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Arquipélago

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Arquipélago

Livro Muito Bom - 1 opinião

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Autor: Joel Neto

Editora: Marcador

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português (de Portugal)

Páginas: 459

Ano de edição: 2015

Peso: 725 g

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Muito bom
Marcio Mafra
31/01/2016 às 15:09
Brasília - DF
José Artur Drumonde é o principal personagem de Arquipélago, livro que o escritor Joel Neto criou, onde perpassa mais de 70 anos de história da Ilha Terceira, uma das nove ilhas da região dos Açores.
Depois de 35 anos de ausência, José Artur tenta refazer os laços, a historia, as emoções e até os amores de seu avô, José Guilherme Drumonde.
Dois grandes mistérios estão presentes na história: O desaparecimento de uma criança e o grande terremoto de 1980, do qual José Artur não sente “a terra tremer sob seus pés”.
No seu retorno, José Artur encontra e passa a conviver com pessoas como: Elias Mão-de-Ferro, velho intolerante; Maria Rosa, uma loirinha de 8 anos, conhecedora das raças de vaca, de outros bichos e das manias das pessoas adultas; Cabrinha, dono do bar; Salete, a melhor cozinheira; Luísa Bretão, mulher por quem José Artur arrastava asa. Além de outros, com nomes tão curiosos como suas histórias e seus passados: Deodato das Aninhas, Bodé, Hildeberto Ligeiro, Violeta Berquó, e Boca de Sapo, o automóvel de seu avô, que ele conseguiu fazer voltar a funcionar.

Mas José Artur também voltou, por um motivo – nem sempre muito claro – de buscar o que acreditava serem vestígios da Atlântida, utopia de arqueólogos e historiadores famosos.

O final – completamente inesperado – é alucinante.
Livro bom, gostoso de ler.
Mas se o leitor nem sabe onde fica Açores, tudo o que conhece de Portugal é o bacalhau e a historia mal contada do descobrimento do Brasil, então é verdadeiro supor que não vai gostar de Arquipélago.

Marcio Mafra
31/01/2016 às 00:00
Brasília - DF

A história de José Artur Drumonde, que retorna à Ilha Terceira depois de 35 anos de ausência. Ele busca vestígios da Atlântida, a utopia sempre mencionada por arqueólogos e historiadores. Essa utopia se confunde com as lembranças que Drumonde tem da vida de seu avô, José Guilherme. O neto reconhece a velha casa de seu avô e decide compra-la para tentar reconstruir tudo como era: vida, costumes, crenças, vizinhos, amigos, parentes e amores. Descobre e vive coisas muito misteriosas.Inclusive uma criança desaparecida e um homem que não sente os terremotos.

Marcio Mafra
31/01/2016 às 00:00
Brasília - DF

Ilha Terceira - 2015

Elisabete e Manuel Jácome Linhares Dutra, recordados na Terra Chã pela alcunha materna de Sarralha, tinham respectivamente dois anos e meio e nove meses de vida quando deixaram a Terceira. Embriagado de excitação, o povo convenceu-se de que haviam sido levados para a América, onde o pai pretenderia reconstruir-se ou beber até à morte. Um escândalo das proporções daquele que se abatera sobre o subchefe do lugar da Fonte Faneca exigiria nada menos que uma fuga para o fim do mundo.

Afinal, mudaram-se os três para a ilha de São Jorge, pouco mais de sessenta milhas para oeste. Isto, contou-o a José Artur o próprio Jácome, na manhã seguinte ao confronto do Terreiro.

Forçado a pensar depressa, Manuel Roque Dutra pediu transferência e, ao fim de dois dias, instalou os miúdos numa pequena casa da Vila das Velas, em cuja esquadra deveria ocupar-se da contabilidade. Tinha a consciência de que o paradeiro dos três não tardaria a chegar ao conhecimento dos curiosos, mas a sua última intenção era esconder-se, e São Jorge pareceu-lhe um destino tão bom como qualquer outro.

