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O Enigma de Espinosa

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O Enigma de Espinosa

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Autor: Irvin D Yalom

Editora: Agir

Assunto: Romance

Traduzido por: Maria Helena Rouanet

Páginas: 392

Ano de edição: 2013

Peso: 470 g

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Excelente
Marcio Mafra
21/08/2015 às 14:15
Brasília - DF
Irvin D Yalon neste “O Enigma de Espinosa” faz um belo romance onde a vida do filósofo judeu Baruch Spinosa, ou Bento Espinosa, se relaciona ou se entrelaça com a vida de Alfred Rosenberg, um policial do exército nazista. Mais de 300 anos separam os dois personagens que com suas histórias proporcionam uma boa (e imaginária) explicação de suas principais ideias sobre: existência, judaísmo, livre-arbítrio, vaidade, radicalismo, racismo, razão, bem e mal, filosofia da liberdade e muito da tirania do terror.

Rosemberg vai de ideólogo antissemita até responsável pela política racista do 3º Reich e pelos assassinatos em massa de judeus.

Espinosa, considerado ateu, que foi excomungado da comunidade e da religião judaica numa cerimônia chamada “cherem”, na principal Sinagoga da cidade, acabou sendo “perdoado” e tem uma rua com seu nome em Telaviv. O livro é empolgante. A história é intrigante.

Há passagens memoráveis: ...” - Não vejo o ritual como algo perigoso, Bento. Lembre-se que fui doutrinado nas crenças e nos rituais tanto católicos quanto judaicos e, nos últimos dois anos, venho estudando também o islamismo. Quanto mais eu leio, mais fico impressionado ao ver como todas as religiões, sem exceção, inspiram um senso de comunidade, utilizam ritual e música, e desenvolvem uma mitologia repleta de histórias de feitos miraculosos. E todas as religiões, sem exceção, prometem uma vida eterna, contanto que a pessoa viva de acordo com alguma forma prescrita. Não é notável que religiões surgidas de forma independente, em diversas partes do mundo, sejam tão semelhantes entre si”.

Marcio Mafra
21/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

A história de Alfred Rosenberg, que aos 16 anos é obrigado pelo diretor de sua escola a estudar a vida de Bento Espinosa, judeu português, porque Alfred fizera comentários antissemitas durante uma aula. Mais tarde Alfred Rosenberg torna-se um admirador do nazismo e um fiel colaborador de Hitler.

Marcio Mafra
21/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

Mas, se voce está pensando que a minha obra pode jamais vir a ser divulgada para um público mais amplo, está provavelmente certo. É bem possível que as minhas ideias tenham de esperar mil anos.

Os dois homens ficaram em silêncio, até que Bento acrescentou:

- Assim, considerando tudo que eu disse sobre a confiança que tenho na razão, entende por que me oponho a ler e dizer textos e orações sem levar em conta o seu conteúdo? Essa divisão interna não pode ser boa para a saúde da sua mente. Não acredito que um ritual possa conviver com a mente racional alerta. Acredito que os dois são antagonistas ferrenhos.

- Não vejo o ritual como algo perigoso, Bento. Lembre-se que fui doutrinado nas crenças e nos rituais tanto católicos quanto judaicos e, nos últimos dois anos, venho estudando também o islamismo. Quanto mais eu leio, mais fico impressionado ao ver como todas as religiões, sem exceção, inspiram um senso de comunidade, utilizam ritual e música, e desenvolvem uma mitologia repleta de histórias de feitos miraculosos. E todas as religiões, sem exceção, prometem uma vida eterna, contanto que a pessoa viva de acordo com alguma forma prescrita. Não é notável que religiões surgidas de forma independente, em diversas partes do mundo, sejam tão semelhantes entre si?

- E o que pretende dizer com isso?

- O que pretendo dizer, Bento, é que, se os rituais, as cerimônias e, por que não, também a superstição estão tão profundamente entranhados na própria natureza dos seres humanos, talvez seja legítimo concluir que nós, humanos, precisemos disso.

- Eu não preciso. Crianças precisam de coisas que os adultos podem dispensar. O homem de dois mil anos atrás precisava de coisas das quais o homem de hoje já não precisa. Acho que o motivo para a existência da superstição em todas essas culturas é o fato de o homem antigo viver aterrorizado com a condição misteriosamente caprichosa da existência. Ele não dispunha do conhecimento que poderia lhe dar aquilo de que ele mais necessitava: explicações. E, nesses tempos antigos, ele se aferrava à única espécie de explicação disponível, o sobrenatural, com orações, sacrifícios, regras kosher e ...

- E? Continue, Bento. Que função desempenha a explicação?

- Ela tranquiliza. Alivia a angústia da incerteza. O homem antigo queria sobreviver, tinha medo da morte, via-se desamparado diante de boa parte daquilo que o cercava, e a explicação proporciona a sensação, ou pelo menos a ilusão, de controle. Ele concluiu que, se tudo o que acontece tem origem em causas sobrenaturais, talvez devesse encontrar um meio de aplacar esse sobrenatural.

- Não é que eu discorde de você a esse respeito, Bento, mas simplesmente o nosso método é diferente. Mudar velhas formas de pensar é um processo lento. Não se pode fazer tudo de uma vez. Qualquer mudança, mesmo interna, deve ser lenta.

- Você tem razão, sem dúvida alguma, mas também tenho certeza que boa parte dessa lentidão é resultado da tenacidade com que os rabinos e os padres mais velhos se aferram ao poder. Era assim com o rabino Mortera, e continua sendo assim com o rabino Aboab. Mais cedo, estremeci ouvindo você descrever como ele insuflou a crença em Sabbatai Zevi. Passei toda a minha infância e juventude em meio às superstições e, mesmo assim, fico chocado ao ver todo esse frenesi em torno de Zevi. Como os judeus podem acreditar em tamanho absurdo? Parece impossível superestimar a capacidade que essa gente tem de ser irracional. A cada piscar de olhos, nasce um idiota em algum lugar do mundo.

Franco terminou de comer a sua maçã, sorriu e perguntou:

- Posso fazer uma observação à moda de Franco, Bento?

- Ah, a minha sobremesa! Poderia haver coisa melhor? Deixe eu me preparar - disse Espinosa, recostando-se e ajeitando-se nas almofadas. - Acho que estou prestes a aprender algo a meu respeito.

- Você disse que precisamos nos libertar da servidão das paixões e, no entanto, hoje, a sua própria paixão se manifestou várias vezes.

Embora você tenha sido absolutamente compassivo com o homem que tentou matá-lo  mostra-se exaltado contra o rabino Aboab e aqueles que optaram por aceitar o novo Messias.

- É verdade - replicou Bento, assentindo também com um aceno de cabeça.

- E digo mais: você também foi mais compreensivo com aquele criminoso judeu que diante das convicções da minha esposa. Não é mesmo?

Bento assentiu novamente, mas, desta vez, com certa hesitação.

- Prossiga, professor - disse ele.

- Certa feita, você me disse que as emoções humanas podiam ser entendidas como linhas, planos e corpos. Certo?

Mais um aceno de cabeça. 


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Marcio Mafra
21/08/2015 às 00:00
Brasília - DF

Desde 2013, quando a editora Agir lançou “O Enigma de Espinosa” que o livro estava na minha lista para leitura. Na época li alguns comentários favoráveis ao autor que recebera o Prêmio Internacional de Psicoterapia Sigmund Freud, em Viena, Áustria


 

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