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Diários da Presidência

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Diários da Presidência

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Autor: Fernando Henrique Cardoso

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Ciencia Politica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 929

Ano de edição: 2015

Peso: 1.400 g

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Ótimo
Marcio Mafra
17/04/2016 às 16:14
Brasília - DF
Em outubro de 1992, FHC assumiu o Ministério das Relações Exteriores, no início do governo Itamar Franco. Na sequência foi Ministro da Fazenda, quando liderou um plano de estabilização econômica, com extinção da inflação monetária e troca da moeda que passou a se chamar Real. Foi o caminho imbatível para ser eleito Presidente da República. Depois disso foram oito anos de mandato.
Do primeiro ano do primeiro mandato, o sociólogo Fernando Henrique abre o baú de segredos e conta tudo que é possível contar, dá a cara à críticas, relata as dificuldades, o esgotamento da liturgia do cargo (embora a cumprisse com capricho), as intrigas do poder e as hesitações de um Chefe de Estado.
Faz muitas críticas diretas e indiretas aos aliados e aos adversários políticos. Malha a imprensa, tanto quanto foi malhado, durante seu governo. Muitos fatos e coisas relatadas pelo Presidente surpreendem, não por serem revelações bombásticas ou segredos de estado, que ninguém tivesse sabido até hoje, mas simplesmente por serem relatadas pelo autor, enquanto está vivo. FHC em 2016 conta 85 anos de idade.

No Brasil, só o ditador Getúlio Vargas havia escrito diário, que foi publicado muito depois de seu suicídio. Como são escritos para a posteridade, os diários podem estar contaminados por omissões, distorções, enganos, quiçá, mentiras, sejam ditadores ou democratas como FHC. Embora FHC o tenha feito (gravado) de frente e com coragem, também se percebem omissões, distorções e enganos.

Omissões, porque nenhum momento registra as dificuldades causadas pela quebradeira de empresas, bancos, instituições e organizações, públicas ou privadas, onde existia gente que perdera seus empregos. Muita gente. Naquele primeiro ano do mandato (1995) não havia família da classe média que não tivesse um ou dois desempregados.

Distorção, porque Doutor em sociologia era verdadeiro supor que o Presidente acabasse com o sofrimento da população abaixo do nível da pobreza. Aqueles miseráveis que viviam com algo em torno de 70 reais por mês, eram todos brasileiros. Mas o quantitativo dos brasileiros miseráveis não diminuiu. Distorcidamente só fez aumentar a miséria.

Em 1995, quando FHC assumiu, existiam 39,0 milhões de pessoas na linha da miséria. Em 2002, ao termino de seu governo, contávamos 41,6 milhões de pessoas na linha da miséria. Essa população era só de gente brasileira. Não era gente da Síria, Índia, Zimbábue ou Turcomenistão.
Este mundão de brasileiros miseráveis era igual à soma da população de quatro países: Bélgica, Grécia, Portugal e Suécia. É inacreditável, que doutor em sociologia, com o poder quase imperial da caneta durante oito anos, não tenha – ao menos - reduzido essa miséria. Esta distorção não é mencionada em seu diário. Hoje (2016) a linha da miséria é praticamente zero.

Reeleição que permeia todo o diário, (eu não quero, mas aceito) carece da força da verdade.
O livro “Diários da Presidência”, com a convicção de leitor e de eleitor do Presidente FHC está contaminado pelos filtros: omissão, distorção, engano e talvez inverdades.

Resta um livro cansativo, mas de qualquer forma revelador, de que (1) o Presidente não sabia se queria a reeleição, mas a adotou. (2) Governou com alma de sociólogo e mão de político. Só ele sabe o preço que pagou por fazê-lo.

A despeito das incongruências, das novecentas e tantas páginas do diário, sobressai o perfil de um Presidente nobre, intelectual, inteligente, encantador, culto, persuasivo, elitista, gentil, fino, educado e democrata. Sem dúvida, um líder.

Marcio Mafra
17/04/2016 às 00:00
Brasília - DF

O diário do Presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso – FHC - , no período de 25 de dezembro de 1994 até 30 de dezembro de 1996.

