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Cabeza de Vaca

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Cabeza de Vaca

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Autor: Paulo Markun

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance Histórico

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 283

Ano de edição: 2009

Peso: 385 g

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Excelente
Marcio Mafra
01/11/2015 às 20:17
Brasília - DF
Don Alvar Núnez Cabeza de Vaca, descendente de nobres espanhóis, era um excelente lobista em sua época.
Tinha trânsito na corte espanhola e se afigurava como um bom e fiel soldado servidor de Sua Majestade, principalmente para viagens de conquista.
Era manipulador, articulado, inteligente, disposto a conquistar terras, ou invadi-las em nome de Sua Majestade.
Tempestades e furacões resultaram em naufrágios que somados ao desconhecimento da região, além das lutas com indígenas, acabaram em mortes e desparecimentos dos espanhóis conquistadores.
Mesmo assim Don Alvar tornou-se comerciante, curandeiro, governador e prisioneiro.
Além do poder de persuadir, ele escrevia muito bem para a sua época.
Paulo Markun revisitou muitos livros e documentos sobre este conquistador e criou um romance fascinante sobre as conquistas espanholas.
O talento do autor para narrativas torna um tema histórico e bastante árido, num livro excelente.

Marcio Mafra
01/11/2015 às 00:00
Brasília - DF

A história de Dom Alvar Núnez Cabeza de Vaca, conquistador profissional ou quase um soldado mercenário, desses que existia nos anos 1450 e 1500, por ocasião dos grandes descobrimentos, conquistas de terras, e invasões territoriais, tanto de portugueses como dos espanhóis. Era também um notável escritor. Além de incontestável carisma e poder de persuasão ele escrevia bem. Sobreviveu a três naufrágios, era curandeiro de indígenas, mas também matou e escravizou muitos “conquistados”. Atravessou nu e descalço, parte dos EUA e México. Voltou à Espanha e obteve um cargo como recompensa por suas desgraças, enquanto conquistava para o Rei de Espanha. Noutra viagem foi até Santa Catarina na condição de seu primeiro Governador. Depois saiu pelo sul do Brasil e atravessou – a pé – todo o território brasileiro, chegando a Assunção. Passou pelas Cataratas do Iguaçu, de onde seguiu, novamente, em busca da “montanha de prata”. Ao retornar foi deposto. Passou quase um ano preso numa cela úmida, com pouca luz e sem ventilação. Voltou para a Espanha como prisioneiro, onde foi considerado traidor e seria condenado à forca. Mas, quando tudo parecia perdido e o fim se aproximava, sua sorte mudava...

Marcio Mafra
01/11/2015 às 00:00
Brasília - DF

Atlântico Sul, certa manhã de maio de 1545. Mais veloz entre os navios com remos, o bergantim de dois mastros, ideal para viagens curtas, sofre sob o temporal que já dura quatro dias.

Espalhados pelos onze bancos da embarcação inundada, 27 homens aguardam o naufrágio iminente. Acorrentado ao catre, num pequeno abrigo sobre a popa, está o 28o passageiro: o governador do Rio da Prata, Álvar Núñez Cabeza de Vaca, um alquebrado fidalgo de 57 anos.

De repente, o inspetor de minas Alonso Cabrera ordena a um marinheiro que lime a corrente que prende o fidalgo. Está convencido de que o temporal é uma resposta de Deus aos maus-tratos infligidos ao prisioneiro.

Assim que o sujeito cumpre a ordem, o tesoureiro real Garci Venegas ajoelha-se, beija os pés do governador e pede perdão. Pouco depois, cessa a tormenta. Os detalhes da cena, que mais parece ficção, estão registrados no Arquivo das Índias, em Sevilha, num pacote de folhas amareladas e soltas. Ali é possível acompanhar as palavras de arrependimento dos oficiais, a calmaria subsequente e a conturbada viagem do bergantim; mais um lance fantástico numa vida atribulada.

