no show do Nando Reis comigo. Pela ironia e pelo deboche também (mas não muito). Espero que a vida seja gentil e permita que nos reencontremos. Com carinho. Lucia d’Aquino, março de 2016 .”


 

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