Abrange o primeiro ano, do primeiro mandato presidencial, resultado de 90 horas de gravações em fitas cassetes.

É quase um relato do dia-a-dia, na visão do mandatário, reflexões, hesitações, determinações, responsabilidades, compromissos e emoções.

E também das intrigas, críticas da imprensa, dos aliados e adversários políticos que viviam ao seu redor.

Marcio Mafra
17/04/2016 às 00:00
Brasília - DF

25 DE ABRIL A 3 DE MAIO DE 1996

Pressões do PPB para apoio às reformas.

Queda de Dorothea Werneck. Nomeação de Luís

Carlos Santos para a coordenação política. O MST

 

Hoje é 25 de abril, uma quinta-feira. Ontem também foi um dia muito difícil. Por quê?

Hoje está claro o que aconteceu no Pará: foi um massacre. Houve um incidente com um grupo de pessoas que ocupou uma estrada, o governador do Pará mandou a polícia local desobstruir essa estrada, e ela cometeu o massacre.

Nada a ver diretamente com a reforma agrária. Não obstante, fica parecendo que tudo isso é consequência da falta de reforma agrária. Tudo bem, é normal que assim seja, mas essa também é uma nova política do PT e associados, de acabar jogando a culpa no governo federal, pois a reforma agrária está no plano federal. O que, aliás, é outro erro.

 

Ontem passei a manhã no Palácio da Alvorada. Serra me interrompeu a natação, preocupado com a crise no Amazonas: o Amazonino não aceitou a indicação do general [Romildo] Canhim [para a Suframa], porque não passou por ele, então foi [nomeado] um técnico, muito bem.

 

Depois recebi o Luís Carlos Santos, com quem conversei sobre os termos em que ele seria indicado líder do governo. Eu disse: "Olha, Luís Carlos, a minha ideia é essa, então você agora atue junto ao PPB". Ele conversou com o pessoal do PPB, mas só me trouxe a resposta ontem de manhã. O PPB está com o seguinte plano. Maluf, diz o Luís Carlos, e eventualmente também o Amin, são contrários à participação no governo; Maluf quer passar para a oposição. Um [segundo] grupo, grande, organizado ao redor do Vadão [Gomes], quer o Ministério da Agricultura para fins que só Deus sabe quais, e o Dornelles é a opção mais aceitável.

 

Parece que o PPB não aceita o Ministério da Reforma Agrária sem o Incra. Luís Carlos sugeriu que ampliássemos a oferta e incluíssemos o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. Isso para mim é dolorido, por causa da Dorothea, que é uma ministra de quem eu gosto, e ela tinha que ser avisada dessa manobra.

 

Depois de uma reunião com Maurice Strong e as ONGS sobre meio ambiente, recebi o Vicentinho e quatro ou cinco dirigentes da CUT. Conversamos sobre tudo, eu gosto do Vicentinho. [Em seguida] ele até me pediu para fazer a reunião deles na biblioteca, depois que eu fosse embora. Deixei, é coisa só do Brasil! Os dirigentes máximos da CUT se reúnem na biblioteca do Palácio da Alvorada. Eles vieram trazer reivindicações dos grevistas de Brasília, a questão dos sem terra, e havia uma manifestação, dessa vez parece que grande, aqui em Brasília, porque o momento é tenso por causa dos sem-terra. E tentam aproveitar para ver se fazem algo semelhante a impeachment, sempre a mesma história.

Depois disso, recebi para almoço o Luís Eduardo, o Serra, o Sérgio Motta e o Luís Carlos Santos. Havia uma resistência do Serra, e minha também, a essa coisa do MICT. Ainda aleguei que o MICT está com negociações importantes de investimentos, é um mau sinal, mas os políticos não pensam dessa maneira, eles pensam no número de votos no Congresso. E eu tenho que fazer as reformas. Essa é a armadilha na qual caímos. Eu, desde o início, alertei todo mundo, não vamos ficar presos só às reformas, senão vamos ficar reféns do Congresso. Não adiantou, a sociedade queria reformas. Agora estão mudando de ideia, já se fala pouco das reformas, mas estamos presos nessa armadilha do Congresso.