Quando o mar serenou, os oficiais libertaram três partidários do governador — o capitão Juan Salazar de Espinosa, que ele indicara como sucessor; seu secretário particular, Pero Hernández; e seu primo, Pedro Estopinán —, todos viajando, igualmente, na condição de traidores do imperador.

Depois de novos pedidos de perdão, os oficiais reais propuseram ao quarteto esquecer o passado e voltar ao Rio da Prata, onde o governador seria reempossado. Cabeza de Vaca não concordou. Dispostos a encerrar de qualquer maneira a pendenga, Cabrera e Venegas prometeram lançar ao mar o dossiê sobre os supostos crimes do governador, desde que os demais fizessem o mesmo com todos os papéis existentes a bordo. Nada feito.

A dupla tentou usar a força para impor a ideia, mas um grupo encastelou-se na popa e os rechaçou com a ajuda de um arpão e de uma lança.

E assim seguiram viagem, carregando a papelada reunida por Cabrera e Venegas e os documentos escondidos por seus rivais no bergantim, antes do embarque, e que apresentavam uma versão bem diferente do que ocorrera no Rio da Prata.

Por três longos meses driblaram a fome, até alcançarem o arquipélago dos Açores. Na ilha Terceira, Cabeza de Vaca desembarcou, a pretexto de recobrar as forças em terra, e tomou outro navio, certo de que desse modo chegaria primeiro à Espanha, determinaria a prisão de seus adversários e recuperaria o governo do Rio da Prata. Nada aconteceu como ele imaginara. Álvar Núñez pode ter ficado aborrecido, mas não surpreso. Afinal, reveses e decepções tinham sido a tônica de sua vida até então.

Soldado e camareiro tem-se como certo que o terceiro filho (e primeiro varão) do casal Francisco de Vera e Teresa Cabeza de Vaca nasceu entre os anos de 1485 e 1507 — em plena época das grandes navegações portuguesas e espanholas.

Recentemente, com base numa série de aproximações apoiadas em documentos legais, os pesquisadores norte-americanos Rolena Adorno e Charles Pautz reduziram bem a imprecisão em torno da data de nascimento de Álvar Núñez Cabeza de Vaca, estimando-a entre 1487 e 1488 (o que lhe daria 57 ou 58 anos no momento em que seus inimigos pediram perdão a ele em alto-mar).

Sua árvore genealógica registra um entrelaçamento pouco comum: depois da morte de Pedro Fernández Cabeza de Vaca, seu avô materno, a viúva, Catalina de Zurita y Figueroa, casou-se novamente, dessa vez com o avô paterno de Álvar Núñez, Pedro de Vera Mendoza, que também enviuvara. União que fez deles, simultaneamente, avós legítimos e postiços dos seis filhos de Francisco e Teresa. Na pia batismal, nosso personagem recebeu o sobrenome da mãe, tornando-se o terceiro Álvar Núñez Cabeza de Vaca em três séculos e treze gerações.

Na época, filhos que não fossem primogênitos podiam herdar o nome de família materno, para reforçar direitos de herança ou homenagear um ancestral ilustre ou renomado, como no caso.

A origem do sobrenome insólito costuma ser relacionada à batalha de Navas de la Tolosa, decisivo confronto entre cristãos e muçulmanos ocorrido em 16 de julho de 1212 ao sul de Madri. As tropas de Castela, Navarra, Aragão e Portugal corriam sério risco de ser varridas para sempre da península Ibérica. Encastelados no topo da serra, os “infiéis” tinham vantagem numérica e geográfica.

Sem comida e cercados pelos adversários, os cristãos tiveram sua sorte mudada quando avistaram na montanha, pendurado numa vara, o crânio de uma vaca devorada pelos lobos.

A cabeça de vaca fora colocada ali por Martín Alhaja, um pastor de 16 ovelhas, para indicar aos europeus o caminho mais seguro.

É o que afirma Diego Hernández de Mendoza, no manuscrito Nobiliário Antiguo, de 1570. [...] e veio um homem em hábito de vaqueiro que lhe disse: “eu posso, com ajuda de Deus, levá-los a um lugar seguro, por onde podem passar, sem perigos, se puder voltar ao lugar onde ontem os lobos me comeram uma vaca”.

