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Pó de Parede

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Pó de Parede

Livro Mediano - 1 opinião

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Autor: Carol Bensimon

Editora: Não Editora

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 122

Ano de edição: 2008

Peso: 165 g

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Mediano
Marcio Mafra
30/01/2016 às 12:56
Brasília - DF
Pó de Parede conta três histórias aparentemente distintas, num só livro. Isso nem é coisa nova. A maioria dos autores do tipo cronista ou contista se utiliza dessa “técnica” e através de um fio condutor unem os personagens, ou levantam um pano de fundo comum ao objetivo da narrativa. Pessoalmente acho isso coisa de escritor menor. Escritor maior, de romance, que narram histórias grandes, que ocupam um livro com uma só história - em minha modesta opinião - são melhores, ou pelo menos, têm um talento mais evidente. Lembra-me aquele velho conceito: autores existem muitos, escritores são em menor número.

Na primeira história, Tomás, Alice e Laura são esquisitos, adolescentes, tipo ”rebelde sem causa”. Laura faz o tipo de patricinha enquanto os outros dois são desarticulados da turma de sua escola. O final é trágico.

Na segunda história “Falta Céu” Carol Bensimon conta como Titi e Lina, duas irmãs que parecem muito unidas, objetivas, românticas, e noutras passagens parecem “nerds”. Elas moram numa cidade pequena, onde “do nada” aparece um canteiro de obras e, na sequencia da história, elas acompanham cada detalhe construção, como se a autora quisesse demonstrar que “a vida continua” apesar das coisas, fatos, e acontecimentos da vida.

A última história tem o nome de “Capitão Capivara”. Um escritor famoso se hospeda num hotel para escrever um livro – onde o hotel é um dos objetivos de marketing e por isso o escritor tem suas despesas custeadas pelo próprio hotel – quando uma fã do escritor, Claudia, consegue se empregar no mesmo hotel para então conseguir meios de escrever seu primeiro romance. Final besta, embora não esperado. A autora tem sido festejada como tendo “domínio da técnica”, e que possui “uma voz”, “coisa rara” de se encontrar em autores novos, e outras "babações" do gênero.

Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Carol tem estilo, sim. Tem domínio da narração. Mas eu acho que ela tem muito mais técnica do que talento.

Marcio Mafra
30/01/2016 às 00:00
Brasília - DF

Três contos: A história de Alice e da casa onde mora, cujo partido arquitetônico era o de uma caixa (de caixa mesmo) que é motivo de admiração e especulação por parte dos vizinhos de rua, do bairro e da cidade inteira.

“Falta Céu” é o segundo conto com Nina e Titi, duas irmãs "ligadaças" uma na outra. Lina vive divagando. Divaga até na derrubada de parte duma floresta, perto do rio que margeia a sua cidade, onde surge grande construção de um condomínio.

O ultimo conto, de nome “Capitão Capivara” que entrelaça a vida de Carlo Bueno e Clara. Ele escritor famoso que se hospeda num hotel para escrever um livro, cuja história (ou drama) se passa no próprio hotel. É uma forma de fazer marketing do hotel, que custeia todas as despesas desse hóspede famoso.  Clara, por sua vez, pretende ser escritora, pesquisa matéria para o seu primeiro livro e para isso decide tentar um emprego (que consegue) no hotel onde está hospedado Carlo Bueno.

Marcio Mafra
30/01/2016 às 00:00
Brasília - DF
Titi entrou correndo no rio, batendo n' água com as palmas abertas. Voavam gotas aos montes, num barulho que tapou o dos carros na estrada. Parece é que ela se 
divertia sempre, mesmo com a repetição sem fim, e nisso Lina sentia umas pontas de raiva, que abafava logo para não achar que era má.
 
E daí fazia uns mimos e pronto, respirava aliviada. Mas quem sabe o que ia acontecer dali a dois ou três anos com a tal da facilidade da Titi em se agradar de qualquer coisa. 
 
Lina foi entrando na água bem devagar, sentindo o gela­do, ajeitando o biquíni, olhando a margem, o mato. O tron­co da figueira não tinha nem garoto nem bicicleta encosta­da,
e a sombra da figueira, ninguém espalhado por cima. 
 
Em volta era só pássaro e peixe, o cansaço de não acontecer nada. Cidade besta. Uma praça, uma igreja, nenhum semá­foro, conversas repetidas. Quem consegue sair, vira herói e 
assunto. No domingo, as famílias vão para a rua e andam de uma ponta até a outra e bem devagarzinho, que é pra cida­de não acabar rápido demais. Passeiam na igreja. Passeiam 
na praça. O herói vem de longe, a família sai para desfilar o herói. E os outros, nas esquinas, poucas esquinas, fazem concha com as mãos para contar o que ouviram dizer. 
 
Lina foi até a metade do rio. Quando mergulhou, ouviu que a Titi começava a falar alguma coisa, mas então a água ficou por cima do resto. Abriu os olhos lá embaixo. As per­nas
da irmã batiam sincronizadas, como um brinquedo de corda posto numa bacia.
 
Lina se aproveitou do silêncio o tempo que pôde. Até que era bom. Deu então para imagi­nar ou relembrar o João. O João era um dos meninos, ou o único. O resto eram os meninos
que andavam com o João e só. Riam todos do mesmo jeito (das piadas do João). Sen­tavam todos do mesmo jeito (em volta do João). Jogavam todos o videogame do João.
 