 

Então eu disse: "Está bem, de acordo, desde que primeiro se fale com a Dorothea". Fui para o Palácio do Planalto, diretamente para o gabinete do Clóvis, chamei o Eduardo, contei a ele, chamei o Paulo Renato e pedi que falasse com a Dorothea, porque os dois são muito amigos. Paulo Renato telefonou em seguida tentando vê-la, falou com [Enrique] Iglesias para saber se havia uma vaga na Cepal. Existe, de diretor-assistente. Paulo Renato falou com ela, perguntou se estava interessada em ir para o Chile. Ela estava viajando, já a caminho, e ficou de conversar num telefone mais tranquilo com o Paulo Renato. Isso foi feito.

 

Reunião com os governadores na casa do Cristovam, para forçar as reformas e também para renegociar as dívidas. Fiz um longo discurso, dizendo que o governo vai renegociar, mas que era "mais corda para vocês se enforcarem". Ou se vai à raiz das coisas e realmente se modifica a estrutura administrativa, ou não tem solução, vão ficar o tempo todo chorando e usando o governo federa! Eles sabem disso, mas choram do mesmo jeito. Até brinquei com Cristovam, que era o muro das lamentações o que eles estavam fazendo lá, e que quem gosta de muro é tucano; perguntei se ele era tucano, para amenizar um pouco o ambiente. Depois eu disse que a indústria paulista cresceu 8,1% no trimestre, e todo mundo fala em crise. Nunca vi crise e um crescimento de 8%. E disse que tínhamos que mudar o mote.

 

Quando termino essa reunião, vem a imprensa toda sabendo das nomeações.

 

A Globo entrou em linha direta, em plantão, e anunciou cinco ministérios. Eu neguei. Na verdade, quando fomos ver depois, ela deu direitinho tudo que tinha acontecido no almoço, e isso me aborreceu muito. Me parece que foi o Luís Carlos Santos, o que é um mau começo para quem vai ser coordenador político: utilizar a Globo. Resultado: chamei o Amin correndo, ele já estava irritado, porque isso abriu o jogo, o PPB ficou assustado porque o pessoal quer Agricultura, e não Indústria e Comércio, e querem realmente para os fins conhecidos. Amin foi cooperativo e ficou de falar de novo à noite com o pessoal. Eu disse a ele que era o Dornelles e nessas condições.

 

Depois de pensar bastante, mandei anunciar que o Raul Jungmann seria o ministro da Reforma Agrária e confirmei o Luís Carlos Santos (como coordenador político) no que ele mesmo botou no ar despropositadamente.

 

À noite, o Amin me disse que a reunião dele com o pessoal não tinha sido fácil, que ele queria falar comigo hoje de manhã, dia 25. Ele me telefonou às nove da manhã, está chegando para conversarmos. O que vai resultar disso? Ele vai fazer pressão sobre mim para mais concessões ao PPB. Tenho certeza disso. Ninguém nasceu ontem, e o anúncio deu esse resultado caótico, que me enfraquece na negociação.

 

Ontem à noite fui à casa do Sarney porque era o aniversário dele. Estava todo mundo lá, o Luís Carlos, o ambiente bastante descontraído, um vinho Château Lafitte 82, toda a imprensa lá dentro, é assim que eles fazem política aqui, todos me receberam muito bem e também tratei todos muito bem. Sem novidades, voltei para casa.

 

Todo mundo telefonando. Irritação no PSDB; alguns líderes, claro. Com um coordenador político diminui a força dos líderes, eles pensam que perdem o contato direto comigo. Na verdade, é isso mesmo. Não dá para eu ficar o tempo todo na linha de frente. Os jornais hoje já estampam o negócio do Raul Jungmann e também sobre Luís Carlos Santos, não sei qual será a recepção, se não vai ser má, desses dois. E agora temos que resolver a questão da Agricultura e, eventualmente, da Indústria e Comércio. Se o PPB não aceitar, o que é possível, fica como está e nomeio para a Agricultura o João Elísio, que foi vice do Richa, é amigo do Zé Eduardo e é do PTB. Já está nos jornais! Eu só falei isso com Eduardo Jorge e com o Clóvis, imagino que o Zé Eduardo tenha lançado como uma maneira de se prestigiar. Mas é assim, não tem solução. Mal se pensou, está no jornal e nem sempre de maneira correta.