Precisava de afastar-se porque a mulher se suicidara, o que haveria de dizer alguma coisa sobre ele próprio também. De tanto fugia: do homem que deixara morrer o seu amor. A condição de macho traído, o fracasso, a humilhação - nada disso o inquietava tanto como se poderia esperar. Habituara-se a olhar para si mesmo como um homem instruido o suficiente para condescender com a crueldade de que a ignorância sempre se revestia, e chegara a altura de o demonstrar.

No Comando de Angra, ninguém lamentou a sua partida, a não ser por razões de ordem prática. Inquietas com os seus silêncios e os seus hábitos rotineiros, as chefias tinham-lhe destinado a responsabilidade dos serviços de tesouraria, onde Manuel Roque haveria de passar anos com a cabeça enfiada nos livros, inclusive após a passagem a graduado.

Era, segundo muitos, um homem indiscernível, com tanto de minucioso como de maníaco. Mas mesmo para alguém assim haveria de ser difícil lidar com um advento daquela natureza, e a transferência foi aprovada de imediato.

No fim, o subchefe não teve tempo sequer de despedir-se. Velou Ana Maria sozinho e enterrou-a praticamente sozinho também, na companhia de dois coveiros, um representante da Polícia e três ou quatro vizinhos de que, meses depois, já não seria capaz de recordar os nomes.

O padre da Terra Chã recusou-se a realizar exéquias, menos porque a falecida se suicidara do que em função das suas inclinações para o paganismo e a bruxaria, de todos bem conhecidas. Manuel Roque pensou contactar a Diocese, a solicitar o destacamento de outro padre, mas não chegou a decidir-se sobre se Ana Maria quereria ser enterrada com a bênção da Santa Sé.

Na tarde seguinte, fez as malas e voou com os garotos numa casca de noz que abanou durante a totalidade dos seus vinte minutos de voo, e que por um instante fugaz desejou que se espenhasse. Também por isso se perdoou. Era um homem a viver uma circunstância especial.

Partir não resolvia a situação. Os seus fantasmas haveriam de persegui-lo para onde quer que fosse. Mas não poderia voltar a deitar-se ali, naquela cama onde Ana Maria se deitara com um motorista de autocarro, saberia Deus durante quanto tempo. Procuraria os cheiros dela, o seu calor no travesseiro, o som dos seus chinelos na cozinha, ao longo de uma manhã de sábado.

E, para mais, as crianças precisavam de sair daquele lugar. As solidariedades da vizinhança, e depois destas a indiscrição e por fim a simples iniquidade, acabariam por aniquilá-Ias.

Tudo isso Jácome percebeu, averiguou ou intuiu muito mais tarde.

Na altura, era apenas uma criança de colo. Lembrava-se de, nos anos seguintes, passar longas horas sozinho com a irmã, ambos fechados na cozinha da casa das Velas, à espera de que batessem as seis e meia e pudessem acender a televisão. Lembrava-se do pai, chegando calado, já muito de noite, a cheirar a álcool e a sovacos. Não se lembrava de muito mais.

A não ser de Elisabete. Ocupava-se dele o dia inteiro, pequeníssima ainda, dando-lhe de comer e contando-lhe histórias e ralhando-lhe.

Depois passava a noite toda enfiada debaixo dos lençóis, com a almofada sobre a cabeça, a soluçar. Tinha deixado de falar, a não ser com o irmão, e a determinação com que resistia a dizer uma palavra parecia exasperar o pai mais do que qualquer outra coisa.

Ou talvez ele não se lembrasse de nada disso e tudo se resumisse a uma história que inventara, para preencher os espaços em branco. Era, de facto, demasiado pequeno. E, no entanto, havia aquele cheiro de Elisabete. Aquela voz que às vezes se lhe escapava, mas ao fim de um tempo ressurgia.

Dois anos mais tarde, Paulo Jorge apareceu na ilha e levou a miúda consigo. Disso, Jácome recordava-se distintamente: da partida da irmã, com Manuel Roque a contemplá-los por detrás da janela, de mãos nos bolsos e olhar vidrado. Tinha quase três anos e, ao vê-Ia enfiar-se pela mão do tio alcoólico no carro de praça preto, despenteada e com uma bolsinha de ráfia pendurada no ombro cujo braço fora amputado à nascença, sentira que tudo o que lhe restava no mundo o abandonava.

