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O Livro dos Afiguraves

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O Livro dos Afiguraves

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Autor: Franklin Jorge

Editora: Feedback

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 167

Ano de edição: 2015

Peso: 200 g

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Ótimo
Marcio Mafra
25/07/2016 às 18:40
Brasília - DF
Em 2007, pesquisando aqui e ali tomei conhecimento que Frank Jorge, um dos raros brasileiros que não sendo professor de literatura é considerado crítico do poeta e dramaturgo Willian Shakespeare. Dele eu possuía o livro “Splen de Natal”. Então por insondáveis motivos shakespearianos fiz contato com o Frank e descobri que ele escreve e fala com conhecimento, alma e estilo. Recentemente (abril 2016) recebo comunicado de Frank Jorge dando conta do seu novo livro “Afiguraves”, que li, somente agora, numa viagem pelo norte do Brasil. O talento do autor salta na linguagem captada de cada personagem, cada gesto, cada traje e cada ambiente em que são narradas as vidas e “cousas” das pessoas importantes de Luís Alves. A história e a alma dos que deixaram sua marca na vida política, social, religiosa e cultural da cidadezinha de 20 mil habitantes está aí para alegria e emoção dos leitores. Leitura Fácil. Livro e autor ótimos.

Marcio Mafra
24/07/2016 às 00:00
Brasília - DF

O Livro dos Afiguraves reúne as principais crônicas (geniais) que o jornalista Frank Jorge escreveu sobre as pessoas importantes de Luis Gomes, uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Norte, mais ou menos a 450 km da capital, Natal.

Marcio Mafra
24/07/2016 às 00:00
Brasília - DF

O primeiro chefe político daqui, recorda-se Quinco que foi o Padre Belarmino Cavalcante, homem cheio de estripulias que morava num sitio isolado, aqui perto, e mantinha um harém com várias mulheres. Teve caso ao mesmo tempo com quatro moças que eram irmãs e dava conta de todas. Teve vários filhos e foi substituído por um outro padre que o seguiu pelo mesmo caminho. Como todo lugar muito velho e isolado, Bom Jesus é uma cidade rica de tipos curiosos. Por exemplo, cheguei a conhecer um negro, José Martins, que vivia por aqui e lutara na Guerra do Brasil contra o Paraguai. Era Ia do Conde D 'Eu e me dizia que ele foi o homem mais valente que já conhecera. Ele me contava que, na guerra, as atrocidades se tornam corriqueiras. Muita gente daqui foi levada contra a própria vontade para lutar no Paraguai. Por isso, muitos meninos de apenas dez anos, se casavam, para fugirem à convocação do Imperador. Por causa das histórias desse negro, ao casar-me pela segunda vez com Alaíde Juvenal da Silva, de 28 anos, batizei nossos dois filhos com os nomes de Conde D 'Eu de Orléans e Tancredo Cavalcante. Meu primeiro casamento data de 1921. Minha primeira mulher, Maria do Carmo Souza, de apelido Nâzinha, morreu em 1975 aos 76 anos. Desse casamento tivemos três filhos e vários netos.

Nunca tive férias nem parei de trabalhar todos os dias de minha vida. Aos 94 anos, continuo trabalhando na roça, faça chuva ou faça sol. Este ano, por exemplo, não esperei que o inverno pegasse e plantei, sozinho, duas tarefas de mandioca, feijão, bananeira, milho e jerimum, o que equivale a um hectare. O milho já está prestes a ser colhido. Este ano vou comer milho quando a maioria dos nossos agricultores começa a plantar... Trabalho até no domingo, desde 1915, quando também contraí o hábito e o costume de beber inevitavelmente, ainda em jejum, uma pinguinha de alambique. Tomo essa chamada e me sinto bem.

Meu pai, Galdino de Souza Cavalcante, bebia de oito em oito dias, quando vinha à rua fazer compras e tratar dos negócios. Era só um estimulo, não bebia para embriagar-se, como é costume atualmente. Naquele tempo os costumes era mais morigerados.

Eu me lembro que a gente quebrava o jejum com uma xícara grande de café preto e só íamos almoçar ao meio-dia. Hoje as pessoas comem a qualquer hora e sem comedimento. Come-se por mania, não por necessidade de nutrição. A carne, então, era farta. Comia-se mais carne do que hoje em dia. Açúcar era remédio e dele ninguém abusava. O arroz, muito raro, chegava mesmo a ser raríssimo, era servido somente às visitas de cerimônia ou em dias de festa, como casamentos e batizados. Não era comida ordinária de todos os dias.

 

Minha experiência recomenda que é preciso observar e seguir os ditames da natureza. Quando relampeia em noite de festa, quero dizer no Natal, é sinal de bom inverno. Se o dia primeiro do ano for limpo, sem nuvens, e ventoso, é um bom sinal para o homem que lida com a terra e dela extrai o sustento dos seus. Eu e os mais velhos sempre prestamos atenção aos sinais enviados pela natureza. O vento rasteiro que ajunta ciscos nos aceiros é um outro bom sinal de fartura. O dia de Santa Luzia, 13 de dezembro, é ótimo para plantar sementes, mesmo na seca. Foi o que eu fiz o ano passado, de modo que na Semana Santa já estava comendo feijão verde, pamonha e milho cozinhado. Fui o primeiro a colher este ano. Obrei bem, plantando cedo; não esperei que o inverno pegasse e fui agraciado pela minha diligencia.

Estou nessa idade e o vício efetivo que tenho é a dança. O povo daqui gosta de dançar. A dança é um prazer barato e muito distinto. Quem dança, goza de boa saúde. É um tratamento completo que está ao alcance de todos, jovens e velhos. Quem dança, raramente é capaz de fazer o mal ao próximo. Além da dança, coisa boa é conversar e botar os fatos em dia. É um modo sadio que a gente tem de esquecer as mazelas da vida, como a carestia que rói a paz das famílias. Todo sobe sob este governo.

Tudo, hoje, para o pai de família e para o homem que pensa nos fatos da vida, tudo é motivo de aflição. O dinheiro, como a mulher, perde o valor. Hoje, com a carestia e a licença dos costumes, as mulheres ficaram baratíssimas. São muitas para apenas um homem.

 

E, para a história não ser comprida ou encompridar-se com firulas e adornos, seja acrescentado que Quinco foi adjunto de promotor, primeiro prefeito constitucional do município, e vereador em Bom Jesus.

 


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Marcio Mafra
24/07/2016 às 00:00
Brasília - DF

Em abril (2016) recebi em meu endereço o livro dos Afiguraves, remetido pelo autor Frank Jorge, que conheci através do www.franklinjorge.com Ele é um dos raros brasileiros que não é professor de literatura e pode ser considerado crítico do poeta e dramaturgo Willian Shakespeare. Franklin Jorge escreve e fala com conhecimento, alma e estilo. Em março de 2009 transcrevi um de seus comentários sobre o livro Rei Lear, que começa assim: "Ingrato é todo aquele que não reconhece a graça e cospe no prato em que comeu." Escrevi para ele, que respondeu autorizando a transcrição e dizendo-me que me enviaria o seu livro Splen de Natal. Disse-lhe que já possuía um exemplar do livro desde 2007, sem que eu pudesse atinar como o livro veio parar na prateleira.


 

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