As interpretações vêm e a intriga cresce.

 

Hoje é 25 de abril, quinta-feira, meia-noite. Eu disse que ontem foi um dos dias mais difíceis, e anteontem também, desde que assumi o governo. Hoje foi talvez não o mais difícil, mas o mais duro para mim. Por quê?

 

Pela manhã recebi o senador Amin, que me veio dizer o resultado da reunião de ontem do PPB. Eles provavelmente vão aceitar, claro, eles queriam um pouco mais de espaço no futuro, um desdobramento, com a Educação, mas enfim. Pediu que eu telefonasse para o Maluf coisa que fiz. Maluf disse que o partido se sentia honrado de poder colaborar com o governo, grande presidente, não sei o quê, embora ele tenha, ao que consta, na véspera, pedido ao Amin que votassem contra a participação no governo. Até aí tudo bem, tudo normal. Em seguida fui para o Palácio do Planalto.

 

Despachos usuais de manhã. Recebi uma porção de parlamentares. Tive um almoço com o pessoal do Estado de S. Paulo, o [Aluízio] Maranhão e eu conversamos sobre assuntos gerais, sobre política social. Contei um pouco, mas muito pouco, a respeito do ministério, eu não podia dar furo nessa matéria, e depois do almoço voltei ao Planalto. Pela manhã eu tinha assistido a uma solenidade com o Jatene sobre o tema oftalmologia e depois do almoço voltei com toda a tranquilidade para o Planalto, porque imaginei que fosse ser um dia relativamente calmo, como até certa hora foi.

 

Bom, o que aconteceu?

 

Cheguei ao Planalto, recebi Malan, Clóvis, Pedro Parente, discutimos um pouco sobre salário mínimo, os índices, coisa que vamos discutir com mais profundidade amanhã, sexta-feira. O Malan veio com aquela de que não quer saber do Dornelles, eu expliquei as circunstâncias e tal, e ele disse que a Dorothea estava magoada.

Claro, eu sei que ela está magoada, a Ana me contou que foi recebê-la no aeroporto, ela estava muito chocada com o que aconteceu, isso foi na madrugada de ontem.

 

Continuamos a rotina normal do governo, muita pressão do PSDB, porque não estão conformados com a nomeação do Luís Carlos Santos. Pedi que viessem ao Alvorada, veio o Zé Aníbal, tive uma conversa longa com ele sozinho, ele tem sido bastante valioso em todo esse processo, e realmente talvez ele [devesse ter] sido mais bem informado das coisas, e foi elegante.

 

Depois recebi o Teotônio [Vílela], o Sérgio Machado, o Arthur Virgílio. Recebi também o Almir Gabriel, tensíssimo com a questão do Pará, que me deixou uma documentação farta para mostrar que o MST não é de brincadeira. Ele tem lá várias experiências, e, coitado, caiu na mão dele essa bomba do massacre; ele naturalmente está extremamente perturbado. Pelo que me contaram à noite o Teotônio e o Arthur, a imprensa foi impiedosa para com ele.

 

Recebi de novo deputados, parlamentares. Falamos sobre as questões agrárias, rotina. Decidi que ia visitar a Dorothea. Nesse meio-tempo já tinha recebido o Raul Jungmann, marquei uma conversa com ele no próximo fim de semana. Ele está animado. Hoje não falei pessoalmente com o Luís Carlos Santos, só por telefone, de manhã, nem com o Luís Eduardo, que aliás passou mal, está muito preocupado.

 

Fui à casa da Dorothea. Eu tinha que ir.