Mas, apesar disso, as coisas melhoraram. Passado algum tempo, o pai esteve fora uns meses. Se foi à procura da filha, não a encontrou. Regressou num dia de Inverno, já perto do Natal, apanhou-o sem uma palavra em casa do velho Eurico, o colega cuja mulher lhe servia lanches de queijo da ilha com uns biscoitos a que chamava espécies, e chorou em silêncio todo o caminho até à vila. A partir dai, nunca mais chorou.

Viveu mais quinze anos ainda, e momentos houve em que, querendo-o, uma pessoa podia levar-se a acreditar que pai e filho não eram tão infelizes quanto isso. Às vezes Jácome fazia perguntas sobre a mãe de que não tinha recordação, e Manuel Roque contava-lhe histórias venturosas de um passado que parecia conter um valor em si mesmo apesar do seu desenlace. Outras falavam de Elisabete, cujos contornos do rosto também se iam esbatendo nas recordações do irmão, criança e depois adolescente, e o pai contava-lhe sobre uma menina dotada de uma força física sobre-humana, que nem a deficiência conseguia deter se que era capaz de se atirar de árvores tão altas que alguns rapazes nem conseguiam escalá-Ias.

Jácome voltava para o seu quarto, deitava-se a olhar o tecto e sonhava com as heroínas dos filmes, cada qual mais forte e bonita do que a seguinte. Sabia que a irmã estava morta - dentro de si sabia-o. Mas nunca ousou falar nisso ao pai. Via-o remeter-se ao seu próprio quarto e queria dizer-lhe que não deveria culpar-se pelo que quer que fosse.

Nunca encontrava as palavras adequadas. Ao fim de alguns anos, começou a aparecer na casa das Velas, aos domingos, uma professora de Matemática, viúva, conhecida na escola por se distrair muito durante as aulas e, no fim do ano, passar toda a gente na mesma. Jácome celebrou-o com gosto, convicto de que Manuel Roque começava a reerguer-se. Parecia até ter deixado de beber, zeloso do afecto da professora.

Mas a parceria tinha o seu lado negro. Os dois embriagavam-se juntos, afinal - e com regularidade. Bebiam em casa dela, bebiam pela ilha, ao longo dos passeios que faziam, e não tardou que começassem a beber em público também, tornando-se primeiro um par algo córnico e depois definitivamente repelente no quotidiano dos cafés e restaurantes de São Jorge.

Num certo domingo, Manuel Roque apareceu em casa com uma chata atrelada ao automóvel, comprada a um pescador. Jácome não interveio, persuadindo-se de que, apesar de tudo, o pai ainda vivia uma situação particular.

O polícia e a professora foram dados como desaparecidos no início do Outono, num sábado de manhã. As buscas incluíram duas lanchas da polícia Marítima e pelo menos um helicóptero da Força Aérea. Só foram canceladas ao fim de uma semana.

Passados alguns dias, um apanhador de amêijoas deu com destroços de madeira junto à Fajã da Caldeira de Santo Cristo, a ondulação norte atirando-os contra o molhe. Quando os corpos foram encontrados, quase duas semanas após o desaparecimento, já ninguém em São Jorge tinha mais do que uma memória difusa sobre quem haviam sido Manuel Roque Dutra e Fátima Berbereia. 


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
31/01/2016 às 00:00
Brasília - DF

Em outubro de 2015 estava na Ilha de São Miguel, Arquipélago de Açores, quando visitei a principal livraria do Parque Atlântico, único shopping da cidade de Ponta Delgada. Ainda repercutia o lançamento do livro Arquipélago, de Joel Neto, que tinha sido lançado no mês de maio ou junho. O escritor nascido em Angra do Heroísmo, uma das ilhas açorianas tem fama, nome e importância cultural tanto em Portugal como nas ilhas dos Açores. Motivos mais que suficientes para comprar e trazer o “Arquipélago”.


 

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