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Meus Desacontecimentos

Livro Péssimo - 1 opinião

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Autor: Eliane Brun

Editora: Leya

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 143

Ano de edição: 2014

Peso: 175 g

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Péssimo
Marcio Mafra
19/04/2016 às 21:51
Brasília - DF
Meus Desacontecimentos – a história da minha vida com as palavras – é o terceiro livro de Eliane Brun, lançado no mercado livreiro lá por outubro de 2014.

Parecia estreia do FENALISI - Festival Nacional de Literatura Surpreendentemente Intelectualizada.

Todo jornalista, cronista, contista, articulista, bloguista, comentarista, repórter e outros gêneros de escrevinhadores, principalmente do eixo Rio-São Paulo, teciam loas à Eliane Brun.
Toda essa gente intelectualizada comentava o terceiro livro da autora, como se esse fosse a coisa mais fantástica, admirada e brilhante jamais publicada na história da humanidade.

Terá sido porque ela trabalhou 10 no Jornal Zero Hora de Porto Alegre e outros 10 na Revista Época?

Amazon, Cultura, Submarino, Americanas, Saraiva faziam intensiva divulgação.

Folha de São Paulo, Globo, Estadão, Valor Econômico, Isto É, Época, Veja e outros menos votados – extasiados -comentavam sobre o livro.

Desconfio que nenhum deles o leu, porque todos diziam a mesma coisa.

De cara, fiquei abestado diante de apenas 143 páginas do livro, com dimensões pouca coisa maior que um livro de bolso. (Queria dizer livrinho, mas pode parecer atrevimento).

Fiquei estupefato, porque nunca tinha assistido, lido ou ouvido tanto elogio a um livro tão pequenininho, que li e não achei lá essas coisas.

Eu o li, do começo ao fim.

Como leitor me senti ignorante, idiota, tolo, senão imbecil. Exagero? Então leia este trecho:
“Às vezes me perguntam o que aconteceria comigo se não existisse a palavra escrita.
Eu respondo: teria me assassinado, consciente ou não de que estava me matando.
É uma resposta dramática, e eu sou dramática.
O que tento dizer é que, se não pudesse rasgar o papel com a caneta, ainda que numa tela digital, eu possivelmente rasgaria o meu corpo.
E, em algum momento, o rasgaria demais.”

Esse outro trecho, quase no finalzinho do livro, certamente, deixaria aparvalhado Dostoiévksi, Tolstoi, Tchecov, Flaubert, Garcia Marquez, Borges, Neruda, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Veríssimo ou José de Alencar.

“Depois eu passava a ponta dos dedos na capa, sentindo a pele e a forma, acariciava as páginas com reverência.
Só então lia a primeira palavra, toda arrepiada.
Até hoje repito esse ato nas livrarias, causando algum estranhamento.
Para mim, os livros sempre foram sagrados, mas apenas para que pudessem ser profanados.
Mais tarde eu faria sexo da mesma maneira, ligando os corpos e as letras para sempre na minha apreensão do mundo”.

Ao terminar a leitura do livro de Eliane Brun, lembrei-me das palavras de Graciliano Ramos, em entrevista de 1948. Graciliano foi importante romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais conhecido por seu livro Vidas Secas.

"A Arte de Escrever" Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948.

..."Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.

Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer.

Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.

Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão.

Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.

Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

Minha opinião sobre "Meus Desacontecimentos" é um livro que se não tivesse sido escrito, nada aconteceria.

Marcio Mafra
19/04/2016 às 00:00
Brasília - DF

As memórias de infância de Luzia e sua família, da avó, da irmã morta, das tias. A personagem do livro de Eliane Brun, quando criança namorava a morte. Ela conseguiu sobreviver através dos questionamentos que fez ao longo do tempo, sobre nascimentos, mortes, vidas, corpos e partos. Eliane reinventa a vida e arruma motivos para viver.

Marcio Mafra
19/04/2016 às 00:00
Brasília - DF

 

(abre parêntese)

Quando Ailce, a mulher que me ensinou a viver morrendo, cessou de respirar, eu viajei até o povoado para comprar meu próprio túmulo no cemitério de lomba onde mora Luzia. Gesto consolidado a cada ano com a doação de uma vaca para a festa da padroeira, como sugere a versão local do Itarnaraty. Em seguida, comecei a escrever um romance em que uma filha se arranca do corpo da mãe.

Uma Duas.

Há realidades que só a ficção suporta. Precisam ser inventadas para ser contadas.

(fecha parêntese)

 

Escolhi viver sem fronteiras definidas, nações não me interessam, limites só me importam os da ética.

Tenho um coração andarilho, um corpo mutante, uma mente transgênera. Sou irmã, mãe, filha, homem, cúmplice, bicho bicho, bicho humano, árvore, erva-daninha, pedra, rio. Vírus. Sou todas as cores, todos os sexos, todas as línguas. Sou palavra em palavras. Mas o meu corpo que viveu e que amou e que gozou e que foi marcado, este tem um lugar.

Na letra-luz de Luzia. 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
19/04/2016 às 00:00
Brasília - DF

 Comprei “Meus Desacontecimentos – A Historia da Minha Vida Com as Palavras” porque a autora foi festejadíssima na FLIP de 2014 (ela estava na mesa poesia e prosa com Charles Peixoto e Gregorio Dudivier) e pelos comentários que tanto li na imprensa. Só consegui  terminar a leitura, 2 anos depois de adquirir o livro.


 

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