Dizem alguns que esse homem se chamava Martín Alhaja. O rei lhe prometeu que, se fizesse o que dizia, lhe daria tais mercês que ele se tornaria um dos grandes do reino. Enfim, o homem passou a guiar as tropas e chegou ao lugar onde haviam matado sua vaca e apontou com a lança dizendo: “senhor, esta é a cabeça da vaca que me comeram os lobos”; e que por isso o chamaram de Cabeza de Vaca [...]

Depois da vitória, honrando-o o quanto pôde, o rei o tornou cavalheiro e lhe deu aquele sobrenome e um escudo de armas axadrezado [cor] de ouro. O ouro pela nova nobreza e o vermelho pelo sangue que ali se derramou e uma cabeça de vaca da linhagem. Há em Castela e em muitas partes, muitos cavalheiros [com esse sobrenome], embora tenha sido em Zamora onde ele teve seu primogênito.

Apesar do sobrenome que foi pespegado a Álvar Núñez na pia batismal — e de sua nobre origem —, a figura masculina mais relevante da infância dele não foi um Cabeza de Vaca, mas um Mendoza.

Ou melhor, um Vera Mendoza: seu avô, Pedro de Vera Mendoza, cujos feitos militares o neto reuniria numa probanza. Como boa parte desta história tem como fonte primária esse tipo de documento, é bom explicar: probanza era uma espécie de relatório preparado por um escrivão tomando como princípio as respostas, dadas por testemunhas escolhidas a dedo, a perguntas igualmente selecionadas para comprovar um pressuposto.

Não tinha, portanto, nenhum compromisso com a isenção. A que Álvar Núñez mandou fazer tinha o objetivo explícito de demonstrar a lealdade do patriarca de sua família com a Coroa espanhola. O papel decisivo desempenhado por Pedro de Vera nas ilhas Canárias resultou de um acordo formal com os “reis católicos”, Fernando e Isabel. O avô de Álvar Núñez assumiu a responsabilidade, os ônus e os eventuais bônus da reconquista do arquipélago, essencial para que a Espanha pudesse comerciar com a África.

O sucesso da operação contra os muçulmanos fez com que essa parceria público-privada, ou “terceirização”, fosse repetida em 1492, com as famosas Capitulações de Santa Fé, que permitiram a Cristóvão Colombo partir em busca de um caminho para as Índias, dando com os costados no Novo Mundo. Sustentado legalmente pela capitulação, e graças a uma mistura de habilidade política e força bruta, Pedro de Vera derrotou os “infiéis”, levando um cronista da época a classificá-lo como “o mais valente guerreiro e chefe de toda a ilha”.

O avô de Cabeza de Vaca batalhou seis anos até controlar a ilha de Gran Canária. Nesse período, cooptou infiéis, explorou dissensões e tomou o lugar do governador, depois de matá-lo com suas próprias mãos.

Reza a lenda que, no dia em que os nativos se renderam e aceitaram a religião cristã, houve um eclipse seguido de um terrível temporal. Pedro de Vera governou a ilha por onze anos.

Ao retornar, trouxe muitos escravos. Vendeu muitos, mas pôs outros para trabalhar em sua casa. É bem provável que seu neto os tenha conhecido. Por esse motivo, Pedro foi processado, pois escravizar prisioneiros de guerra era proibido por lei.

Tal processo pode explicar por que seu filho, Francisco de Vera, desistiu da vida militar depois de acompanhá-lo em algumas ações. Em Jerez de la Frontera, o pai de nosso personagem tornou-se um cidadão pacífico e respeitável. Conseguiu consertar as finanças da família — arruinadas pelo esforço da reconquista —, mas não amealhou o suficiente para garantir vida de nobre a seus herdeiros.