 

Havia muita imprensa na porta, muitas crianças, entrei, estavam ela  uma irmã, eu me emocionei, ela chorou, eu também. Na verdade ela está sendo vítima de uma armadilha da história e eu também. Conversei quase três horas com a Dorothea. Deixei que ela desabafasse, me disse coisas preocupantes. Ela acha que estamos fazendo um pacto com o diabo, que o PPB não vai funcionar, que o [Francisco] Dornelles vai arrebentar o trabalho todo do Ministério de Indústria e Comércio, tem medo da corrupção. Ela tem horror ao Dornelles, já tinha manifestado isso antes, valorizou o trabalho que fez, e fez muita coisa mesmo, é uma pessoa séria, trabalhadora e animada, tem uma boa equipe. Me diz ela que o Caíto [Caio Carvalho] da Embratur vai embora, que os principais dirigentes do ministério vão embora, que não suportam o Dornelles. Ela é cooperativa, ao mesmo tempo que dizia isso, dava dicas e anotava.

 

Dorothea é uma pessoa admirável e fui ficando com raiva de mim mesmo. Porque na verdade eu fiz a escolha de Sofia, não tinha jeito, eu sei que não tem jeito, porque ou tem o PPB, ou não passam as reformas, mas justamente em cima da Dorothea é uma coisa muito pesada para ela e para mim.

 

Além disso, a dúvida é a seguinte: as reformas vão sair? Compensa tanto esforço para fazer as reformas? Esses malditos três quintos. Acabamos caindo na armadilha para a qual tanto alertei no começo do governo. Eu não queria ser prisioneiro do Congresso, porque o Congresso é isso, é negociação incessante. Dorothea me disse coisas duras, que foi obrigada a engolir indicações na Embratur, mostrando esse aspecto de que eu não gosto, nem ela, mas que é da prática brasileira e talvez de todo o mundo.

 

A avaliação dela é que é um preço muito alto, que era melhor parar as reformas e fazer a regulamentação das leis ordinárias, só que ninguém me disse isso antes, nem ela, e todos dizem o contrário. Eu disse: "Bom, nós somos vítimas de uma proposta que é nossa, a área econômica vive afirmando que sem as reformas o real não se mantém em pé, como é que nós fazemos?". Ela sabe disso tudo, claro.

Vai fazer uma nota dura de despedida, mostrando o que fez, está irritada, com toda razão, com a baixaria de notinhas na imprensa de hoje, uma coisa nojenta, aparentemente dito pelo Delfim, o Maluf teria criticado pela televisão o comportamento dela como ministra, enfim, uma coisa inaceitável. Eu vou reagir, no momento da posse do Dornelles, em algum momento, se é que se vai chegar até lá, vou reagir pela dignidade da Dorothea e, no fundo, pela minha própria.

 

Enfim, começo a sentir o travo amargo do poder, no seu aspecto mais podre de toma lá dá cá, porque é isto: se eu não der algum ministério o PPB não vota, se eu não puser o Luís Carlos Santos o PMDB não cimenta, e muitas vezes - o que Dorothea diz tem razão - fazemos tudo isso e eles não entregam o que prometeram.

 

Eu tenho que ser mais duro. Temos que exigir votações de muitas coisas já e depois também é preciso demitir, é preciso fazer uma escolha. Eu sei disso. Toda a minha estratégia era fazer as reformas primeiro e, depois, a mudança do ministério. Não funcionou, porque eu queria estar livre dos partidos, tive que fazer uma minirreforma do ministério antes do fim das reformas.

 

Agora estou na ilusão de que vou conseguir fazer as reformas até as eleições.

 

As eleições vão estraçalhar os partidos, as alianças vão se desfazer em larga medida.

Depois das eleições, tenho que fortalecer o PSDB e governar somente com o PFL.

É incrível isso. O PFL tem se mostrado mais apto a governar e menos exigente do que outros partidos que aí estão. Temos que pegar para o PSDB a parte do PMDB que vale a pena, e talvez um sistema de dois partidos para poder garantir a continuidade do governo. É isso que estou vendo neste momento. 


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Marcio Mafra
17/04/2016 às 00:00
Brasília - DF

Assim que chegou às livrarias, comprei “Diários da Presidência”, em novembro de 2015. Fiz a leitura entre 15 de fevereiro e 15 de abril de 2016.


 

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