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A Medida do Mundo2007

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A Medida do Mundo2007

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Autor: Daniel Kehlmann

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Sonali Bertuol

Páginas: 269

Ano de edição: 2007

Peso: 335 g

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Excelente
Marcio Mafra
19/09/2015 às 22:06
Brasília - DF
A medida do mundo se baseia na biografia de dois grandes gênios cientistas do século 19: o matemático Gauss (Johann Carl Friedrich Gauss) e o naturalista Humboldt (Friedrich Wilhelm Heinrich Alexander von Humboldt).
Durante sua viagem pela América do Sul eles medem tudo o que vêem: insetos, rochas, animais, pedras, montanhas, cavernas, lagos, rios (inclusive o Orinoco e Amazonas), vulcões, mares, estrelas, ventos, pressões atmosféricas, planetas e temperaturas.
O autor trata com graça, humor e inteligência as proezas científicas e intelectuais de cada um dos personagens, bem como os seus lados humanos.
Daniel Kehlmann trabalha com muito estilo o realismo fantástico e o talento de contar coisas científicas verdadeiras, que acabam por resultar num espetacular livro de fantasia e história. Leitura cativante. Livro excelente.

Marcio Mafra
19/09/2015 às 00:00
Brasília - DF

A história do naturalista Alexander von Humboldt e Carl Friedrich Gauss, contadas alternadamente. Gauss era filho de um jardineiro e Humboldt de um nobre decadente na busca pelo conhecimento científico do mundo. Viajaram e mediram rios, mares, montanhas, vulcões, depressões, pressões atmosféricas, correntes marítimas, coletaram plantas, pedras, venenos, esqueletos, pequenos animais e insetos. 

Marcio Mafra
19/09/2015 às 00:00
Brasília - DF

De volta a Braunschweig, ele escreveu um segundo pedido a Johanna. Depois foi buscar o frasco de curare que pegara do armário do Instituto de Química. Algum pesquisador do outro lado do oceano remetera-o junto com uma coleção de plantas, pedras e papéis com muitas anotações, um químico o trouxera de Berlim e desde então estava lá sem que alguém soubesse o que fazer com ele. Dizia-se que uma dose ínfima já possuía um efeito letal.

Eles diriam à sua mãe que havia sido um ataque do coração, sem nenhum aviso, inevitável, a vontade de Deus. Ele chamou um mensageiro da rua, lacrou a carta e pagou-o com o que lhe restava de dinheiro. Então, deu uma olhada pela janela e se pôs a esperar.

Ele destampou o frasco. O líquido não tinha cheiro. Ele hesitaria? Provavelmente nunca se sabia como eram aquelas coisas enquanto não se tentasse para valer. De qualquer forma, estava surpreendido por sentir tão pouco medo. O mensageiro traria a recusa, e então sua morte seria mais um lance com o qual os céus não contavam. Ele havia sido posto no mundo com um intelecto que impossibilitava quase tudo o que era humano, num tempo em que qualquer empresa era difícil, cansativa e suja. Certamente, estavam querendo se divertir às suas custas.

Que possibilidade lhe restava agora que a obra da sua vida estava escrita? Anos na mediocridade, ganhar o pão de forma humilhante, concessões, medo, aborrecimentos, mais concessões, dores no corpo e na alma, e o lento declínio de todas as faculdades até a incapacidade da velhice. Não!

Com uma clareza espantosa, ele percebeu o quanto hesitava. Ouvia o chiado nos ouvidos, via as mãos tremerem, escutava os movimentos breves de sua respiração. Era quase divertido.

Bateram na porta. Uma voz ligeiramente semelhante à sua mandou o mensageiro entrar. O garoto entrou, pôs uma folha de papel em suas mãos e esperou pela gorjeta com um ar atrevido. No fundo da última gaveta, ainda havia uma moeda. O mensageiro jogou-a para cima, deu meio giro e apanhou-a nas costas. Segundos depois, da janela, Gauss o viu correndo na rua.

Ele pensou no Juízo Final. Ele não acreditava que tal evento viesse a ocorrer. Os acusados poderiam se defender, algumas argumentações não agradariam a Deus.

Insetos, sujeira, dor. A permanente falta, nada era suficiente. E até na questão do tempo e espaço havia gambiarras! Se fosse conduzido àquele tribunal, ele certamente traduziria algumas das suas idéias em palavras.