Pela janela se via em muitas noites o azulado da sala, se sentia o cheiro da pipoca, se es­cutavam os dedos batendo os botões, e os gritos dos zum­bis destroçados, pá pá pá,
mas o João é muito bom mesmo e o jogo acabou tão rápido que tem que mandar vir outro, porque em casa de João não tem data para ganhar presen­te,
nem se precisa provar bom comportamento. Pois então foi esse o João que Una quis imaginar empoleirado num galho da figueira, com um cigarro atrás da orelha, sorrindo 
e oferecendo. Quer, Una? Nunca aconteceu. 
 
Saiu debaixo d'água. Nisso a pequena se chegava com as pernas aos trancos e os olhos grandes cintilando de um medo contente, ansiosa para dar a notícia. Você tá 
ouvindo isso? Sim, ué, um barulhão, mas o que é? Fala, pô.
 
Titi respirava pesado. E mesmo que a princípio não houvesse mais ninguém por perto, primeiro Titi fez uma concha em volta da boca, para daí então falar. 
 
Correram a recolher as roupas e vestiram algumas peças ao contrário.
 
Mas você viu ou acha quê? De que tamanho e quantas? Lina levou os chinelos na mão por­ que não teve paciência de calçar. Iam rápido, as blusas já com as manchas d'água,
Titi na frente empurrando o mato com as pernas que pingavam, Lina com o jeans ar­rastando na grama.
 
O João devia estar matando zumbis, enquanto, perto do rio, a cidade se agitava num segredo ainda não descoberto. O pé de Lina deslizou na lama e continuaram correndo.
 
Chegaram perto e ficaram acoco­radas atrás do mato. Eram três retroescavadeiras e esta­vam pondo tudo abaixo. Arrancavam as árvores do chão e essas iam cair umas sobre as outras.
Engatavam uma ré e iam de novo. Havia então o barulho dos galhos se que­brando e o farfalhar exagerado das folhas, como se numa grande tempestade que põe as crianças encolhidas
debai­xo das cobertas.
 
E das árvores partidas, o cheiro doce da seiva tomava todo o ar de março. 
 
Um espaço vazio já estava aberto no meio do verde amontoado. Era de onde um homem dava ordens e indi­cava direções às retroescavadeiras, e sua barriga gorda e mole aparecia cada vez que levantava o braço. Seis dias sobre sete e era isso o que ele tinha que fazer, derrubar.
 
Passou as costas da mão pela testa e olhou em volta. As meninas se abaixaram ainda mais, uma empurrava a ou­tra por um pedaço maior de moita. O homem limpou a 
garganta, o som de um animal selvagem que vai atacar. 
 
Cuspiu na terra. A terra antes não parecia tão vermelha quanto estava agora. O homem gritava, apontava, cuspia. 
 
Uma retroescavadeira estava brigando com uma grande árvore que não podia correr. A máquina ficou mais barulhenta e foi com tudo. Deixou o tronco lascado, e ia então mais uma vez.
 
Cheiro bom. De seiva. De terra mexida. 
 
Mais uma vez. Ouviram que se soltava, que perdia, como um rasgo, um som seco, o que faz fogo atiçado. A árvore daí de ponta-cabeça no amarelo da máquina, carregada 
sem jeito, como princesa levada pelos cabelos. 
 

  • TODOS NÓS ADORÁVAMOS CAUBOIS

    Autor: Roberto TaddII

    Veículo: Guia da Folha de São Paulo

    Fonte: Folha de São Paulo - Guia da Folha 21/12/2014

    Guia da Folha 21 de dezewmbro de 2013

    TODOS NÓS ADORÁVAMOS CAUBOIS

    Em seu segundo romance, Carol Bensimon trata das tensões inerentes à afirmação da identidade cultural e ao exercício da liberdade individual no Brasil do início do século 21.

    Com uma prosa firme e suave, conta a história de Cora e lúlia, um jovem casal homossexual que embarca em viagem de carro pelas estradas do Rio Grande do Sul, num acerto de contas com o passado.

    Júlia mora no Canadá, onde deixou um ex-namorado, e sofre para assumir a sexualidade. Cora vive em Paris e seu pai casou se de novo com uma mulher mais jovem, com quem terá mais um filho. O arranjo

    articula um mundo em que elas não se encaixam, onde precisam pisar firme, usar botas tipo Doc Martens e erguer os próprios discursos numa mistura de "duelo", "romance" e "deserto", como intui a narradora.


    Nesse caminho, Bensimon constrói passagens marcantes, como esta: "Nós estávamos de joelhos na cama agora. Em mim, havia sobrado a calcinha. Em lulia, nada. Eu sentia o corpo dela me empurrando para

    trás e estava disposta a ceder só um pouquinho de cada vez, ela vinha, eu recuava, e todos esses pequenos recuos eram na verdade eu pedindo por favor que ela me deitasse e se esticasse sobre mim, com

    os cabelos fazendo cócegas no meu rosto e tudo.

    Ela me deitou,"

    (ROBERTO TADDII)

Marcio Mafra
30/01/2016 às 00:00
Brasília - DF

Comprei “Pó de Parede” em dezembro de 2015 de tanto ler referencias à sensacional Carol Bensimon, escritora revelação entre os novos escritores brasileiros. Parecia até que ela trabalhava na Rede Globo. Eu já havia lido "Quem Tem Medo de Cawboy" da mesma autora e sabia que o festejado "Pó de Parede" não era sucesso entre os leitores, mas os críticos, comentaristas, artistas de TV e outros intelectuais continuavam afirmando que Carol Bensimon é a maior do gênero. Será?


 

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