Por isso, quando Álvar Núñez tinha perto de dezesseis anos, seu tio, o comendador Pedro Estopinán, arranjou-lhe um emprego, como um dos caballeros de Jerez, a serviço do duque de Medina Sidonia, chefe de uma das mais tradicionais casas nobres e então o homem mais rico da Espanha, que morava num castelo em Sanlúcar de Barrameda.

Fora dos conventos, essa era a única maneira de um jovem remediado como nosso Cabeza de Vaca obter educação formal. Pouco tempo depois, Álvar Núñez perdeu o pai. Três anos mais tarde, o avô tão admirado morreu.

Em 1509, quando sua mãe faleceu, ele ainda não chegara à maioridade — na época, a partir dos 22 anos —, e se tornou dependente legal de sua tia Beatriz. Passados dois anos, o jovem soldado acompanhou as tropas espanholas enviadas à Itália para manter e ampliar as conquistas do rei Fernando II, conhecido como o Católico.

Não envergonhou Pedro de Vera: enfrentou os franceses, defendeu Bolonha e foi gravemente ferido na batalha de Ravena, que custou a vida de 20 mil espanhóis e foi decisiva para a retirada dos franceses.

Como prêmio por sua bravura, desfilou pelas ruas da cidade de Gaeta, perto de Nápoles, empunhando o estandarte real.


  • CABEZA DE VACA PAULO MARKUN COMPANHIA DAS LETRAS

    Autor: LMF

    Veículo: Folha de São Paulo

    Fonte: Livro com recomendação AA+ da Folha de SãoPaulo, caderno Cultural de 23/12/2009

    Desde 2009 Cabeza de Vaca está em minha lista. O jornal Folha de São Paulo, edição de 23/12/2009 recomendava o livro, com a seguinte reportagem:

    CABEZA DE VACA PAULO MARKUN COMPANHIA DAS LETRAS

    Livro com recomendação AA+ da Folha de SãoPaulo, caderno Cultural de 23/12/2009

    O jornalista Paulo Markun cotejou a obra do conquistador espanhol d. Alvar Núñez, o Cabeza de Vaca, "Naufrágios e Comentários", alias pioneira da literatura de viagens, com os depoimentos das testemunhas ouvidas em processos judiciais para refazer a saga desse contemporâneo menos conhecido de Cristovão Colombo e Fernão de Magalhães, entre outros, mas não menos corajoso. O fidalgo, que não ficou imune a ferimentos e doenças tinha muita sorte: sobreviveu a três naufrágios, atravessou, descalço, parte dos atuais EUA e México e veio parar no Brasil, onde tomou posse de Santa Catarina. Logo, porém, partiu a pé para o Paraguai em busca de uma misteriosa serra de prata. Tem muito mais, mas só lendo o livro, o 12º de Markun. LMF Folha S. Paulo +_AA 24/12/2009

Marcio Mafra
01/11/2015 às 00:00
Brasília - DF

Desde 2009 Cabeza de Vaca está em minha lista. O jornal Folha de São Paulo, edição de 23/12/2009 recomendava o livro, com a seguinte reportagem:

CABEZA DE VACA PAULO MARKUN COMPANHIA DAS LETRAS

Livro com recomendação AA+ da Folha de SãoPaulo, caderno Cultural de 23/12/2009

O jornalista Paulo Markun cotejou a obra do conquistador espanhol d. Alvar Núñez, o Cabeza de Vaca, "Naufrágios e Comentários", alias pioneira da literatura de viagens, com os depoimentos das testemunhas ouvidas em processos judiciais para refazer a saga desse contemporâneo menos conhecido de Cristovão Colombo e Fernão de Magalhães, entre outros, mas não menos corajoso. O fidalgo, que não ficou imune a ferimentos e doenças tinha muita sorte: sobreviveu a três naufrágios, atravessou, descalço, parte dos atuais EUA e México e veio parar no Brasil, onde tomou posse de Santa Catarina. Logo, porém, partiu a pé para o Paraguai em busca de uma misteriosa serra de prata. Tem muito mais, mas só lendo o livro, o 12º de Markun. LMF Folha S. Paulo +_AA 24/12/2009


 

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