Com as mãos descontroladas, abriu a carta de Johanna, colocou-a de lado e pegou o frasco. De repente, teve a sensação de que estava deixando passar alguma coisa. Ele pensou. Algo inesperado acontecera. Ele fechou a garrafa, concentrou-se, mas não conseguiu perceber o que era. Somente então se deu conta de que havia lido um sim. 


  • Em "Fama", Kehlmann cria jogo de máscaras sem magia

    Autor: MARCELO BACKES

    Veículo: Folha de São Paulo - Ilustrada, sábado, 16 de julho de 2011

    Fonte: Folha de São Paulo

    Depois do best-seller "A Medida do Mundo", Daniel Kehlmann chega mais uma vez ao Brasil.
    "Fama: Um Romance em Nove Histórias" é um palácio de espelhos, um jogo com identidades estranhas na era do mundo mediado.
    Uma mulher que tem medo de aparecer nas histórias do marido, um blogueiro cujo maior desejo é se tornar personagem de romance, uma doente que decide viajar à Suíça em busca de uma organização que oferece assistência ao suicídio, uma escritora que se perde, incomunicável, nos confins da Ásia.
    As nove histórias compõem um painel romanesco de personagens que querem viver mais de uma vida paralelamente com a ajuda do celular, da web, dos jogos de computador que prometem a volta ao arquétipo mítico.
    Alguns deles são escritores e se enrolam nas histórias que eles mesmos criam, devorados pelas próprias teias.
    A pergunta que resta ao final é: quem é o último narrador, o ser mais elevado que vigia suas criaturas, apascenta suas ovelhas e sempre se comporta como um "Deus de segunda categoria"?
    É a questão teológica da escrita num mundo chamado literatura, no qual a fronteira entre verdade e mentira não existe mais. 

    PRESTIDIGITADOR
    Kehlmann é inteligente, um prestidigitador dos mais hábeis. Seu humor tem alta voltagem, sua linguagem é apurada, seus diálogos são bem construídos.
    Nos melhores momentos, o reflexo abre portas para a reflexão, abordando temas como o acaso e o destino, o amor e a morte, a guerra que impera lá fora.
    Tudo começa e tudo termina com um toque de celular.
    No princípio trata-se de um engano, no final o telefone não é atendido.
    Quando ouvido, é sempre um índice de confusão. Outro autor alemão, bem antes, já vira no celular a cifra da contemporaneidade: Ingo Schulze em "Celular".
    Nos momentos de maior fraqueza, ele parece um Nabokov menos poético, um Borges menos abrangente, um Pynchon menos virtuoso.
    Em "short cuts", "Fama" mostra pequenos incidentes causando grandes consequências, borboletas que batem asas na Alemanha e fazem chover no Brasil.
    As "Nove Estórias" de Salinger são invocadas no subtítulo, Kehlmann quer fintar como Friedrich Dürrenmatt, mas às vezes seu jogo de máscaras é tão elaborado que acaba sucumbindo à falta de mistério e de magia.
    Como era mesmo a traição num mundo sem aparelhos?
    Falta o visceralismo de um Sherwood Anderson, que, em "Winesburg, Ohio" (de 1919!), já fazia um romance de narrativas esparsas sobre personagens telúricos.
    Em Kehlmann, a inteligência da prestidigitação é grande demais e o arquiteto primoroso constrói um prédio só com estrutura, com moradores de plástico dentro.


    MARCELO BACKES é tradutor e escritor, autor de "Estilhaços" e "Três Traidores e uns Outros", entre outros livros.

Marcio Mafra
19/09/2015 às 00:00
Brasília - DF

Desde menino ouço falar em Humboldt. Em Santa Catarina existia um lugarejo com este nome, que fora dado em homenagem ao cientista. Depois virou Corupá – que, suponho, deva ter sido trocado por motivos políticos da 2ª guerra mundial.
Em Minas Gerais, no município de Codisburgo existe a famosa Gruta do Maquiné  com mais de 600 metros de profundidade. Sabe-se que Peter Lund foi o cientista que a explorou por volta de 1830. Mas conta-se que Humboldt esteve por lá numa de suas passagens pela América do Sul.
Também, por volta de 1970 tive contato com o projeto da criação da Cidade Cientifica de Humboldt, localizada no Estado do Mato Grosso, num lugar inóspito. Do resultado do projeto nunca mais ouvi falar. Recordo-me que tratava, também, algo de política indigenista.  Na época era assunto de responsabilidade do CNPq.
Passando pela Livraria esbarrei com “A Medida do Mundo” e não titubeei.


 

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